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Theo Dutra

Theo Dutra
Theo Dutra em sua mesa de redação, fumando, na Folha de S. Paulo, por volta de 1972.
Nome completo José Theodoreto Souto e Dutra
Nascimento 22 de setembro de 1948
São Paulo,  São Paulo
Morte 3 de abril de 1973 (24 anos)
Pereira Barreto,  São Paulo
Formação Comunicação e Direito pela USP (1967-1971)
Ocupação Jornalista, poeta e advogado
Outros nomes "Repórter da Cidade"
Cônjuge(s) Gildete de Souto e Dutra (1970-1973†)
Filho(s) Renato Souto e Dutra
Nacionalidade brasileiro
Atividade 1967-1973†

José Theodoreto Souto e Dutra, conhecido como Theo Dutra, (São Paulo, 22 de setembro de 1948 - Pereira Barreto, 3 de abril de 1973), foi um jornalista, poeta e advogado brasileiro que escrevia para o jornal paulistano Folha de S. Paulo. Se destacou por suas reportagens sobre a capital paulista, e por isso ficou conhecido como "Repórter da Cidade". A última matéria que ele publicou pouco antes de morrer tinha o título: “Paraná bate nas comportas a 100 km/h; nasce o lago”, no qual tratava sobre a barragem da Ilha Solteira, no interior paulista.

Índice

InfânciaEditar

Theo Dutra nasceu em 22 de setembro de 1948, sendo filho de Evelyna Bloen Souto e Dutra e Renato Hoeppner Dutra. Nasceu e foi criado na cidade de São Paulo. Viveu com a família até os sete anos, quando passou a estudar no Colégio São Paulo, como aluno interno. Voltou ao convívio da família aos 12 anos, desta vez com o pai e com a madrasta, Erica Lehman Dutra, mas logo depois voltou a estudar em regime de semi-internato no Colégio São Luís, onde fez o curso ginasial, ficando até o fim do curso colegial (clássico). Tinha sempre o comportamento bom, sem malícias, apesar da idade jovem e dos problemas familiares. Gostava das matérias de Português, História e Geografia. Era pouco comunicativo e utilizou o esporte para se sociabilizar e arranjar novos amigos.

Vida e carreiraEditar

Theo Dutra tinha grande vocação para o jornalismo e amava a cidade de São Paulo. Desde o curso ginasial, ele se dedicava às questões jurídicas. Desde os 18 anos de idade passou a se dedicar inteiramente ao jornalismo, sua profissão predileta. Em janeiro de 1967, começou a fazer curso de Comunicação e Direito na Faculdade de Direito da USP,[1] onde conheceu a Gildete de Souto e Dutra, com quem viriam a se casar anos mais tarde.

Mas foi mesmo no jornalismo que se tornou sua maior paixão, dedicação e realização profissional. Em julho de mesmo ano, passou a integrar o quadro de repórteres da Folha de S. Paulo. Theo fazia inúmeras reportagens, a maioria delas sobre a cidade de São Paulo, por isso ficou conhecido como “Repórter da Cidade”. Ele amava muito a capital paulista e se interessava muito pelos problemas da cidade, nos quais eram temas específicos de suas matérias. Também se dedicava a poesia, escrevendo vários poemas e canções. Assim, iniciava a sua carreira como jornalista e poeta. Além disso, falava e escrevia correntemente o francês. Por seu talento e bondade, arranjou muitos amigos na escola e no trabalho, que foi seu exemplo de coleguismo.

No dia 4 de abril de 1970, com apenas 21 anos, e quando Theo e Gildete cursavam o 4º ano do curso de direito, ambos casaram-se na capela do Colégio Nossa Senhora do Rosário. O Padre Luiz Gonzaga Dutra, que foi professor de Theo no Colégio São Luís, foi quem celebrou o seu casamento. Em 1971, Theo Dutra concluiu o curso de direito e comunicação. Em 11 de junho de 1972, nasceu o seu filho, Renato Souto e Dutra.

Theo via sua carreira crescer e se consagrar. Tinha muita ambição na realização de suas matérias. Apesar de ser muito jovem, encarava sua profissão a sério, com muita responsabilidade e dedicação. Sempre encarou a vida através de seu lado bom e com entusiasmo, além de observar as coisas profundamente, pelo seu lado filosófico. Foi, por vezes, considerado como um dos líderes e porta-vozes atuantes de uma geração jovem de jornalistas brasileiros, em pleno regime militar (especialmente no período de Anos de Chumbo), entre o fim dos anos 60 e, sobretudo, início dos anos 70.

