Villa romana de Pisões

na Herdade de Algramaça
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o sítio arqueológico romano no Alentejo. Se procura a antiga dinastia romana dos Pisões, veja Calpúrnia (gente). Se procura a companhia de água de Pisões, veja Água Castello.
Villa romana de Pisões
Ruínas da Villa romana de Pisões, em 2014.
Tipo Vila rústica
Website Página oficial
Património Nacional
Classificação Logotipo Anta Vilarinho PT.png Imóvel de Interesse Público
(Decreto n.º 251/70, D.G. n.º 129, Série I, de 03-06-1970)
DGPC 69754
SIPA 899
Geografia
País Portugal Portugal
Local Beja
Coordenadas 37° 59' 51.33" N 7° 56' 57.57" O
Localização em mapa dinâmico

A Villa romana de Pisões é um sítio arqueológico no concelho de Beja, em Portugal. Consiste numa grande casa senhorial do período romano, que foi ocupada desde o Século I até ao domínio visigótico.[1] É uma das principais e melhor conservadas villas romanas em todo o país, tendo sido classificada como Imóvel de Interesse Público.[2] É especialmente conhecida devido à riqueza dos seus mosaicos, e pelas suas termas, que estão entre as mais relevantes no país.[3]

Antigo complexo termal.

DescriçãoEditar

Localização e composiçãoEditar

A estação arqueológica está situada na Herdade da Almocreva, a cerca de 10 Km da cidade de Beja, numa zona conhecida como barros de Beja.[2]

As ruínas de Pisões correspondem a uma típica villa romana, ou seja, uma abastada moradia, que também funcionava como o núcleo de uma propriedade agrícola.[3] A casa rural tinha 48 divisões organizadas em redor de um pátio central ao ar livre, e possuía um grande tanque ou piscina com cerca de 40 m de comprimento por 8,30 m de largura, e um edifício termal, equipado com um hipocausto para aquecimento.[2] Uma das salas apresenta no seu interior um tanque com cobertura de mosaicos marinhos, que seria talvez utilizado como modo de amenizar a sala, de forma a providenciar um espaço para lazer onde os habitantes podiam refugiar-se do calor, durante os meses mais quentes.[4] Construídas de forma paralela à piscina, estavam quatro estruturas funerárias, destinadas aos habitantes mais abastados da villa.[5] Junto à casa existiam várias estruturas agrícolas como lagares e celeiros, e residências para os trabalhadores.[2]

 
Antigo tanque ou piscina.

Abastecimento de águaEditar

A uma distância de cerca de 200 m da villa foi descoberto o paredão de uma barragem, que servia para fornecer a casa e a exploração agrícola e pecuária.[2] Com efeito, a casa possuía várias estruturas que aproveitavam o abastecimento de água, como a zona das termas e vários grandes tanques e piscinas.[6] Esta estrutura estava situada na Ribeira da Chaminé, formando uma albufeira com 340 m de comprimento e uma área inundada de 31300 m², e uma capacidade máxima de 38 mil m³ de água.[6] A barragem foi mencionada por Abel Viana em 1947, que descreveu o paredão como tendo 58 m de comprimento, uma altura máxima de 4,3 m e uma espessura de 3,0 m.[6] O autor descreveu a barragem como sendo composta por pequenos blocos de diorito e outras rochas unidas com argamassa, em opus incertum, tendo sido organizadas em forma de cutelo e calçadas com pequenas lascas, de forma a aumentar a sua resistência contra a força da água.[6] A parte em opus incertum é composta por blocos de pequenas dimensões com argassama, sendo coberta por blocos maiores, cimentados e organizados em filas de forma aproximadamente horizontal.[6] Uma análise pormenorizada do paredão revela duas características importantes, sendo uma delas a existência de descontinuidades horizontais tanto no núcleo como no paramento a jusante, mostrando que ambas as partes foram construídas ao mesmo tempo.[6] A segunda é a presença de dois furos na base do paredão, um deles formando um arco de volta inteira com aparelho em tijoleira, e que seria provavelmente uma descarga de fundo, enquanto que o outro terá sido provavelmente aberto após a ocupação romana.[6] Abel Viana também descreveu a presença de moinhos de água, que utilizariam a força da água.[6] Ao longo dos séculos, a barragem sofreu um profundo processo de assoreamento, verificando-se uma grande diferença de cerca de três metros entre montante e jusante.[6]

