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Vila Militar: 7º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais

O Complexo da Vila Militar é uma importante referência para o município de Bom Despacho. Trata-se de um conjunto de casas construídas nos anos 1920, para sediar os operários que trabalharam na Estrada de Ferro Paracatu. Portanto, no século passado, a Vila Militar era a antiga Vila de Operários da Estrada de Ferro Paracatu.

HistóricoEditar

No início da década de 1920, iniciava-se a construção da Estrada de Ferro Paracatu que trouxe desenvolvimento social, urbano e cultural para Bom Despacho. Um empreendimento deste porte custava, além de recursos financeiros, recursos humanos. Desta forma, muitos trabalhadores migraram para a cidade em busca de emprego na ferrovia. Para recebê-los, foram erguidos galpões para alojamento de funcionários, oficinas de reparo das locomotivas, o Escritório Central da Estrada de Ferro Paracatu e a Vila Operária. Todavia, neste contexto, a situação financeira do estado de Minas e das ferrovias não era favorável e vários fatores contribuíram para acirrar a crise, entre eles, a queda da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929. Em janeiro de 1931, o Governo do Estado e o Governo Federal firmaram um contrato que culminou na criação da Rede Mineira de Viação, englobando todas as ferrovias do estado, entre elas a Estrada de Ferro Paracatu. Com a unificação das estradas férreas, o Escritório Central e as oficinas passaram, então, para Divinópolis. Disto, decorreu o esvaziamento da vila, bem como um declínio populacional na cidade. Em julho de 1931, Flávio Cançado Filho, prefeito de Bom Despacho na época, conseguiu junto à Olegário Maciel, bom-despachense e governador de Minas, a implantação do 7° Batalhão de Caçadores Mineiros da Força Pública do Estado de Minas Gerais a ser instalado na vila. A partir daí, as 97 casas da Vila Operária foram ocupadas por Caçadores Mineiros, denominando-se Vila Militar.[1] O primeiro comandante foi o Tenente Coronel Edmundo Lery dos Santos, que ficou responsável por tomar as providências necessárias para o estabelecimento da Unidade. Para tanto, foram organizadas turmas de terraplanagem, obras, carpintaria e ferraria. Ao mesmo tempo, foram realizados serviços de demolição de cafuas, aplainamento do terreno para instrução, construção de cercas divisórias, construção de jardim e limpeza da vila, instalação de luz, pintura do prédio do quartel, adaptações, entre outros. Os oficiais e soldados do Batalhão atuaram em momentos marcantes da historia do pais. Em 1932, em decorrência da chamada Revolução Constitucionalista de 1932, e em 1964, com o advento do Golpe Militar. Em 1977, o Complexo passou a sediar, também, a 2° Regional da Polícia Militar (RPM), que passou a integrar o 7° Batalhão. Apenas em 2008, a Resolução 051/2008 - Publicada no BGPMnº 13, de 19 de fevereiro de 2008, modificou a denominação de 2ª RPM para 7ª RPM, transferindo a sede para a cidade de Divinópolis-MG.[2] [3]

EstruturaEditar

O 7° Batalhão da Polícia Militar trouxe grande fluxo de pessoas para a cidade, empregando uma parte considerável da população. O conjunto arquitetônico é belo e notável. Possui uma Sede administrativa, quatro pavilhões para alojamentos e salas de aula, 23 casas para oficiais, 74 casas para praças (soldados, cabos e sargentos), área de preservação ambiental, sede da polícia florestal, um rancho, quadra, piscina, refeitório, academia, campo de futebol, entrada com guarita, o Colégio Tiradentes, e uma Igreja Católica, denominada Matriz de Santa Efigênia, protetora dos policiais. Em 2014, a capela foi inaugurada como a primeira paróquia militar do país.[4] O complexo é todo murado e vigiado 24 horas. O prédio da sede tem três andares. Sua arquitetura é retangular, com janelas idênticas, e entrada com uma bela escadaria. As 74 casas dos Praças são distribuídas em ruas de traçado octogonal e simetria caudada pela repetição. As casas dos oficiais são retangulares e encontram-se em uma rua linear onde, ao final, localiza-se a igreja. Esta, por sua vez, é pequena, possui uma torre central pela qual se faz a entrada. O altar é único e há um coro com guarda-corpo em madeira.

A estrutura arquitetônica, urbana e paisagística do Complexo da Vila Militar representa um período em que o Município deu os primeiros passos para o desenvolvimento urbano, social e econômico. É marca da história local e está na memória de todos os bom-despachenses ou daqueles que aqui vieram. Devido sua importância, em 2015, o Complexo foi tombado pela Secretaria de Cultura e Turismo.[5] É um bem patrimonial a ser resguardado e valorizado por todos.[6]

Referências