Abrir menu principal

O terrorismo de direita é um terrorismo motivado por uma variedade de ideologias e crenças de extrema-direita, incluindo nazismo, neofascismo, neonazismo, racismo, xenofobia e oposição à imigração. Este tipo de terrorismo tem sido esporádico, com quase nenhuma cooperação internacional.[1] Os atos terroristas são geralmente mal coordenados, e poucas organizações identificáveis têm sido envolvidas. O terrorismo de direita moderno surgiu primeiramente na Europa Ocidental na década de 1980 e na Europa Oriental após a dissolução da União Soviética.[2]

Terroristas de direita pretendem derrubar governos e substituí-los por governos nacionalistas ou fascistas.[1] O cerne deste movimento inclui skinheads neo-fascistas, hooligans da extrema-direita, jovens simpatizantes e guias intelectuais que acreditam que o Estado deveria livrar-se de elementos estrangeiros, a fim de proteger os cidadãos legítimos.[3] No entanto, geralmente não possuem uma ideologia rígida.[4]

Índice

AlemanhaEditar

Em 1980, um ataque terrorista de direita em Munique, Alemanha, matou o agressor e outras 14 pessoas, ferindo 215. Os temores de uma campanha contínua de grandes ataques terroristas de direita não se materializaram. [1]

Além de vários assaltos a bancos, o Nationalsozialistischer Untergrund foi o responsável pelos assassinatos em série de Bósforo (2000-2006), pelo atentado em Colônia em 2004 e pelo assassinato da policial Michéle Kiesewetter em 2007. Em novembro de 2011, dois membros do Nationalsozialistischer Untergrund cometeram suicídio depois de um assalto a banco e um terceiro membro foi preso alguns dias depois.[carece de fontes?]

BrasilEditar

O Brasil vivenciou entre as décadas de 1960 e início da década de 1980 uma série de eventos que poderiam ser classificados como atentados terroristas da extrema-direita ou pelo menos sua tentativa.[5] Os casos mais famosos são o Caso Para-Sar e Atentado do Riocentro que ocorreram durante a ditadura militar brasileira entre 1964-1985. Houve também uma série de atentados à bomba de menor alcance realizadas pelo Grupo Secreto e pela Aliança Anticomunista Brasileira neste período, sendo o atentado no qual veio a falecer Lyda Monteiro da Silva na OAB-RJ o mais conhecido destes. [6][7]

CanadáEditar

O atentado à mesquita de Quebec foi um ataque terrorista ocorrido em 29 de janeiro de 2017, contra o "Centro Cultural Islâmico", uma mesquita localizada em Sainte-Foy, na cidade de Quebec, no Canadá. Seis pessoas foram mortas e outras dezenove ficaram feridas. O ataque foi perpetrado às 20:00h por um atirador solitário.[8] Havia pelo menos 53 pessoas presentes na mesquita na hora do atentado. O suspeito de ser responsável pelo ataque foi identificado como Alexandre Bissonnette,[9] que se entregou às autoridades logo após praticar os crimes.

ColômbiaEditar

 Ver artigo principal: Paramilitarismo na Colômbia

Os grupos paramilitares colombianos são conhecidos por serem os responsáveis pela maior parte das violações de direitos humanos na segunda metade do conflito armado colombiano em curso. [10]

Os primeiros grupos terroristas paramilitares [11] foram organizados por conselheiros militares dos Estados Unidos que foram enviados durante a Guerra Fria para a Colômbia para combater a propagação de políticos, ativistas e guerrilheiros esquerdistas.[12][13]

De acordo com várias organizações de direitos humanos internacionais e governamentais, grupos paramilitares de direita têm sido responsáveis por pelo menos 70 a 80% dos assassinatos políticos na Colômbia por ano. [10][14]

Estes grupos são conhecidos por serem financiados e protegidos por latifundiários da elite, traficantes de drogas, membros das forças de segurança, políticos de direita e corporações multinacionais. [15][16][17][18]

A violência e o terrorismo paramilitar atualmente são principalmente voltados para os camponeses, sindicalistas, indígenas, ativistas de direitos humanos, professores e ativistas políticos de esquerda ou de seus apoiadores. [19][20][21][22][23][24][25]

