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Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa

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Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa é um filme brasileiro de longa-metragem de 2013, dirigido por Gustavo Galvão e produzido pela 400 Filmes, com roteiro original de Gustavo Galvão, Cristiane Oliveira e Bernardo Scartezini[1]. No elenco, estão Vinícius Ferreira, Marat Descartes, Leonardo Medeiros, Maria Manoella, Catarina Accioly e Mário Bortolotto, entre outros. A estreia no circuito comercial brasileiro ocorreu em 14 de agosto de 2014[2].

Índice

SinopseEditar

Pedro fugiu de casa, pegou a estrada e não sabe para onde ir. Lucas também não, mas a estrada é seu palco. Eles têm mais de 30 anos e levam apenas a roupa do corpo. Depois de se conhecerem numa lanchonete de beira de estrada, em Minas Gerais, os dois percorrem o interior do Brasil em busca de uma dose violenta de qualquer coisa.

ElencoEditar

Vinícius Ferreira – Pedro
Marat Descartes – Lucas
Leonardo Medeiros – Jesus
Maria Manoella – Beatriz
Catarina Accioly – Virgínia
Mário Bortolotto – Major
Klarah Lobato – Janaína
Luma Le Roy – Suely
Juliana Drummond – Prostituta
Vanise Carneiro – Prostituta
Jones de Abreu – Fernando
Larissa Salgado – Melissa
Chico Sant'Anna – Síndico

O filmeEditar

Concebido por brasilienses para discutir questões locais e nacionais, mas conectado com o que tem sido discutido e trabalhado no cinema independente internacional, Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa roda na contramão de road movies convencionais ao seguir um rapaz na faixa dos 30 anos numa jornada pelo Brasil Central. Prestes a fazer um acerto de contas entre o jovem sonhador que já foi e o adulto apático que se tornou, ele corta os laços com o passado e o presente e pega a estrada. Ele percorre Goiás, Minas Gerais… Mas sua mente atribulada não deixa que ele se esqueça de sua Brasília natal.

Com franqueza, o filme repensa um contexto que cultua o indivíduo em detrimento do coletivo e não evita temas polêmicos – como a mudança no perfil de Brasília, a outrora “capital da esperança”. O personagem que sintetiza tal proposta se chama Pedro. Ele não sabe do que foge quando sai da cidade. Busca respostas, mas não encontra mentores no caminho, e sim sujeitos fechados no próprio ego. Pedro não é diferente dos demais. É o que revela esta narrativa, que conjuga pop e cinema de arte. Ação e reflexão.

A companhia mais constante de Pedro nessa viagem é Lucas, um rapaz quase da mesma idade, que oculta suas aflições ao vestir a máscara do marginal libertário. Os dois se conhecem em um banheiro de beira de estrada, cena de teor homoerótico emblemática da relação ambígua que estabelecem. Ao compartilhar com Lucas situações que vão do cômico ao trágico, Pedro atinge seu limite moral e físico. Assim, ele percebe que não conseguiu superar suas angústias, mas está em plena transformação.

ReferênciasEditar

A inspiração para o título Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa veio da tradução de Claudio Willer para um trecho de Uivo, poema-manifesto de Allen Ginsberg que jogou luz na chamada geração beatnik. O original, de 1956, começa assim: “I saw the best minds of my generation, destroyed by madness, starving hysterical naked, dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix”[3]. A versão de Willer, publicada pela L&PM, em 1984, é assim: “Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa”[4].

Levado a julgamento por obscenidade[5] e utilizado desde então como exemplo para a liberdade de expressão nos Estados Unidos, Uivo sintetiza a determinação de um grupo de escritores em abordar, com vigor e espontaneidade, temas que a “cultura” oficial evitava. Por isso o movimento beatnik logo virou uma referência da contracultura norte-americana: ao fugir da ordem, propôs uma nova ordem.

A tradução de Willer foi muito mais que uma inspiração para o título. Para o diretor Gustavo Galvão, serviu de introdução para autores como Gregory Corso e Jack Kerouac. Eles, da mesma forma que Ginsberg, estimularam a busca por um cinema sem amarras comportamentais e morais. Em Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, os personagens são erráticos, dúbios. Falam de drogas, família, trabalho, vida normal e religião. Sem pudor. E com escracho.

O escracho é uma marca particularmente forte no caso do imprevisível Lucas. Fiel a uma tradição para a qual o cinema brasileiro deu as costas a partir da “Retomada”, a do cafajeste, o personagem de Marat Descartes estabelece uma conexão direta com alguns dos bastiões do cinema marginal brasileiro: O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla, 1968), O Anjo Nasceu (Júlio Bressane, 1969) e Bang Bang (Andrea Tonacci, 1971). Filmes, aliás, que beberam de outra fonte de inspiração para o projeto: o Godard de Acossado (1960) e O Demônio das Onze Horas (1965). Os direitos do uso no título do termo “uma dose violenta de qualquer coisa” foram cedidos por Claudio Willer[6].

