Terça Livre

Portal de notícias brasileiro de extrema-direita

Terça Livre é um portal de notícias criado em 2014 e gerenciado pelo jornalista Allan dos Santos.[1][2][3] O site ficou conhecido por defender abertamente a extrema-direita,[4] ganhou notoriedade nas eleições presidenciais brasileiras de 2018 pela proximidade com a família de Jair Bolsonaro,[3] mantendo-se como um dos sites mais aguerridos na sua defesa.[4] Foi suspenso no Twitter[5] e encerrado no Youtube[6] por veiculação de notícias falsas. Pela mesma razão, o portal está envolvido na CPMI das Fake News.[7] No dia 12 de fevereiro de 2020, obteve uma liminar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para recuperar sua conta no Youtube.[8]

Terça Livre
Logotipo oficial do Terça Livre
Proprietário(s) Allan dos Santos
Requer pagamento? Não
Gênero Notícias
País de origem Brasil
Idioma(s) Português
Lançamento 2014

CronologiaEditar

 
Allan dos Santos durante uma audiência para a CPMI das Fake News

O portal foi criado em 2014 pelo jornalista Allan dos Santos[1][2][3] O site ganhou notoriedade nas eleições presidenciais brasileiras de 2018 por aproximar-se da família Bolsonaro.[3] Acusado de veicular notícias falsas, o portal foi envolvido na CPMI das Fake News.[7]

O Twitter suspendeu a conta do Terça Livre pela publicação de notícias falsas.[9] Allan dos Santos, depois, afirmou ter saído do Brasil por medo de represálias.[5]

Segundo um levantamento da Agência Pública, o Terça Livre foi um dos canais bolsonaristas que incentivaram a invasão do Capitólio dos Estados Unidos, ao acusar, sem provas, que as eleições foram fraudadas.[10] Segundo o pesquisador de mídias digitais, David Nemer, os bolsonaristas "trouxeram o conflito americano para o Brasil" para ganhar audiência:[10]

Eles trouxeram isso como se fossem especialistas já falando que é fraude [as eleições], que é um atentado contra a democracia, contra o Trump e tal, para um público que não seria muito interessado, mas acabou ficando interessado porque eles criaram essa guerra retórica (...) Se não tem ninguém energizado ninguém vai entrar no Youtube deles, ninguém vai fazer nada no canal deles para consumir. O caos faz isso, por isso que eles o promovem.

David Nemer também disse que os manifestantes que protestaram contra o Supremo e o Congresso Nacional em 2020 "foram motivados e continuaram sendo motivados pelos deputados e por esses blogueiros [bolsonaristas]". Conforme o levantamento, também incentivaram a invasão do Capitólio dos Estados Unidos, os deputados Bia Kicis, Carla Zambelli, Caroline De Toni, Daniel Silveira, General Girão e Paulo Eduardo Martins.[10]

O movimento Sleeping Giants alertou, em janeiro de 2021, à rede Droga Raia, de anúncios do blog Terça Livre em seu site. A Droga Raia anunciou que " Nós não compactuamos com disseminação de notícias falsas"[11] e removeu os anúncios do blog em seu site.[12][13]

Seu canal no Youtube foi encerrado no 4 de fevereiro de 2021, segundo levantado pela Folha de S.Paulo, os "vídeos violaram política da plataforma sobre integridade da eleição nos EUA e sobre conteúdo relacionado a organizações criminosas violentas".[6]No dia 12 de fevereiro de 2020, obteve uma liminar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para recuperar sua conta no Youtube, o desembargador Mathias Coltro justificou que a "remoção das contas na plataforma YouTube se mostra desproporcional, violando a garantia constitucional da liberdade de expressão e de informação".[8]A plataforma recorreu da decisão, mas Coltro ratificou sua decisão no dia 19 de fevereiro de 2021 pois "as razões que conduziram ao deferimento da liminar remanescem". O desembargador igualmente ampliou a multa diária por descumprimento da sentença de cinco mil para dez mil reais.[14]

Segundo o Congresso em Foco, após o Terça Livre sair do ar, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) conseguiu uma audiência fora da agenda com Augusto Aras (Procurador-Geral da República (PGR)) para conversar sobre "liberdade de expressão".[15]

Visão políticaEditar

O portal Terça Livre é influenciado pelo ensaísta Olavo de Carvalho, sendo considerados defensores radicais de Jair Bolsonaro e representantes da extrema-direita no Brasil.[16][17] Eles apoiaram as tentativas de Donald Trump de reverter os resultados da eleição presidencial nos Estados Unidos em 2020, promovendo teorias da conspiração sobre fraudes eleitorais.[18]

