Volta a Burgos

competição ciclista
Disambig grey.svg Nota: Para a versão feminina, veja Volta a Burgos Féminas.

Volta a Burgos
imagem ilustrativa de artigo Volta a Burgos
Pelotão da Volta a Burgos em Miranda de Ebro (2006)
Generalidades
Data Agosto
Desporto ciclismo
Criação 1946
Edição 40.ª (a 2018)
Categoria UCI Europe Tour 2.hc
Tipo / Formato Cycling (road) pictogram.svg Ciclismo de estrada
Região Flag Burgos Province.svg Província de Burgos
Local(ais) Flag of Spain.svg Espanha
Participantes UCI World Team
Profissionais Continentais
Continentais
Selecções Nacionais
Disciplina Ciclismo de estrada
Palmarés
Maiores vitoriosos Espanha Marino Lejarreta (4)
Último vencedor Colômbia Iván Ramiro Sosa (2018)

A Volta a Burgos é uma competição ciclista por etapas de uma duração inferior a uma semana que se disputa na província de Burgos (Espanha), em mês de agosto.

Fundou-se na década de 1940, mas não foi até à década de 1980 na que graças ao impulso do que fosse o seu director durante 17 anos, Gregorio Moreno,[1] se normalizou, primeiro como competição aberta entre 1981 e 1986, e depois como carreira completamente profissional desde 1987. Após uns anos classificada entre as melhores voltas (com a máxima catalogação dentro das carreiras de uma semana), a partir da criação dos Circuitos Continentais UCI em 2005 foi introduzida no UCI Europe Tour, justo um ponto inferior das consideradas UCI Pro Tour, apesar de manter a sua qualificação de 2.hc.

Relativo ao percurso da carreira, normalmente o ganhador da geral costuma-se decidir na etapa na que tem a subida final nas Lagoas de Neila (porto de categoria especial). Também se costuma realizar uma contrarrelógio, bem como uma etapa de montanha intermediária. Entre os pontos finais de etapa costumam-se encontrar as cidades de Burgos, Medina de Pomar, Miranda de Ebro ou Roa.

Atualmente está organizada pela Diputación Provincial de Burgos e o ciclista mais galardoado é o vasco Marino Lejarreta, com quatro títulos.

Em 2015 impulsionou-se uma carreira amadora feminina para diferentes categorias com o nome de Challange Volta a Burgos Féminas e com a primeira etapa em linha puntuable para a Copa da Espanha de Ciclismo feminina (Troféu Muniadona, criado em 2014)[2][3] a qual se convidou na Volta a Burgos Féminas que passou a fazer parte do calendário internacional feminino da UCI no ano 2019.

HistóriaEditar

A Volta a Burgos fundou-se no ano 1946, ainda que não teve continuidade já que só se disputou dois anos consecutivos. Já na década dos anos oitenta a prova ciclista fixou os seus alicerces e desde 1981 se realiza cada ano. Até 1986 estava considerada como um Open de Ciclismo (prova aberta) no entanto ao ano seguinte, em 1987, atingiu a faixa de Profissional Internacional. O grande dominador desta época foi Marino Lejarreta, que conseguiu se impor durante três anos seguidos (1986, 1987 e 1988) e de novo dois anos mais tarde em 1990.[4] Este ciclista biscaiano segue sendo o mais laureado.

Durante a década dos anos noventa e princípios do novo século, a Volta a Burgos viveu os seus anos dourados com grandes estrelas do ciclismo entre os seus participantes. Pedro Delgado, Alex Zülle, Abraham Olano (que ganhou duas Voltas consecutivas em 1998 e 1999) ou Tony Rominger são alguns dos corredores que se adjudicaram a ronda burgalesa nesta década. Outros participantes como Miguel Indurain ou Lance Armstrong não chegaram a ganhar a prova, mas a sua presença foi sem dúvida um sinal da importância da corrida. Nestes anos a Volta a Burgos estava considerada como uma das melhores voltas com a máxima catalogação dentro das carreiras de uma semana.

 
Ascensão do pelotão ao alto de San Juan do Monte em Miranda de Ebro (2011)

Com a criação em 2005 dos Circuitos Continentais UCI, as voltas ciclistas foram diferenciadas segundo faixas. A Volta a Burgos ficou englobada na UCI Europe Tour, um grau abaixo das UCI Pro Tour (máxima categoria); apesar de, depois de uma reestruturação das categorias, subir a sua qualificação de 2.1 a 2.hc (a maioria de antigas .HC ascenderam ao Pro Tour). Esta descida de categoria foi um duro golpe para a carreira, e muitos patrocinadores, televisões e equipas renunciaram a sua presença. Em 2009, a Diputación Provincial de Burgos (a organizadora) não assegurou a realização da ronda por falta de apoios económicos, ainda que finalmente saiu adiante.[5] No entanto, com o passar dos anos, inclusive tem conseguido se impor em categoria e prestígio à Volta a Portugal que se disputa em similares datas e apesar de também ascender à categoria 2.hc teve que descer à 2.1 devido a problemas económicos.[6]