Estados UnidosEditar

Durante a década de 1980, mais de 75 extremistas de direita foram processados ​​nos Estados Unidos por atos de terrorismo, embora fossem efetuados apenas seis ataques durante a década. [26] Em 1983, Gordon Kahl, um ativista da Posse Comitatus, matou dois comissários federais e mais tarde foi morto pela polícia. Também nesse ano, o grupo revolucionário nacionalista branco The Order (também conhecido como Brüder Schweigen ou Silent Brotherhood) roubou vários bancos e carros blindados, bem como um sex shop;[27] bombardeou um teatro e uma sinagoga, e assassinou o apresentador de programa de rádio, Alan Berg.[28][29]

Em 19 de abril de 1995, um ataque ao prédio federal de Murrah em Oklahoma pelo extremista de direita Timothy McVeigh, que matou 168 pessoas, se tornaria o pior ataque terrorista doméstico da história estadunidense.[30] Foi relatado que ele tinha ligações com a milícia Michigan.[31]

Eric Rudolph executou uma série de ataques terroristas entre 1996 e 1998. Realizou o atentado ao Centennial Olympic Park em 1996 - que custou duas vidas e feriu 111 - com a finalidade de a cancelar os Jogos Olímpicos de Verão de 1996, alegando que eles promoviam o socialismo mundial.[32] Rudolph confessou a explosão em uma clínica de aborto em Sandy Springs, um subúrbio de Atlanta, em 16 de janeiro de 1997; do Otherside Lounge, um bar lésbico de Atlanta, em 21 de fevereiro de 1997, ferindo cinco; e uma clínica de aborto em Birmingham, Alabama, em 29 de janeiro de 1998, matando um policial e um guarda de segurança da clínica, Robert Sanderson, e ferindo a enfermeira Emily Lyons.

De acordo com dados compilados pela New America Foundation, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, extremistas de direita cometeram pelo menos oito ataques terroristas letais nos Estados Unidos, resultando na morte de nove pessoas. De acordo com o Federal Bureau of Investigation, entre 1 de janeiro de 2007 e 31 de outubro de 2009, supremacistas brancos estiveram envolvidos em 53 atos de violência, dos quais 40 foram agressões dirigidas principalmente aos afro-americanos, dos quais sete foram assassinatos e o restante foram ameaças, incêndio criminoso e intimidação.[33] Para alguns analistas, o terrorismo de direita representa uma maior ameaça aos Estados Unidos do que o terrorismo islâmico, por exemplo.[34]

FrançaEditar

Os neonazistas do Partido Nacionalista Francês e Europeu foram responsáveis por uma série de atentados terroristas anti-muçulmanos em 1988. Os albergues Sonacotra em Cagnes-sur-Mer e Cannes foram bombardeados, matando o imigrante romeno George Iordachescu e ferindo 16 pessoas, em sua maioria tunisianos.

Em uma tentativa de enquadrar extremistas judeus pelo atentado em Cagnes-sur-Mer, os terroristas deixaram folhetos ostentando estrelas de Davi e o nome "Masada" no local do crime, com a mensagem "Para destruir Israel, o Islã tem escolhido a espada. Por esta escolha, o Islã perecerá."[35]

ItáliaEditar

 
O Massacre de Bolonha, perpetrado pelo grupo neofascista Nuclei Armati Rivoluzionari, foi o pior atentado terrorista da história da Itália

Em agosto de 1980, no atentado de Bolonha, um grupo de terroristas de direita explodiu uma bomba em uma estação de trem em Bolonha, Itália, matando 84 pessoas e ferindo mais de 180. De acordo com a polícia italiana, os perpetradores foram Valerio Fioravanti e Francesca Mambro, dois membros da organização neofascista Nuclei Armati Rivoluzionari. Ambos os acusados ​​negaram qualquer conexão com os ataques. [36]

Em dezembro de 2011, ativistas da CasaPound de extrema direita participaram de um tiroteio direcionado aos comerciantes senegaleses em Florença, matando dois e ferindo três. [37][38]

NoruegaEditar

Em 22 de julho de 2011, um extremista norueguês de extrema-direita, simpatizante do nazismo[39][40] e fascismo[41] Anders Behring Breivik, realizou ataques terroristas na Noruega, o maior assassinato em massa de pessoas na Noruega por uma única pessoa durante tempo de paz, excluindo a utilização de bombas. Primeiramente, bombardeou vários prédios do governo em Oslo, matando oito pessoas e ferindo mais de 30. Após os atentados, ele foi para a ilha Utøya com um uniforme policial falso e começou a disparar nas pessoas que frequentam um acampamento político de jovens da Liga da Juventude Trabalhista (AUF), a organização juvenil do Partido Trabalhista Norueguês, matando 68 pessoas e ferindo mais de 60.