A villa romana também era abastecida por um poço de alvenaria de pequenas dimensões, situada no interior da casa, e que serviria muito provavelmente para as tarefas domésticas.[7]

Em redor da villa de Pisões foram identificados vários núcleos arqueológicos que lhe estão associados. O sítio de Pisões, a nascente da villa, inclui fragmentos de cerâmica comum e de construção, dois fornos do período romano, e vários vestígios do II a III milénio a.C. e da Idade do Ferro.[8] O sítio Pisões 2 é uma elevação situada mais a Leste, onde também foram encontrados vestígios de cerâmica,[9] enquanto que em Pisões 4, localizada num pequeno monte na margem esquerda da Ribeira da Chaminé, foi descoberta igualmente cerâmica romana, e uma moeda.[10] O sítio de Pisões 5, situado perto do anterior, é mais cronologicamente diverso, apresentando vestígios do Neolítico, da Idade do Bronze, da Idade do ferro, do período romano e da época moderna.[11] Em Pisões 6, a Sudoeste da villa, foram igualmente descobertos vestígios de cerâmica romana.[12]

 
Mosaico com formas de peixes.

DecoraçãoEditar

Um dos motivos pelo qual a villa é conhecida são os seus mosaicos, tanto a duas cores como policromáticos, criando formas geométricas ou de teor natural.[3] Os desenhos geométricos são circunferências, quadrados, triângulos, hexágonos, cruzes, suásticas e delta, enquanto que os temas naturais incluem pombas e animais marinhos, como uma enguia e um peixe.[2] Os mosaicos, que revestem o solo de várias salas, foram feitos com tesselas multicoloridas, feitas em materiais calcários e vítreos.[2] Também se descobriram várias paredes com pinturas de frescos.[2] Outro material utilizado na construção foi o mármore, tanto em forma de lajes nos pavimentos, como em frisos.[2]

Entre os vários painéis de mosaicos, destaca-se um no fundo de um tanque doméstico, no centro de uma sala, por ser o único de tema aquático em toda a villa.[4] Datando de meados do Século IV, foi composto em cerâmica e em calcário policromático, e representa várias espécies marinhas, como dois peixes, uma moreia e os tentáculos de um polvo ou de uma lula.[4]

 
Ruínas de Pisões, em 2014.

Importância e preservaçãoEditar

A villa de Pisões é uma das mais importantes e melhor conservadas estruturas deste tipo em todo o país.[2] É um dos mais relevantes vestígios do período romano no concelho de Beja, e uma das villas romanas mais originais em toda a península.[13]

O conjunto da villa romana de Pisões foi classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 251/70, de 15 de Maio de 1970.[14]

 
Ruínas de Pisões, em 1998.

HistóriaEditar

Período pré-romanoEditar

A zona em que se insere a villa de Pisões já era habitada antes do período romano, como pode ser comprovado pelos vestígios encontrados no sítio arqueológico Pisões 5, incluindo duas fossas funerárias, um ossário, ferramentas e adornos do neolítico final, fossas, peças decorativas e cerâmica dos finais da Idade do Bronze, e vestígios de edifícios, cerâmica e utensílios da segunda Idade do ferro.[11] Neste local também foram encontradas peças do período romano, especialmente partes de ânforas, que podem apontar para um abandono do local durante os séculos II e III a. C., correspondente à República Romana.[11] Também no sítio de Pisões foram encontradas evidências de ocupação pré-romana, incluindo fossas do II a III milénio a.C., e uma necrópole da Idade do Ferro, com pelo menos doze sepulturas.[8]

Domínio romanoEditar

O complexo de Pisões foi ocupado durante o período romano, sendo a propriedade de um rico habitante da cidade vizinha de Pax Julia, que deu origem à moderna cidade de Beja.[2] Também foi um importante centro de produção agrícola, sendo uma das povoações satélites da cidade, que a abasteciam de alimentos.[15]

Foi construída no Século I, tendo sido habitada até ao Século IV.[2] Nos finais do Século II, foram construídos os mausoléus da villa de Pisões.[5]

Ocupação posteriorEditar

Dentro das ruínas da casa foram encontradas provas de ocupação posterior ao domínio romano, incluindo muitas peças de cerâmica negra tardo-romana, e dois capitéis do período visigótico,[2] já durante a Alta Idade Média,[16] A zona em redor foi posteriormente ocupada, como se demonstra pela presença de estruturas da época moderna ou contemporânea no sítio Pisões 5, onde também foi encontrada uma moeda de 1723.[11] Também foi registada a presença de vários moinhos a água na Ribeira da Chaminé para processamento de lã, que serão provavelmente posteriores ao período romano, e que eram denominados de pisões, que deram origem ao nome da zona.[6]

Corredor com solo de mosaicos.