Ocupava a chefia de reportagem nos finais de semana. Foi convidado e aceitou a fazer parte do corpo de redatores do Serviço de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo (Sigesp), em 1971. Viajou até o estado do Acre para fazer a cobertura do campus avançado da USP.[2]

Por sempre estar preocupado com a cidade de São Paulo e seus problemas, fazendo reportagens sobre ela, Theo Dutra tinha um sonho de fundar um "Clube de Repórteres da Cidade de São Paulo" (CREC), no qual reuniria os repórteres da capital paulista especializados em matérias sobre a cidade. Ele batalhou muito para a fundação desse clube, e houve ajudas para isso, como a do GEGRAN (Grupo Executivo de Planejamento da Grande São Paulo), que realizou um encontro com o Theo, e ele deu um passo para a criação do clube, que foi criado posteriormente em outubro de 1973, porém, Theo não esteve presente durante sua fundação, já que ocorreu após sua morte.[3][4]

Ele sempre olhava pelo lado reflexivo e filosófico os problemas que atingiam São Paulo, muitos deles permanecem até os dias de hoje, como crescimento urbano desordenado, caos no trânsito e transporte público, saneamento básico, lazer, habitação, violência e administração pública, bem como suas causas e discutia possíveis soluções eficazes e realistas para elas. Tais soluções propostas pelo jovem jornalista marcavam presença em quase todas as suas matérias. Assim, Theo se consagrava pelo título de "Repórter da Cidade".


Obras e ReportagensEditar

Foram mais de 100 reportagens e coberturas assinadas exclusivamente por Theo Dutra, além daquelas realizadas com equipe especial, e publicadas na Folha de S. Paulo entre 1968 e 1973. Todas elas referente aos assuntos locais da cidade de São Paulo, que eram especialidades do repórter. A seguir, apenas algumas das principais dessas matérias publicadas por Theo.


A primeira grande reportagem do jornalista publicada na Folha de S. Paulo foi a cobertura sobre a despedida da visita da Rainha Elizabeth II da Inglaterra à São Paulo, em novembro de 1968. A cobertura foi realizada através de uma equipe especial de repórteres, entre eles, estava o então estreante Theo Dutra, à época com apenas 20 anos, que havia ingressado na redação da Folha um ano antes, em 1967. A matéria da cobertura sobre a despedida da Rainha Elizabeth, bem como a descrição sobre sua vida pessoal e o dia-a-dia da visita à capital paulista, foi publicada em 9 de novembro de 1968.[5]

Em junho de 1969, Theo Dutra publicou na seção de caderno Folha Ilustrada (da Folha de S. Paulo), uma reportagem sobre a vida e carreira da escritora e dramaturga Ivani Ribeiro,[6] autora de várias novelas de sucesso entre os anos 60 e 90, que na época trabalhava na TV Tupi.

Também fez reportagem sobre a vida pessoal e carreira do grande autor e escritor Bráulio Pedroso, publicada pouco antes, em 31 de maio do mesmo ano, que naquele momento escrevia a novela Beto Rockfeller, estrondoso sucesso da TV Tupi exibido entre 1968 e 1969.


Em dezembro de 1969, foi lançado pela Vertente Editora o livro chamado Isto o Jornal Não Conta,[7][8] uma reunião de dezenas de contos e crônicas de 17 jornalistas brasileiros. Três eram veteranos literários, como Alberto Beutten-Muller, Wladyr Nader e Lenita Miranda de Figueiredo, e 14 estreantes, como Fernando Portela, Wladir Dupont, Percival de Souza, Modesto Carone, Eduardo Castor, Miguel Jorve, José Carlos Abbate, Gilberto Mansur, Ubirassu Carneiro da Cunha, Lourenço Carlos Diaferia, Nildo Carlos Oliveira, Yvete Ko, Hamilton Trevisan e, claro, Theo Dutra, que também fez parte dessa equipe.

Theo escreveu para o livro um conto chamado Meia Hora, dedicado especialmente para sua esposa, Gildete,[9] à época ainda noiva do jornalista, cuja chamada de capa ou subtítulo era: "Falava de dialética e de Kierkegaard para conquistar a namorada". O livro de contos tinha 112 páginas e ainda apresentava um resumo da biografia e carreira jornalística de cada um dos autores.


