Vladimir Sofronitsky

Vladimir Vladimirovich Sofronitsky (ou Sofronitzky; em russo: Влади́мир Влади́мирович Софрони́цкий, Vladimir Sofronitskij; São Petersburgo, 8 de Maio de 1901 - 29 de Agosto de 1961) foi um pianista russo-soviético, famoso pelas suas interpretações de obras de Alexander Scriabin e Frédéric Chopin, e pai da pianista canadense Viviana Sofronitsky.[1]

Vladimir Sofronitsky

BiografiaEditar

Vladimir Sofronitsky nasceu em São Petersburgo. O seu pai era professor de Física e sua mãe era descendente de uma família ligada às artes. Em 1903, a sua família muda-se para Varsóvia, onde começa a estudar piano com Anna Lebedeva-Getcevich (aluna de Nikolai Rubinstein),[2] e mais tarde, aos nove anos, com Aleksander Michałowski.[3]

Entre 1916 e 1921, Sofronitsky estudou no Conservatório de Petrogrado onde teve Leonid Nikolayev como mestre.[4] Foi colega de classe de Dmitri Shostakovitchh, de Maria Yudina e de Elena Scriabina, a filha mais velha do falecido Alexander Scriabin. Em 1917 conheceu Scriabina, e em 1920 casaram.[5] Sofronitsky foi proclamado pianista ilustre[6] pelo compositor Alexander Glazunov e pelo musicólogo e crítico Alexander Ossovsky.

Realizou o seu primeiro concerto como solista no ano de 1919.[5] Entre 1928 e 1929 realizou uma viagem à França, a sua única a um país estrangeiro.[7] Apresentou-se numa outra vez fora da União Soviética, na Conferência de Potsdam, em 1945, quando foi subitamente enviado por Stalin com o intuito de tocar para os líderes aliados.[8]

Sofronitsky lecionou no Conservatório de Leninegrado entre 1936 a 1942, e mais tarde no Conservatório de Moscovo, até à data da sua morte.[9] Em 1943 recebeu o Prémio Stalin de primeira classe,[10] e no ano anterior foi proclamado Artista Homenageado da RSFSR - República Socialista Federativa Soviética da Rússia.

O repertório de Sofronitsky incluía obras de Scriabin, Chopin, Schubert, Schumann, Liszt, Beethoven, Lyadov, Rachmaninoff, Medtner, Prokofiev, entre outros.

Reconhecimento e gravaçõesEditar

Embora pouco conhecido no Ocidente, Sofronitsky era altamente considerado na sua terra natal. Sviatoslav Richter e Emil Gilels viam Sofronitsky como seu mentor. Certo dia, num estado alcoolizado, Sofronitsky terá dito que Richter era um génio. Em troca, Richter brindou-o e proclamou Sofronitsky como um deus. Diz-se que, ao saber da morte de Sofronitsky, Gilels terá dito que “morreu o maior pianista do mundo”.

As gravações de Sofronitsky foram produzidas por várias editoras discográficas, tais como Arkadia, Arlecchino, Chant du Monde, Denon Classics, Multisonic, Urania e Vista Vera. Um conjunto de CDs foi lançado pela Philips Records - Os grandes Pianistas do Século XX (caixa com 9 CDs) - e pela editora Brilliant Classics. As gravações de Sofronitsky documentam uma das personalidades do piano mais intensas e únicas do século 20.[1]

Referências

  1. a b «Sofronitsky, Vladimir». Grove Music Online (em inglês). doi:10.1093/gmo/9781561592630.article.26096. Consultado em 5 de julho de 2021 
  2. Clavier. Instrumentalist Company, 2005. p. 18.
  3. Greenfield, Edward; March, Ivan; Layton, Robert (1996). The Penguin guide to compact discs yearbook, 1995. Penguin Books. p. 499. ISBN 9780140249989
  4. Ho, Allan B. & Feofanov, Dmitry. The Shostakovich Wars. Ho and Feofanov, pp. 90
  5. a b International Piano Quarterly. Gramophone Publications. 1998. p. 56.
  6. Thiollet, Jean-Pierre. 88 notes pour piano solo, "Solo nec plus ultra". Neva Editions, 2015, p. 51
  7. Russian Life. Rich Frontier Publishing Company. 2001. p. 14.
  8. International Piano Quarterly, p. 59
  9. Shlifstein, S. (2000). Sergei Prokofiev: Autobiography, Articles, Reminiscences. The Minerva Group, Inc. pp. 332. ISBN 978-0-89875-149-9
  10. USSR Information Bulletin. Embassy of the Union of the Soviet Socialist Republics, 1943.

Ligações externasEditar