Referências

  1. a b Constança Rezende, Constança Rezende - Governo anunciou em 47 sites de notícias falsas em 38 dias, diz CPMI, Universo Online, Wikidata Q104243381 
  2. a b Como se relacionam e quem atacam no Twitter os investigados no inquérito das 'fake news' | Aos Fatos, 18 de junho de 2020, Wikidata Q105184745, consultado em 31 de janeiro de 2021 
  3. a b c d CPMI ouve Allan dos Santos, blogueiro acusado de liderar rede de fake news, Veja, 5 de novembro de 2019, Wikidata Q105308592, consultado em 4 de fevereiro de 2021 
  4. a b Borges, Leonir; Vicençoni, Daniel Longhini (2 de junho de 2020). «A extrema direita e o pensamento único». Eulim: 99–114. ISBN 978-65-87698-00-7. Consultado em 5 de fevereiro de 2021 
  5. a b Thaís Paranhos; Fernando Caixeta (31 de julho de 2020), Fake news: investigado, blogueiro Allan dos Santos diz que deixou o Brasil, Wikidata Q104243379 
  6. a b «YouTube aponta violação de regras e encerra canal bolsonarista Terça Livre». Folha de S.Paulo. 4 de fevereiro de 2021. Consultado em 4 de fevereiro de 2021 
  7. a b 'Luiz Calcagno' (5 de novembro de 2019), CPMI das Fake News ouve o criador do blog Terça Livre, Allan dos Santos, Correio Braziliense, Wikidata Q105184954 
  8. a b «Justiça concede liminar e manda YouTube reativar canais do Terça Livre - 12/02/2021 - UOL Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 13 de fevereiro de 2021 
  9. Guilherme Amado (25 de novembro de 2020), Twitter suspende conta de site bolsonarista cujo fundador é investigado no inquérito das fake news, Época (revista), Wikidata Q104243387 
  10. a b c Blogueiros bolsonaristas investigados por atos antidemocráticos apoiam invasão do Capitólio, Agência Pública, 8 de janeiro de 2021, Wikidata Q104841716, cópia arquivada em 8 de Janeiro de 2021, Já o Terça Livre dedicou oito vídeos à cobertura dos acontecimentos nos EUA, além de postagens no site e redes sociais. O youtuber Allan dos Santos, fundador do canal, fez a cobertura direto de Washington, enquanto outros colaboradores do canal comentavam em uma bancada de Brasília. Entre eles, era consenso que as eleições americanas foram fraudadas, mesmo sem evidências 
  11. Droga Raia (22 de janeiro de 2021), @slpng_giants_pt @YouTubeBrasil Olá! Agradecemos a sinalização. Nós não compactuamos com disseminação de notícias falsas. Bloqueamos anúncios em vários sites extremistas, independente da ideologia, e continuamos atualizando diariamente esta lista., Droga Raia, Wikidata Q105183973, consultado em 31 de janeiro de 2021 
  12. «Droga Raia é alvo de bolsonaristas nas redes após cancelar anúncios no Terça Livre» , O Globo, Sonar - A Escuta das Redes, Wikidata Q105183928, consultado em 31 de janeiro de 2021 
  13. Droga Raia cancela anúncios no Terça Livre e bolsonaristas reagem sugerindo boicote, Poder360, 24 de janeiro de 2021, Wikidata Q105183929, consultado em 31 de janeiro de 2021 
  14. «Juiz nega recurso do YouTube contra Terça Livre e aumenta multa diária». Época. 20 de fevereiro de 2021. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
  15. «Plataforma de financiamento do Terça Livre sai do ar e Eduardo Bolsonaro aciona PGR». Congresso em Foco. UOL. 5 de fevereiro de 2021. Consultado em 6 de fevereiro de 2021 
  16. «YouTube apaga canal 'Terça Livre', de popular influenciador bolsonarista». br.financas.yahoo.com. Consultado em 10 de fevereiro de 2021 
  17. «YouTube fecha canais de blogger de extrema-direita que apoia Bolsonaro». www.jn.pt. Consultado em 10 de fevereiro de 2021 
  18. «Blogueiros bolsonaristas investigados por atos antidemocráticos apoiam invasão do Capitólio». Sul 21. 11 de janeiro de 2021. Consultado em 11 de fevereiro de 2021