O trânsito caótico do dia-a-dia em São Paulo, principalmente nas principais vias e nos horários de pico, já era assunto de uma das reportagens de Theo, publicada em janeiro de 1970[10], enquanto os direitos de quem tem deficiência ou necessidade especial na sociedade, muitas vezes desrespeitadas por parte do governo ou da própria população, já estava em pauta em sua outra notícia, divulgada em março do mesmo ano.[11]

O repórter realizou ainda uma matéria a respeito da criminalidade que, já naquela época, era um problema grave em São Paulo. Foi divulgada na Folha em 23 de junho de 1970.[12] Além de relatar a prisão de um bandido em Sorocaba pela Polícia, também levantou pontos importantes, como as altas taxas de criminosos soltos nas ruas, as ações socioeducativas de ressocialização, e o fato de que pessoas entram para a marginalidade cada vez mais cedo, ainda na infância.


Theo Dutra fez parte da equipe de jornalistas da Folha de S. Paulo enviada para a cobertura do grande incêndio que atingiu o Edifício Andraus, localizado próximo ao cruzamento da Avenida São João, no centro da capital paulista, em 24 de fevereiro de 1972,[13] que deixou 16 mortos e 330 feridos. A tragédia tinha mobilizado grande número de pessoas, principalmente os que estavam no local, além de policiais, defesa civil, bombeiros, a imprensa em geral e autoridades, como o então prefeito de São Paulo, Figueiredo Ferraz, que passou a discutir medidas de prevenção e segurança contra incêndios em edifícios.

Além do jovem Theo Dutra, estavam na equipe de cobertura do incêndio grandes nomes, como Afanásio Jazadji e Luís Carlos Ventura.


Foi responsável por várias coberturas do jornal sobre a elaboração, debate e audiência pública referente ao Plano Diretor de Zoneamento da cidade, entre 1971 e 1972. O prefeito Figueiredo Ferraz, responsável pela lei, cedeu diversas entrevistas ao jornalista. Em 1972, a lei de zoneamento foi sancionada pelo prefeito.

Theo, inclusive, fez inúmeras reportagens abordando a construção da Linha Norte-Sul (hoje Linha 1-Azul) do Metrô de São Paulo, a primeira linha do sistema a ser construída na cidade e no Brasil. Inicialmente entre Santana, em especial na região onde fica a Avenida Cruzeiro do Sul (inaugurada em 1969 na Zona Norte), e a região central. A estação foi inaugurada mais tarde, em setembro de 1974.

O repórter também fez várias matérias sobre a especulação imobiliária, fato que já ocorria cada vez mais em São Paulo e que se tornava um problema, tanto para os inquilinos e corretores, quanto para a prefeitura. No dia 7 de março de 1973, foi publicada uma grande e extensa reportagem de Theo Dutra sobre o assunto,[14] com o prefeito de São Paulo, discutindo alternativas como a reurbanização, além de falar sobre obras e problemas do trânsito da cidade.


Foi até Garanhuns, no Pernambuco, onde fez a cobertura jornalística do I Encontro de Prefeitos de Capitais sobre Desenvolvimento Urbano, que ocorreu de 5 a 9 de fevereiro de 1973. Ele coordenou a mesa redonda desse encontro, onde participaram jornalistas e prefeitos de capitais brasileiras, como Figueiredo Ferraz, de São Paulo, e Jaime Lerner, de Curitiba. Uma das reportagens de Theo Dutra sobre o encontro foi: "Proposta de Ferraz sobre desenvolvimento urbano", de 9 de fevereiro de 1973[15], e "As sugestões do ministro do Interior aos prefeitos", de 10 de fevereiro de 1973.[16]


Em 1 de abril de 1973, um domingo, Theo Dutra foi até o interior paulista para fazer sua reportagem sobre a barragem da Ilha Solteira, comentando o fechamento das comportas recém construídas no local, onde passa o Rio Paraná, para a construção na época da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira. Entrevistou trabalhadores, engenheiros e as famílias dos barreiros. Na noite do dia 2 de abril (segunda-feira), publicou sua reportagem no jornal Folha de S. Paulo, na qual virou manchete de primeira página, com o título “Paraná bate nas comportas a 100 km/h; nasce o lago”, mas não chegou vê-la publicada, pois veio a publicação impressa no dia seguinte, logo após a sua morte. Ele queria como sempre ser a primeira página, a manchete.


