Usuário(a):Antonio Luis Muniz do Amaral/Testes

Método de avaliação: Avaliação produzida pelo discente

Como professores, tem-se a necessidade de constante aprendizado, buscando formas e métodos de satisfazer o anseio dos nossos discentes. Os quais buscam uma aula dinâmica, tanto quanto é sua vida fora da escola, onde informações, diversão e conhecimento são apresentados quase ao mesmo tempo. Demo (2008) afirma que os atuais métodos de estudo dos nossos alunos leva-os à memorização sem se apropriar do conhecimento. Deve-se isso a métodos de ensino tradicional, onde a transmissão do conhecimento ocorre sem sua apropriação. Para Demo, estudar seria uma dedicação sistemática com um princípio motivacional, buscando desconstruir e reconstruir o conhecimento. Nesse sentido, um professor que deseja ser atualizado, busca experiências e se não encontra investiga possibilidades de inovar.

Em uma análise própria, encontrei uma proposta de por nossos alunos em compasso com a desconstrução e reconstrução do conhecimento. Esse artigo é direcionado a tal proposta metodológica. Sabendo que nós professores somos incumbidos de cumprir os ritos do sistema educacional brasileiro, mesmo que este esteja no século IXX. Com suas formas de avaliação, enumerando os alunos e os classificando, não por aquilo que se apropriaram, mas, pela memorizaram. Dedica-se a isso as provas (exames), em alguns casos até nomeadas de avaliação, mas, no fundo tem o intuito classificatório.

Sendo assim, e até que se tome outras medidas (políticas) de reforma educacional, temos que conviver e cumprir o que nos é posto. Diante de tal realidade, busquei ver o que um professor passa ao redigir e aplicar um exame para seus alunos. Dentro das tarefas está o levantamento do conteúdo já visto, elaboração das questões, teste das mesmas e a redação do gabarito. Isso envolve pesquisa e redação (escrever de modo a ser entendido). [1]Para Demo (2008, pag. 21) “...aprendizagem pede elaboração constante de textos, através dos quais exercitamos a autoria e a correspondente autonomia; elaboração é indicativo forte do saber pensar, à medida que estruturamos as idéias sob a égide do sujeito;...”. Com argumentos assim pude fundamentar e postular tal artigo. Este tem como objetivo de contribuir com os colegas docentes. Através de uma experiência vivida em sala, espera-se que sirva de sugestão para incentivar nossos alunos à pesquisa.

[2]Segundo Demo (2011) a necessidade do professor se tornar mediador, manifesta-se a necessidade de uma educação autoral, onde o aluno é autor e o professor seu aporte de orientação. Um bom exemplo são os jogos de videogame, com o objetivo de desafiar o jogador á romper barreira, descobrir saídas e elaborar estratégia, este é o grande atrativo dos games. Torna o jogador um produtor, um pesquisador, um estrategista, esse é um método chave para a educação.

Diante dessa visão, percebemos a necessidade de um repensar pedagógico, cujo conceitos vistos e vividos até agora, podem não caber mais nas salas do século XXI. Colocar o aluno como pesquisador ou colocar ele a detectar relações do mundo ao seu redor pode ser um caminho a ser percorrido. Uma proposta muito aceita e indicada atualmente é fazer do estudante um pesquisador, assim como cientista. Para [3]Demo, (2011pag. 30), “O cientista nada cria, apenas detecta relações. A lei da gravidade, por exemplo, é descoberta formidável, mas não significa intervenção na realidade ou criação de relações novas.” Quer dizer que um estudante pesquisador tem mais chance de compreender as relações entre as áreas do conhecimento do que tentar intervir na sua realidade. Porém, ao saber das relações, pode buscar novas aplicações do conhecimento, automaticamente poderá mudar sua realidade. Na busca de incentivar o aluno a pesquisar e se tornar autônomo de seu aprendizado, encontrei um método de cumprir os ritos do sistema e ao mesmo tempo despertar no aluno seu lado pesquisador.

O método se baseia na formulação de exercícios em uma folha específica para cada dupla. Por que trabalho em dupla? Após realizar experiência com alunos trabalhando individualmente, optou-se por duplas por uma questão didática. Em dupla os alunos podem discutir os formatos das questões, podem testar, trocar experiências, entre outras, que mais contribuem para o aprendizado. Há o lado prático, já que leva-se um tempo para tal atividade. No entanto, todas as experiências, a turma conseguiu cumprir o trabalho em uma aula de 45 minutos, considerando cinco exercícios.

No primeiro momento, os alunos são motivados a formularem exercícios utilizando os conceitos do tema abordado. Uma das exigências desse método é o uso da criatividade, sendo assim, as questões devem ser criadas e não copiadas, resolvendo-as aparte formando um gabarito. No segundo momento esses trabalhos devem ir para outra turma resolver (do mesmo ano), sendo distribuída para duplas de alunos, de forma aleatória. Como a formulação foi realizada por duplas de alunos, por questão numérica, a resolução também deverá ser em duplas. No terceiro momento, os questionários voltam a sua origem para correção. A nota de cada grupo (dupla) ficaria estabelecia em 50% para a coerência, clareza e criatividade nas questões. Os outros 50%, da nota, a dupla obtém nos acertos das questões corrigidas pelos alunos. Porém, depois de todas as turmas corrigirem os trabalhos, o professor recolhe os trabalhos para analise e a definição da nota final para cada dupla. A seguir está uma das experiências vividas em sala de aula com uma turma do ensino médio.

