Ugo Spirito

filósofo italiano

Ugo Spirito foi um filósofo italiano, aluno de Giovanni Gentile. No início ele foi um filósofo fascista que mais tarde se voltou para o comunismo. Ele formulou o conceito de "corporação proprietária" dentro da doutrina econômica fascista.

Primeiros anosEditar

Ugo Spiritto nasceu em Arezzo em 9 de setembro de 1896 filho de Prospero Spirito e Rosa Leone.[1] Depois de se formar na escola secundária clássica de Vico, em Chieti, começou a frequentar a Faculdade de Direito da Universidade de Roma. Inicialmente foi um defensor do positivismo, embora em 1918 tenha deixado o cargo para se tornar um seguidor do "idealismo real" (neoidealismo) de Giovanni Gentile.[2] Nesse mesmo ano matriculou-se em Literatura e Filosofia e em 1920 formou-se com Giovanni Gentile discutindo uma tese sobre o pragmatismo italiano que publicou em 1921. Desde então, tornou-se o colaborador mais próximo do filósofo. No ano seguinte, ele se autoproclamou fascista e atualista e assinou o Manifesto dos Intelectuais Fascistas em 1925.[3]

Durante a Itália fascistaEditar

O interesse de Spirito pelo fascismo era o corporativismo e ele passou a discutir o assunto em profundidade por meio da revista Nuovi studi di diritto, economia e politica, que fundou junto com Arnaldo Volpicelli em 1927.[4] A quebra de 1929 significaria para Spirito o fracasso da economia clássica.[1]

Na década de 1930, ansioso por contribuir para a transformação da sociedade italiana, participou mais ativamente da construção do regime fascista. Ele escreveu extensivamente sobre "corporativismo integral", um sistema em que a propriedade seria concentrada nas mãos dos trabalhadores, e não nos acionistas.[5] A crença no corporativismo foi equiparada ao compromisso com a propriedade comum[6] pelo apoio à nacionalização em massa, recebendo críticas de alguns setores fascistas que o acusavam de bolchevismo,[7] especialmente após o II Congresso de Estudos Sindicais e Corporativos realizado em Ferrara em 1932, onde apresentou o teoria da "corporação proprietária" criticando radicalmente o conceito de propriedade privada.[1] Depois disso, Spirito argumentaria que seria vítima de uma perseguição por parte de alguns fascistas por considerá-lo comunista e subversivo, apesar de Mussolini lhe ter dado o apoio correspondente à sua ideia.[8] No entanto, os papéis da polícia política fascista atestariam o contrário.[1] Spirito assumiria esta crença porque em 1935, Cesare Maria De Vecchi, Ministro da Educação Nacional, o convidou a deixar o local onde trabalhava para se mudar para Messina onde havia obtido, em 1933, a cátedra de filosofia e história da filosofia na Instituto Superiore di Magistero. De Vecchi era um adversário de Gentile e é provável que Spirito tenha relacionado os eventos com uma perseguição às suas ideias.[1]

Intensifica a colaboração com Giuseppe Bottai no grupo de intelectuais que escreveu na revista Critica fascista e que anteviu a aceleração da construção do regime.[1] Na segunda metade dos anos 1930, ele deixou o atualismo por considerar que este se tornara uma teoria como outra qualquer.[1] Ele era a favor da aliança entre a Alemanha nazista e a Itália fascista considerando o "caráter revolucionário do eixo".[1] Nesse sentido, ele escreveria um livro denominado Guerra rivoluzionaria. Em seu diário, Giuseppe Bottai relata que Mussolini devolveu o texto datilografado expressando que o considerava "inteligente, mas contraditório"[9] e em 1942 Mussolini não permitiu a publicação.[10] Nesse mesmo ano, Spirito daria uma conferência no Istituto nazionale di cultura fascista onde daria seu apoio ao "caráter revolucionário" da guerra, a aliança ítalo-alemã e o regime totalitário.[1]

Após a libertação de Mussolini em 1943, Spirito não ingressaria na República Social Italiana,[1] apesar de que a sua ideia de "corporação proprietária" serviria de inspiração para a elaboração da Carta de Verona que previa a "socialização da economia".[11] Ele seria expurgado em 1944 e apelaria, alegando que não havia ingressado no regime por lucro, mas por paixão política. Ele foi readmitido em maio de 1945.[1]

