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Teriantropia é geralmente descrito como uma forte ligação entre humanos e animais. As variações podem ocorrer como pessoas que sentem-se tão próximas que chegam a entender ou conversar com animais.

O conceito tem várias possibilidades sobre essa ligação ou afinidade entre o Ser e o animal. Uma delas seria algo parecido com Licantropia, bastante vista e conhecida pelas histórias de lobisomens.

Outra variação, essa mais comum e utilizada no teriantropismo é a de pessoas que acreditam ter uma parte ou a totalidade de seu espírito pertencente a outra espécie animal que não a sua física, tendo como uma das possíveis razões a reencarnação em um corpo humano. Muitos desses indivíduos comumente se referem a seu corpo terreno como se fosse uma "jaula humana" ou casca, pois não acham que representa adequadamente a forma que seu espírito se assemelha.

Por fim, para alguns grupos esta ligação animalista não possui origens sobrenaturais ou místicas. Sustenta-se que a identificação não seria apenas de forma, com a construção de um personagem antropomórfico (como fazem muitos furries), mas é uma contínua observação de seu próprio comportamento psicológico, cuja constituição se assemelharia de alguma forma com o animal. Não se trata portanto de definir um Eu animalista por escolha, mas de um processo de auto-conhecimento e reconhecimento de si próprio com algum animal. É comum que teriantropos, durante um período, simpatizem com determinado animal, mas em uma oportunidade posterior ou por reflexões, percebam que são ligados a outro. Indo além, correndo o risco de incorreção, o teriantropismo seria uma manifestação de arquétipos animalistas que se confundem com a própria personalidade.

EtimologiaEditar

O termo "teriantropia" vem do grego theríon [θηρίον], que traduz-se como "animal selvagem", "fera" ou "besta" (implicitamente mamíferos); e anthrōpos [ἄνθρωπος], que traduz-se por "ser humano". Era um termo usado para se referir sobre folclores de transformação animal na Europa, datando do começo de 1901.[1] As vezes, o termo "zoantropia" é usado no lugar.[2]

Theriantropia foi usado para descrever crenças espirituais em transformação animal de uma publicação japonesa de 1915, "História do Povo Japonês do Início ao Fim da Era Meiji".[3] Uma fonte, "O Humano Predador", aumenta a possibilidade do termo ter sido usado a partir do século XVI em julgamentos criminais de supostos lobisomens.[4]

História da teriantropia e teriocefaliaEditar

Assim como licantropia, por vezes teriantropia se refere a refere a habilidade fantástica ou mitológica de alguns humanos se tornarem animais.[5] Nesse contexto, teriantropos são ditos capazes de mudar sua forma. A teriantropia existiu por muito tempo na mitologia, e é demonstrada em desenhos ancestrais de cavernas[6] como por exemplo O Feiticeiro, um pictograma feito em uma caverna paleolítica encontrada em um sítio arqueológico em Pyrénées, localizado em Les Trois Frères, França.

"Teriocefalia" ("encabeçamento animal") se refere a seres que possuem uma cabeça animal acoplada a um corpo humano ou antropomórfico; por exemplo, as formas dos antigos deuses egípcios (como Ra, Sobek e Anúbis).

Mitologia da troca de forma humanaEditar

 
Um sapo se transforma em uma princesa na pintura Tsarevna Frog ("A Princesa Sapo") por Viktor Vasnetsov.

Mudar de forma no folclore, mitologia e antropologia geralmente se refere a alteração da aparência física humana para a de uma outra espécie. Licantropia, normalmente descrita como a transformação de um humano em um lobo (ou lobisomem), é provavelmente a forma mais conhecida de teriantropia, seguida pela cinantropia (transformação em um cachorro) e ailuranthropy (transformação em um gato).[7] Werehyenas são presentes em histórias de diversas culturas africanas e euroasiáticas. Lendas turcas ancestrais falam sobre xamãs capazes de alterar sua forma conhecidos como kurtadams, que se traduz como "homem lobo".[carece de fontes?] Os gregos antigos descreveram a cinantropia, de κύων kyōn[8] (ou "cão"), que se aplicava a seres mitológicos capazes de alternar entre a forma humana e a forma de cão, ou que possuíam características combinadas de tanto cães quanto humanos.[carece de fontes?]

