Universidade de Alazar

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Universidade de Alazar
الأزهر الشريف
Dumo e minarete no pátio da Universidade de Alazar
Fundação 970~972 - madraçal
1961 - status de Universidade
Tipo de instituição Pública
Localização Cairo,  Egito
Presidente Usama al-Abd
Campus Urbano
Página oficial www.azhar.edu.eg

A Universidade de Alazar[1][2] (em árabe: الأزهر الشريف; romaniz.: al'azhar alsharif) ou Al-Azhar, está localizada no Cairo, Egito. Está anexa à mesquita homónima. Foi fundada como escola de teologia no Califado Fatímida, (xiita) em 988, sendo a segunda mais antiga universidade do mundo.[3] Nacionalizada em 1960, em 1961 disciplinas não-religiosas foram adicionados ao seu currículo.[4] tais como Medicina, Farmácia, Engenharia e Agricultura.[5] Em 1962 admitiu pela primeira vez estudantes femininas.[6]

Fundada como um centro de aprendizagem islâmica, seus alunos estudam o Alcorão e a lei islâmica em detalhe, sendo necessário, para admissão, saber de cor o Alcorão ou pelo menos importantes partes dele. [7]Foi uma das primeiras universidades do mundo, e a única no mundo árabe a sobreviver como uma universidade moderna, incluindo temas seculares no currículo. Hoje é o centro principal da literatura árabe e da aprendizagem islâmica sunita no mundo . [6]

IdeologiaEditar

A composição da Universidade representa as escolas teológicas de Al-Ashari e Al-Maturidi, as quatro escolas de jurisprudência islâmica sunita (Hanafi, Maliki, Shafi e Hanbali), e as sete principais ordens sufis. [8]

A Universidade opõe-se a uma reforma liberal do Islã e emitiu em 2017 uma fatwa contra a mesquita liberal Ibn Rushd-Goethe em Berlim, por não permitir burcas e nicabes, nem separação de sexos em suas instalações e aceitar homossexuais. [9][10]

A al-Azhar, assim como vários dos seus membros, foram acusados de ter dois discursos contraditórios, um moderado para a sensibilidade do Ocidente e outro para "consumo doméstico" que sanciona o extremismo violento.[11]

Um exemplo é a discrepância entre o discurso de al-Tayeb no Parlamento alemão em Março de 2016, no qual afirma que o princípio da liberdade religiosa está consagrado no Alcorão; e os seus discursos e declarações proferidos no Cairo, que sancionam a execução dos apóstatas do Islão.[11] Ahmed al-Tayeb é actualmente (2020) e desde 2010 o Grande Imam de al-Azhar, e anteriormente presidente da sua Universidade. Ele declarou: "A apostasia contemporânea apresenta-se sob a capa de crimes, agressões e grandes traições, por isso, tratamos-la como um crime que deve ser combatido e punido".E acrescentou: "Os estudiosos do Islão [al-fuqaha] e os imãs das quatro escolas de jurisprudência consideram a apostasia um crime e concordam que o apóstata deve ou renunciar à sua apostasia ou então ser executado."[12]

Em 3 de Junho de 1992, o activista egípcio Farag Foda foi acusado de blasfémia por um conselho de ulemas da Universidade de Al-Azhar. No dia 8 desse mês, terroristas do grupo Al-Gama'a al-Islamiyya executaram-no a tiro. O grupo referiu-se explicitamente à fatwa de Al-Azhar quando reivindicou a responsabilidade do crime. Um académico de Al-Azhar, Mohammed al-Ghazali al-Saqqa, afirmou depois como testemunha perante o tribunal que não era errado matar um apóstata. Al-Ghazali afirmou: " O assassinato de Farag Foda foi, de facto, a aplicação da pena contra um apóstata que o imã (líder islâmico no Egipto) falhou em aplicar". Mais tarde, o líder do conselho de ulemas de Al-Azhar publicou um livro - Quem matou Farag Foda? - onde chegou á conclusão de que Foda era o responsável da sua própria morte. Para Tamir Moustafa, a fatwa contra Foda e o seu subsequente assassinato são "talvez o exemplo mais claro de uma "divisão de tarefas" que poderá existir entre os islamistas radicais e os sheiks de al-Azhar".[13][14][15][16]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Grande enciclopédia portuguesa e brasileira. Lisboa: Editorial Enciclopédia. 1960. p. 51 
  2. Dias, Eduardo (1940). Árabes e muçulmanos. Lisboa: Livraria clássica editora, A. M. Teixeira & c.a (filhos). p. 215; 277 
  3. Encyclopædia Britannica. «Britannica article». Britannica article. Consultado em 21 março 2010 
  4. Skovgaard-Petersen, Jakob. "al-Azhar, modern period." Encyclopaedia of Islam, THREE. Editores: Gudrun Krämer, Denis Matringe, John Nawas and Everett Rowson. Brill, 2010, acessodata 20/03/2010
  5. «Al-Azhar University». Consultado em 4 de Maio de 2018 
  6. a b «Al-Azhar University». Encyclopaedia Britannica. Consultado em 4 de Maio de 2018 
  7. Webb, Suhaib (22 de Maio de 2007). «How Does One Enter Al-Azhar?». VirtualMosque 
  8. El-Houdaiby, Ibrahim (29 de Julho de 2012). «The Identity of Al-Azhar and Its Doctrine». Jadaliyya 
  9. Oltermann, Philip (25 de Junho de 2017). «Liberal Berlin mosque to stay open despite fatwa from Egypt». The Guardian 
  10. «Everyone is welcome at Berlin's Ibn Rushd-Goethe Mosque». Deutsche Welle (DW). 16 de Junho de 2017 
  11. a b «Egypt: CIHRS urges Sheikh of al-Azhar to retract statements condoning violent extremism» (em inglês). 10 de julho de 2016 
  12. «Egypt's Top "Moderate" Cleric: Apostasy a "Crime," Punishable by Death» (em inglês). Coptic Solidarity. 22 de junho de 2016 
  13. Soage, Ana Belén (2007). Faraj Fawda, or the cost of freedom of expression. [S.l.]: Middle East Review of International Affairs, Vol. 11, No. 2 -June 2007 
  14. Bar, Shmuel (2008). Warrant for Terror: The Fatwas of Radical Islam and the Duty to Jihad. [S.l.]: Rowman & Littlefield. p. 16 
  15. Darwish, Nonie (2008). Cruel and Usual Punishment: The Terrifying Global Implications of Islamic Law. [S.l.]: Thomas Nelson. p. 144 
  16. «EGYPT: Human Rights Abuses by Armed Groups». Amnesty International. 31 de Agosto de 1998. pp. 11–12 
 
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