Abrir menu principal
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Viriato (desambiguação).
Question book-4.svg
Esta página cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde outubro de 2019). Ajude a inserir referências. Conteúdo não verificável poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Viriato
Monumento a Viriato, Viseu
Nascimento 181 a.C.
Lusitânia
Morte 139 a.C. (42 anos)
Ocupação Líder da tribo lusitana
Serviço militar
Conflitos Guerra Lusitana

Viriato (181 a.C.139 a.C., Lusitânia) foi um dos líderes mais importantes da tribo lusitana que confrontou os romanos na Península Ibérica. [1]

EtimologiaEditar

Há várias teorias quanto à etimologia do nome de Viriato,[2] que pode ser decomposto em dois elementos: Viri e Athus.

Viri pode derivar:

  • Do celta *uiro- 'homem'; e das formas mais antigas vírus, viri, viro, viron das quais deriva a antiga palavra para homem em Irlandês Antigo, fir;[3]
  • De *uei-, como em viriae ou a "bracelete torneada" celtibera usada pelos guerreiros (Pliny XXIII, 39);[4]
  • Do latim viri, que significa homem, herói, pessoa de coragem, honra e nobreza;
  • A elite celtibérica autodenominava-se uiros ueramos, o 'homem mais alto' (alteza). O equivalente em latim seria summus vir.[5]

A vida de ViriatoEditar

Pouco se conhece sobre a vida de Viriato. Não se sabe a data nem o local exacto do seu nascimento. A única referência à localização da sua tribo nativa foi feita pelo historiador grego Diodoro da Sicília [carece de fontes?], que afirma ser ele das tribos lusitanas que habitavam do lado do oceano.[6]

 
Imagem editada digitalmente, sobre fotografia registada em monumento localizado em Viseu (Portugal).

Viriato pertencia à classe dos guerreiros, a ocupação da elite, a minoria governante. Era conhecido entre os romanos como duque do exército lusitano, como adsertor (protector) da Hispânia,[7] ou como imperator,[8] provavelmente da confederação das tribos lusitanas e celtiberas.[9]

Este que vês, pastor já foi de gado,
Viriato sabemos que se chama,
Destro na lança mais que no cajado:
Injuriada tem de Roma a fama,
Vencedor invencibil, afamado;
Não tem co'ele, não, nem ter puderam
O primor que com Pirro já tiveram.
Os Lusíadas, VIII, estância 6

Apesar de a história estar recheada de exemplos em sentido contrário, ainda há quem tenha dificuldade em aceitar que um grande líder, ou uma qualquer grande figura histórica, possa ter origens humildes. Dizem esses que a teoria de Viriato ser pastor não é a mais correcta.[10] Segundo Pastor Muñoz, Viriato seria um aristocrata proprietário de cabeças de gado.[11]Tito Lívio descreve-o como um pastor que se tornou caçador e depois soldado. Dessa forma teria seguido o percurso da maioria dos jovens guerreiros, a iuventos, que se dedicavam a fazer incursões para capturar gado, à caça e à guerra.[12] Na tradição romana os antepassados mais ilustres eram pastores, e Viriato é comparado àquele que teria sido o pastor mais ilustre que se tornou rei de Roma, Rómulo.[13] A ideologia do rei-pastor, o pastor que se tornou rei, está presente na tradição de várias culturas para além da grega e da romana.[14][15] A metáfora do rei-pastor de Homero era frequentemente usada para dar ênfase às funções e deveres de um rei.[16] Havia quem pensasse que Viriato tinha uma origem obscura[17] No entanto, Diodoro da Sicília também diz que Viriato "demonstrou ser príncipe".[6]

Os lusitanos homenageavam Viriato com os títulos de Benfeitor, (Grego: evérgeta),[18] e Salvador, (Grego: sóter),[19] os mesmos títulos honoríficos usados pelos reis da dinastia ptolemaica.

Ele foi descrito como um homem que seguia os princípios da honestidade e trato justo e foi reconhecido por ser exacto e fiel à sua palavra nos tratados e alianças que fez.[6]

Viriato era, segundo a teoria avançada por Schulten, oriundo dos altos Montes Hermínios, actual Serra da Estrela, embora nenhum autor da antiguidade o tenha mencionado. Parte dos seus feitos foram escritos em poema, pelo autor Brás Garcia de Mascarenhas.[20][21]

A literatura bastas vezes se ocupou do herói lusitano; como exemplo, veja-se o conto "Viril, Alto" e notas complementares, na Bibliotrónica Portuguesa.