O termo existe desde pelo menos 1901, quando era aplicado a histórias chinesas sobre humano transformando-se em cachorros, cachorros se tornando pessoas e relações sexuais entre humanos e caninos.[9] O antropologista David Gordon White disse que a Asia Central é o "vórtice da cinantropia" pois as raças dos homens-cães eram normalmente postas lá por escritores antigos. Os cinantropos são também conhecidos em Timor. Eram descritos como humanos-caninos capazes de transformar outras pessoas em animais, mesmo contra sua vontade.[carece de fontes?]

O folclore europeu também menciona werecats, que podem se transformar em panteras ou animais domésticos de tamanho alargado.[10] Lendas africanas descrevem pessoas que se transformam em leões ou leopardos, enquanto os werecats asiáticos são tipicamente são tipicamente retratados como se tornando tigres.[carece de fontes?]


Aspectos psiquiátricosEditar

Dentre um conjunto de pacientes psiquiátricos, a crença de ser parte animal, ou licantropia clínica, é geralmente associada com psicose severa, mas nem sempre se relaciona com algum diagnóstico psiquiátrico específico ou descobertas neurológicas.[11] Outros reconhecem a licantropia clínica como uma desilusão no sentido de auto-desordem encontrada nas desordens afetiva e esquizofrênicas, ou como um sintoma de outras desordens psiquiátricas.[12]

Terians (ou therians) são indivíduos que acreditam ou sentem que eles são animais não-humanos em sentido espiritual.[13][14] Também há outros que afirmam ter uma conexão psicológica ou neuro-biológica — ao invés de espiritual — com a espécie animal específica. Ambos os casos constantemente usam o termo "disforia de espécie" para descrever seus sentimentos de desconexão de seus corpos humanos seu desejo subjacente de viver como sua criatura auto-declarada.[15]

As subculturas de terians e vampiros são relacionadas a comunidade otherkin, e são consideradas como parte da mesma por muitos otherkin, mas tem cultura e historicamente movimentos distintos, apesar da sobreposição de alguns de seus membros.[15]

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. De Groot, J.J.M. (1901). The Religious System of China: Volume IV. Leiden: Brill. p. 171 
  2. Guiley, R.E. (2005). The Encyclopedia of Vampires, Werewolves & Other Monsters. New York: Facts on File. p. 192. ISBN 0-8160-4685-9 
  3. Brinkley, Frank; Dairoku Kikuchi (1915). A History of the Japanese People from the Earliest Times to the End of the Meiji Era. [S.l.]: The Encyclopædia Britannica Co 
  4. Ramsland, Katherine (2005). The Human Predator: A Historical Chronicle of Serial Murder and Forensic Investigation. [S.l.]: Berkley Hardcover. ISBN 0-425-20765-X 
  5. Edward Podolsky (1953). Encyclopedia of Aberrations: A Psychiatric Handbook. [S.l.]: Philosophical Library 
  6. «Trois Freres». Encyclopædia Britannica. Consultado em 6 de dezembro de 2006 
  7. Greene, R. (2000). The Magic of Shapeshifting. York Beach, ME: Weiser. p. 229. ISBN 1-57863-171-8 
  8. kynanthropy; Woodhouse's English-Greek Dictionary; (1910)
  9. De Groot, J.J.M. (1901). The Religious System of China: Volume IV. Leiden: Brill. p. 184 
  10. Greene, Rosalyn (2000). The Magic of Shapeshifting. [S.l.]: Weiser. p. 9 
  11. Keck PE, Pope HG, Hudson JI, McElroy SL, Kulick AR (fevereiro de 1988). «Lycanthropy: alive and well in the twentieth century». Psychol Med. 18 (1): 113–20. PMID 3363031. doi:10.1017/S003329170000194X 
  12. Garlipp, P; Godecke-Koch T; Dietrich DE; Haltenhof H. (janeiro de 2004). «Lycanthropy—psychopathological and psychodynamical aspects». Acta Psychiatrica Scandinavica. 109 (1): 19–22. PMID 14674954. doi:10.1046/j.1600-0447.2003.00243.x 
  13. «We Are Spirits of Another Sort». Nova Religio: The Journal of Alternative and Emergent Religions. 15 (3). 65 páginas. 2012. doi:10.1525/nr.2012.15.3.65 
  14. Cohen, D. (1996). Werewolves. New York: Penguin. p. 104. ISBN 0-525-65207-8 
  15. a b Lupa (2007). A Field Guide to Otherkin. [S.l.]: Megalithic Books. ISBN 190571307X 
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