Lista de ReportagensEditar

A seguir, estão listados todas as matérias e coberturas jornalísticas assinadas por Theo Dutra, no jornal Folha de S. Paulo, entre 1968 e 1973, quando faleceu tragicamente, incluindo aquelas realizadas com outros jornalistas ou com uma equipe especial.[17], Estão citados os títulos principais, os subtítulos/tópicos e equipe especial (se houverem), seguidos da data de publicação e do número da página e caderno:

Número Título da Reportagem Equipe Especial / Parceria Data de Publicação Caderno / Seção Página (s)
1 Na hora do adeus a São Paulo, Elizabeth II mostra seus dotes de amazona Equipe Especial 09/11/1968 Primeiro Caderno página 6
2 São Paulo quer salvar a sua história 04/02/1969 Folha Ilustrada página 12
3 Casamento e desquite 06/02/1969 Folha Ilustrada página 8
4 Psicologia do casamento desfeito 07/02/1969 Folha Ilustrada página 8
5 A arte que vem das velhas casas 25/03/1969 Folha Ilustrada página 8
6 Este Cristo agoniza em Bragança 04/04/1969 Primeiro Caderno página 24
7 Cananeia, a que o tempo esqueceu 08/04/1969 Primeiro Caderno página 32
8 Geza, um organista para reis e presidentes 09/04/1969 Primeiro Caderno página 26
9 Batismo do capoeira vai começar 18/04/1969 Primeiro Caderno página 26
10 A vovó que era de todos nós 21/04/1969 Primeiro Caderno página 16
11 Max Linder renasce nas mãos de sua filha 26/04/1969 Primeiro Caderno página 17
12 A difícil arte de ser iogue 29/04/1969 Primeiro Caderno página 36
13 Um festival para essa rua de vitrinas 30/04/1969 Primeiro Caderno página 28
14 Com um sorriso, padre Antonio casou sábado 06/05/1969 Folha Ilustrada página 8
15 Cacilda resiste; renasce a esperança com Jefferson Del Rios 09/05/1969 Folha Ilustrada página 8
16 Bráulio Pedroso: do teatro para o folhetim do séc. XX 31/05/1969 Folha Ilustrada página 14
17 Heróis, vilões, tragédias e um final feliz 03/06/1969 Folha Ilustrada página 8
18 O brinquedo de aprender (novos caminhos para uma velha arte) 12/06/1969 Folha Ilustrada página 8
19 O assalto a uma consciência 08/08/1969 Folha Ilustrada página 10
20
Entre na moda Equipe Especial 10/08/1969 Caderno Especial (seção inteira) página 1
Da folha de figueira do Paraíso aos plásticos... página 2
...Transparentes de Barbarella da era da Lua... página 3
...Assim se conta a história das roupas e da moda... página 4
A moda cantada em prosa e verso página 5
Homens perdem para máquinas página 6
A perigosa arte de escolher página 7
Mulheres resistem à ditadura da moda página 8
21 Casablanca, a sua pátria com Celso Itiberê 27/08/1969 Folha Ilustrada página 8
22 O mistério da comida francesa está no tempero com Celso Itiberê 03/09/1969 Folha Ilustrada página 12
23 O filho do vizinho é pior do que o seu? 05/10/1969 Primeiro Caderno página 14
24 O trabalho é a luta da mulher casada 12/10/1969 Primeiro Caderno página 12
25 Como ajudar seu filho a escolher uma profissão 19/10/1969 Primeiro Caderno página 14
26 Os últimos dias das profissões do passado 26/10/1969 Primeiro Caderno página 17
27 Quando o pedestre pede passagem quem ouve responde xingando 02/11/1969 Primeiro Caderno página 14
28 O ano inteiro, uma pergunta: onde estão os táxis? 09/11/1969 Primeiro Caderno página 14
29 Vegetariano lança livro, mas antes corre 10 horas 14/11/1969 Primeiro Caderno página 10
30 O primeiro dia de seu filho na escola 25/11/1969 Primeiro Caderno página 14
