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Theatro Circo
Fachada principal
Localização Avenida da Liberdade (Braga)
Inauguração 21 de abril de 1915
Reformação 2006
Proprietário Câmara Municipal de Braga

O Theatro Circo localiza-se na Avenida da Liberdade n.º 697, na freguesia de São Lázaro, cidade e concelho de Braga, distrito de mesmo nome, em Portugal. É considerado o mais prestigiado teatro bracarense. Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1983.

Índice

HistóriaEditar

 
Theatro Circo: placa alusiva à inauguração.
 
Theatro Circo: sala vista da Boca de Cena.
 
Theatro Circo: vista do segundo balcão.
 
Theatro Circo: aspecto da sala principal com pinturas de Benvindo Ceia.

Em 1906, um grupo de bracarenses liderado pelo então presidente da Câmara Municipal, Artur José Soares, José António Veloso e Cândido Martins idealizou o Theatro Circo. À época, a cidade possuía apenas o pequeno Teatro São Geraldo (onde hoje se encontra o edifício do Banco de Portugal), respondendo esse projeto aos anseios da cidade, que assistia a um grande desenvolvimento teatral, a exemplo do que acontecia no resto do país. Com a construção do Theatro Circo, o edifício do Teatro São Geraldo foi vendido ao Banco de Portugal, que aí construiria mais tarde a sua delegação em Braga.

O projeto do novo teatro ficou a cargo do arquiteto Moura Coutinho, sendo erguido em parte do espaço anteriormente ocupado pelo extinto Convento dos Remédios. Os trabalhos iniciaram-se em 1911 estando concluídos três anos mais tarde (1914). A sala principal, de estilo italiano e com uma capacidade de 1500 lugares, estava organizada em taburnos para uma fácil adaptação entre os vários tipos de espectáculos. Dada a sua dimensão e arquitetura foi considerado um dos maiores e mais belos teatros do país à época.

Em 21 de abril de 1915, foi inaugurado pela companhia do "Éden Teatro de Lisboa", com a opereta de Ruggero Leoncavallo La reginetta delle rose (A Rainha das Rosas), com Palmira Bastos no papel principal.

Entre 1918 e 1925 o Theatro Circo foi gerido pelo Teatro Sá da Bandeira. Neste período assistiram-se a grandes espectáculos, como as óperas Madame Butterfly de Puccini e Aida de Verdi. Foi também um período de revelações artísticas locais, como as estreias do Orfeão de Braga e da Orquestra Sinfónica de Braga. Durante a década de 1920 foi criado no imóvel o Salão Nobre.

Na década de 1930, ao teatro, à revista, ao circo, ao cinema mudo e à música juntou-se o cinema sonoro. Esta renovada arte marca um ponto de viragem no Theatro Circo. As exibições de filmes de Charlie Chaplin e de Rudolfo Valentino, e as de filmes nacionais como Minha Noite de Núpcias, provocaram o declínio das então artes tradicionais. No ano de 1933 o Theatro Circo e o Cinema São Geraldo mudaram de gerência, que foi entregue a José Luís da Costa do Teatro Garrett da Póvoa de Varzim. A Sociedade Dramática Bracarense, em 1935, iniciou-se aqui no mundo do espectáculo.

Durante a ditadura do Estado Novo, além das actuações culturais censuradas pelo Estado, foi utilizado como palco de campanha e "acções de propaganda". De salientar o dia 1 de junho de 1958, quando os espectadores foram convidados a assistir da varanda do Salão Nobre à enorme violência exercida pela polícia sobre o povo adepto da Oposição Democrática liderada pelo General Humberto Delgado.

Após a Revolução dos Cravos, com o fim da censura, as peças teatrais convergiram todas para o tema central da liberdade. No entanto, a abertura de novas salas de cinema na cidade e a ascensão da televisão no país provocam o declínio económico do Theatro Circo. Na tentativa de recuperar alguma rentabilidade, o Café Bristol (na esquina do edifício) foi vendido a uma instituição bancária, que aí instalou uma agência Em 5 de outubro de 1974 foi inaugurada uma sala de cinama "Estúdio". Em 1987, a Companhia de Teatro de Braga instalou-se no Theatro Circo. Um ano depois, em 1988, a Câmara Municipal de Braga adquiriu o imóvel pelo montante de 300.000 contos.

