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Se dá o nome de voz à forma assumida pelo verbo para indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente da ação. Na língua portuguesa existem três vozes verbais: ativa, passiva e reflexiva.

Índice

Voz ativaEditar

Na voz ativa, o sujeito é agente, ou seja, pratica a ação expressa pelo verbo.

Exemplo:

  • O repórter (sujeito agente) leu (verbo) a notícia.

Voz passivaEditar

Na voz passiva, o sujeito é paciente, ou seja, recebe a ação expressa pelo verbo. O praticante da ação é classificado como agente da passiva. Admitem transposição de voz passiva somente verbo transitivo direto e bitransitivos. Verbo transitivo indireto, impessoal, intransitivo ou objeto direto preposicionado não admite.

Exemplo:

  • O livro (sujeito paciente) foi escrito por Maria (agente da passiva).

Na língua portuguesa, a voz passiva pode ser analítica ou sintética.

Voz passiva analíticaEditar

A voz passiva analítica é formada por um verbo auxiliar (normalmente o verbo ser), o particípio de um verbo transitivo, uma preposição e o agente da passiva.

Exemplo:

  • O trabalho (sujeito paciente) foi (verbo auxiliar) feito (verbo no particípio) por (preposição) ele (agente da passiva)

Em determinadas frases, o agente da passiva pode não estar explícito.

Exemplo:

  • As roupas (sujeito paciente) foram (verbo auxiliar) passadas (verbo no particípio).

Voz passiva sintéticaEditar

A voz passiva pronominal ou sintética é formada por um verbo na terceira pessoa (do singular ou do plural) junto ao pronome pessoal se como partícula apassivadora. O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.

Exemplo:

  • Passaram-se roupas
  • Que é formada por um verbo transitivo direto na 3º pessoa, acompanhado do pronome apassivador se e do sujeito paciente. Na passiva sintética, o agente da passiva nunca aparece, e o sujeito sempre vem depois do verbo. Como por exemplo: Criam-se códigos indecifráveis. Criam-se = Criam- VTD(3º pessoa) se= pronome apassivador / códigos indecifráveis= sujeito paciente. Sintético vem da palavra síntese, que significa “resumo”.

Voz reflexivaEditar

Na voz reflexiva, o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente, ou seja, pratica e recebe a ação ao mesmo tempo. A voz reflexiva é formada por pronome oblíquo reflexivo ("me", "te", "se", "nos" ou "vos") que se refere ao próprio sujeito.

Exemplo:

  • O repórter vestiu-se e foi trabalhar.

Voz reflexiva recíprocaEditar

Na voz reflexiva recíproca, o sujeito é composto, e cada um dos seus elementos pratica a ação descrita pelo verbo nos demais.

Exemplos:

  • Fernando e Ana se beijaram.
  • Nós nos veremos na escola.

Voz neutraEditar

Chamam-se neutros os verbos que não são ativos nem passivos nem reflexivos. São os verbos impessoais e os de ligação.

Exemplos:

  • O vinho é bom.
  • Aqui chove muito.

ObservaçõesEditar

Há formas passivas com sentido ativo.

Exemplos:

  • É chegada a hora. (= Chegou a hora.) Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.) És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)

Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo.

Exemplos:

  • Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas) Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)

Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo, o sujeito é paciente. O pronome assume formas de primeira, segunda e terceira pessoa.

Exemplos:

  • Chamo-me Luís. Batizei-me na Igreja do Carmo. Operou-se de hérnia. Vacinaram-se contra a gripe.

UsoEditar

A escolha entre voz ativa e passiva é basicamente uma questão de estilo. A voz ativa é geralmente mais sucinta, simples, direta, e fácil de entender. A voz passiva pode ser usada no lugar da ativa para aumentar a ênfase no objeto direto e reduzir a importância do sujeito, ou suprimi-lo inteiramente.

Exemplos:

  • A empresa depois colhe, embala e vende as frutas.
  • As frutas depois são colhidas, embaladas e vendidas pela empresa.

Em outras línguasEditar

Construções semelhantes à voz ativa e à voz passiva analítica do português existem em muitas outras línguas indo-europeias, incluindo inglês ("the cat eats the mouse" versus "the mouse is eaten by the cat"). A voz passiva sintética existe no espanhol e no italiano ("si vendono case") mas não no francês nem no inglês.

ObservaçõesEditar

1) Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos, são chamados neutros. Por exemplo:

O vinho é bom.

Aqui chove muito.

2) Há formas passivas com sentido ativo. Por exemplo:

É chegada a hora. (= Chegou a hora.)

Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)

És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)

3) Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo. Por exemplo:

Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)

Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)

4) Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o sujeito é paciente. Por exemplo:

Chamo-me Luís.

Batizei-me na Igreja do Carmo.

Operou-se de hérnia.

Vacinaram-se contra a gripe.

Ver tambémEditar

O wikilivro Português tem uma página sobre Vozes verbais

Referências