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Villa Romana de Freiria
Tipo Villa

(Villa rústica romana)

Proprietário inicial Império Romano
Função inicial Privado
Proprietário atual Estado Português
Função atual Cultural
Património Nacional
DGPC 73626
Geografia
País Portugal
Cidade Cascais

A Vila Romana de Freiria é uma uma vila romana localizada numa das encostas do vale da ribeira de Polima, entre esta localidade e o Outeiro, próximo do Casal de Freiria. Declarada como Imóvel de Interesse Público pelas Resoluções do Conselho de Ministros n.º 96/1997 de 19 de Junho (referente às ruínas) e n.º 81/2005 de 31 de Março (referente à área envolvente), a área foi objeto de estudo inicial pelo arqueólogo Virgílio Correia, no início do século XX.

Índice

DescobertaEditar

Foi o arqueólogo Virgílio Correia quem, em 1912, depois de ter encontrado uma sepultura romana junto a uma pedreira e numa tentativa de localizar uma necrópole, reportou primeiramente a existência de vestígios de ocupação romana nesta zona do concelho de Cascais.

Houve, contudo, que esperar pelo ano de 1973 para que a Villa de arquitectura civil romana construída no século II da EC (da Era Comum) fosse estudada sistematicamente pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, permitindo, entre outros aspectos, confirmar uma permanência humana no local desde o Calcolítico, atestada, por exemplo, em fragmentos de cerâmica Campaniforme e nalguns elementos da Idade do Bronze.

As sondagens, efectuadas posteriormente entre 1985 e 1986, revelaram a vila romana, que se supunha destruída.

O resultado obtido interessou as entidades oficiais mais directamente envolvidas na prossecução dos trabalhos, cujo apoio financeiro e logístico permitiram concentrar a investigação na área da vila romana, dando-se assim início a uma série de várias, pelo menos vinte até ao presente, expedições arqueologicas lideradas pelos arqueólogos (conjuntamente ou por um dos dois) Guilherme Cardoso e José d'Encarnação.

Os trabalhos arqueológicos cientificamente conduzidos foram pondo a descoberto não só a vila romana como também uma localidade do período Calcolítico anterior a esta, numa encosta adjacente de que já se sabia da sua existência pelos primeiros trabalhos de investigação desenvolvidos na área em 1973.

Descrição geral da áreaEditar

Trata-se de uma vila romana, e esta, a de Freiria, é um dos exemplos mais completos deste tipo de residência na Península Ibérica e destaca-se por dois motivos:

Um dos primeiros proprietários da Villa Romana foi certamente T(ito) Curiácio Rufino, pois foi achada uma ara com inscrição deste dedicada à divindade pré-romana Tribúnio.

Na área envolvente encontraram-se vestígios cerâmicos do período Neolítico o que documenta que, em Freiria, os Romanos vieram instalar-se num local já anteriormente ocupado, durante milénios, pelas populações que os antecederam.

Plano de PormenorEditar

O Plano de Pormenor, baseado no RJIGT, com efeitos cadastrais, entrou em vigor em 13 de agosto de 2010.

O Plano tem como objectivos a reestruturação urbanística com consolidação e integração formal de área urbana de génese ilegal, proceder ao enquadramento das actuações urbanísticas destinadas à valorização do sítio arqueológico da Villa Romana da Freiria, desenvolver um novo estabelecimento habitacional e de serviços, implementar uma estrutura de enquadramento paisagístico com integração do sistema hídrico natural existente, proceder à execução de sistemas gerais e específicos de suporte infra-estrutural, e, finalmente, garantir a implementação das actuações programadas, em observância das referências estabelecidas no Programa de Execução.

O Plano desenvolve as actuações programadas e consagradas no Plano Director Municipal do Concelho de Cascais, designadamente as estabelecidas no n.º 2.1 do artigo 45.º do Regulamento do Plano Director Municipal e prossegue o determinado no PROTAML, designadamente, no que se refere à elaboração de planos municipais de ordenamento do território, e à vertente de reestruturação e requalificação urbanística da unidade territorial que integra o interior do Concelho de Cascais

Achados arqueológicos RomanosEditar

Em 1912 da EC (Era Comum) foi encontrada, pelo arqueólogo Virgílio Correia, uma sepultura junto a uma pedreira na povoação de Freiria.

Em 1973 da EC (Era Comum) os arqueólogos Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, começaram a estudar cientificamente o local, permitindo, entre outros aspectos, confirmar uma permanência humana no local desde o Calcolítico, atestada, por exemplo, em fragmentos de cerâmica Campaniforme e nalguns elementos da Idade do Bronze.