Reino UnidoEditar

Irlanda do NorteEditar

Ativistas britânicos de extrema-direita forneceram fundos e armas para grupos terroristas lealistas na Irlanda do Norte durante o The Troubles. [42] Desde o fim do conflito, alguns membros de grupos lealistas vem orquestrando uma série de ataques racistas na Irlanda do Norte, [43][44][45] incluindo ataques com bomba tubo e armas de fogo contra casas de imigrantes. [46][47][48][49][50] Como resultado, a Irlanda do Norte tem a maior proporção de ataques racistas do que outras partes do Reino Unido, [45][51] e vem sendo classificada como a "capital do ódio racial da Europa". [52]

Nova ZelândiaEditar

O atentado de Christchurch ocorrido em 15 de março de 2019, na Nova Zelândia, foi um atentado terrorista perpetrado por militantes de extrema-direita[53] contra muçulmanos que frequentavam a mesquita Al Noor e o Centro Islâmico Linwood na cidade de Christchurch. Pelo menos 49 pessoas foram mortas nos tiroteios e mais de 20 ficaram feridas.[54] A polícia encontrou dois carros-bomba, que as autoridades desarmaram. A polícia está mantendo três suspeitos sob prisão. O ataque foi descrito como um ataque terrorista pela primeira-ministra Jacinda Ardern e vários governos internacionalmente.[55]

