Teste da orelhinha

A Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), popularmente conhecida como teste da orelhinha, é um exame realizado na orelha dos bebês em até 48 horas após o nascimento, com o objetivo de detectar de forma precoce perdas auditivas congênitas, permitindo maiores possibilidades de escolher um tratamento adequado para bebês com esse diagnóstico. O diagnóstico precoce é fundamental para uma intervenção eficaz antes do período da aquisição da fala, possibilitando um melhor prognóstico, já que os primeiros anos de vida da criança são determinantes para o desenvolvimento da oralidade. [1]

Ministério da Saúde, 2012

Em 2 de agosto de 2010, o então Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei Nº 12.303, denominada Lei do Teste da Orelhinha, que dispõe sobre a obrigatoriedade de realização deste exame em todos os hospitais e maternidades, sendo eles públicos ou particulares [2].

É fundamental que TAN seja universal, ou seja, realizada em crianças com e sem fator de risco para deficiência auditiva, com índices de triagens realizadas superiores a 95% dos nascidos vivos. Entretanto, no Brasil, essa universalidade ainda não é uma realidade [3]. Atualmente, o indicador nacional de universalidade da triagem aponta 37,2%, o que representa um índice bem inferior ao que é recomendado e preconizado pelo Comitê Multiprofissional em Saúde Auditiva – COMUSA e pelo Joint Committee on Infant Hearing [4] [5].

O teste universal utilizado como base para essa avaliação são as Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes (EOAT), que consiste em uma liberação de energia sonora produzida na cóclea que se propaga pela orelha média até o meato acústico externo. Apesar de oferecer dados importantes sobre a lesão coclear, a presença das Emissões Otoacústicas depende de condições normais de orelha média e de um ambiente silencioso para realização do exame.

O teste da orelhinha deve ser realizado pelo profissional com com graduação em fonoaudiologia, ou seja, um fonoaudiólogo.

Indicadores de Risco para Deficiência AuditivaEditar

São considerados neonatos ou lactentes com indicadores de risco para deficiência auditiva aqueles que apresentarem os seguintes fatores em suas histórias clínicas [5] :

Referências

  1. Castro, Thayla Alices Pedroso De Oliveira; Rodrigues, Priscila De Araújo Lucas; Nardez, Taína Maiza Bilinski (2016). «Analise de sensibilidade e especificidade de um criterio de referencia das emissoes otoacusticas». TCC - Fonoaudiologia 
  2. SILVA, LUIZ INÁCIO LULA DA (2 de agosto de 2010). «L12303». www.planalto.gov.br. Presidência da República - Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Consultado em 1 de julho de 2019 
  3. Cruz, Lorena Rauédys Leite da; Ferrite, Silvia (1 de Dezembro de 2014). «Cobertura estimada da triagem auditiva neonatal para usuários do Sistema Único de Saúde, Brasil, 2008-2011». Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil. 14 (4): 401–411. ISSN 1519-3829. doi:10.1590/S1519-38292014000400010 
  4. Lewis, Doris Ruthy; Marone, Silvio Antonio Monteiro; Mendes, Beatriz C. A.; Cruz, Oswaldo Laercio Mendonça; Nóbrega, Manoel de (1 de fevereiro de 2010). «Comitê multiprofissional em saúde auditiva: COMUSA». Brazilian Journal of Otorhinolaryngology. 76 (1): 121–128. ISSN 1808-8694. doi:10.1590/S1808-86942010000100020 
  5. a b Hearing, Joint Committee on Infant (1 de outubro de 2007). «Year 2007 Position Statement: Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs». Pediatrics (em inglês). 120 (4): 898–921. ISSN 0031-4005. PMID 17908777. doi:10.1542/peds.2007-2333