A guerra de ViriatoEditar

 
Estátua de Viriato, em Samora (Zamora), Espanha. No pedestal pode ler-se TERROR ROMANORUM.

Viriato, descrito como pastor e caçador da Lusitânia, foi eleito chefe dos lusitanos. Depois de defender vitoriosamente as suas montanhas, lançou-se decididamente numa guerra ofensiva. Entra triunfante na Hispânia Citerior (a Península Ibérica fora dividida pelos romana em duas províncias, Citerior e Ulterior, separadas por uma linha perpendicular ao rio Ebro e que passava pelo saltus Castulonensis, a actual Serra Morena, em Espanha) e lança tributos sobre as cidades que reconhecem o governo de Roma.

Foram atribuídos a Viriato dois tipos de guerra, bellum, quando ele usava um exército regular, e latrocinium, quando os combates envolviam pequenos grupos de guerreiros e o uso de tácticas de guerrilha.[22] Para muitos autores, Viriato é visto como o modelo do guerrilheiro.

Em 147 a.C. opõe-se à rendição dos lusitanos a Caio Vetílio, que os teria cercado no vale de Bétis, na Turdetânia. Mais tarde derrotaria os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície de Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, onde viria a matar o próprio Vetílio. Mais tarde, nova vitória contra as forças de Caio Pláucio, tomando Segóbriga e as forças de Cláudio Unimano que, em 146 a.C., era o governador da Hispânia Citerior. No ano seguinte as tropas de Viriato voltam a derrotar os romanos, comandados por Caio Nigídio.

Ainda nesse ano, Fábio Máximo, irmão de Cipião Emiliano, é nomeado cônsul da Hispânia Citerior e encarregado da campanha contra Viriato, sendo-lhe, para isso, fornecidas duas legiões. Após algumas derrotas, Viriato consegue recuperar e, em 143 a.C., volta a derrotar os romanos, empurrando-os para Córdova. Ao mesmo tempo, as tropas celtibéricas revoltavam-se contra os romanos, iniciando uma luta que só terminaria por volta de 133 a.C. com a queda de Numância.

Em 140 a.C. Viriato inflige uma derrota decisiva a Fábio Máximo Serviliano, novo cônsul, quando morreram em combate cerca de 3000 romanos. Serviliano consegue salvar a vida oferecendo promessas e garantias da autonomia dos lusitanos, pelo que Viriato decide não o matar. Ao chegar a Roma a notícia, este tratado foi considerado humilhante para a imponência romana, e o Senado voltou atrás, declarando guerra contra os lusitanos.

 
A morte de Viriato de José de Madrazo

Assim, Roma envia novo general, Quinto Servílio Cepião, que tinha o apoio das tropas de Marco Popílio Lenas. Cepião renova os combates com Viriato, mas este mantém superioridade militar e força-o a pedir nova paz. Envia, neste processo, três comissários de sua confiança, Audas, Ditalco e Minuros. Cepião recorreu ao suborno dos companheiros de Viriato, que assassinaram o grande chefe enquanto dormia. Um desfecho trágico para Viriato e os lusitanos, e vergonhoso para Roma, superpotência da época, que se intitulava arauto da civilização.

Roma chega a pactuar com Viriato, quase o reconhecendo como soberano. Porém, à traição, compactuou com três dos seus aliados para que o assassinassem. Anos antes, o general romano Sérgio Galba quase dizimara os lusitanos, tendo Viriato sido um dos que escaparam. O historiador Estrabão definiu a Lusitânia nos seguintes termos: "A mais poderosa das nações de Hispânia, aquela que, entre todas, por mais tempo deteve as armas romanas". Todavia, os romanos podiam contar tão pouco com a submissão dos povos da Península Ibérica que se viram forçados a manter o país em rigorosa ocupação militar, daí provindo os primeiros exércitos permanentes de Roma. Na Península Ibérica mantiveram-se em permanente guarda quarenta mil homens.

Depois da morte de Viriato, Táutalo assumiu a liderança do exército lusitano, mas teve pouco sucesso. Muito mais tarde, o romano Sertório tornou-se líder dos lusitanos, usando-os na guerra civil romana, até ser igualmente assassinado por militares da sua confiança.

