Tratado da Tríplice Aliança

Tratado de guerra

Tratado da Tríplice Aliança foi a união entre Argentina, Império do Brasil e Uruguai para lutar contra o Paraguai na Guerra do Paraguai entre 1864 e 1870.[1]

Tratado da Tríplice Aliança
Nome Oficial: Tratado da Tríplice Aliança celebrado em 1° de maio de 1865 entre o Império do Brasil, a República da Argentina, e República Oriental do Uruguai.
Tropas Aliadas retomando a província de Corrientes, na Argentina. Pintado pelo pintor Cándido López (1840-1902), que estava no momento.
Local de assinatura Buenos Aires, Argentina
Signatário(a)(s)

— Vice-Almirante Visconde de Tamandaré

— Brigadeiro Manuel Luís Osório

Francisco Otaviano de Almeida Rosa

– Brigadeiro General Bartolomé MitreRufino de Elizalde

– Brigadeiro General Venancio Flores – Dom Carlos de Castro

Assinado 1 de maio de 1865
Ratificação Nao há uma data precisa,de acordo com o Artigo XIX. Alguns foram imediatos, outros quando ratificados.

Este tratado foi objeto de curtas negociações entre os três países interessados. Uma curiosa figura humana representou o Brasil, Francisco Octaviano de Almeida Rosa, político brasileiro do Partido Liberal, então à frente do governo. Quando ele foi encarregado de sua missão diplomática, só o Brasil fora atacado pelo Paraguai, dando-se isto em março de 1865.

Suas instruções visavam apenas obter a cooperação argentina naquele conflito. Logo em seguida, o Paraguai atacou Corrientes, província argentina (13 de abril de 1865). Com isto surgiu a possibilidade de um amplo tratado.

As instruções prévias para este foram emitidas do Brasil, mas só chegaram após sua formalização, em 1 de maio de 1865. Portanto, Octaviano baseou-se naquilo que já tinha e nas suas próprias idiossincrasias e firmou o acordo.[2]

Ele foi útil para o Brasil, pois mostrou ao mundo que duas repúblicas apoiavam uma monarquia, contra outra república, na América do Sul. Até então, o Estado monárquico brasileiro, conhecido como uma "flor exótica", não se aproximava muito de seus vizinhos.

Teve ainda pontos positivos e negativos. Dentre os negativos, o principal é que não mostrou com clareza quais as forças que cada país colocaria em campo. Apenas se disse que "os aliados concorrerão com todos meios de guerra de que possam dispor, em terra ou nos rios, como julgarem necessário" (art. 2º).[3] Ao concordar com tal cláusula, o diplomata brasileiro estava assinando milhares de cheques em branco a serem descontados pelos aliados, em especial os argentinos. Houve outros pontos negativos, mas este foi o principal.

A guerra desenvolveu-se até 1870 e foi cara e sangrenta, em especial para o Brasil que enviou os maiores contingentes e gastou o que podia e também o que não podia. Enquanto a Argentina enviava limitadas forças, depois sempre reduzidas, e ainda movimentava fortunas em seu território, enriquecendo comerciantes locais de todos os tipos. E tudo para os abastecimentos de boca e de guerra do aliado brasileiro. O qual o único beneficiado foi a Inglaterra, possuindo mais um mercado consumidor.[2]

Contexto políticoEditar

A transição de Carlos Antonio López (1842-1862) e seu filho Francisco Solano López no governo paraguaio se soma entre os fatores importantes na preparação do cenário de guerra; o primeiro, apesar de sua vulnerabilidade regional – e, portanto, ciente de sua fragilidade – agia com uma visão pragmática nas relações com os vizinhos, enquanto seu filho "parecia ignorar os limites de seu poder" e estava ansioso por participar das questões do Prata.[4] O Paraguai no triênio 1862-65 sentia-se igual a seus dois vizinhos, mas eles não o tratavam como um igual.