31 Uma guerra onde armas não fazem barulho com Marco Antonio Montandon 07/12/1969 Primeiro Caderno página 14
32 Trânsito, a máquina que não perdoa o motorista 11/01/1970 Segundo Caderno página 6
33 A literatura de cordel está morrendo 22/03/1970 Folha Ilustrada página 8
34 Os deficientes não têm lugar 25/03/1970 Primeiro Caderno página 8
35 O jardim onde os animais vivem, amam e morrem: o Zoo 24/05/1970 Primeiro Caderno página 12
36 O fim das profissões que se encontram no início do dia 05/06/1970 Primeiro Caderno página 6
37 Porteiro de hotel também pode ser o melhor em S. Paulo 07/06/1970 Primeiro Caderno página 14
38 O caminho do crime: parar é difícil, voltar impossível 23/06/1970 Primeiro Caderno página 10
39 Omissão de socorro, a grande aliada da morte na cidade 05/07/1970 Primeiro Caderno página 12
40 Jingles, o sucesso musical do momento 14/07/1970 Primeiro Caderno página 10
41 Foco de ferrugem deixa de existir com Érico G. Machado 17/07/1970 Primeiro Caderno página 6
42 Filhos legítimos ou não: a certidão dirá, conforme a lei 26/07/1970 Primeiro Caderno página 12
43 Creches: o que será em 1990? 11/08/1970 Primeiro Caderno página 12
44 Projeto Rondon pronto para a grande tarefa 25/08/1970 Primeiro Caderno página 12
45 Táxis: os novos perigos de um velho drama 20/09/1970 Primeiro Caderno página 10
46 A multidão que se perde no vazio do dia-a-dia 27/09/1970 Primeiro Caderno página 10
47 O chá busca seu lugar nas galerias da cidade 01/11/1970 Primeiro Caderno página 10
48 São Miguel Paulista, onde o dia começa às 3 da madrugada 22/11/1970 Segundo Caderno página 3
49 Nova cozinha acaba com a velha dona de casa 06/12/1970 Primeiro Caderno página 31
50 Com o verão já começou a guerra quente do sorvete em todo o País 10/12/1970 Primeiro Caderno página 17
51 Turismo, última indústria do século, tem lugar em SP? 17/01/1971 Segundo Caderno página 2
52 Cachaça, uísque, vinho, cerveja, champanha: sirvam-se 21/02/1971 Primeiro Caderno página 10
53 Sem a Anchieta, Santos fica distante 5 horas 04/03/1971 Primeiro Caderno página 10
54 Os ventos sopram e a doença aparece 28/03/1971 Primeiro Caderno página 16
55 Um último reduto da música popular 04/07/1971 Caderno de Domingo página 3
56 Hermeto, para muitos o maior atualmente 07/08/1971 Folha Ilustrada página 3
57 A garganta que alimenta a Amazônia 24/10/1971 Primeiro Caderno página 10
58 A melhor jogada para a mulher com Eymar Mascaro 03/11/1971 Primeiro Caderno página 8
59 EMURB começa a mudar a cidade em 1972 28/11/1971 Primeiro Caderno página 18
60 O Prefeito promete discutir preço com os desapropriados 28/12/1971 Primeiro Caderno página 1
61 Príncipe Negro e Lavapés Equipe Especial, com Ana Augusta Fernandes, Júlio Moreno, Luís Carlos Aiex, entre outros 16/02/1972 Primeiro Caderno página 6
62
Na praça, a alegria dos que escaparam Equipe Especial, com Júlio Moreno, Ana Augusta Fernandes, Luís Carlos Ventura, Afanásio Jazadji, entre outros 25/02/1972 Segundo Caderno página 1
Não se sabe quantos morreram página 2
Heliporto reduz tragédia página 3
Transporte dos feridos e Relação dos feridos página 4
63 São Paulo e as áreas metropolitanas 05/03/1972 Local página 6
64 Autonomia: as dúvidas 23/03/1972 Primeiro Caderno página 12
65 Áreas metropolitanas ainda sem definição 02/04/1972 Primeiro Caderno página 9
66 Depois dos bondes, as vias expressas 23/04/1972 Primeiro Caderno página 10
67 Eles vendem remédios a médicos com Luís Carlos Aiex 07/05/1972 Local/Educação página 14