Sem a forte resistência de Viriato, Décimo Júnio Bruto Galaico conseguiu avançar para o noroeste da Península, atravessando o rio Douro e subjugando a Galiza. Júlio César ainda governou o território (agora Galécia) durante algum tempo.

Viriato de Sílio ItálicoEditar

Foi argumentado que Sílio Itálico, no seu poema épico intitulado Púnica,[23][24] menciona um Viriato mais antigo que teria sido contemporâneo de Aníbal.[25] Ele foi chamado primo Viriathus in aeuo, e foi um líder dos galaicos e dos lusitanos. O Viriato histórico, seria o que recebeu o título de regnator Hiberae magnanimus terrae, o mais magnânimo dos reis da terra Ibérica.[26] O Viriato de Sílio (provavelmente fictício, um retrato retroactivo do Viriato do século II) morreu na Batalha de Canas, pela mão de um guerreiro romano.

Viriato como um postoEditar

Pensa-se que Viriato também seria um posto e não um homem, que o líder de cada grupo lusitano seria chamado de Viriato e as suas diversas aparências em vários pontos da Lusitânia levaram às várias crenças e mitos sobre estes líderes, solidificando-os numa só personalidade.

HomenagensEditar

Em sua homenagem, a Freguesia Portuguesa de Cabanas foi renomeada Cabanas de Viriato, apesar de não existirem quaisquer provas da sua ligação a esse local.

Referências

  1. «Viriato». Infopédia. Consultado em 29 de outubro de 2018 
  2. «Silva, Armando. O nome de Viriato» (PDF) 
  3. [1] Hyde, Douglas. The Glories of Ireland, Irish Language and Letters
  4. «Celtic Elements in Northwestern Spain in +Pre-Roman times» 
  5. http://books.google.com/books?id=dQC9O-9DAJoC&pg=PA128&vq=language&dq=pausanias+spain&as_brr=3&source=gbs_search_s&cad=4&sig=ACfU3U1VAnYerD7vAVJpVSgQeqbb7PEiZA#PPA128,M1  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  6. a b c d Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro XXXII, 5.1 [ael/fr][en] «Historical library of Diodorus the Sicilian. pg 543» (PDF) 
  7. «Evtropii Breviarivm Liber Qvartvs» 
  8. «Flori Epitome de Tito Livio Bellorum Omnium Annorum DCC, XXXIII». Consultado em 13 de novembro de 2007. Arquivado do original em 5 de outubro de 2007 
  9. «Quintela, Marco. La organización socio-política de los Populi del Noroeste de la Península» (PDF). Consultado em 13 de novembro de 2007. Arquivado do original (PDF) em 6 de março de 2009 
  10. «Muñoz, Mauricio. Viriato» (PDF). Consultado em 7 de dezembro de 2007. Arquivado do original (PDF) em 12 de outubro de 2007 
  11. «Ciência Hoje. Viriato terá sido um aristocrata» 
  12. «War and Society in the Celtiberian World» 
  13. Thomas Grünewald. «Bandits in the Roman Empire: myth and reality» (em inglês) 
  14. Martin Litchfield West. «The east face of Helicon: west Asiatic elements in Greek poetry and myth» (em inglês) 
  15. Michel Foucault, selecção e edição de Jeremy R. Carrette. «Religion and culture» (em inglês) 
  16. Richard A. Billows. «Kings and colonists: aspects of Macedonian imperialism» (em inglês) 
  17. Dião Cássio, Roman History, Fragments of Books XXII through XXIX.
  18. «Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology». Consultado em 30 de janeiro de 2008. Arquivado do original em 17 de abril de 2008 
  19. editado por William Smith. «Dictionary of Greek and Roman Antiquities» (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2008. Arquivado do original em 16 de abril de 2008 
  20. «Lusitania pg262» 
  21. Brás Garcia de Mascarenhas. «Viriato trágico, poema heroico em 20 cantos» 
  22. «Thomas Grunewald, Bandits in the roman army. Guerrilla leaders as latrones.» 
  23. Punica, Sílio Itálico, Liber III e X (em Latim)
  24. Punica, edição em Latim Alemã de 1791
  25. «España Sagrada» 
  26. «Lusitania: Historia y etnología» 
  Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.