Ver tambémEditar

NotasEditar

  1. a b c Aubrey, p. 45
  2. Moghadam, p. 57
  3. Moghadam, pp. 57-58
  4. Moghadam, p. 58
  5. «ATENTADOS CONTRA A REDEMOCRATIZAÇÃO». Memória Globo 
  6. «Sargento Guilherme do Rosário teria participado do atentado contra a OAB». Jornal O Globo. 23 de abril de 2011. Consultado em 4 de abril de 2015  A essa altura, Rosário já figurava como um quadro de grupos terroristas cevados pelo regime. Em depoimento ao livro "A direita explosiva no Brasil", Gilberto Corrales (nome da agenda do sargento e irmão do marceneiro Hilário Corrales, artesão das bombas do "Grupo Secreto"), declarou que, se havia dúvidas sobre a participação de Ronald Watters na morte de Lyda Monteiro, secretária da OAB, no atentado à entidade em 1980, "não existiam dúvidas sobre a atuação do sargento. De acordo com o livro, "era um dos principais agentes operativos do Grupo Secreto".
  7. «Há 33 anos, Lyda Monteiro foi vítima da bomba contra a democracia». Ordem dos Advogados do Brasil - Conselho Federal. 26 de agosto de 2013. Consultado em 4 de abril de 2015  Nesta terça-feira (27) é lembrada uma das datas mais tristes na história da Ordem dos Advogados do Brasil. Completa-se 33 anos do atentado sofrido no Rio de Janeiro, que vitimou com uma carta-bomba a secretária da presidência da entidade, dona Lyda Monteiro da Silva. Em 1980, período em que o Brasil encaminhava sua saída de um dos momentos políticos mais conturbados, em que o autoritarismo e a violência insistiam em não dar o tão esperado espaço para a democracia, a OAB era a voz mais forte na luta pela defesa do Estado Democrático de Direito.
  8. Newton, Paula (30 de janeiro de 2017). «Six dead in Quebec mosque shooting». CNN. Consultado em 4 de fevereiro de 2017 
  9. Haig, Terry (31 de janeiro de 2017). «Quebec City man charged in Sunday mosque attack that killed six». Radio Canada International 
  10. a b Constanza Vieira (27 de agosto de 2008). «International Criminal Court Scrutinises Paramilitary Crimes». Inter Press Service. Consultado em 4 de abril de 2015. Arquivado do original em 10 de junho de 2011 
  11. Rempe, Dennis M. (inverno de 1995). «Guerrillas, Bandits, and Independent Republics: US Counter-insurgency Efforts in Colombia 1959–1965». Small Wars and Insurgencies. 6 (3): 304–327. doi:10.1080/09592319508423115 
  12. Rempe, 1995
  13. Livingstone, 2004: p. 155
  14. HRW, 1996: "III: The Intelligence Reorganization"
  15. Schulte-Bockholt, Alfredo (2006). The Politics of Organized Crime and the Organized Crime of Politics: a study in criminal power. [S.l.]: Lexington. p. 95 
  16. Marc Chernick (março–abril de 1998). «The paramilitarization of the war in Colombia». NACLA Report on the Americas. 31 (5): 28 
  17. Brittain, 2010: pp. 129–131
  18. Forrest Hylton (2006). Evil Hour in Colombia. [S.l.]: Verso. pp. 68–69. ISBN 978-1-84467-551-7 
  19. Michael Taussig (2004). Law in a Lawless Land: Diary of limpieza in Colombia. [S.l.]: New Press 
  20. Elizabeth F. Schwartz (inverno de 1995–1996). «Getting Away with Murder: Social Cleansing in Colombia and the Role of the United States». The University of Miami Inter-American Law Review. 27 (2): 381–420 
  21. Lovisa Stannow (1996) "Social cleansing" in Colombia, MA Thesis, Simon Fraser University
  22. Alfredo Molano (2005). The Dispossessed: Chronicles of the desterrados of Colombia. [S.l.]: Haymarket. p. 113 
  23. Immigration and Refugee Board of Canada, "Colombia: Activities of a Colombian social cleansing group known as 'Jóvenes del Bien' and any state efforts to deal with it" , 2 April 2004
  24. Brittain, 2010: pp. 132–135
  25. William Avilés (maio de 2006). «Paramilitarism and Colombia's Low-Intensity Democracy». Journal of Latin American Studies. 38 (2). 380 páginas 
  26. Smith, pp. 25-26
  27. «Free the Order Rally». Southern Poverty Law Center. Primavera de 2007 
  28. «Death List Names Given to US Jury». New York Times. 17 de setembro de 1985. Consultado em 25 de agosto de 2007 
  29. Morris Dees and Steve Fiffer. Hate on Trial: The Case Against America's Most Dangerous Neo-Nazi. Villard Books, 1993. page xiiv
  30. Michael, p. 107
  31. Marks, p. 103
  32. Full Text of Eric Rudolph's Confession
  33. Right-wing extremist terrorism as deadly a threat as al Qaeda? - CNN
  34. CHART: 17 Years After Oklahoma City Bombing, Right-Wing Extremism Is Significant Domestic Terror Threat - ThinkProgress
  35. Steven Greenhouse (20 de dezembro de 1988). «Immigrant Hostel Bombed in France». New York Times. Consultado em 20 de outubro de 2014 
  36. La storia d'Italia, Vol. 23, Dagli anni di piombo agli anni 80, Torino, 2005, pag. 587
  37. Viewpoint: Killer Breivik's links with far right - BBC
  38. Ezra Pound's daughter aims to stop Italian fascist group using father's name - The Guardian
  39. Leif Stang (18 de Abril de 2012). «Close to Nazism». Dagbladet (em norueguês) 
  40. Daniel Vergara (10 de janeiro de 2014). «Breivik vill deportera "illojala judar"». Expo Idag (em sueco) 
  41. Eva-Therese Grøttum; Marianne Vikås (10 de maio de 2013). «Breivik seeks to start the fascist party». VG Nett (em norueguês) 
  42. Goodrick-Clarke, Nicholas. Black Sun: Aryan Cults, Esoteric Nazism, and the Politics of Identity. NYU Press, 2003. pp.40–41, 45
  43. "UVF 'behind racist attacks in south and east Belfast'". Belfast Telegraph, 3 de abril de 2014.
  44. Chrisafis, Angelique. "Racist war of the loyalist street gangs". The Guardian, 10 de janeiro de 2004.
  45. a b "Race hate on rise in NI". BBC News, 13 de janeiro de 2004.
  46. "Two arrested over racist pipe bomb attacks in Londonderry". BBC News, 10 de março de 2014.
  47. "Loyalists hit out at racist attacks". BBC News, 3 de julho de 2003.
  48. "Police probe after bomb attacks". BBC News, 2 de junho de 2005.
  49. "Mother of South Belfast racist attack to leave home". Belfast Daily. 25 de Maio de 2013.
  50. "Gun attack: Family at home during 'hate crime' in west Belfast". BBC News, 24 de abril de 2014.
  51. "Bitter tide of violent racial hate recalls the worst of the Troubles". Irish Independent, 8 de agosto de 2004.
  52. "Ulster 'is race hate capital of Europe'". BreakingNews.ie. 26 de Junho de 2006.
  53. «shooting Far-right ideology detailed in Christchurch shooting 'manifesto'». The Guardian. Consultado em 15 de março de 2019 
  54. «Ataques a duas mesquitas deixam mais de 40 de mortos na Nova Zelândia». G1. 14 de março de 2019. Consultado em 15 de março de 2019 
  55. «Ataques a mesquitas deixam pelo menos 49 mortos na Nova Zelândia» (em inglês). 15 de março de 2019 

ReferênciasEditar