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Thereza Di Marzo
Nascimento 4 de agosto de 1903
São Paulo
Morte 9 de fevereiro de 1986 (82 anos)
Cidadania Brasil
Ocupação aviador

Theresa di Marzo Roesler (São Paulo, 4 de agosto de 1903 — São Paulo, 9 de fevereiro de 1986) foi uma pioneira da aviação. Compartilha com Anésia Pinheiro Machado e Ada Rogato a honra de ter sido uma das primeiras brasileiras a pilotar um avião.[1]

Foi a primeira aviadora brevetada do Brasil, com brevê de número 76, outorgado reconhecido pelo Aeroclube do Brasil e pela Federação Aeronáutica Internacional, que em 1922 homologava os breves expedidos no mundo. Anésia Pinheiro Machado foi a segunda aviadora do Brasil, com breve de número 77, pois só realizou suas provas de pilotagem um dia depois de Thereza.[2]

BiografiaEditar

Seus pais, Alfonso Di Marzo e Maria Riparullo, eram imigrantes italianos originários de Nápoles. Sua família era formada por mais seis irmãos. Thereza decidiu ser piloto aos dezessete anos de idade. Quando revelou seu desejo enfrentou forte oposição da família, principalmente de seu pai, comerciante, que desejava ver a filha casada.

Em 1922 tornou-se a primeira piloto amador do Brasil. Cerca de dois anos antes de morrer, revelou ter uma mágoa muito grande por ter sido apagada da história. Em realidade, Thereza ficou fora do "mundo aeronáutico" por ter um marido muito ciumento, que não permitia que estivesse presente nas atividades aviatórias. Fritz Roesler, alemão alsaciano e piloto da Primeira Guerra Mundial, foi seu instrutor e posteriormente com ela se casaria. Roesler, entretanto, continuava no mundo da aviação brasileira, tendo participado da fundação de empresas aéreas como o Aeroloyd Yguassu e VASP e fundador da Companhia Aeronáutica Ypiranga que produziria um projeto seu, o avião Paulistinha. Afastada das atividades da aviação por anos, Thereza acabou distanciada e, de certa forma, esquecida das autoridades aeronáuticas brasileiras.

Obstinada, Thereza foi a pé até o Aeródromo Brasil situado em Jardim Paulista, para iniciar suas aulas de vôo. Nesta escola de pilotagem lecionavam os irmãos italianos e pilotos veteranos da Primeira Guerra Mundial João e Enrico Robba, que a acolheram como aluna.

Iniciou o curso de pilotagem em março de 1921, ao custo de 600 mil réis por dez horas de vôo. Como seus instrutores ausentavam-se muito, por viajarem freqüentemente, passou a receber aulas de Fritz Roesler, piloto alemão, também veterano da I Guerra Mundial. Realizou seu primeiro vôo solo em 17 de março de 1922. Posteriormente efetuou mais quatro vôos solo.

Em 8 de abril, fez o exame para obter seu brevet. Voou em um Caudron G.3, de fabricação francesa. Executou todas as manobras obrigatórias com perfeição, e pousou em uma pista curta e estreita. Sua perícia impressionou seus examinadores. Eram eles Luís Ferreira Guimarães, diretor do Aeroclube do Brasil; seu instrutor Fritz Roesler; João Robba e os deputados Manuel Lacerda Franco e Amadeu Saraiva.

Aprovada, obteve o brevê n.º 76. Poucos dias após receber seu brevê, realizou sua primeira reide até a cidade de Santos.

Integrou a esquadrilha que recepcionou Sacadura Cabral e Gago Coutinho, os aviadores portugueses que realizaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

Em 1923, levou adiante uma nova empreitada: a construção de um hangar no Ipiranga. Para conseguir o dinheiro necessário para isto, diariamente pedia doações em praça pública em Santos. Fritz Roesler ajudou-a na compra dos materiais.

O Hangar Thereza Di Marzo foi inaugurado e nele a Escola de Aviação Ypiranga. Tanto o hangar quanto a escola foram desativados pouco tempo depois.

Durante a Revolução de 1924 ocorre o confisco dos aviões particulares. Manter aeronaves passa a ter um custo muito mais elevado. Thereza pede ajuda ao presidente da república Washington Luiz. Recebe dele a seguinte resposta: Não quero contribuir para seu suicídio!

Vida pessoalEditar

Em em 25 de setembro de 1926, Thereza e seu instrutor Fritz Roesler se casam. Este casamento causou grande repercussão e importantes figuras compareceram ao mesmo. Esta união durou 45 anos. Após o casamento, apesar de ainda acompanhar seu marido este não permitiu mais que ela pilotasse.[3] Thereza morreu em São Paulo. Ela e o seu marido (morto a 2 de julho de 1971), foram sepultados no cemitério do Araçá.

ReconhecimentosEditar

Medalhas
  • Pioneira da Aeronáutica - 1961 (Fundação Santos Dumont São Paulo)
  • Mérito Aeronáutico - 1976 (Ministério da Aeronáutica São Paulo)
  • Medalha de Ouro Santos Dumont - 1980 Minas Gerais

AviõesEditar

  • Um Caudrom G-3 (o São Paulo).
  • Mais tarde um Oriole.

InformaçõesEditar

  • Realizava as " Tardes de Aviação " quando voava com passageiros.
  • Thereza di Marzo não teve ajuda financeira dos pais para pagar seu curso de pilotagem. Foi obrigada a rifar sua vitrola a fim de conseguir o dinheiro para pagar as aulas. Como restaram dois cartões da rifa ninguém foi sorteado, assim realizou um novo sorteio entre amigos da família.

Ver tambémEditar

Leituras adicionaisEditar

  • Breve História da Aviação Comercial Brasileira - de Aldo Pereira
  • Evolução da Aeronáutica no Brasil - de José Garcia de Souza
  • Vôo Proibido - Os apuros de uma pioneira - da Cmte. Lucy Lúpia Pinel Balthazar
  • Mulheres na Aviação : Histórias de mulheres pioneiras e contemporâneas que desafiaram todas as barreiras sociais e da gravidade com o objetivo de realizar seus sonhos. - Embraer: Centro Histórico Embraer - Instituto 15 anos (Embraer).[4]

Referências

Ligações externasEditar