Desenvolvimento

Tal experiência ocorreu em uma escola estadual de Santa Catarina. A turma foi a do 2º ano do ensino médio. Porém já adianto que tal método pode ser aplicado a qualquer área do conhecimento, ano escolar ou tipo de escola.

O período de aplicação foi no 3º bimestre com o tema Proporções e Similaridade entre os triângulos. O plano de ação (Anexo I) foi direcionado para trabalhar o tema durante 4 aula, promover conceituação através de experimentos. Assim que a turma estava se apropriando do tema, busquei aplicar tal método.

De acordo com o plano de ação, a experiência começou com a formação de duplas de alunos e solicitei a cada dupla a formulação de cinco questões envolvendo o tema visto.

De início foi uma surpresa para os alunos, mas, depois de explicar o método (acima descrito) os mesmos se interessaram. Ao iniciar esse novo momento, percebi a dedicação dos alunos na elaboração das questões. Forneci a eles livros didático para que tivessem uma referência, porém, alertei sobre copia das questões, isso não seria aceito. O interessante nesse método é que a interdisciplinaridade está implícita. Já que os alunos devem buscar conhecimentos em outras áreas para formularem suas questões.

Utilizando minha mediação orientei os alunos sobre o cuidado da linguagem, coerência e método, pois, seria interpretado por outra pessoa. Assim deveriam buscar conhecimentos na língua portuguesa e história, se resolvessem inserir algum fato histórico.

Os alunos conseguiram formular as questões em uma aula (45 minutos). Assim que terminaram, recolhi os trabalhos para posteriormente aplicar a outra turma. Esse processo se repetiu com as outras turmas, passando por três momentos: parte teórica, experimento e formulação de questões. Este processo levou duas aulas por turma.

Durante todo o experimento, os alunos se dedicaram a fazerem questões criativas e com uma linguagem cuidadosamente testada por eles. Dentro das orientações, solicitei a eles que colocassem seus nomes como professores, isso deu um sentido de responsabilidade, já que meu nome não apareceria nesse exame. Dando aos alunos uma responsabilidade que eles ainda não tinham experimentado dentro do espaço escolar.

Assim que concluímos os trabalhos, recolhi os exames e distribui para a outra turma responder. Para tanto, solicitei que para cada exame uma dupla de alunos deveria responder. Essa atitude é vista por mim como uma forma de que os alunos interajam entre si, e discutam cada questão, tanto na redação quanto execução de tal exame.

Concluída as fases de redação e solução dos exames, o mesmo foram recolhido para a analise final. Nesse momento o professor pode verificar o grau de criatividade empregado nos trabalhos, o quanto foi apropriado do assunto e a coerência das questões e suas respostas. Com esse fatores em mãos pude definir a nota final para cada dupla.


Conclusões finais.


A experiência vivida durante as aulas nessa escola serviu para definir um conceito de que os métodos de ensino são diversos e podem ser melhorados, atualizados ou criados. Notei que durante todo o experimento, a indisciplina desaparecera, a atenção era evidente entre os alunos e via-se que sua criatividade fluía com o aprendizado indireto. A apropriação do tema ocorreu de forma natural, já que os alunos deviam testar suas questões e depois definir o gabarito. Então não era somente uma redação de questões, e sim, um aprendizado sem a interferência direta do professor, o qual se limitou orientar seus alunos. Esse papel deve ser perseguido pelo professor que deseja ter alunos pesquisadores.

As notas resultantes dos exames foram na média, considerando que foi a primeira vez que os alunos foram submetidos a tal experimento. Algumas questões foram confusas, outras fáceis, no entanto no geral foi satisfatório o experimento. Atingi mais ou menos 80% dos exames dentro da média 7,0, na maioria das turmas avaliadas.

Ao retorna as turmas para entregar os exames, os alunos deram alguns depoimentos sobre esse trabalho. Alguns admitiram alguma dificuldade de formulação, pois, tinham que usar um lado do conhecimento próprio que é pouco explorado dentro da escola. Já que os alunos, no atual sistema, recebem um tema a ser trabalhado, porem, não precisam buscar conhecimento cognitivos de outras áreas. Não precisam avaliar, produzir, reconstruir o conhecimento obtido sobre o tema visto. Pois, ganham o exame pronto e restando apenas responder as questões que pouco tempo depois, serão esquecidas. Já que para tal exame usa-se a memorização, a qual é frágil e pouco faz na apropriação do conhecimento.

Se buscarmos uma visão mais aguda sobre o que fazer com nossos alunos atualmente, encontro minha conclusão própria, devemos desafia-los.

  1. DEMO, Pedro (2008). Metodologia para quem quer aprender. São Paulo: Atlas 
  2. DEMO, Pedro (2011). Outro Professor – alunos aprendem bem com professores que aprendem bem. Jundiaí, SP: Paco Editorial 
  3. DEMO, Pedro (2011). Outro Professor. Jundiaí, São Paulo: Paco Editorial