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Torres do Oeste, Espanha
Torres do Oeste, Espanha
Torres do Oeste, Espanha: capela românica e uma das torres
Torres do Oeste, Espanha: detalhe da portada da capela
Torres do Oeste, Espanha: seteira com arco de ferradura da capela

As Torres de Oeste localizam-se no concelho de Catoira, comarca de Caldas de Reis, província de Pontevedra, na comunidade autônoma da Galiza, na Espanha.

Erguidas na confluência do rio Ulla com a ria de Arousa, trata-se de um sítio arqueológico composto pelas ruínas consolidadas de torres de origem romana, que posteriormente se constituíram em peças-chave para a defesa dos domínios da arquidiocese de Santiago de Compostela contra os ataques dos Normandos na Alta e na Baixa Idade Média.

HistóriaEditar

AntecedentesEditar

A primitiva ocupação de seu sítio remonta à época castreja, conforme o atestam as pesquisas arqueológicas, que trouxeram à luz restos de cerâmica utilitária e peças de bronze.

A data de construção das torres, entretanto, foi objecto de extensas discussões no passado. O autor romano Pompônio Mela mencionara em sua obra a existência, na desembocadura do rio Ulla, das "Turris Augusti". Foi necessário, entretanto, aguardar até meados do século XX para que as escavações arqueológicas demonstrassem a existência de restos romanos na cimentação das torres.[1]

A Idade MédiaEditar

No século X, a sucessão de numerosos ataques normandos, cujas embarcações penetravam a ria, culminando com a morte do bispo Sisnando em defesa da sua diocese, levou a que os seus sucessores se esforçaram por reparar e melhorar as defesas da ria.

Em 29 de Outubro de 1024 o rei Afonso V de Leão e Castela doou a Vistruário bispo de Iria, as torres e seus domínios. Pouco depois, em 1040, o bispo Crescônio[2] ordenou importantes trabalhos de reformas.

De acordo com o manuscrito da História Compostelana sabe-se que os trabalhos de ampliação e reforma prosseguiram sob os mandatos dos sucessores de Crescônio: Diego Páez e Diego Gelmírez.

No século XII define-se a estrutura definitiva do castelo, ficando composta a fortificação por uma cerca amparada por sete torres, delimitando uma praça de armas. O conjunto era defendido complementarmente pelos pântanos envolventes. Deste período destaca-se a capela, sob a invocação do Apóstolo Santiago, construída por Gelmírez.

A partir do século XV, perdida a sua função estratégica, o castelo entra em decadência até que, em 1525, grande parte das construções foram arrasadas.

Declarada como Monumento Nacional no século XX, actualmente tem função turística.

CaracterísticasEditar

Do primitivo conjunto, podem ser observados os alçados de duas das torres, além de uma terceira, muito arruinada. As torres são de planta quadrada e construídas com perpianho mediano (conhecido como asturiano) e grandes perpianhos nos vértices e nas jambas.

A ermidaEditar

Permanece essencialmente o templo que Diego Gelmírez ergueu de raiz em 1122.

Encontra-se adossada a uma torre e foi reconstruída em tempos modernos. Em imagens antigas podem-se ver as abóbadas totalmente derrubadas. Possui uma nave com um ábside semicircular. Os perpianhos são raros e de fiadas irregulares. É recoberta com abóbada de berço com diretriz em arco de ferradura. O arco triunfal (semicircular) e apoia-se sobre jambas de ancos.

A fachada é coroada com uma espadana de uma única fresta. A portada compõe-se de uma porta simples com um lintel pentagonal e, sobre este, um arco semicircular. No tímpano ainda se observam os restos de uma antiga inscrição, hoje de difícil leitura.

A fachada Sul carece de cornija e de seteiras, e só se abre com uma porta alintelada com um arco de descarga similar ao da fachada Oeste (principal).

Na fachada Norte rasgam-se cinco seteiras com arco de ferradura.

CuriosidadesEditar

 
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  • No Museu de Pontevedra conserva-se uma aduela (cat. nº 1488) que procede deste sítio, e que reza: "ERA MCC". Também conserva um relevo retangular, com uma cruz grega no centro e segurando um alfa e um omega (cat. nº 2088), com a inscrição: "IN HOC SIGNO TUETUR PIUS HOC SIGNO VINCITUR INIMICUS".
  • Todos os Verões, no primeiro domingo de Agosto, os restos do Castelo do Honesto (Castellum Honesti) revivem uma romaria viquingue que recria a defesa do castelo frente a um ataque normando.[3]

Notas

  1. CHAMOSO LAMAS, Manuel. Excavaciones em Torres de Oeste (Catoira-Pontevedra). CEG. (1951). p. 283-285.
  2. Possivelmente sepultado neste lugar em 1066.
  3. SIMONIS, Damien, et al. (2005). Spain, p. 553. Lonely Planet. ISBN 1740597001.

BibliografiaEditar

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Torres de Oeste
  • (em castelhano) BANGO TORVISO, Isidro Gonzalo (1979). Arquitectura románica en Pontevedra. Págs. 211 a 212. Fundación Pedro Barrié de la Maza. [S.l.: s.n.] ISBN 84-300-0847-0 
  • (em galego) BOGA MOSCOSO, Ramón (2003). Guía dos castelos medievais de Galicia, págs. 242-243. Guías Temáticas Xerais. Edicións Xerais de Galicia, S.A. [S.l.: s.n.] ISBN 84-9782-035-5