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Wilson Vargas da Silveira
Nascimento 6 de junho de 1926
Porto Alegre
Morte 12 de outubro de 1999 (73 anos)
Cidadania Brasil
Ocupação político

Wilson Vargas da Silveira (Porto Alegre, 6 de junho de 1926 - 12 de outubro de 1999) foi advogado e político brasileiro. Wilson Vargas foi um dos fundadores da Ala Moça do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no final dos anos 40. em Porto Alegre, tendo sido seu primeiro secretário. Militância compartilhada com Leonel Brizola quando alunos do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, referência pedagógica à época, assim como importante reduto do movimento estudantil portalegrense.

BiografiaEditar

Em 1946, prestou vestibular e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul (federalizada em 1950, tornando-se UFRGS). Após seu casamento, em 1949, com Flávia Ohlweiler, mudou-se com a esposa para a cidade de São Francisco de Paula, na serra gaúcha, região na qual já havia militado durante o tempo de estudante e onde pretendia iniciar sua carreira política.

Foi justamente essa base eleitoral que o elegeu como deputado estadual para o mandato de 1951 a 1955, com 4.353 votos, tendo sido o 17º integrante da bancada trabalhista encabeçada por Leonel Brizola.

Em 1954 é reeleito deputado estadual para o mandato de 1955 a 1959, sendo o segundo mais votado, com 11.239 votos.

Após ter atuar como líder da bancada do PTB na legislatura de 1954, candidata-se e é eleito deputado estadual em 1958, para desempenhar o cargo de 1959 a 1963; nessa eleição fez 62.463 votos, sendo novamente o segundo mais votado do partido. Entretanto, não chega a assumir o cargo, pois é convidado por Leonel Brizola, eleito governador do RS naquele ano, a assumir a Secretaria de Estado para Assuntos de Energia e Comunicação. É sob sua coordenação que são estatizadas as companhias de eletricidade e de telefonia, surgindo as atuais Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).

No dia 24 de agosto de 1954, quando o presidente Getúlio Vargas comete suicídio no Palácio do Catete no Rio de Janeiro, Wilson Vargas, em companhia de Brizola e de Sereno Chaise, realiza manifestação de pesar pela morte do líder trabalhista no centro da capital gaúcha. O evento termina de forma tumultuada, quando há confronto com integrantes da UDN (União Democrática Nacional), partido frontalmente opositor às políticas e à figura de Getúlio Vargas, e de orientação conservadora.

Em 1959, Wilson Vargas disputa a prefeitura de Porto Alegre, fazendo 43,34% dos votos, e quem vence é o candidato da coligação do PDC/PL (Partido Democrata Cristão e Partido Libertador), José Loureiro da Silva, com 52,81% dos votos.

Passados quatro anos, candidata-se e elege-se deputado federal, em 1962 para o período de 1963 a 1967. Mas não chegaria a concluir seu mandato, pois, em 1 de abril de 1964, os militares depõem João Goulart (Jango) do poder, apoiados por setores da sociedade que temiam as ideias esquerdistas de Jango. Instala-se então no país uma ditadura militar que perduraria por 21 anos, causando perseguições políticas, torturas, abusos de poder.

Nesse contexto, no dia 11 de abril desse mesmo ano, Wilson Vargas seria um dos três primeiros líderes partidários no Rio Grande do Sul que teve seus direitos políticos suspensos e seu mandato cassado por intermédio do Ato Institucional I, de 9 de abril.

“Se nós desaparecermos não nos procura”, foi a recomendação de Wilson Vargas à esposa, prevendo a perseguição dos próximos anos. A primeira prisão ocorreu na madrugada do dia três de abril, quando agentes da Delegacia de Ordem Politica e Social (DOPS) detiveram em um apartamento no bairro Petrópolis o então prefeito Sereno Chaise e Wilson Vargas, sendo este liberado horas depois, enquanto Sereno Chaise seria transferido para lugar não revelado.

Outra detenção que o trabalhista sofreu ocorreu no aeroporto Salgado Filho (Porto Alegre/RS), quando o deputado cassado voltava de Montevidéu, no Uruguai, para onde havia viajado com o compromisso de acompanhar a esposa e os filhos de Brizola, que estava escondido em um apartamento na Rua Duque de Caxias, 1327, próximo ao Palácio Piratini já tomado pelos militares. Wilson também seria o emissário de Brizola junto a Jango e Maneco para encaminhar os planos de sua fuga para o Uruguai. (Conforme a obra El caudillo Leonel Brizola: um perfil biográfico, de Leite Filho, página 289)

Mas o encarceramento mais longo de Wilson ocorreu quando foi levado para o quartel militar nas proximidades do Colégio Pão dos Pobres, no centro da capital, onde também estavam detidos Álvaro Petraco, Sereno Chaise, Lamaison Porto, Justino Quintana e o vice-prefeito Ajadil de Lemos. Entre eles havia um receio em comum: serem transferidos para a Ilha das Flores, porque quem ia para lá desaparecia ou ficava tuberculoso.

Mais para o final do ano, como as perseguições políticas continuassem, o DOPS mantinha preso os deputados trabalhistas Wilson Vargas e João Caruso, o Procurador do Estado Floriano Maya D'Ávila e o engenheiro Gustavo Martins Costa, ex-diretor da CEEE, mas acabou libertando-os no dia 23 de dezembro. Uma das razões dessa iniciativa foi o fato das esposas dos aprisionados terem procurado a imprensa local, apelando para que seus maridos fossem libertados a fim de que pudessem passar o Natal com suas famílias.

Nessa ocasião, Wilson Vargas foi dos que menos tempo permaneceu na prisão: apresentara-se espontaneamente na Secretaria de Segurança depois de saber que estava sendo procurado pelas autoridades militares. Após prestar depoimento no DOPS, ficou detido durante três dias no Grupo Escolar da Rua Silvado, em companhia dos demais políticos. Caruso e Maya D'Ávila, entretanto, haviam passado 28 dias encarcerados, primeiramente na Penitenciária Estadual e, posteriormente, no Grupo Escolar da Rua Silvado, local especialmente preparado para receber presos políticos.

Em 7 de maio de 1974, Wilson Vargas recuperou seus direitos políticos, retornando à vida pública. No ano seguinte, ele e outros ex-cassados, que tiveram suas filiações partidárias deferidas pelo TRE/RS, elegeram-se para o Diretório Municipal do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) de Porto Alegre, cujo registro também foi deferido pelo Tribunal Regional Eleitoral. Com a instalação da ditadura militar no país, o cenário político fora reduzido a dois partidos, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o MDB, tendo este último congregado lideranças políticas em oposição ao governo militar, com especial presença dos trabalhistas.

Com o início do processo de reabertura política no Brasil, em 1979, Wilson Vargas preside a Comissão Provisória do Movimento denominado Trabalhistas Históricos, cujo objetivo era a reorganização do PTB. Mas é durante uma reunião em junho de 1979 em Lisboa, Portugal, que os herdeiros do PTB criam a nova sigla: o PDT (Partido Democrático Trabalhista). Eles haviam perdido a sigla PTB para a sobrinha de Getúlio, Ivete Vargas. Nesse encontro é redigida a Carta de Lisboa, que definiu as bases do novo partido que começou a se organizar sobretudo a partir dos estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

Em 1987, quando Pedro Simon do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) elege-se governador do Rio Grande do Sul, convida Wilson Vargas a ocupar diferentes cargos em seu governo: presidente da Caixa Econômica Estadual, em 1987; diretor-superintendente da Metroplan (Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional), em 1989. Três anos depois, em 1991, assumiria a presidência da Companhia de Habitação do Estado do Rio Grande do Sul (COHAB/RS).

Referências