Nos anos oitenta, noventa do Século XX da EC (Era Comum) e na primeira década do Século XXI da EC (Era Comum) e através de várias campanhas arqueólogicas, conduzidas pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, foram descobertos:

  • A Domus que revelou uma estrutura bastante delicada, com átrio, Peristilo (pátio interior) e implúvio circundado de "espelhos de água" e o envolvente corredor provido de colunas, de que se encontraram diversas bases no seu local primitivo assim como alguns capitéis, para além de determinados pavimentos, incluindo o de um provável triclínio, cobertos de mosaicos policromos de motivos geométricos e paredes decoradas com estuques pintados. Conseguiu-se identificar nos achados alguns dos compartimentos da casa, que eram ricamente pavimentados a mosaico policromo decorado com motivos geométricos. Mas, tal como sucede noutros exemplares desta tipologia arquitetónica, a sua estrutura inicial foi alvo de algumas remodelações pontuais, fruto do decorrer dos tempos e das novas necessidades quotidianas que se impunham, pela análise dos fragmentos cerâmicos recolhidos até ao momento, foi possível identificar duas dessas fases construtivas, ocorridas entre os séculos I e VI da EC (Era Comum);
  • O Celeiro, este último localizado a sudeste e ao qual estaria associada a parte inferior de um moinho, foi ainda encontrado um lajeado a circundá-lo;
  • Moinho está associado ao Celeiro;
  • Uma vasta camada de telhas, eventualmente pertencente a uma passagem coberta que estabeleceria a ligação entre a Vila frutuária, composta do Celeiro e o Lagar, e a área residencial, constituída pela Domus e pelo complexo termal;
  • Um Lagar para obtenção de azeite, como parece testemunhar um peso de sarilho semelhante aos usados nestas estruturas;
  • O Forno de cozer pão, depois de ter sido destituído da sua função inicial após o século IV da EC (Era Comum);
  • A parte rústica seria abastecida de água proveniente de um tanque-represa com base revestida a opus signinum erguido junto à ribeira que corre nas proximidades;
  • Termas, sendo que a investigação conduzida nestas permitiu identificar o hipocausto e dois tanques, de água fria e quente, revestidos a opus signinum, ao mesmo tempo que se determinava a ligação entre o domus e o frigidário;
  • Uma necrópole na margem oposta, constituída pelo ustrino (local de cremação dos corpos) e por mais de duas dezenas de enterramentos com urnas de incineração de inumação, estas últimas sem qualquer espólio, sendo, no entanto, de destacar a presença de uma lucerna decorada com a figura da deusa Diana numa das sepulturas de cremação;
  • Um (belo) mosaico com desenhos característicos da cultura romana que recentes escavações puseram a descoberto.

Relativamente ao espólio associado, encontraram-se vários componentes decorativos, dentre os quais:

  • Uma carranca com forma canídea;
  • Um quadrante solar;
  • Um conjunto de fragmentos de cerâmica comum e de terra sigillata;
  • Agulhas;
  • Alfinetes de osso;
  • Sovelas de ferro de um molde de cerâmica
  • Dois "tesouros" de moedas de diferentes cunhagens;
  • Uma ara consagrada à divindade indígena Triborúnio.

Achados arqueológicos pré-RomanosEditar

Apesar de a área arqueológica mais explorada ser a vila romana, está suficientemente documentado que, em Freiria, os Romanos vieram instalar-se num local já anteriormente ocupado, durante milénios, pelas populações que os antecederam.

Estes preferiram a encosta soalheira e mais abrigada e não o vale em que os Romanos de instalaram, esse facto deixou quase intactos os vestígios das ocupações anteriores.

Embora pouco explorada essa área arqueológica e descortinando-se já eventuais trechos de muralha, de um Povoado Pré-histórico do Neolítico, que será objecto de futuras escavações, e pesando também o facto de a agricultura intensa que aí se desenvolveu ao longo dos tempos ter destruído várias das estruturas naturalmente existentes, vários estudos arqueológicos preliminares, levados a cabo pelos arqueólogos atrás referidos, possibilitaram algumas conclusões:

  • A visível predominância, num primeiro período, de cerâmicas finas, de cor cinzenta escura e castanha, associadas ao fecho de cinturão, datáveis de finais do século VI da EC (Era Comum);
  • A nítidas presença no material anfórico das influências culturais e económicas da área ibérica mediterrânica, muito provavelmente através dos povos instalados em Alcácer do Sal;
  • O registo de um aumento gradual da presença de cerâmica indígena de produção local, o que demonstrará, sem dúvida, que os materiais importados cedo escassearam e a população local começou a fabricar ela própria aquilo de que necessitava para o seu quotidiano;
  • Que no final da Idade do Ferro, parece, por outro lado, ter-se registado, ao nível do material cerâmico, uma influência alheia, quiçá de povos do interior ou do Norte, portadores de cerâmica cinzenta brunida, cuja representação é, se se ativer aos dados de que por enquanto foram apurados, demasiadamente escassa para ter havido uma produção local ou uma importação em larga escala;
  • Salienta-se a excelente qualidade das peças estudadas, demonstrando-se que nos encontramos perante uma população que está, efectivamente, em contacto com os melhores centros produtores de determinados objectos, mormente no que concerne aos objectos de adorno encontrados (fecho de cinturão, fíbulas, contas de colar...).

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar