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Vista de Vermelho Velho.

Vermelho Velho é um distrito do município de Raul Soares, Minas Gerais.Sua população estimada é de 2.625 (IBGE/2000).

Índice

EtimologiaEditar

O nome Vermelho Velho se deve à coloração do riacho que corta a vila. A cor de suas águas era vermelha devido a terra vermelha encontrada em suas margens.

HistóriaEditar

 
Antiga igreja católica.

Os primeiros habitantes da região foram os índios aimorés chamados de boachás.Segundo a comparação de dados de Gamito (2009, p. 6-7), os habitantes primitivos seriam os puris. O primeiro explorador da localidade foi José Alves do Valle, na década de 1830. A vegetação era de mata nativa. Partindo do córrego do Boachá, Vale fez amizade com os ameríndios e tomou posse das terras em torno do ribeirão Vermelho. A fazenda se tornou vila. O distrito foi criado a 23 de maio de 1856 e a paróquia a 18 de novembro de 1865. Em 9 de outubro de 1852, o casal Francisco Antunes da Costa e Maria Rita de São José doaram o terreno do patrimônio.

O meio de transporte era feito por meio de tropas de animais e carros de boi. Em 1916 surgiu a Rede Ferroviária em Raul Soares e em 1930 estendeu-se até o distrito. Na década de 90, aquela foi substituída pela rodovia que liga Raul Soares a Caratinga, a BR-116. A política local foi durante várias décadas dominada pelo coronelismo. Depois houve transformações na política, criando-se dois partidos políticos o UDN (União Democrática Nacional) e o PSD (Partido Social Democrático), marcados por rivalidades. Houve vermelhenses com grandes destaques, sendo que três deles foram prefeitos do município como: Carlito Ferreira Brandão, Zeferino Pires e José Macário da Luz. Dois deles residiram em Vermelho Velho: Carlito e José Macário. No entanto, a liderança regional que influenciou um período mais longo e diretamente a vida dos vermelhense foi o Coronel José Martha Pires. As ruas antigamente eram nomeadas como Rua da Direita, Pongó e Tabuinha.

A religião predominante naquela época era o catolicismo, surgindo, em 1932, o Protestantismo representado pela Igreja Presbiteriana. A igreja católica era feita de tábuas e pregos e só em 1947 é que foi demolida e iniciou-se a construção da atual. A agricultura era variada: arroz, milho, café, mandioca e cana-de-açúcar. Houve um crescimento grande na agricultura, por isso foi preciso construir um armazém para fazer o depósito dos cereais, com o nome Castro Mendes e Cia., a empresa negociava café e cereais. O transporte dos produtos era feito por tropas e carro de boi. As iniciativas culturais eram representadas por cinema, teatro e duas bandas de música (Francisco Martins e Manoel Abrão).

Havia os estabelecimentos comerciais: José Turquinho, Querino Leôncio da Luz, Abel Alves Nogueira, José Nogueira, Joaquim Alves de Souza e outros. A partir de 1980, ressurgiu o cartório em Vermelho Velho. A agricultura foi substituída pela pecuária. Cresceu a cultura do bovino, suíno, eqüino. O abastecimento de água era feito de forma precária, ou seja, a água era retirada de cisternas. A iluminação era de forma precária, era feita através de lamparinas com querosene e não existia iluminação nas ruas. Com o tempo surgiu a usina hidrelétrica de Joaquim Alves de Souza, depois, vindo de Raul Soares, a Força e Luz para depois vir a CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais). O período áureo de Vermelho Velho coincidiu com a ferrovia e florescimento da cafeicultura. A época compreende as décadas de 1930 a 1970.

GeografiaEditar

 
Localização de Vermelho Velho no município de Raul Soares.

Vermelho Velho localiza-se a leste de Minas Gerais, na mesorregião da Zona da Mata, especificamente na micro-região de Ponte Nova. A vila fica a 19,8 km de Raul Soares e a 21,8 km de Bom Jesus do Galho. O território englobado pelo distrito limita-se com São Sebastião do Óculo, São Vicente da Estrela, Bicuíba, Cornélio Alves e com as sedes de municípios: Raul Soares, Bom Jesus do Galho e Vermelho Novo. O clima é agradável. O relevo é montanhoso. A hidrografia é representada pelo ribeirão Vermelho que nasce nas montanhas de Vermelho Novo e deságua no rio Matipó. O gentílico é vermelhense. Segundo o censo (IBGE 2000), a população de Vermelho Velho é 2.625 habitantes. Sendo que 82,29% estão na zona rural e apenas 24,15% se encontram na área urbana. Demograficamente, o distrito é representado por brancos, negros e pardos.

A flora ainda se acha representada por pequenas reservas florestais. As espécies encontradas são açoita-cavalo, angico, barbatimão, braúna, cabiúna, candeia, cedro, cipó de são João, imbaúba, erva-de-bicho, fedegosa, ingá, jacarandá, vinhático, mangueira, paineira, sucupira e outras. E fauna se faz representar pelas espécies: sábia, tico-tico, bem-te-vi, beija-flor, gaviões, corujas, sanhaço, gambá, lagartos, tatu, lagartixa, alma-de-gato, jacu, inhambu, rã, perereca e coelho. As principais atividades econômicas são a agropecuária: a pecuária, cafeicultura e o comércio. A empregabilidade é mínima. As contratações sazonais acontecem de abril a julho, durante a colheita do café. O comércio interno da vila se pauta na revenda de gêneros alimentícios, produtos agrícolas , materiais de construção, lanchonete e lan house.

