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The Bicentennial Man

The Bicentennial Man
Autor(es) Isaac Asimov
Idioma inglês
País Estados Unidos
Gênero Ficção Científica
Série Série Robôs
Editora Ballantine Books
Lançamento Fevereiro de 1976
Cronologia
". . . That Thou Art Mindful of Him"
Mother Earth

"The Bicentennial Man" é uma novela integrada na Série Robôs, da autoria de Isaac Asimov. Foi galardoada com o Prémio Hugo e com o Prémio Nebula para a melhor novela de ficção científica de 1976.

De acordo com o prefácio de Robot Visions, Asimov foi convidado, tal como vários outros autores, a escrever um conto que seria publicado numa antologia de ficção científica dedicada ao bicentenário dos Estados Unidos da América. Porém, o projeto acabou por ficar sem efeito, sendo que o conto de Asimov foi o único a ser terminado. Asimov vendeu-o a Judy-Lynn del Rey, que alterou ligeiramente o texto. O autor recuperou o texto original quando o conto foi publicado na antologia The Bicentennial Man and Other Stories (1976).[1]

O conto serviu de base ao romance O Homem Positrónico (1993), escrito em parceria com Robert Silverberg, e ao filme de 1999 O Homem Bicentenário, com Robin Williams.

SinopseEditar

  Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Uma personagem chamada Andrew Martin solicita a realização de uma operação desconhecida a um cirurgião robótico. Porém, o robô recusa-se a efetuá-la, visto que a operação provoca danos e transgride a Primeira Lei da Robótica, segundo a qual um robô nunca poderá magoar um ser humano. Andrew, todavia, acaba por convencê-lo, afirmando que não é um ser humano.

A narrativa recua então 200 anos, para o momento em que o NDR-113 é levado a casa de Gerald Martin (identificado no conto como Sir), para trabalhar como mordomo. A Little Miss (filha de Sir) chama-lhe Andrew. Certo dia, a Little Miss pede a Andrew que lhe faça um pendente de madeira. Ela mostra-o ao pai, que, de início, não acredita que um robô seja capaz de esculpir com tal perfeição. Sir pede a Andrew que lhe esculpa mais objectos e até que estude livros sobre escultura em madeira. Andrew utiliza, pela primeira vez, a palavra "gostar", para explicar por que razão ele se dedica à escultura. Sir leva Andrew à U.S. Robotics and Mechanical Men, Inc., para que o elucidem sobre a origem da criatividade do robô, mas não lhe apresentam nenhuma explicação satisfatória.

Sir ajuda Andrew a vender os seus produtos e fica com metade dos lucros para si. A outra metade é depositada numa conta bancária em nome de Andrew Martin (embora se possa questionar se será legal existir uma conta bancária cujo titular é um robô). Andrew utiliza o dinheiro para adquirir componentes mais evoluídos para o seu corpo, mantendo-se em excelente forma, mas nunca pede que lhe modifiquem o cérebro positrónico. Sir revela que a U.S. Robots abandonou a investigação na área dos caminhos generalizados e dos robôs criativos, devido aos receios gerados pela imprevisibilidade de Andrew.

Por essa altura, Little Miss já se casara e tem um filho, o Little Sir. Andrew, ao considerar que Sir já tem quem lhe substitua os filhos adultos, manifesta-lhe o desejo de se emancipar, com o apoio de Little Miss. Sir mostra-se apreensivo, com receio de que a emancipação legal de Andrew chame a atenção para a sua conta bancária, o que poderia resultar na perda de todo o dinheiro que se encontra em nome do robô. Porém, aceita que o robô persiga o seu desejo de liberdade. Apesar de alguma resistência inicial, Andrew consegue a emancipação. Sir recusa qualquer pagamento por parte de Andrew. Pouco depois, Sir adoece, acabando por morrer, após pedir a Andrew que esteja ao seu lado na hora final.

Andrew começa a vestir roupas de humano, numa altura em que Little Sir (que obriga Andrew a chamar-lhe George) trabalhava como advogado. Ele insiste em vestir-se como uma pessoa, embora a maior parte dos humanos se recuse a aceitá-lo. No decurso de uma conversa com George, Andrew percebe que terá de aumentar o seu vocabulário e resolve ir à biblioteca. Acaba por perder-se pelo caminho, indo parar a um descampado. Dois humanos dirigem-se a ele, que lhes pergunta o caminho para a biblioteca. Eles assediam-no e ameaçam desmontá-lo, até que George chega ao local e os expulsa. Enquanto George acompanha Andrew à biblioteca, este explica-lhe que tenciona escrever um livro sobre a história dos robôs. Little Miss enfurece-se com o incidente com os dois humanos e instiga George a defender em tribunal os direitos dos robôs. O filho de George, Paul, dedica-se a lutar pela causa nos tribunais, enquanto George se concentra na opinião pública, que acaba por se orientar a favor dos robôs, o que resulta na promulgação de leis que lhes causem danos. Após a vitória judicial, Little Miss morre.

