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Usina do Gasômetro

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Usina do Gasômetro
Geografia
Localidade Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Usina do Gasômetro, ou simplesmente Gasômetro, é uma antiga usina brasileira de geração de energia localizada em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Apesar do nome, era na realidade uma usina movida a carvão mineral — o tal "Gasômetro" fazia referência aos tanques de gás de petróleo que era distribuído por canalização às residências da cidade que ficavam ao lado de onde hoje está a Usina. Com isso, a ponta da cidade passou a se chamar "ponta do gasômetro" e a rua que contornava esta ponta de "Volta do Gasômetro". Com a instalação posterior da usina termoelétrica, esta passou a se chamar "usina da ponta do gasômetro", ou simplesmente "usina do gasômetro".

HistóriaEditar

Em 1928 a Companhia de Energia Elétrica Rio-Grandense (CEERG), subsidiária da multinacional estadunidense Eletric, Bond & Share Co. que geriu a eletricidade e o transporte elétrico de Porto Alegre até 1954, assume o monopólio do setor de produção e distribuição de energia elétrica e a gás na capital, substituindo as usinas Cia Fiat Lux, Cia Força e Luz Porto-Alegrense e a Usina Municipal. Segundo o contrato, a nova Companhia deveria manter em funcionamento aquelas três usinas e construir uma nova termoelétrica.

A usina termelétrica do Gasômetro foi inaugurada no dia 11 de novembro 1928, na então chamada Praia do Arsenal, produzindo energia de carvão vegetal, sendo palco da industrialização ainda incipiente no Brasil. O projeto veio da Inglaterra, assim como todas as máquinas e materiais foi uma das primeiras edificações em concreto armado do Estado, com fechamento em alvenaria de tijolos e aberturas definidas por grandes esquadrias de caixilharia de aço. A fundação é formada por imensos maciços de concreto, assentados sobre rocha granítica no nível 1,50m.

O complexo arquitetônico Usina do Gasômetro recebeu esse nome devido à proximidade com a antiga Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado que ocupava as margens da rua Washington Luíz. Essa usina fornecia gás destinado à iluminação pública e abastecimento de fogões.

A chaminé de 117 metros foi construída em 1937 durante a administração de Alberto Bins para amenizar os problemas causados pela emissão de fuligem.

Devido à crise do petróleo e à falta de condições de atender à demanda de energia a usina foi desativada em 1974, entrando a partir daí em rápido processo de deterioração.

Após algumas tentativas de demolição, que foram evitadas graças à reação da sociedade civil, em 1982 a Eletrobrás transfere para o município o uso do terreno. Neste mesmo ano, o governo estadual tomba a chaminé como Patrimônio Histórico e Cultural do Município, e em 1983 o governo municipal tomba o prédio. Surgiu a ideia inicial e não concretizada de transformar o seu espaço em Museu do Trabalho.

Em 17 de agosto de 1988, a chaminé do prédio foi palco de uma inédita manifestação ecológica, que visava chamar a atenção da cidade para a votação do Projeto Praia do Guaíba que ocorreria naquele dia na Câmara de Vereadores. Quatro ecologistas da AGAPAN (Gert Schinke, Guilherme Dorneles, Gerson Buss e Sidnei Sommer) escalaram a chaminé e em seu topo colocaram uma faixa de protesto ao pretendido projeto.


Centro Cultural Usina do GasômetroEditar

A partir de 1988, na administração do Prefeito Alceu Collares, iniciaram as obras de reciclagem da Usina, com o propósito de transformá-la em um centro de formação de mão-de-obra.

Em 1989 assume o Prefeito Olívio Dutra, que organiza uma comissão formada com representantes do governo e de entidades da sociedade civil, que estabelece uso diverso do inicial para o prédio: um espaço cultural, com a estrutura original. Devido aos interesses de entidades civis integrantes da comissão, definiu-se a vocação desse espaço para atividades múltiplas e culturais. Um lugar de convívio, cultura, turismo e lazer para um público diversificado e de todas as idades.