Estrutura rural e urbanaEditar

A área rural é organizada por córregos representados lideranças religiosas. A porção urbana possui sete ruas: Manoel Costa, Leopoldina Sathler, Carlito Brandão, Wilson Damião, Quirino Leôncio, São José e São Francisco. A vila se divide em duas porções uma de um lado e outra do outro lado do ribeirão Vermelho. Na porção ultravermelhense, antiga estação ferroviária há uma piscicultura. No lado cisvermelhense há um campo de futebol, igrejas, um asilo e uma escola.

PolíticaEditar

Vermelho Velho ao longo de sua história pertenceu aos municípios de Manhuaçu, Ponte Nova, Caratinga, Bom Jesus do Galho e Raul Soares. Na década de 30, surgiu a primeira liderança política o coronel José Marta Pires. Mas somente na segunda metade do século XX surgiram os primeiros vereadores: José Alves Nogueira, José Ribeiro da Silva, Trazilbo Vieira Sathler, Edmundo Teixeira, José Macário da Luz, José de Souza Pires e Hélcio da Silva Araújo. Foram prefeitos: José Zeferino Pires, Carlito Brandão e José Macário da Luz. Durante muitos anos houve bipartidarismo.

ReligiãoEditar

 
Igreja Presbiteriana.

A predominância é do catolicismo. Existem minorias evangélicas. A Paróquia São Francisco de Assis (Vermelho Velho) foi fundada no século XIX e até a década de 1940 fez do catolicismo a religião absoluta. A paróquia pertence à diocese de Caratinga. Nos anos 40, apareceu o protestantismo através da Igreja Presbiteriana. Nos anos 80, apareceu a Igreja Assembleia de Deus (Brasil). Dentro do catolicismo existem os Grupos de Reflexão, o Apostolado da Oração e a Sociedade de São Vicente de Paulo, única instituição filantrópica da localidade.

Cultura e esporteEditar

Na década de 1940, no período áureo da ferrovia, existiram na vila duas bandas de músicas, teatro e cinema. Na década de 1980, houve um carnaval amador. Porém, tais atividades diminuíram com o tempo. Atualmente existem a tradicional Festa do América (acontece há 63 anos), campeonato de futebol, rodeio e festa junina promovida pela Escola Estadual Albano Pires.

Saúde e comunicaçãoEditar

A população é atendida pela Prefeitura de Raul Soares. Existem atendimento médico e odontológico no Posto de Saúde. Além da disponibilidade diária de enfermeiros para emergências.

Desde a década 1910, existe a agência dos Correios. Houve uma interrupção de funcionamento durante alguns anos. Além da agência dos Correios, existe a telefonia fixa, LAN house com serviço de internet. Vermelho velho possui um site para divulgação de seu perfil.

EducaçãoEditar

 
Escola Estadual Albano Pires.

A educação só teve uma representação institucional organizada a partir da década de 1960, com a construção do prédio da Escola Estadual Albano Pires. A escola atende apenas o nível fundamental. No início do século XXI, houve experiência do ensino médio mas fechou por falta de alunos. Tem aumentado o número de curso superior antes o 9º ano do ensino fundamental era o máximo que alguém atingia.

Segundo o IBGE (1996), 588 pessoas estavam matriculadas no distrito. Sendo 22 no Pré-Escolar, 530 no Ensino fundamental e 32 no Ensino Médio. Apenas 3 pessoas cursavam o Ensino superior. Portanto, 90,4% das crianças estavam na escola cursando a Educação básica.

Linha cronológicaEditar

1831: José Alves do Valle chega na aldeia dos boachás e inicia o povoamento do distrito.

1840: A família Quintão adquire fazenda na região.

1856: É criado o distrito de ribeirão Vermelho.

1865: É criada a paróquia de São Francisco do Vermelho Velho a 18 de novembro.

1868: A paróquia fica subordinada a Caputira.

1890: O distrito integra o município de Caratinga.

1890: Instalação do cartório a 26 de novembro.

1913: O distrito é suprimido por vingança política.

1923: O distrito é restaurado a 7 de setembro.

1924: Passa a integrar o municípío de Raul Soares.

1930: Chega da Estrada de Ferro Leopoldina.

1936: Fundação da Conferência São Francisco de Assis da Sociedade de São Vicente de Paulo.

1937: Abertura da agência dos Correios.

1946: Construção da igreja presbiteriana.

1947: Luta pela emancipação com derrota dos vermelhenses.

1960: Criação da Escola Estadual Albano Pires.

1966: Inauguração da atual igreja católica.

1980: Desativação da ferrovia.

1996: Inauguração do asfalto Raul Soares/Vermelho Velho/Bom Jesus do Galho.

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  • ARAÚJO, José Jésus de. Livros de Tombos. Vermelho Velho: Paróquia São Francisco de Assis, 1964.
  • GAMITO, José Aristides da Silva, & FRUTUOSO, José Alves. Vermelho Velho: Memórias e Perspectivas. Vermelho Velho: Projeto Vermps, 2008.
  • Dados do IBGE [1]
  • Dados do IBGE [2]
  • Dados do IBGE [3]