Com a ajuda de Paul, Andrew consegue agendar uma reunião com o director da U.S. Robots. Ele solicita que o seu corpo seja substituído pelo de um andróide, para que seja mais parecido com um ser humano. Após uma ameaça de processo judicial por parte de Paul, a U.S. Robots aceita dar a Andrew um corpo de andróide. Porém, a U.S. Robots riposta, ao criar cérebros centralizados para os seus robôs, para que nenhum possa ficar como Andrew. Entretanto, já com o seu novo corpo, Andrew dedica-se à robobiologia, a ciência que estuda os robôs orgânicos, semelhantes a ele. Andrew começa a trabalhar num sistema que permita aos andróides ingerir alimentos, como as pessoas, apenas para se aproximarem mais da fisiologia humana.

Após a morte de Paul, Andrew regressa à U.S. Robots, onde se reúne com Alvin Magdescu, responsável pela área de Investigação. Ele dá à U.S. Robots a oportunidade de comercializarem as próteses que acabara de conceber para o seu próprio corpo, e que podem também ser usadas em humanos. Consegue que instalem o sistema digestivo no seu corpo e começa a trabalhar num sistema excretor, para associar ao digestivo. Entretanto, os seus produtos tornam-se sucessos comerciais, o que lhe traz reconhecimento como um inventor de primeira categoria. Quando atinge os 150 anos, é organizado um jantar em sua honra, no qual ele é apelidado de robô sesquicentenário. Mas Andrew continua insatisfeito.

Andrew decide que quer tornar-se humano. Com o apoio da Feingold and Martin (a firma de advogados de George e Paul), contacta Li-Hsing, legislador e presidente do comité de Ciência e Tecnologia, na esperança de que a Legislatura Mundial o possa declarar ser humano. Li-Hsing adverte-o para a longa batalha jurídica que terá de travar, mas Andrew afirma que está disposto a lutar pelo que pretende. Aos poucos, a Feingold e Martin começa a defender, em tribunal, determinados processos que generalizam o conceito de ser humano, na esperança de que Andrew, apesar das várias próteses, possa ser considerado, fundamentalmente, um ser humano. Porém, a maior parte dos legisladores hesita, devido à sua imortalidade.

É então apresentada a explicação para a cena final. Andrew recorre a um cirurgião robótico e solicita-lhe uma operação que acabará por se revelar fatal: modificar o seu cérebro positrónico para que este se degrade, com o passar do tempo. Planeou a operação de modo a viver até aos 200 anos. Quando discursa perante a Legislatura Mundial, dá a conhecer o seu sacrifício e consegue, assim, que o passem a considerar um ser humano. O Presidente do Mundo promulga a lei no dia em que Andrew faz 200 anos, declarando-o um homem bicentenário. Nos momentos finais da sua vida, deitado na cama, Andrew tenta concentrar-se na sua humanidade, mas o seu último pensamento, à medida que a sua consciência desvanece, é a recordação de Little Miss.[2]

Universo da série da FundaçãoEditar

A história passa-se no universo da série da Fundação, retratado em muitas das obras de Asimov. Este universo abrange ainda as suas histórias anteriores sobre robôs positrónicos, com a personagem Susan Calvin. A narrativa decorre alguns séculos antes dos acontecimentos da sua novela Mãe Terra e do romance As Cavernas de Aço, durante um período em que os mundos de Spacer ainda não entraram em conflito dos os povos da Terra, e durante o qual a empresa U.S. Robots ainda se encontra em actividade.

Em Os Robôs do Amanhecer, o Dr. Han Fastolfe refere-se a Andrew Martin como um robô que deveria ter passado por uma "humanização gradual", mas afirma que isso seria impossível, pois é a forma do corpo que dita o estado de espírito.

ReferencesEditar

  1. Asimov, I. (1990) The Bicentennial Man and Other Stories, VGSF, pp. 133–134
  2. Asimov, Isaac (1992). The Complete Stories, Volume 2. Doubleday. pp. 568–604. ISBN 978-0-385-42078-5