68 A mais nova visita de São Paulo 17/05/1972 Primeiro Caderno página 6
69 A cidade destrói seus caminhos com Ana Augusta Fernandes 21/05/1972 Primeiro Caderno página 10
70 Primeiros passos da nossa indústria do lazer 28/05/1972 Primeiro Caderno página 14
71 Vendem-se as tradições do Bexiga, a preço de oferta 04/06/1972 Primeiro Caderno página 14
72 Há dúvidas: 24, 18 ou 16 mortos? Equipe Especial, com José Nêumanne Pinto, Júlio Moreno, Luís Carlos Ventura, Carlos Alberto Luppi, entre outros 09/06/1972 Primeiro Caderno página 10
73 Leste-Oeste, a via expressa que ainda não pode correr 11/06/1972 Primeiro Caderno página 12
74 Os 5 mil homens que lutam para pôr o Metrô na linha 09/07/1972 Primeiro Caderno página 14
75 No inverno, o bom tempo para as pipas 18/07/1972 Primeiro Caderno página 7
76 Presidente do Cetran, um voto para o lotação 02/08/1972 Primeiro Caderno página 6
77 Os discutidos lotações estão a um passo da legalidade 03/08/1972 Primeiro Caderno página 14
78 Vinte e um quilômetros de vias expressas concluídos em 1973 08/10/1972 Local/Educação/Interior página 2
79 São Paulo: uma radiografia amarga dos seus habitantes com Ana Augusta Fernandes 22/10/1972 Primeiro Caderno página 16
80 O paulistano aprende a morar 09/11/1972 Primeiro Caderno página 12
81 O ônibus começa a ganhar a luta contra o carro 21/11/1972 Primeiro Caderno página 12
82 O Brasil mais perto da Bolívia 02/12/1972 Primeiro Caderno página 3
83 As modernas e perigosas avenidas 08/12/1972 Primeiro Caderno página 9
84 São Paulo, do ponto de vista de Figueiredo Ferraz 15/12/1972 Primeiro Caderno página 6
85 Apartamento novo, sonho de todos os paulistanos 26/12/1972 Primeiro Caderno página 8
86 O ano em que São Paulo finalmente aprendeu a crescer 31/12/1972 Primeiro Caderno página 8
87 SAEC, a nova empresa para cuidar da água da Capital 28/01/1973 Local/Educação/Interior página 4
88 530 mil vivem em favelas e cortiços em São Paulo 28/01/1973 Local/Educação/Interior página 6
89 Favelas, um problema sem soluções de emergência com Nélio Lima 29/01/1973 Primeiro Caderno página 7
90 São Paulo poderá assessorar urbanismo nordestino 05/02/1973 Primeiro Caderno página 7
91 Autonomia municipal em discussão 06/02/1973 Primeiro Caderno página 7
92 BNH: as mudanças sugeridas por Ferraz 07/02/1973 Primeiro Caderno página 6
93 As super prefeituras em debate 08/02/1973 Primeiro Caderno página 7
94 Proposta de Ferraz sobre o desenvolvimento urbano 09/02/1973 Primeiro Caderno página 7
95 As sugestões do ministro do Interior aos prefeitos 10/02/1973 Primeiro Caderno página 5
96 Técnico contesta prefeitos e defende fluxo migratório 11/02/1973 Local/Educação/Interior página 2
97 O que o PLANHAP vai encontrar de Norte a Sul do País Equipe Especial 12/02/1973 Primeiro Caderno página 7
98 Uma nova perspectiva para o BNH, a lição do Encontro de Garanhuns 13/02/1973 Primeiro Caderno página 6
99 O lazer preocupa cidades menores 14/02/1973 Primeiro Caderno página 6
100 Uma ameaça contra as grandes cidades 19/02/1973 Primeiro Caderno página 7
101 O prefeito decide combater a especulação imobiliária 07/03/1973 Primeiro Caderno página 6
102 A poluição cor-de-rosa da cidade 22/03/1973 Primeiro Caderno página 14
103 A criação das nove áreas metropolitanas do Brasil 30/03/1973 Primeiro Caderno página 6
104 Paraná bate nas comportas a 300 km/h; nasce o lago 03/04/1973 Primeiro Caderno página 1