ProduçãoEditar

Realizado com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa é um road movie quase todo ambientado no Cerrado brasileiro. O filme nasceu da ideia para uma cena que o diretor Gustavo Galvão teve em 1994. Galvão desenvolveu a ideia com o passar dos anos e criou vários esboços de argumento, concluindo a primeira versão do roteiro em 2007, em parceria com Bernardo Scartezini. Somente em 2011, com a colaboração da corroteirista Cristiane Oliveira e do consultor de roteiros Miguel Machalski, chegou-se à versão definitiva.

As filmagens aconteceram entre 23 de junho e 24 de julho de 2012[7]. No período, a equipe percorreu 13 cidades de Goiás, Minas Gerais e do Distrito Federal: Brasília, Brazlândia, Gama, São Sebastião e Sobradinho (DF); Planaltina, Luziânia, Formosa, Valparaíso e Cristalina (GO); Ouro Preto, Patrocínio e Serra do Salitre (MG). A trama faz a ponte entre Brasília e Ouro Preto, que simbolizam dois períodos distintos da História do Brasil (o moderno e o colonial, respectivamente). À exceção destas duas cidades, as demais foram filmadas de forma a simular os locais por onde passam os personagens na ficção (em especial Lavras, Montes Claros e Varginha, em Minas Gerais).

Após um ano dedicado à finalização, Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa foi concluído em agosto de 2013. O lançamento no circuito de festivais ocorreu em 22 de setembro de 2013, no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro[2], onde o filme recebeu o Troféu Câmara Legislativa de Melhor Trilha Sonora. A trilha original foi produzida pelo sax tenor paulista Ivo Perelman[8], que é radicado nos Estados Unidos desde 1981 e a executou em conjunto com outros três grandes nomes da vanguarda norte-americana: Matthew Shipp (piano), Mat Maneri (viola, violino) e Sirius Quartet (quarteto de cordas). Também chamam atenção na trilha sonora o grupo de rock peruano Los Saicos (Demolición) e o candomblé pop do pernambucano Otto (Condom Black), além de um funk composto por Judaz Mallet, MC Gi e André Arvigo (Funk do Nóia) e duas peças instrumentais de Assis Medeiros.

O filme estreou no circuito comercial brasileiro em 14 de agosto de 2014, em nove cidades brasileiras: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília e Salvador[9]. Posteriormente, chegou a outras cidades brasileiras.

ImprensaEditar

Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa já era comentado na imprensa antes mesmo de ser concluído. O filme estava na reta final da montagem, em abril de 2013, quando foi analisado em artigo de João Lanari Bo, professor de cinema da Universidade de Brasília e diplomata, no Correio Braziliense[10]. Na fuga dos personagens Pedro e Lucas para o interior, o professor apontou uma crítica do "espetáculo modernista" embutida na cabeça do criador da capital, Juscelino Kubitschek. Nesse aspecto, o movimento dos dois personagens rumo a Ouro Preto acaba por construir, nas palavras de Lanari, "uma transição espacial de forte contraste e significação".

Com o lançamento no circuito comercial, em agosto de 2014, o filme recebeu boas críticas na imprensa brasileira, inclusive a cotação máxima do jornal O Globo[11]. Em sua crítica, Rodrigo Fonseca lembra da inspiração beatnik para a trama, mas destaca a conexão da mesma com a realidade brasileira contemporânea e com as influências do cinema marginal brasileiro. "Pedro e Lucas erram pela tela embalados no sax seco de Ivo Perelman (destaque da trilha sonora), vivendo peripécias banais num cenário onde a macheza tornou-se impotente frente à desesperança. Ao filmá-lo, Galvão disseca um Brasil em coma"[12].

A releitura do cinema marginal também foi destacada por Alexandre Agabiti Fernandez, na Folha de S. Paulo: "O segundo longa do brasiliense Gustavo Galvão põe em cena o périplo de dois rapazes em uma atmosfera tensa e delirante. A narrativa desregrada, com vários experimentos formais, e os personagens anárquicos ou desesperados aproximam o filme de algumas produções do cinema marginal, vertente criativa da produção brasileira surgida no fim dos anos 1960"[13][14].

Em seu texto para a Zero Hora, Daniel Feix cita rapidamente o movimento beatnik como uma referência do diretor e enfatiza que Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa se enquadra como "um típico exemplar do novíssimo cinema nacional, este que é praticado em grande parte por realizadores jovens que não querem saber de concessões"[15]. E da mesma forma que João Lanari Bo o fizera no artigo para o Correio Braziliense, Feix não deixou de destacar as relações dos personagens com a capital federal: "É de Brasília que o protagonista quer escapar, dado que se presta a correlações as mais diversas"[16].

Ligações externasEditar