Wlademir Dias-Pino

Wlademir Dias-Pino(Rio de Janeiro, 24 de abril de 1927 - ibdem, 30 de agosto de 2018) foi um poeta, artista visual e artista gráfico brasileiro, considerado o fundador da poética construtiva no Brasil.[1][2][3]

Wladimir Dias-Pino
Nascimento 2 de fevereiro de 1927
Rio de Janeiro [1]
Morte 30 de agosto de 2018 (91 anos)
Nacionalidade Brasileiro
Ocupação poeta
Escola/tradição Concretista

HistóriaEditar

 
Logo da Universidade Federal de Mato Grosso, obra de Dias-Pino realizada em 1972.[4]

Wlademir Dias-Pino nasceu no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro em 24 de abril de 1927.[1] Em decorrência de perseguição política, seu pai transfere-se com a família em 1936 para Cuiabá, onde passa a juventude. Em 1939, com 12 anos de idade, edita na gráfica de seu pai que era tipógrafo, seu primeiro livro: Os Corcundas. Em 1948, em Cuiabá, funda o movimento literário de vanguarda Intensivismo, que já traz em seu ideário fortes inovações formais que antecipam as tendências mais radicais da poesia visual e das artes plásticas dos anos 50 e 60, publicando seu manifesto no jornal Sarã.[5]

Volta para o Rio de Janeiro em 1952, onde passa a participar dos movimentos de vanguarda política e cultural da época. Um dos seis fundadores do movimento da poesia concreta no Brasil (são eles: Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Ronaldo Azeredo e Wlademir Dias Pino). Participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956, tendo sido, ainda, um dos fundadores do poema/processo em 1967 e o primeiro autor a elaborar o conceito de "livro-poema", com o poema A Ave considerado por Moacy Cirne e Álvaro de Sá o primeiro exemplo/exemplar conhecido deste tipo de poema [6]. O que caracteriza o livro-poema é a exploração das característica físicas do livro como parte integrante do poema, tornando-os um só corpo físico, de forma que o poema só existe porque existe o objeto livro.[7]

A Ave, livro artesanal de tiragem reduzida (não mais do que 300 exemplares feitos a mão e nunca reeditado pelo autor), foi elaborado a partir de 1948 e lançado apenas em abril de 1956, antes da Exposição Nacional de Arte Concreta. A Ave assumia já o elemento visual como principal agente estrutural do poema. Produzindo, a partir daí, uma concepção própria da poesia concreta, o poeta intencionava expressar, por exemplo, através de um gráfico o que necessitaria de um longo discurso verbal para ser dito. Assim sendo, seus poemas visuais incluem gráficos, perfurações, figuras, etc., além de caracteres escritos e, por vezes, chegam a abrir mão da palavra para tornarem-se puramente plásticos, não-verbais[8].

Diferindo da poesia concreta em sua essência, que via na paranomásia o principal motor da poesia, extrapolando o contexto da linguagem verbal, Dias-Pino trabalha com o simbólico e o metafórico, buscando uma espécie de metáfora pura[9]. Wlademir é autor também de dois outros livros fundamentais da literatura brasileira: SOLIDA (1956-1962) e Numéricos. Wlademir faleceu em 30 de agosto de 2018.[1][10]

Antonio Houaiss o considerou "um dos mais perspicazes pesquisadores visuais no Brasil"[11].

Referências

  1. a b c d Adolfo Montejo Navas (31 de agosto de 2018). «Morre o poeta e artista visual Wlademir Dias-Pino, aos 91 anos, no Rio:Fundador da poética construtiva no Brasil, liderou o poema-processo e criou obras seminais». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  2. MENDONÇA, 2005, 193.
  3. Marianna Marimon (5 de agosto de 2018). «A poesia infinita de Wlademir Dias-Pino». Cidadão Cultura. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  4. Maria Santíssima de Lima (2014). «História da marca». Universidade Federal de Mato Grosso. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  5. «Wlademir Dias-Pino: pioneiro da poesia visual». Revista Arara. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  6. Moacy Cirne e Álvaro de Sá. A origem do livro-poema. Revista Vozes. Vozes. Petrópolis. 65 (3): 39-44. abril de 1971).
  7. Paula Alzugaray (17 de junho de 2016). «A obra em construção de Wlademir Dias-Pino». Istoé. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  8. Três poemas visuais de Wlademir Dias-Pino. Poema visual.com.br. Página visualizada em 21 de julho de 2010.
  9. Miranda, Antonio. Portal de Poesia Ibero-Americana. 2009.
  10. Diário de Cuiabá (1 de Setembro de 2018). «Morre Wlademir Dias-Pino, aos 91 anos». FolhaMax. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  11. Almandrade. A leitura como objeto do olhar. Site Expoart. 2006.

Fontes bibliográficasEditar

  • MENDONÇA, Rubens de, História da literatura mato-grossense, Cáceres, Unemat Editora, 2005.