PercorridoEditar

O percurso da Volta a Burgos tem ido variando com os anos. Em 1999 ascendeu-se pela primeira vez ao alto de San Juan do Monte, um porto curto de terceira categoria cujas últimas rampas superam os 9% em media e com máximas de 14%. Desde então quase cada ano uma etapa tem acabado em dito porto próximo a Miranda de Ebro.[7][8] Em 2008, a organização tomou a decisão de variar o tradicional final da Volta a Burgos na capital burgalesa. Desde aquela edição são as Lagoas de Neila, e seu porto de categoria especial com rampas de 15%,[9] quem acolhe a última etapa, excepto em 2014 que acabou com uma contrarrelógio em Aranda de Duero.

Em 2011 renovou-se de novo no percurso adjudicando todos os finais de etapa, excepto um, em alto. Aos já tradicionais ascensões a San Juan do Monte e às Lagoas de Neila, se uniram a ascensão ao castelo de Burgos e à cidade romana de Clunia.[10]

Maillots de líderEditar

Para facilitar o reconhecimento dos líderes das diferentes classificações, este costuma vestir um maillot com uma cor determinada, como sucede com os líderes da geral na Volta a Espanha (maillot vermelho), no Tour de France (maillot amarelo) e no Giro d'Italia (maglia rosa).

  Maillot lilás O maillot lilás é o distintivo vestido pelo nesse momento líder da Volta a Burgos. Isto permite que seja identificado nas etapas nas que o porta como ganhador. Acredita, por tanto, ao líder da classificação geral. A cor eleita é o lilás já que é também a cor da bandeira da província de Burgos.
  Maillot vermelho O maillot vermelho é o que acredita ao líder da classificação de melhor escalador.
  Maillot verde O maillot verde é o que acredita ao líder da classificação da regularidade.
  Maillot azul O maillot azul é o que acredita ao líder da classificação de metas volantes.
Classificação por equipas Também se dá o prêmio à classificação por equipas ainda que como costuma ser habitual no resto de carreiras não há um maillot identificativo.

PalmarésEditar

MasculinoEditar

 
Iam Mayo, com o maillot morado, no controle de assinaturas de Miranda de Ebro (2006)
 AnoVencedorSegundoTerceiro
1946  Bernardo Capó  Senén Mesa Fernández  Victorio Ruiz García
1947  Bernardo Ruiz  Manuel Rodríguez Barros  Bernardo Capó
1948-1980 edições não disputadas
1981  Faustino Rupérez  Eulalio García Pereda  José Enrique Cima Prado
1982  José Luis Laguía  Ángel Ocaña  José Luis Navarro Martínez
1983  Ángel de las Heras Díaz  Felipe Yáñez  Eduardo Chozas
1984  Federico Echave  Faustino Rupérez  Celestino Prieto
1985  José Recio  Reimund Dietzen  Celestino Prieto
1986  Marino Lejarreta  Iñaki Gastón  Anselmo Fuerte
1987  Marino Lejarreta  Ángel Arroyo  Francisco Antequera
1988  Marino Lejarreta  Enrique Aja  Laudelino Cubino
1989  Francisco Antequera  Pedro Muñoz Machín Rodríguez  Pello Ruiz Cabestany
1990  Marino Lejarreta  Miguel Ángel Martínez Torres  Miguel Indurain
1991  Pedro Delgado  Gianni Bugno  José Martín Farfán
1992  Alex Zülle  Raúl Alcalá  Federico Echave
1993  Laudelino Cubino  Raúl Alcalá  Laurent Dufaux
1994  Armand de Las Cuevas  Laudelino Cubino  Jim Van De Laer
1995  Laurent Dufaux  Stefano Della Santa  Gabriele Colombo
1996  Tony Rominger  Miguel Indurain  Íñigo Cuesta
1997  Laurent Jalabert  Abraham Olano  Fernando Escartín
1998  Abraham Olano  Leonardo Piepoli  Ángel Casero
1999  Abraham Olano  Dario Frigo  Laurent Dufaux
2000  Leonardo Piepoli  Óscar Sevilla  Pascal Hervé
2001  Juan Miguel Mercado  José Luis Rubiera  Eladio Jiménez
2002  Francisco Mancebo  José Luis Rubiera  Mikel Zarrabeitia
2003  Pablo Lastras  Óscar Pereiro  Carlos García
2004  Alejandro Valverde  Denis Menchov  Leonardo Piepoli
2005  Juan Carlos Domínguez  Joaquim Rodríguez  Carlos Castaño Panadero
2006  Iban Mayo  José Antonio Pecharromán  Daniel Moreno
2007  Mauricio Soler  Alejandro Valverde  Carlos Castaño Panadero
2008  Xabier Zandio  Iñigo Landaluze  Walter Pedraza
2009  Alejandro Valverde  Xavier Tondo  Tom Danielson
2010  Samuel Sánchez  Ezequiel Mosquera  Vincenzo Nibali
2011  Joaquim Rodríguez  Daniel Moreno  Juan José Cobo
2012  Daniel Moreno  Sergio Henao  Esteban Chaves
2013  Nairo Quintana  David Arroyo  Vincenzo Nibali
2014  Nairo Quintana  Daniel Moreno  Janez Brajkovič
2015  Rein Taaramäe  Michele Scarponi  Daniel Moreno
2016  Alberto Contador  Ben Hermans  Sergio Pardilla
2017  Mikel Landa  Enric Mas  David de la Cruz
2018  Iván Ramiro Sosa  Miguel Ángel López   David de la Cruz
2019  Iván Ramiro Sosa  Óscar Rodríguez Garaicoechea  Richard Carapaz

