Três Bispados



Trois-Évêchés
Três Bispados

Província do Reino de França

1552 – 1790
Localização de Três Bispados
Continente Europa
Capital Metz
Língua oficial francês
Governo Governador francês
História
 • 1552 Ocupação pela França dos três Principados Episcopais de Metz, Toul e Verdun
 • 1790 Divisão dos Três Bispados em Departamentos

Os Três Bispados (em francês: les Trois-Évêchés, pronúncia em francês: ​[le tʁwazevɛʃe]) constituíam uma província da França pré-revolucionária consistindo nas dioceses de Metz, Verdun, e Toul na região de Lorena. Essas dioceses eram Príncipado Episcopais do Sacro Império Romano-Germânico até que foram ocupados pelo rei Henrique II de França entre Abril e Junho de 1552. No fim da Guerra dos Trinta Anos, foram formalmente cedidos à França pela Paz de Vestfália.

HistóriaEditar

No decurso da rebelião contra o imperador Carlos V, vários Príncipes Protestantes reuniram-se no Castelo de Lochau , próximo de Torgau em maio de 1551. Aí, o anfitrião, o eleitor Maurício da Sáxónia da Casa de Wettin, estabeleceu uma aliança com o Duque João Alberto I do Mecklemburgo, com o Landegrave Guilherme IV de Hesse-Cassel[1], o margrave Alberto Alcibíades, de Brandeburgo-Kulmbach e o seu primo o Duque Alberto da Prússia.

Conquista militarEditar

Desagradados com o Interim decretado por Carlos V na Dieta de Augsburgo de 1548, os revoltosos estavam determinados a defender o Protestantismo e a sua autonomia contra a autoridade central Imperial. Assim, concordaram em estabelecer contactos com o rei católico francês Henrique II, apesar da opressão deste sobre os Huguenotes franceses. No outono, Henrique II declarou guerra[2] ao imperador Carlos V e preparou-se para marchar contra o império até ao rio Reno. A 15 de janeiro de 1552, ele assinou o Tratado de Chambord com Maurício da Saxónia e com os seus aliados Protestantes, onde as conquistas francesas estavam legitimadas. Os príncipes reconheceram a autoridade do rei de França nos senhorios ocupados na qualidade de "Vigário imperial" sob as Cidades Imperiais Livres de Metz, Toul e Verdun, bem como Cambrai "e outras terras do Império que não falassem alemão". Por sua vez, os revoltosos receberam assistência militar e financeira dos franceses, e as suas tropas marcharam para territórios hereditários dos Habsburgo, cercando o imperador em Innsbruck, enquanto o seu irmão Fernando I iniciava negociações que viriam a conduzir à revogação do Interim de Augsburgo, pela Paz de Passau (1552).

Apoiado pelo Duque Francisco de Guise e o seu irmão o Cardeal Carlos de Lorena-Guise, o rei Henrique II de França na sequência dos seus acordos com os Príncipes Protestantes iniciara a sua Voyage d’Allemagne "pelas liberdades alemãs ". No Domingo de Ramos de 1552 as tropas francesas sob o comando de Anne de Montmorency e num ataque surpresa, entraram em Metz, seguindo-se a ocupação de Toul a 13 de abril. Henrique II voltou-se, então, contra a capital do Ducado da Lorena, Nancy, tendo trazido o duque Carlos III da Lorena, ainda um menino menor de idade, para a Corte francesa em Paris, onde viria a ser educado. Em 18 de abril o rei celebrou a sua entrada em Metz e, após um ataque falhado contra Cidade Imperial de Estrasburgo, regressou do Reno para Verdun a 12 de Julho. Nessa altura, os franceses tinham ocupado as três cidades imperiais bem como os territórios nas imediações dos três Príncipados-Episcopais.

Na perspetiva do Imperador, o Eleitor Maurício e os seus aliados não tinham o direito de, legalmente, dispor do território Imperial, Carlos V iniciou uma campanha contra os Franceses no sentido de retomarem as diocese por eles ocupadas culminando no Cerco de Metz (1552) que durou de outubro de 1552 a 2 de janeiro de 1553. A expedição acabou por falhar, quando as tropas imperiais foram derrotadas pelas francesas comandadas pelo Duque Francisco de Guise na Batalha de Renty (1554). Quando o Imperador, farto e exausto, abdicou em 1556, o seu sucessor, o irmão Fernando I, acabou com todas as tentativas de readquirir os Três Bispados.

Integração no Reino de FrançaEditar

 
Território dos Três Bispados em meados do Século XVIII, sobrepostos nos atuais comunas e departamentos.

O rei Henrique II deixou uma guarnição permanente em cada uma das três cidades e, gradualmente, submeteu os seus cidadãos à autoridade real. Os habitantes de Metz, em especial, apresentaram diversas petições à Dieta Imperial, mas as questões dos três Bispados perdidos deixara de ser uma preocupação do Império que, na altura, se encontrava sob forte pressão desintegracionista (a chamada confessionalização). O Cardeal Richelieu iniciara um processo de autonomia da província dos Três-Bispados que recebera um parlamento instalado em 1633 em Metz, dominado pela elite local. As restrições quanto à integração em França diminuíram à medida que a cidade prosperou, apesar da implementação da gabelle (imposto sobre o sal) ter provocado algumas revoltas (e detenções) em Metz. Quando o rei Luis XIV subir ao trono em 1643, ele confirmou os privilégios dos cidadãos de Metz, Toul e Verdun como seus "bons e fiés subditos".

Após a aquisição dos Três Bispados ser finalmente reconhecida pelo Sacro Império em 1648 pela Paz de Vestfália, o território da provincial foi alargado com partes do Luxemburgo Francês na zona de Thionville (Diedenhofen), cedido pela França de acordo com o Tratado dos Pirenéus de 1659, e várias aldeias da Lorena anexadas em 1661.

O Quarto BispadoEditar

A Diocese de Saint-Dié, creada em 1777 e por vezes chamada "o Quarto bispado da Lorena" (« le Quatrième Évêché lorrain »), não está historicamente relacionado com os Três Bispados.

ReferênciasEditar

  1. cujo pai, o Landegrave Filipe I de Hesse, estava detido pelo Imperador
  2. Décima Guerra italiana

Ligações externasEditar