Depois da guerraEditar

Em 1946, depois da guerra, durante o Primeiro Congresso Internacional de Filosofia, Spirito declarou que havia chegado o momento de enfatizar a origem idealista comum do socialismo e do neoidealismo, no ano seguinte ele escreveria Gentile e Marx.[12] Spirito tornou-se, em 1951, professor titular de filosofia teórica na La Sapienza, em Roma. Nesta fase, ele se declararia comunista.[1][13]

A princípios da década de 1960 dedicou-se a criticar a democracia.[1] Depois de visitar a União Soviética e a China em 1962, Spirito escreveu Comunismo russo e comunismo cinese, onde explicou sua preferência pela experiência de Mao Tsé-Tung, na qual os jovens construíram um novo marxismo e uma sociedade baseada na ciência.[1] Spirito refletindo sobre o Partido Comunista Italiano pensaria que o partido estava se transformando em uma força reformista.[1]

Como presidente da Fundação Giovanni Gentile, em 1975, organizaria a primeira conferência sobre o filósofo.[1] Dois anos depois, ele publicaria Memorie di un incosciente. Ele morreu em Roma em 28 de abril de 1979.[1]

ObrasEditar

  • Il pragmatismo nella filosofia contemporanea, 1921
  • Storia del diritto penale italiano, 1925
  • Il nuovo diritto penale, 1929
  • Critica dell'economia liberale, 1930
  • L'idealismo italiano e i suoi critici, 1930
  • I fondamenti dell'economia corporativa, 1932
  • Capitalismo e corporativismo, 1933
  • Scienza e filosofia, 1933
  • La vita come ricerca, 1937
  • Dall'economia liberale al corporativismo, 1939
  • La vita come arte, 1941
  • Gentile e Marx, 1947
  • Il problematicismo, 1948
  • La vita come amore, 1953
  • Inizio di una nuova epoca, 1961
  • Comunismo russo e comunismo cinese, 1962
  • Critica della democrazia, 1963
  • Tramonto o eclissi dei valori tradizionali?, 1970
  • Il comunismo, 1975
  • Dall'attualismo al problematicismo, 1976
  • Memorie di un incosciente, 1977
  • Guerra rivoluzionaria, 1989
  • Il corporativismo: dall'economia liberale al corporativismo; i fondamenti dell'economia corporativa; capitalismo e corporativismo, 2009

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Spirito, Ugo in "Il Contributo italiano alla storia del Pensiero: Filosofia"». web.archive.org. 11 de novembro de 2020. Consultado em 19 de dezembro de 2020 
  2. C.P. Blamires (2006) World Fascism - A Historical Encyclopedia, ABC-CLIO, p. 629-30
  3. «Manifesto degli intellettuali fascisti». web.archive.org. 2 de maio de 2020. Consultado em 19 de dezembro de 2020 
  4. «Spìrito, Ugo nell'Enciclopedia Treccani». web.archive.org. 30 de outubro de 2020. Consultado em 19 de dezembro de 2020 
  5. Roger Griffin (1995) Fascism, Oxford University Press, p. 68
  6. P. Davies & D. Lynch (2002) Routledge Companion to Fascism and the Far Right, p. 241
  7. Stanley G. Payne (1995) A History of Fascism 1914-45, Routledge, p. 220
  8. Spirito, U. (1977). Memorie di un incosciente. Milano, p. 183
  9. «La guerra rivoluzionaria di Ugo Spirito | Fondazione Spirito». web.archive.org. 19 de dezembro de 2020. Consultado em 19 de dezembro de 2020 
  10. Stanley G. Payne (1995) A History of Fascism 1914-45, Routledge, p. 387
  11. Gregor, Anthony James (1969). The Ideology of Fascism: The Rationale of Totalitarianism (em inglês). [S.l.]: Free Press 
  12. «Ugo Spirito in rapporto a Labriola e Gentile lettori di Marx» (PDF). web.archive.org. 3 de setembro de 2020. Consultado em 19 de dezembro de 2020 
  13. «Ugo Spirito a Pisa. Il corporativismo come superamento e fusione di liberalismo e socialismo - Il Pensiero Storico. Rivista internazionale di storia delle idee». web.archive.org. 5 de dezembro de 2020. Consultado em 19 de dezembro de 2020 

Ligações externasEditar