RedescobertaEditar

Primeira faseEditar

A primeira parte do complexo de Pisões descoberta foi a barragem, que foi referenciada por Abel Viana em 1947, na sua obra Notas históricas, arqueológicas e etnográficas do Baixo Alentejo.[6]

A villa de Pisões foi descoberta por acaso em 1964, quando se estavam a fazer trabalhos agrícolas no local.[2] Durante uma lavoura no local, verificou-se que alguma coisa estava a impedir o deslocamento da charrua, pelo que o proprietário empregou uma máquina de maior potência, desenterrando três grandes pesos de lagar, igualmente denominados de pisões.[2] Esta descoberta foi relatada ao arqueólogo Fernando Nunes Ribeiro, que foi ao local, que no entanto se viu incapaz de fazer quaisquer investigações, embora tenha pedido a José Joaquim Fernandes, proprietário dos terrenos, que guardasse todas as pedras daquele tipo que encontrasse.[2] Com efeito, foram sendo descobertas mais peças durante os trabalhos agrícolas, incluindo um capitel e o fuste de uma coluna, e em Fevereiro de 1967 foi desenterrado parte de um mosaico, achado que relevou a importância do local.[2] Desta forma, iniciaram-se sondagens de diagnóstico no sentido de descobrir quais eram as potencialidades no local, tanto do ponto de vista arqueológico como estratigráfico.[5] No entanto, as investigações tiveram de ser paradas devido à falta de financiamento, tendo sido até então feitas principalmente devido à contribuição de Carolina Almodôvar, esposa de Joaquim Fernandes, que entretanto tinha falecido.[2] Felizmente, os ricos achados arqueológicos no local chamaram a atenção do Ministério da Educação Nacional e da Direcção-Geral dos Monumentos, que iniciaram o processo para a classificação do sítio arqueológico, o que sucedeu em 1970, como Imóvel de Interesse Público.[2] Porém, verificou-se novamente a falta de recursos económicos para continuar as sondagens, problema que foi resolvido através de subsídios da Fundação Calouste Gulbenkian.[5] Assim, continuaram as escavações, tendo sido desenterrada uma grande casa de campo, que foi identificada como o núcleo de um centro agrícola.[2]

As escavações foram coordenadas por Fernando Nunes Ribeiro, que é considerado um dos descobridores da villa de Pisões, em conjunto com Abel Viana.[2] As pesquisas continuaram quase sem interrupções até 1973, tendo-se desenterrado um grande número de estruturas, tendo depois parado até 1977.[5] Foram retomadas no ano seguinte, embora centrando-se em duas áreas não cobertas pelos trabalhos anteriores, uma junto à piscina e outra a Norte dos balneários.[5] Uma das principais descobertas nesta fase de escavações foi um conjunto de estruturas funerárias romanas, situadas em linha paralela com a piscina.[5] Os trabalhos continuaram até aos princípios dos anos 80, tendo sido desenterrados painéis de mosaicos, paredes pintadas, lajes em mármore, um balneário, uma piscina e vários lagos.[2] Em termos de espólio, foi descoberta muita cerâmica, incluindo um conjunto de mesa de elevada qualidade, fabricado em terra sigillata e cerâmica estampada, e outros artefactos, como vidros, bronzes, lucernas, pedras ornamentais lavradas e ferros.[2] Em 1980, foi vedado o perímetro das ruínas, com cerca de 30 mil m².[2] Entrentanto, no periodo após a Revolução de 25 de Abril de 1974 registou-se um dos primeiros actos de vandalismo nas ruínas, quando foram danificados os mosaicos representando suásticas.[2]

 
Ruínas de Pisões, em 2014.