MorteEditar

Poucas horas depois à publicação da reportagem sobre a construção da barragem de Ilha Solteira, pelo jornalista, à meia-noite e meia do dia 3 de abril de 1973 (madrugada de segunda para terça-feira), Theo Dutra viajava num carro com um fotógrafo e um motorista. Ele havia chagado de São José do Rio Preto, onde foi para fazer a publicação de sua reportagem, por telefone, para a redação do jornal. O carro viajava em direção à Ilha Solteira, onde Theo pretendia continuar a cobertura sobre a barragem. Ele estava no banco da frente do carro, mas decidiu trocar de lugar com o fotógrafo a bordo, que estava no banco traseiro. Ao fazer uma curva fechada na Rodovia Washington Luís, próxima à Pereira Barreto, o carro derrapou na pista e capotou várias vezes, batendo próximo a um barranco. Theo dormia tranquilamente no momento do acidente, no banco de trás do carro, e seu corpo foi lançado para fora do veículo quando capotou, ficando estirado no asfalto a 10 metros de distância do carro. O fotógrafo e o motorista do veículo saíram gravemente feridos. Mas naquela mesma hora, Theo Dutra não resistiu ao trágico acidente e morreu, tão jovem, aos 24 anos de idade. O seu corpo foi trazido de Pereira Barreto à São Paulo de avião, enquanto motorista e fotógrafo voltaram de carro e foram internados no pronto-socorro da Lapa, na Zona Oeste da cidade.[18]

No dia seguinte, 4 de abril, no qual seria o seu terceiro aniversário de casamento, Theo virou manchete de jornal, tratando de sua trágica morte. Em apenas seis anos de carreira, ele realizou inúmeros trabalhos importantes no jornalismo, sempre preocupado com as questões da cidade de São Paulo. Sua morte precoce chocou profundamente toda a imprensa, principalmente o jornalismo paulistano, pois perdeu um de seus maiores jornalistas, crítico da cidade de São Paulo. Chocou também parte do governo, da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa de São Paulo, que chegaram a conhecer Theo, no qual foi um brilhante repórter, escritor e advogado de profissão, já que se formou em Direito pela USP em 1971. Muitas pessoas, como autoridades, jornalistas e familiares enviaram a Folha de S. Paulo mensagens de condolências, lamentando a morte brutal e precoce do jovem jornalista.


Entre os jornalistas que enviaram solidariedade e pesar destacam José Nêumanne Pinto, Carlos Alberto Luppi, Boris Casoy, Joelmir Betting, além de autoridades legislativas e executivas do governo, como o então presidente da Câmara Municipal, vereador João Brasil Vita (que meses depois, sucederia Figueiredo Ferraz na prefeitura), o Secretário de Transportes do Estado à época, Paulo Maluf, o prefeito Figueiredo Ferraz e o governador Laudo Natel.[19] Joelmir Betting, inclusive, em sua coluna "Notas Econômicas", na edição do jornal do dia 4 de abril de 1973 (que trouxe a cobertura do falecimento de Theo), inicia o texto com o seguinte trecho: "Theo Dutra nasce a 100 quilômetros por hora no jornalismo; bate na morte", em referência ao icônico título de sua última reportagem em Ilha Solteira, publicada no dia anterior (3 de abril) bem no dia de sua morte, e pela sua rápida e meteórica passagem pelo jornalismo, bem como sua ascensão. E Betting conclui sua coluna dizendo "Cujas comportas já se fecharam para Theo Dutra, um rio de vida estancado no remanso da saudade de todos nós".[20]

O Padre Luiz Gonzaga Dutra, responsável pela formação acadêmica de Theo durante o curso ginasial e colegial (clássico) no Colégio São Luís, e pelo seu casamento em 1970, além de amigo íntimo do jornalista, também prestou sua última homenagem e enviou condolências e solidariedade à redação da Folha.


Ele foi muito querido pelas pessoas, principalmente por aqueles que o conheceram, considerado por muitos como um dos melhores jornalistas e repórteres da cidade de São Paulo, apesar de seu pouco tempo de carreira, e como um exemplo de jornalista com princípios éticos. Ele aprendeu a amar e honrar tanto a sua profissão como a capital paulista e seus problemas. São Paulo perdia uma de tantas vocações que acabara de surgir no jornalismo.

Velório e EnterroEditar

Theo Dutra, o “Repórter da Cidade”, foi velado na manhã de 4 de abril, dia seguinte à sua morte, no velório da Maternidade São Paulo e enterrado no Cemitério São Paulo, no respectivo jazigo da famíia. Milhares de pessoas participaram de seu enterro, como familiares, amigos, colegas de trabalho e autoridades públicas, como o então governador do Estado de São Paulo, Laudo Natel, o então prefeito da capital paulista, Figueiredo Ferraz, que compareceu ao encontro de prefeitos em Garanhuns dois meses antes, além de sua esposa, Gildete. O Padre Luiz Gonzaga Dutra, amigo de Theo desde o ginásio, onde foi seu professor e orientador, também esteve em seu enterro e celebrou a sua missa de sétimo dia.[21]