Conhecida a invasão da província de Corrientes pelo exército paraguaio, em abril de 1865, o presidente argentino Bartolomé Mitre prometeu diante de uma multidão uma guerra rápida – “em 24 horas no quartel, em 15 dias em Corrientes, em 3 meses em Assunção " – uma promessa difícil de cumprir porque o exército argentino carecia de todos os recursos para atingir esse objetivo. Também seu chanceler, Rufino de Elizalde, foi levado por um otimismo irreal, acreditando que graças à aliança argentino-brasileira a guerra duraria entre três e quatro meses; nem mesmo o Brasil acreditava que o Paraguai estivesse disposto a romper com ele.[4] Entre dezembro de 1864 e meados de setembro de 1865, Francisco Solano López desenvolveu uma ofensiva militar invadindo o território brasileiro e argentino; ele havia planejado uma "blitzkrieg" que, se bem-sucedida, constituiria um novo equilíbrio no Prata. O plano foi frustrado pois suas forças invasoras em Corrientes e no Rio Grande do Sul não aproveitaram o fator surpresa de forma adequada e seu aliado no Uruguai, o partido branco, saiu do poder. O tratado de guerra ao Paraguai de maio de 1865 foi apenas a ocasião para avançar em uma aliança estratégica de maior alcance pela qual Argentina e Brasil estabeleceriam uma política de cooperação no Prata, exercendo uma hegemonia compartilhada em substituição às rivalidades e disputas que predominam em seus relacionamentos.[5]

A precariedade da Aliança e a efemeridade do entusiasmo bélico foram suficientemente documentadas em várias investigações. Desde a segunda metade de 1866, com exceção da inflexível decisão do imperador D. Pedro II, todos no Prata queriam acabar com a guerra. O desastre aliado em Curupaiti alarmou a Argentina a tal ponto que o Congresso autorizou Mitre a negociar com o Paraguai uma trégua ou uma paz definitiva e não cumprir o tratado de 1º de maio, mas o governo imperial rejeitou a iniciativa, recusando-se a fazer qualquer tipo de modificação no tratado. Entretanto, foi efêmera essa cooperação argentino-brasileira, tal como apontou o cônsul inglês Richard Burton em suas Cartas dos Campos de Batalha do Paraguai, ao percorrer essas regiões entre 1868 e 1869:[6]

[..] A aliança entre argentinos e brasileiros era a mesma que entre gato e cachorro. As altas autoridades dos dois países evitavam dissidências, mas o vínculo entre eles era político e não de simpatia. No Paraguai, os brasileiros mantinham um excessivo senso de nacionalidade devido à sua superioridade numérica em relação aos argentinos, que tinham vergonha de desempenhar um papel secundário. a guerra não é popular em nenhuma parte do Prata e espera-se que o seu fim seja acompanhado de dificuldades entre os ex-aliados.

Referências

  1. «Campanha da Tríplice Aliança - Patronos». Exército Brasileiro. Consultado em 8 de março de 2021 
  2. a b «Tratado da Tríplice Aliança». Toda Matéria. Consultado em 16 de março de 2021 
  3. Schneider, Louis (1902). A guerra da tríplice alliança : Imperio do Brazil, República Argentina e República Oriental do Uruguay, contra o governo da República do Paraguay, 1864-1870. Robarts - University of Toronto. [S.l.]: Rio de Janeiro : H. Garnier 
  4. a b DORATIOTO, Franscisco (2002). Maldita Guerra. Nova historia da guerra do Paraguai. [S.l.]: Companhia de Letras. p. 138 
  5. DORATIOTO, Francisco (1999). De aliados a rivais: o fracasso da primeira cooperação entre Brasil e Argentina (1865-1876). Brasília: Revista Múltipla. p. 21-seguintes 
  6. Burton, Richard. «Letters from the Battlefields of Paraguay» 

Ligações externasEditar