Segunda faseEditar

Na Década de 2000, iniciaram-se vários estudos de forma a reduzir o impacte arqueológico da construção do Adutor dos Cinco Réis, parte da Rede de Rega da Barragem de Alqueva, tendo sido nessa altura descobertos os vestígios de várias estruturas negativas perto da villa de Pisões.[17] O sítio arqueológico, denominado de Pisões 5, foi inserido no Estudo de Impacte Ambiental em 2006, e escavado em 2011, durante as obras da conduta.[17]

Apesar da sua importância, o processo para o estudo e a valorização do sítio arqueológico enfrentou grandes dificuldades ao longo dos anos, devido a problemas na regularização do regime de propriedade.[13] Com efeito, a situação legal das ruínas era ambígua, uma vez que vez que não pertencia nem ao governo nem à Câmara Municipal de Beja, condição que limitava consideravelmente as competências tanto da autarquia como da Direcção Regional da Cultura do Alentejo, que não podia utilizar os serviços dos centros de emprego para contratar funcionários para as ruínas, e que teve de utilizar várias soluções provisórias.[18] Por exemplo, em Maio de 2012 o sítio arqueológico foi provisoriamente encerrado devido à falta de funcionários, uma vez que a única empregada no local saiu por motivo de reforma, tendo nessa altura a Direcção Regional e a autarquia de Beja encetado esforços para resolver este problema.[19] A Direcção Regional iniciou igualmente um processo de diagnóstico sobre as condições em que se encontravam as ruínas, de forma a saber quais as medidas a tomar para a sua requalificação.[19] Na sequência desta decisão, no mesmo ano foi assaltado e vandalizado o centro de interpretação, que ficou sem janelas nem portas.[2] Em princípios de 2013, uma família carenciada aceitou o convite da Câmara Municipal de Beja, com a aprovação da a Universidade de Évora e da Direcção Regional da Cultura do Alentejo, para fazer a limpeza e a vigilância das ruínas de Pisões, recebendo em troca apenas a autorização para ocupar uma antiga casa de guarda de caminhos de ferro nas proximidades, sem quaisquer benefícios financeiros.[18] Para esse efeito, o edifício foi alvo de obras, após um acordo entre a Rede Ferroviária Nacional, que era a proprietária, e a autarquia de Beja.[18] Esta iniciativa foi criticada pelos vereadores da Coligação Democrática Unitária, que acusaram a autarquia de explorar a família carenciada, e propuseram que em vez disso fossem contratados funcionários especializados para fazer aquelas funções.[18] A autarquia defendeu-se que as ruínas de Pisões não estavam sobre a sua directa responsabilidade, tendo tomado aquela medida apenas para continuar a ser um membro activo dentro da parceria para a conservação das ruínas de Pisões, e exigiu que o estado assuma as suas obrigações.[18]

Apesar da Universidade de Évora ser proprietária da Herdade de Almocreva, onde está situado o sítio arqueológico,[2] só em Fevereiro de 2016 é que aquele estabelecimento de ensino recebeu a chave do portão de acesso às ruínas.[13] A Universidade recebeu parte dos terrenos da Herdade da Almocreva no âmbito do processo da reforma agrária, de forma a utilizá-los para fins educativos, mas a herdade foi alvo de uma penhora devido aos problemas financeiros dos proprietários originais, tendo a Universidade pedido ao tribunal para retirar as suas parcelas do processo.[18] O vice-reitor, Manuel D'Orey Cancela D'Abreu, declarou em 2013 que quando terminassem os problemas legais, a universidade iria candidatar-se aos subsídios do Quadro de Referência Estratégico Nacional, de forma a fazer obras de recuperação e continuar as investigações nas ruínas de Pisões.[18]

 
Vestígios de um átrio.

Terceira faseEditar

Em Julho de 2017, as ruínas encontravam-se em estado de abandono, cobertas pela vegetação, e danificadas por actos de vandalismo.[2] De forma a evitar danos nos pavimentos de tesselas, foram colocados painéis com gravilha.[2] Nesse ano, ainda só tinha sido estudada a área da casa em si, faltando ainda estudar as zonas adjacentes.[2] Segundo o arqueólogo Miguel Serra, os vários trabalhos de levantamento feitos até 2010 apontam para a existência de várias estruturas ainda não descobertas em redor da casa, que muito provavelmente pertenceriam à parte rústica do complexo, ou então a uma zona de ocupação anterior ao Século I, hipótese pouco viável de acordo com o que já se sabe sobre a casa.[2] Esta zona rústica ou funcional seria composta pelas residências dos empregados, e pelas estruturas relacionadas com a agricultura, como os celeiros e os lagares.[2] Desta forma, era muito possível que a zona com vestígios históricos fosse consideravelmente superior à então definida pelo sítio arqueológico, que tinha uma área de 30 mil m².[2] O sítio também estava ameaçado por uma plantação de amendoal nos arredores, num local onde era muito provável a existência de mais vestígios arqueológicos.[2] Este estado de abandono foi criticado pelo arqueólogo João Sardica, que participou regularmente nas pesquisas, e que apontou, como principais causas para esta situação, a inexistência de uma entidade definida para a posse do sítio, e a falta de capacidade política, que impossibilitaram a falta de medidas adequadas à sua preservação e aproveitamento.[2]

