Tratado de Arras (1435)

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O Tratado de Arras, ou, na sua forma portuguesa, de Arrás, foi um tratado firmado entre a França, o Ducado da Borgonha e a Inglaterra em 1435, na cidade francesa de Arras, durante o que se chamou de Congresso de Arras (ou de Arrás). No final da Guerra dos Cem Anos, tanto o congresso quanto o tratado representaram fracassos para os ingleses e grandes vitórias para a França.

Filipe, o Bom, mudou de lado no Congresso de Arras, isolando ainda mais os ingleses.
Iluminura de 1561, atualmente na Koninklijke Bibliotheek, em Haia.

CongressoEditar

Os negociadores ingleses entraram no congresso acreditando que era uma simples negociação de paz entre seu país e a França. Eles propuseram uma trégua estendida e um casamento entre o adolescente Henrique VI da Inglaterra e a filha do rei da França Carlos VII. Os ingleses não queriam abrir mão de sua reivindicação à coroa da França e esta posição acabou por impedir qualquer negociação significativa. A delegação inglesa acabou por deixar o congresso no meio da sessão para atacar uma incursão feita pelos capitães franceses Xaintrailles e La Hire.

 
Carlos VII, o grande vencedor em Arras.
Por Jean Fouquet (1444-1451), atualmente no Museu do Louvre, em Paris.

Enquanto isso a delegação francesa e as principais lideranças do clero urgiam Filipe, o Bom, da Borgonha a se reconciliar com Carlos VII. A Borgonha era um apanágio na época, virtualmente um estado independente, e tinha se aliado à Inglaterra desde o assassinato do pai de Filipe em 1419, no qual Carlos VII foi, pelo menos, cúmplice. A delegação inglesa retornou e descobriu que seu aliado tinha trocado de lado. Além disso, o regente inglês, João, Duque de Bedford, tinha morrido em 14 de setembro de 1435, uma semana antes do final do congresso.

Tratado de ArrasEditar

O congresso resultou no Tratado de Arras, que foi assinado em 1435 e se tornou um importante feito diplomático para a França nos anos finais da Guerra dos cem anos. De maneira geral, ele resolveu um rixa de longa data entre o rei francês e o duque Filipe da Borgonha. Ele reconheceu Carlos como rei da França e, em troca, Filipe foi isento de prestar homenagem à Coroa e Carlos concordou em punir os assassinos do pai de Filipe, João da Borgonha.[1] Ao quebrar a aliança entre a Borgonha e a Inglaterra, Carlos VII consolidou sua posição como monarca da França contra a reivindicação rival de Henrique VI. A distinção política entre os armagnacs e os burgúndios deixou de ser importante daí para frente. A França, que já tinha a Escócia como aliada, se fortaleceu e conseguiu isolar a Inglaterra, provocando um contínuo declínio da ocupação inglesa na França (e, eventualmente, o fim da Guerra dos cem anos).

O sucesso do congresso foi ainda facilitado pelos representantes do Papa Eugênio IV e do Concílio de Basileia, que discutiam entre si na época, auge do conciliarismo. Membros de ambas as delegações escreveram opiniões legais absolvendo o duque Filipe de suas obrigações com a Inglaterra.

Referências

  1. Charles, John Foster Kirk (1863). History of Charles the Bold, duke of Burgundy (em inglês). [S.l.]: J.B. Lippincott & Co. p. 36 

Ligações externasEditar

BibliografiaEditar

  • Dickinson, Joycelyne Gledhill (1972). The Congress of Arras, 1435: A Study in Medieval Diplomacy (em inglês). New York: Biblo and Tannen