HomenagensEditar

Theo Dutra foi homenageado com seu nome em vários lugares logo após a sua morte. Como em uma escola municipal chamada EMEF Theo Dutra, localizada no bairro Vila Penteado (distrito da Brasilândia), na Zona Norte de São Paulo, e em uma rua chamada Rua Theo Dutra, no Jardim Colombo (distrito da Vila Sônia), na Zona Oeste da cidade, que receberam o nome do repórter através de decretos municipais, respectivamente em 29 de junho de 1973[22] e em maio de 1976.[23] O primeiro, referente à escola municipal, que já existia desde 1967, foi batizada com o nome de Theo quase três meses após o falecimento do jornalista.[24]

O Aeroporto de Ilha Solteira, no interior paulista, cidade pela qual Theo Dutra fez sua última reportagem, além de passar seus últimos momentos de vida, também foi batizado com seu nome, por decreto estadual assinado pelo então governador Laudo Natel, durante a cerimônia de inauguração do aeroporto, em 8 de março de 1975. Tiveram presentes no evento a viúva de Theo, Gildete de Souto e Dutra, além do filho Renato, dos seus avós maternos e de sua mãe, Evelyna, e foi coordenado pelo então Secretário de Obras do Estado, engenheiro José Meiches e pelo presidente da CESP, Antônio Galvão.[25][26][27]


Referências

  1. «Falta uma placa na escola (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 13) 
  2. «Perfil do patrono da escola EMEF Theo Dutra». Reforma São Paulo: Escolas 
  3. «Morte e vida do jornalista Theo Dutra (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 8) 
  4. «Os repórteres de cidade fundam seu clube hoje (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 11) 
  5. «Na hora do adeus à São Paulo, Elizabeth II mostra seus dotes de amazona (Equipe Especial / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 6) 
  6. «Heróis, vilões, tragédias e um final feliz (por Theo Dutra / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Folha Ilustrada/clicar na página 8) 
  7. «Jornalistas lançam livro de contos (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Ilustrada/clicar na página 3) 
  8. «Lançado "Isto o jornal não conta" (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Ilustrada/clicar na página 3) 
  9. «Morre em acidente o jornalista Theo Dutra; Tópico: Na mesa, o arquivo, a vida (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 8) 
  10. «Trânsito, a máquina que não perdoa o motorista (por Theo Dutra / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Segundo caderno/clicar na página 6) 
  11. «Os deficientes não têm lugar (por Theo Dutra / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 8) 
  12. «Título Principal: O caminho do crime: parar é difícil, voltar impossível; subtítulos: Ainda na infância recebem passaporte para o crime e QI baixo é característica comum (por Theo Dutra / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 10) 
  13. «Reportagens: Na praça, a alegria dos que escaparam, Não se sabe quantos morreram, Heliporto reduz tragédia e Transporte e relação dos feridos (Equipe Especial / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Segundo caderno/clicar nas páginas de 1 a 4) 
  14. «O prefeito decide combater a especulação imobiliária (por Theo Dutra / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 6) 
  15. «Proposta de Ferraz sobre o desenvolvimento urbano (por Theo Dutra / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 7) 
  16. «A sugestão do ministro do Interior aos prefeitos (por Theo Dutra / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 5) 
  17. «Acervo Folha (em: "Busca Detalhada" / Campo: "com todas as palavras", digitando "Theo Dutra" / e Período: de 01/01/1967 a 04/04/1973). Acesso em 30 de dezembro de 2017.». Acervo Folha (Busca Detalhada) 
  18. «Theo - hoje, todos lembram o repórter (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 6) 
  19. «Morre em acidente o jornalista Theo Dutra (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 8) 
  20. «Notas Econômicas: Theo Dutra (por Joelmir Betting / Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 19) 
  21. «O adeus dos amigos a Theo Dutra (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 6) 
  22. «Falta uma placa na escola (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 13) 
  23. «Homenagem a jornalistas (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 9) 
  24. «Theo Dutra dá nome a escola municipal (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 12) 
  25. «Reportagens: Ilha Solteira já vive como cidade e Na placa, a homenagem a Theo (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 7) 
  26. «Inaugurado o aeroporto "Theo Dutra" (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Local e Educação/clicar na página 3) 
  27. «No aeroporto, um nome: Theo Dutra (Folha de S. Paulo)». Acervo Folha (Primeiro caderno/clicar na página 7)