Em 24 de Agosto de 2017, foi assinado um protocolo entre a Câmara Municipal de Beja, a Universidade de Évora e a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, para a valorização da villa romana, e a sua abertura ao público.[20] A Universidade iniciou assim um plano para valorizar o sítio arqueológico, que incluía a abertura ao público e a formação do Campo Experimental para as Arqueociências e Ciências do Património da Universidade de Évora.[21] A Universidade, comprometeu-se a fazer obras de conservação e a investigar o sítio, utilizando métodos não invasivos, embora também se pudessem fazer escavações no futuro.[2] Não se previa a realização de escavações fora da zona demarcada, uma vez que ainda não tinham sido feitas sondagens que indicassem se se justificariam os trabalhos.[2] As intervenções no sítio arqueológico foram divididas em três fases, sendo a primeira a recuperação das ruínas para permitir a sua visita, o planeamento do novo Centro de Interpretação e Estudos, a fundação do Campo de Ensaios Experimentais de Arqueologia e de Geofísica Aplicada, e o início dos trabalhos de investigação.[13] A construção do centro de interpretação iria ser feita durante a segunda fase, que também iria incluir a divulgação do sítio arqueológico junto do público, e a organização de trabalhos de campo e de formação sobre diversos temas.[13] A terceira fase englobaria a criação de parcerias com outros estabelecimentos de ensino superior e núcleos de investigação a nível internacional, e a continuação da divulgação da villa de Pisões, tanto do ponto de vista cultural como do turismo, prevendo-se a sua promoção como um destino turístico de excelência, dentro do tema da arqueologia.[13] Em 27 de Setembro desse ano, foi organizada uma sessão pública na villa, para celebrar a sua reabertura ao público, evento ao qual assistiu a secretária de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior.[20] No âmbito da reabertura do sítio arqueológico, também foram feitas obras de recuperação no edifício do centro de acolhimento e interpretação, e criado um percurso sinalizado para a visita às ruínas.[20]

Em Maio de 2018, a autarquia de Beja organizou a quinta edição do festival Beja Romana, tendo um dos eventos sido uma visita à villa de Pisões.[22] Nesse mês, foi assinado o contrato de financiamento para a construção do Parque Fluvial Cinco Reis, um complexo natural que incluía uma praia fluvial, situado a cerca de 1 Km de distância das ruínas de Pisões, esperando-se naquela altura que o parque fosse dinamizar também o sítio arqueológico.[23]

Em Fevereiro de 2019, a exploração da villa foi discutida numa reunião da Assembleia Municipal de Beja, tendo naquela altura o presidente da autarquia, Paulo Arsénio, declarado que o sítio estava a receber visitantes, embora tenha admitido que não estava a ser feita a monitorização do protocolo com a Universidade de Évora, e que caso aquela instituição de ensino não cumprisse o que tinha sido assinado, iria terminar o protocolo.[24] Também foram debatidos os acessos ao sítio arqueológico, tendo o autarca admitido que no próximo quadro comunitário de apoio não existiriam fundos suficientes para se proceder à asfaltagem dos caminhos, embora esta intervenção possa futuramente ser feita pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva ou pela Câmara Municipal de Beja.[24]

