Povos tungúsicos

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Os povos tungúsicos[1] ou tungues[2] são compostos pelas etnias que falam as línguas tungúsicas.[3] Habitam a Sibéria oriental e o nordeste da Ásia[3] e não estão relacionados com os povos túrquicos e mongólicos. Durante o século XVII, o Czarado da Rússia esteve a expandir-se a leste pela Sibéria, tomando terras tungúsicas e findou este processo de conquista em 1689 com o Tratado de Nerchinsk.[4][5] A primeira descrição publicada duma pessoa tungúsica a chegar mais além da Rússia para o resto da Europa foi feita pelo viajante holandês Isaac Massa em 1612.[6] Ele obteve esta informação após a sua estadia em Moscovo.[6]

Mapa de 1612 mostrando a terra tungúsica, por Isaac Massa.

EtimologiaEditar

A palavra Tungue é o aportuguesamento do étimo turco-tártaro tonguz, que significa «porqueiro ou criador de porcos»[2]. Este étimo, por seu turno, deriva da palavra "Donki" que significa "homens" nas línguas tungúsicas.[7] Alguns multíscios propõem que este etnónimo deriva, antes, da glosa chinesa Donghu (東胡, "Bárbaros Orientais", cf. Tonggu 通古 = Tungúsico).[8] Sendo que esta tese assenta numa "semelhança fortuita entre o nome antigo e a pronúncia moderna da palavra, o que contribuiu, no passado recente, para fundamentar a crença popular de que os Donghu teriam falado uma língua tungúsica. Porém, esta tese claudica de provas consistentes que a corroborem".[9]

LocalizaçãoEditar

A palavra provém de Tunguska, uma região da Sibéria oriental banhada pelo rio Ienissei[10] e na parte leste pelo Oceano Pacífico.

 
Os rios tributários do Ienissei, que formam a fronteira occidental dos povos tungúsicos.

Numéricamente falando, o maior grupo dentro dos povos tungúsicos é o manju,[11] os quais no hodierno século perfazem dez milhões.[12] São originários da Manjúria, que hodiernamente faz parte do nordeste da China e do Extremo Oriente Russo.[13] Após a sua conquista da China no século XVII,[14] foram quase totalmente assimilados pela população Han da China.[15][16] Os Sibe são um subgrupo manju.[4]

Os evenques vivem no distrito autónomo da Evenquia na Rússia.[17] Os udegues (Удэгейцы, em russo; удээ, udee; удэхе, udehe) vivem no Krai de Primosky e no Krai de Khabarovsk, também na Rússia.[18]

Várias teorias sugerem que os ávares panónios do Grão-Canato Avar eram de origem tungúsica ou parcialmente tungúsica, por exemplo, que a classe governante fosse.[19]

PovosEditar

 
Distribuição geográfica das línguas tungúsicas.

Os povos tungúsicos são os seguintes:

Referências

  1. Infopédia. «tungúsico | Definição ou significado de tungúsico no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 15 de junho de 2021 
  2. a b Infopédia. «tungue | Definição ou significado de tungue no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 15 de junho de 2021 
  3. a b Danver, Steven L. (10 de março de 2015). Native Peoples of the World: An Encylopedia of Groups, Cultures and Contemporary Issues (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781317464006 
  4. a b Minahan, James B. (10 de fevereiro de 2014). Ethnic Groups of North, East, and Central Asia: An Encyclopedia (em inglês). [S.l.]: ABC-CLIO. ISBN 9781610690188 
  5. West, Barbara A. (19 de maio de 2010). Encyclopedia of the Peoples of Asia and Oceania (em inglês). [S.l.]: Infobase Publishing. ISBN 9781438119137 
  6. a b Lach, Donald F.; Kley, Edwin J. Van (dezembro 1998). Asia in the Making of Europe, Volume III: A Century of Advance. Book 4: East Asia (em inglês). [S.l.]: University of Chicago Press. ISBN 9780226467696 
  7. Müller, Friedrich Max (1855). The Languages of the Seat of War in the East: With a Survey of the Three Families of Language, Semitic, Arian and Turanian (em inglês). [S.l.]: Williams and Norgate 
  8. Czaplicka, Marie Antoinette (1999). The Collected Works of M.A. Czaplicka (em inglês). [S.l.]: Psychology Press. ISBN 9780700710010 
  9. Pulleyblank (1983), p. 452
  10. Müller, Friedrich Max (1855). The Languages of the Seat of War in the East: With a Survey of the Three Families of Language, Semitic, Arian and Turanian (em inglês). [S.l.]: Williams and Norgate 
  11. Lim, Susanna Soojung (2013). China and Japan in the Russian Imagination, 1685-1922: To the Ends of the Orient (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9780415629218 
  12. Luo, Tianhua (15 de setembro de 2016). Interrogative Strategies: An areal typology of the languages of China (em inglês). [S.l.]: John Benjamins Publishing Company. ISBN 9789027266590 
  13. Ye, Tan (13 de junho de 2008). Historical Dictionary of Chinese Theater (em inglês). [S.l.]: Scarecrow Press. ISBN 9781461659211 
  14. Paulston, Christina Bratt (1988). International Handbook of Bilingualism and Bilingual Education (em inglês). [S.l.]: Greenwood Publishing Group. ISBN 9780313244841 
  15. Mungello, D. E. (1 de novembro de 2012). The Great Encounter of China and the West, 1500–1800 (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield Publishers. ISBN 9781442219779 
  16. Elliott, Mark C. (2001). The Manchu Way: The Eight Banners and Ethnic Identity in Late Imperial China (em inglês). [S.l.]: Stanford University Press. ISBN 9780804746847 
  17. Minahan, James (30 de maio de 2002). Encyclopedia of the Stateless Nations: Ethnic and National Groups Around the World A-Z [4 Volumes] (em inglês). [S.l.]: ABC-CLIO. ISBN 9780313076961 
  18. Koohafkan, Parviz; Altieri, Miguel A. (25 de novembro de 2016). Forgotten Agricultural Heritage: Reconnecting Food Systems and Sustainable Development (em inglês). [S.l.]: Taylor & Francis. ISBN 9781315470085 
  19. Helimski, E (2004). "Die Sprache(n) der Awaren: Die mandschu-tungusische Alternative". Proceedings of the First International Conference on Manchu-Tungus Studies, Vol. II: 59–72.