Abrir menu principal

Vestiges of the Natural History of Creation

Vestiges1884.jpg

Vestiges of the Natural History of Creation foi um livro publicado anonimamente na Inglaterra, em 1844. Propunha uma teoria natural de evolução cósmica e biológica, colocando juntas numerosas teorias científicas especulativas daquela época, tendo criado considerável controvérsia política na sociedade vitoriana devido ao seu radicalismo e por ser pouco ortodoxo.

Explorando os avanços contemporâneos acerca da prensa gráfica a vapor e a popularização dos trabalhos derivados, o livro tornou-se um "best seller", vendendo milhares de cópias, sendo lido por pessoas com ou sem destaque social, do plebeu à rainha [1] .

Mesmo impresso em uma bem-sucedida gráfica de propriedade do irmão do autor, durante muitas décadas houve especulações sobre a real identidade de seu autor. A 12ª edição, publicada em 1884 finalmente revelou oficialmente que o autor era Robert Chambers, um jornalista escocês que nascera com seis dedos nos pés e nas mãos - cuja tentativa de remoção via cirurgia não fora o que se possa chamar de sucesso - e cuja morte remonta a 1871.

Escrito de forma clara, vívida e mais instigadora do que original, o livro defendia, apoiando em argumentos convincentes, que, ao contrário da ideia dominante à época, "as espécies não são fixas", e que todos os animais teriam se desenvolvido de uma forma primitiva. Trata-se da ideia central encontrada na moderna teoria da Evolução, encontrada no citado livro entretanto sob o termo "transmutação".

O livro era particularmente polêmico - justificando assim a postura de anonimato do autor - por explicitamente declarar ser o homem também uma espécie resultante de um processo evolutivo - de transmutações - ideia esta até então mantida "a parte" em discussões sobre fixismo versus transmutação dado o direto confronto com o dogma religioso em vigor à época; a do homem como ser especial na criação, gerado à imagem e semelhança de Deus.

Embora não apresentasse nenhum explicação acerca das causas ou mesmo do mecanismo que ocasionariam a transmutação, o livro foi de vital importância para a divulgação da ideia da transmutação e na solidificação do conceito de evolução junto à sociedade da época ao impelir a crítica ao fixismo e a busca por respostas quanto à causalidade e mecanismo inerentes à transmutação. Estas não tardaram a ser encontradas, sendo primeiro apresentadas de forma convincente no livro "A origem das espécies", obra devida, conforme de conhecimento público, a Charles Darwin.

Com primeira edição datada de 1859, em verdade a obra de Darwin é contemporânea à presente, fato que, ignoradas especulações cabíveis, certamente implica a necessidade de considerações pertinentes. Ao que consta, o próprio Darwin foi crítico implacável da obra [2].

Referências

  1. As informações que se seguem fazem-se conforme as divulgadas pela BBC - British Broadcasting Corporation - Documentário: "The Story os Science" - Episódio 3 : "How did we get here?"
  2. Conforme artigo Origem das espécies na presente enciclopédia acessada em 01-09-2011 às 23:30 horas