 
Mosaico com formas geométricas.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Villa Romana de Pisões com protocolo de recuperação». Rádio Campanário. 25 de Agosto de 2017. Consultado em 28 de Agosto de 2019 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak DIAS, Carlos (17 de Julho de 2017). «Villa romana de Pisões é agora a luxuosa casa das ervas daninhas». Público. Consultado em 28 de Agosto de 2019 
  3. a b c CÂNDIDO, Marco Monteiro (3 de Agosto de 2012). «As ruínas que não se podem descobrir». Diário do Alentejo. Ano LXXXI (1580). Beja: Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral. p. 10-11. Consultado em 1 de Setembro de 2019 
  4. a b c MOURÃO, Cátia (2008). «Motivos aquáticos em mosaicos antigos de Portugal: Decorativismo e simbolismo». Revista da História da Arte (6). Lisboa: Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. p. 115-131. ISSN 1646-1762. Consultado em 1 de Setembro de 2019 
  5. a b c d e f g PEREIRA, Carlos; SOARES, António M. Monge; SOARES, Rui Monge (2013). «Os mausoléus da villa romana de Pisões: a morte no mundo rural romano» (PDF). Revista Portuguesa de Arqueologia. p. 303-321. Consultado em 31 de Agosto de 2019 
  6. a b c d e f g h i j k QUINTELA et al, 1986:80-86
  7. QUINTELA et al, 1986:130
  8. a b «Pisões». Portal do Arqueólogo. Consultado em 2 de Setembro de 2019 – via Direcção Geral do Património Cultural 
  9. «Pisões 2». Portal do Arqueólogo. Consultado em 2 de Setembro de 2019 – via Direcção Geral do Património Cultural 
  10. «Pisões 4». Portal do Arqueólogo. Consultado em 2 de Setembro de 2019 – via Direcção Geral do Património Cultural 
  11. a b c d «Pisões 5». Portal do Arqueólogo. Consultado em 2 de Setembro de 2019 – via Direcção Geral do Património Cultural 
  12. «Pisões 6». Portal do Arqueólogo. Consultado em 2 de Setembro de 2019 – via Direcção Geral do Património Cultural 
  13. a b c d e f «"Villa" romana de Pisões em Beja vai ser recuperada para reabrir ao público». SAPO 24. 29 de Agosto de 2017. Consultado em 30 de Agosto de 2019 
  14. PORTUGAL. Decreto n.º 251/70, de 15 de Maio de 1970. Ministério da Educação Nacional - Direcção-Geral do Ensino Superior e das Belas-Artes, Publicado no Diário do Governo n.º 129, Série I, de 3 de Junho de 1970.
  15. Beja antiga. Roteiro Histórico de Beja. Beja: Câmara Municipal de Beja. p. 8. ISBN 978-972-8602-09-3. Consultado em 31 de Agosto de 2019 
  16. «Villa romana de Pisões». Portal do Arqueólogo. Consultado em 28 de Agosto de 2019 – via Direcção Geral do Património Cultural 
  17. a b BARGÃO, Patrícia; SOARES, António M. Monge. «Pisões 5: Um sítio de fossas nos barros de Beja» (PDF). p. 65-87. Consultado em 2 de Setembro de 2019 – via Repositório da Universidade de Lisboa 
  18. a b c d e f g DIAS, Carlos (16 de Fevereiro de 2013). «Família carenciada vai tomar conta da villa romana de Pisões sem contrato nem salário». Público. Consultado em 28 de Agosto de 2019 
  19. a b «Ruínas romanas de Pisões (Beja) encerradas temporariamente». Correio Alentejo. 31 de Maio de 2012. Consultado em 28 de Agosto de 2019 
  20. a b c «Villa Romana de Pisões reabre hoje ao público». Rádio Voz da Planície. 27 de Setembro de 2017. Consultado em 29 de Agosto de 2019 
  21. «"Villa" romana de Pisões em Beja reabriu hoje ao público». Diário de Notícias. 27 de Setembro de 2017. Consultado em 29 de Agosto de 2019 
  22. «Beja regressa à época romana». Correio Alentejo. 17 de Maio de 2018. Consultado em 30 de Agosto de 2019 
  23. PATOLA, Inês; ALVES, Ana Teresa (21 de Maio de 2018). «"Hoje o luxo está no Alentejo" afirma secretária de estado do Turismo». Rádio Voz da Planície. Consultado em 31 de Agosto de 2019 
  24. a b FREITAS, Ana E. de (27 de Fevereiro de 2019). «Protocolo sobre Pisões com a Universidade de Évora em risco». Rádio Voz da Planície. Consultado em 28 de Agosto de 2019 
 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre a villa romana de Pisões

BibliografiaEditar

  • QUINTELA, António de Carvalho; CARDOSO, João Luís; MASCARENHAS, José Manuel (1986). Aproveitamentos hidraulicos romanos a sul do Tejo. [S.l.]: Ministério do Plano e da Administração do Território - Secretaria de Estado do Ambiente e dos Recursos Naturais - Direcção-Geral dos Recursos Hidráulicos. Consultado em 4 de Setembro de 2019 – via Academia.edu </ref>

Leitura recomendadaEditar

  • SARDICA, João Mário Lopes. «Alguns subsídios para o Estudo dos Mosaicos de Pisões». Boletim do Arquivo de Beja. Beja. p. 66-69 

Ligações externasEditar


  Este artigo sobre arqueologia ou arqueólogos é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.