Classificações e outros dados (masculino)Editar

Ano Quilómetros
totais
Geral Montanha Regularidade
1946 -   Bernardo Capó   Bernardo Capó -
1947 -   Bernardo Ruiz   Miguel Gual -
1981 -   Faustino Rupérez   Pedro Muñoz   Eulalio García
1982 -   José Luis Laguía   Felipe Yáñez   Isidro Juárez
1983 -   Ángel das Heras   José Luis Laguía   Celestino Prieto
1984 -   Federico Etxabe   Juan Fernández   Federico Etxabe
1985 -   José Recio   Jesús Rodríguez Magro   Manuel Jorge Domínguez
1986 -   Marino Lejarreta   Mariano Sánchez   Alfonso Gutiérrez
1987
1988 -   Marino Lejarreta   Ángel Ocaña   Marino Lejarreta
1989 -   Francisco Antequera   Pedro Muñoz   Eric Vanderaerden
1990 -   Marino Lejarreta   Charly Mottet   Miguel Indurain
1991 -   Pedro Delgado   Pedro Delgado   Stephan Joho
1992 -   Alex Zülle   Raúl Alcalá   Laurent Jalabert
1993 -   Laudelino Cubino   Francisque Teyssier   Erik Zabel
1994 -   Armand de las Cuevas   Robert Milhar   Samuele Schiavina
1995 -   Laurent Dufaux   François Simon   Laurent Dufaux
1996 -   Tony Rominger   José María Jiménez   Nicola Minali
1997 -   Laurent Jalabert   Jon Odriozola   Abraham Olano
1998 691   Abraham Olano   José María Jiménez   Andrei Tchmil
1999 686   Abraham Olano   Stefano Casagranda   Abraham Olano
2000 515   Leonardo Piepoli   Leonardo Piepoli   Pascal Hervé
2001 782   Juan Miguel Mercado   José Luis Rubiera   Óscar Freire
2002 682   Francisco Mancebo   Alessandro Bertolini   Salvatore Commesso
2003 670,4   Pablo Lastras   Dave Bruylandts   Dave Bruylandts
2004 633   Alejandro Valverde   Alejandro Valverde   Alejandro Valverde
2005 665,5   Juan Carlos Domínguez   Luis Pérez Romero   Igor Astarloa
2006 671,8   Iam Mayo   Sergio Ghisalberti   Carlos Torrent
2007 632   Juan Mauricio Soler   Vasil Kiryienka   Alejandro Valverde
2008 802   Xabier Zandio   Juan José Cobo   Yauheni Hutarovich
2009 641   Alejandro Valverde   Serafín Martínez   Alejandro Valverde
2010 657,3   Samuel Sánchez   José Toribio   Samuel Sánchez
2011 646,3   Joaquim Rodríguez   Mikel Landa   Joaquim Rodríguez
2012 775   Daniel Moreno   Sergio Pardilla   Daniel Moreno
2013 803   Nairo Quintana   David Arroyo   Anthony Roux
2014 619.4   Nairo Quintana   Nairo Quintana   Aleksejs Saramotins
2015 658,14   Rein Taaramäe   Fabio Duarte   Dani Moreno
2016 674,72   Alberto Contador   Omar Fraile   Danny van Poppel
2017 760   Mikel Landa   Mikel Landa   Mikel Landa

Palmarés por paísesEditar

  • Actualizado até 2018
País Vitórias 2.º lugar 3.º lugar
  Espanha 29 (24) 27 (26) 26 (23)
  Colômbia 4 (3) 2 (2) 3 (3)
  Suíça 3 (3) 2 (1)
  França 2 (2) 1
  Itália 1 4 (4) 3 (3)
  Estónia 1
  México 2 (1)
  Bélgica 1 1
  Rússia 1
  Estados Unidos 1
  • Entre parêntese o número de ciclistas diferentes que têm conseguido vitórias para cada país.

EstatísticasEditar

Mais vitórias geraisEditar

  • Actualizado até 2018
Ciclista Vitórias Anos
  Marino Lejarreta 4 1986, 1987, 1988, 1990
  Abraham Olano 2 1998, 1999
  Alejandro Valverde 2 2004, 2009
  Nairo Quintana 2 2013, 2014

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

Ligações externasEditar

 
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