No final da década de 1990, a Câmara Municipal de Braga, o Ministério da Cultura e o Plano Operacional da Cultura traçaram um plano de requalificação do edifício, que incidiu na recuperação da sua traça original (exteriores e interiores) e na requalificação do Salão Nobre, do "Foyer" e da sala principal (agora com 899 lugares), projecto de Arquitectura da responsabilidade do Arquitecto Sérgio Borges com Arquitectura de Cena dos Arquitectos Flavio Tirone e Paulo Prata Ramos. As obras iniciaram-se no ano 2000.

Foram criadas duas novas salas, uma com 250 lugares e outra de ensaios, uma zona museológica, uma livraria de artes, um restaurante, um "café-concerto" e bares. A sala principal passou a ser dotada para todos os tipos de artes realizadas em salas de espectáculos, tais como o teatro, a dança, a música, o cinema, a Ópera, entre outros, possuindo também um dos melhores sistemas de som da Europa.[1]

O teatro foi reaberto a 27 de outubro de 2006, com um concerto da orquestra sinfónica Nacional Checa, com obras de Nino Rota sob a direção de Marcello Rota (sobrinho de Nino Rota). Até ao final do ano foram também apresentados outros espectáculos, a quase totalidade com lotação esgotada, como o grupo "A Naifa", Chico César, teatro com Antônio Fagundes, os Monges Tibetanos de Tashi Lhunpo, entre outros. De destacar a realização no Theatro Circo de uma das quatro únicas datas europeias do espectáculo Turning de Antony & The Johnsons ou a apresentação do concerto de Moonchild de John Zorn.

Durante o primeiro ano foram realizados 114 espectáculos distribuídos por 178 sessões para um total de 70 mil espectadores.

Em 2007, a atriz Eunice Muñoz apresentou-se neste palco, interpretando o papel de "Miss Daisy", no original de Alfred Uhry, "Driving Miss Daisy", coadjuvada pelos atores Guilherme Filipe ("Boolie Werthan") e Thiago Justino (o motorista, Hoke), numa encenação de Celso Cleto. Também o grupo Mão Morta aí estreou, em duas noites de sala esgotada, o seu espectáculo Maldoror, numa co-produção do próprio Theatro Circo, que continuou com uma programação com grandes nomes da música internacional, como Laurie Anderson, Philip Glass ou David Sylvian.

Rota Europeia de Teatros HistóricosEditar

Em 2015, o Theatro Circo é um dos quatro palcos portugueses que vão integrar uma rota ibérica associada à Rota Europeia de Teatros Históricos que distingue e liga, através de doze rotas geográfica e turisticamente estratégicas, os mais belos, interessantes e preservados teatros construídos entre o período renascentista e primeiras décadas do século XX. A Rota Ibérica é composta por mais três teatros portugueses (Teatro Lethes, Faro; o Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa e o Teatro Garcia Resende, de Évora) que foram seleccionados, tendo em conta parâmetros como a beleza arquitectónica, a relevância histórica e o estado de preservação.

Em Espanha, a rota estende-se a oito teatros: Corral Comedias (Almagro), Teatro Espanhol (Madrid), Teatro Rojas (Toledo), Teatro Arriaga (Bilbao), Teatro Principal (Burgos), Teatro Falla (Cádiz), Teatro Principal (Maó, Menorca) e Teatro Real Coliseo Carlos III (San Lorenzo de El Escorial, Madrid).[2]

CaracterísticasEditar

A tela da boca de cena, com 12 metros de largura por 8 metros de altura, é da autoria de mestre Domingos Costa (discípulo de Silva Porto) e retrata músicos, o drama e a comédia.

Da tela da cúpula, da autoria de Benvindo Ceia (1915),apenas sobreviveu a cena onde se retrata uma dança de ninfas libidinosas, sendo circundada por cenas recriadas pelo Arquitecto autor do projecto de restauro, reabilitação, remodelação e ampliação do Theatro, onde se encena a duração de um dia, do nascer do sol ao entardecer com estrela do norte e lua em quarto crescente, que segundo informação prestada visa proteger os actores e serve de bom augúrio, em circuito aberto nos restantes quartos da cúpula.

Referências

  1. Segundo a Câmara Municipal de Braga e a Biosom - Electro Acústica Aplicada, L.da [1] Arquivado em 9 de junho de 2007, no Wayback Machine..
  2. «Theatro Circo é um dos palcos na Rota Europeia de Teatros Históricos» 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

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