Foi aberto à população como centro cultural no fim de 1991. Assim que foi inaugurada como Centro Cultural a Usina sediou importantes eventos e exposições, as comemorações de Primeiro de Maio de 1992 e os eventos relacionados à ECO 92 - Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - marcaram os primeiros anos de seu funcionamento. Os 18.000m² de área abrigam auditórios, salas multiuso, anfiteatros, espaços para exposições, laboratório fotográfico, estúdio de gravação, videoteca, centro de documentação, biblioteca, cinema, teatro e cafeterias,

O prédio da Usina do Gasômetro abriga inúmeras atividades desenvolvidas por grupos de teatro e dança locais, em projeto intitulado Usina das Artes e conta, ainda, com Centro de Informações Turísticas. Grandes eventos, feiras, apresentações artísticas e exposições tem um raro lugar e em localização privilegiada.[1] É também um dos pontos mais tradicionais para ver o famoso pôr-do-sol da cidade, às margens do Lago Guaíba, e, quando aberto, do terraço do 4º andar. Hoje a Usina do Gasômetro é um grande centro cultural da cidade, sendo palco das mais diversas manifestações artísticas.

Em 1995 se tornou o Centro Cultural Usina do Gasômetro, abrigando atividades populares múltiplas e se tornando um importante equipamento cultural de para a cidade.

A Sala P. F. Gastal foi a primeira sala de cinema municipal, inaugurada em 25 de maio de 1999. Com capacidade de 118 lugares em 292m², homenageia o jornalista e crítico de cinema gaúcho Paulo Fontoura Gastal.

A Galeria Lunara foi inaugurada em 26 de junho de 2001 e homenageia um dos pioneiros da fotografia local, Luís Nascimento Ramos, o Lunara.

Em 2007 a Usina passou por algumas reformas internas, incluindo repintura de seu exterior e previsão de reforma do Teatro Elis Regina.


Em 2014 havia os espaços[2]:

Primeiro andar: Recepção, saguão utilizado para eventos, exposições e feiras, loja, Usina do Papel, Memorial da Usina e as galerias Iberê Camargo e dos Arcos, esta última exclusiva para mostras fotográficas.

Segundo andar: Espaço para grandes eventos, feiras e exposições, além de bar e terraço com vista para a Avenida Presidente João Goulart. A Sala Julieta Battistioli (em homenagem à primeira vereadora de Porto Alegre), com capacidade para 250 pessoas, é palco para eventos, seminários e conferências. Neste andar será o futuro Teatro Elis Regina, com 745m².

Terceiro andar: Sala de cinema P. F. Gastal com uma cafeteria, Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia, e sala do Programa Nacional de Incentivo à Leitura da Região Metropolitana de Porto Alegre (Proler/RMPA).

Quarto andar: Área de 403m² para exposições e terraço com vista para o Guaíba e para o Centro da cidade.

Quinto andar: Sala para ensaios e duas salas multiuso com capacidade para 40 lugares, Galeria Lunara, acervo climatizado de filmes e vídeos da SMC.

Sexto andar: Direção, Núcleo de Serviços Gerais e coordenações do Carnaval, da Descentralização, das Manifestações Populares, Setor de Mostras, equipe do Acervo Artístico e Conselho Municipal de Cultura.

A Usina apresenta ainda um espaço externo privilegiado, com amplo estacionamento, local para shows e o Bar Chaminé Usina.


A Usina do Gasômetro está fechada para reforma desde novembro de 2017. A equipe e atividades da sala P. F. Gastal foi migrada para a Cinemateca Capitólio Petrobrás, e os grupos artísticos do projeto Usina das Artes foram alocados em um prédio da Prefeitura de Porto Alegre na Rua Santa Terezinha, 711, no bairro Santana, batizado de K.Z.A. Terezinha, que em 2019 ainda passa por reforma pois é insuficiente para todos os grupos.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Usina do Gasômetro
  1. Figueiró Filho, Alexandre (20 de abril de 2017). «trajetória da Usina Gasômetro» (PDF). Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Consultado em 22 de agosto de 2019 
  2. «Espaços da Usina». 30 de abril de 2014. Consultado em 22 de agosto de 2019