Operação Brother Sam
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Este artigo é parte da série Regime Militar no Brasil 1964–1985 |
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A Operação Brother Sam foi desencadeada pelo governo dos Estados Unidos, sob a ordem de supostamente apoiar o golpe de 1964 caso houvesse algum imprevisto ou reação por parte dos militares que apoiavam Jango, consistindo de toda a força militar da Frota do Caribe, liderada por um porta-aviões da classe Forrestal da Marinha dos Estados Unidos e outro de menor porte, além de todas as belonaves de apoio requeridas a uma invasão rápida do Brasil pelas forças armadas americanas.
O desencadeamento
A Operação Brother Sam foi iniciada quando João Goulart chegou em Porto Alegre em 2 de Abril de 1964, e foi informado de que o governo dos Estados Unidos já havia reconhecido o novo governo brasileiro. Jango, em Porto Alegre, foi aconselhado pelo general Argemiro de Assis Brasil para se exilar no Uruguai.
Lincoln Gordon
O então embaixador Lincoln Gordon havia pedido a Washington apoio logístico aos militares brasileiros. Os Estados Unidos da América tinham forte influência em toda a América (com exceção de Cuba).
A Operação Popeye (Movimentação das tropas em Minas Gerais) estava sendo apoiada pela frota americana. A influência sobre Brasil era muito grande, as empresas de capital multinacional que aqui estavam tinham o domínio de grande parte da infraestrutura que sustentava o país; a geração elétrica, o fornecimento de água, de gás, de combustíveis, a indústria de alimentos, de roupas e toda a base da produção nacional.
A Mobilização e o arquivamento
Em 31 de Março de 1964 foi deflagrada a Operação Brother Sam, que, segundo a imprensa e documentos já em domínio público liberados pelo governo americano, consistia no envio de 100 toneladas de armas leves e munições, navios petroleiros com capacidade para 130 mil barris de combustível, uma esquadrilha de aviões de caça, um navio de transporte de helicópteros com a carga de 50 helicópteros com tripulação e armamento completo, um porta-aviões classe Forrestal, seis destróieres, um encouraçado, além de um navio de transporte de tropas, e 25 aviões C-135 para transporte de material bélico.
Gordon queria a intervenção rapidamente, se o golpe não tivesse vingado, o Brasil seria invadido, a poderosa Frota do Caribe estava entre 50 e 12 milhas náuticas ao sul do Espírito Santo.
Documento do Congresso estadunidense comprova a ação intervencionista, sem meias palavras: ...(sic) The role of the United States in these events was complex and at times contradictory. An anti-Goulart press campaign was conducted throughout 1963, and in 1964 the Johnson administration gave moral support to the campaign. Ambassador Lincoln Gordon later admitted that the embassy had given money to anti-Goulart candidates in the 1962 municipal elections and had encouraged the plotters; that many extra United States military and intelligence personnel were operating in Brazil; and that four United States Navy oil tankers and the carrier Forrestal , in an operation code-named Brother Sam, had stood off the coast in case of need during the 1964 coup. Washington immediately recognized the new government in 1964 and joined the chorus chanting that the coup d'état of the "democratic forces" had staved off the hand of international communism. In retrospect, it appears that the only foreign hand involved was Washington's, although the United States was not the principal actor in these events. Indeed, the hard-liners in the Brazilian military pressured Costa e Silva into promulgating the Fifth Institutional Act on December 13, 1968. This act gave the president dictatorial powers, dissolved Congress and state legislatures, suspended the constitution, and imposed censorship.[1]
Ou traduzido: O papel dos Estados Unidos nestes eventos era complexo e às vezes contraditório. Uma campanha de imprensa anti-Goulart foi administrada ao longo de 1963, e em 1964 apoiada por Johnson . O embaixador Lincoln Gordon admitiu mais tarde que a embaixada tinha dado dinheiro a candidatos anti-Goulart nas eleições municipais de 1962 e encorajado os conspiradores; muitos agentes do exército dos Estados Unidos e pessoal extra da Agência de inteligência estavam operando no Brasil; havia quatro navios tanques e o porta-aviões Forrestal da Marinha dos Estados Unidos; a operação foi chamada Brother Sam. As forças estavam ao largo da costa e, em caso de necessidade durante o golpe 1964, agiriam rapidamente. Washington reconheceu o novo governo imediatamente ao golpe 1964 e uniu-se ao coro que cantava que o golpe de estado das "forças democráticas" barrou o comunismo internacional. Em retrospecto, parece que a única mão estrangeira envolvida era Washington, embora os Estados Unidos não fossem o ator principal nestes eventos. Na verdade, a linha dura do exército brasileiro, pressionou Costa e Silva em promulgar o Quinto Ato Institucional no dia 13 de dezembro de 1968. Este ato deu para o presidente poderes ditatoriais, o Congresso e assembleias legislativas foram dissolvidos, foi suspensa a constituição, e imposta a censura .
- A História do Brasil e de todos os países do mundo está arquivada em detalhes e constantemente reescrita pelos funcionários do setor de documentação histórica do Congresso estadunidense.
O exílio de Jango
Como Jango foi avisado por Kruel que se resistisse haveria a invasão pela Frota do Caribe, resolveu acatar aos acontecimentos e exilou-se no Uruguai, os estadunidenses tiveram que explicar ao Congresso o porquê de tantas despesas.
Hoje, os documentos originais da operação estão arquivados na biblioteca Lyndon Johnson, no Texas.
Os motivos da operação
Devido à Guerra Fria, qualquer linha de pensamento que não se alinhasse com a dos Estados Unidos era má vista, por isso os Estados Unidos não viam o governo de João Goulart, mais progressista, com bons olhos; havia três anos estavam preparando e incentivando civis e militares brasileiros estrategicamente para um golpe de Estado, para eliminar a influência das esquerdas no País. O general Golbery já estava 'armando' para que fosse uma transição pouco traumática para o país.
O alinhamento do Brasil em 1946
Quando em 1946 os presidentes Dutra e Truman se reuniram, Dutra promoveu, por ideia do presidente americano, a fundação da Escola Superior de Guerra, criada em 1949. A ESG foi inspirada nos "War Colleges" americanos, onde estudavam militares brasileiros.
A Escola Superior de Guerra apesar do nome, não se trata de uma escola voltada aos assuntos clássicos da Estratégia e da Tática. Seus estudos são voltados para a política, sendo que seu principal curso, o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, tem em seu corpo doscente desde a sua fundação mais da metade de alunos civis.
Devido ao alinhamento à direita, é claro que o país deveria seguir uma escola de guerra. O presidente Castello Branco optou pela escola americana: conheceu a francesa, que durante a Segunda Grande Guerra fora derrotada pelos alemães por utilizar estratégias consideradas obsoletas e atrasadas.
Os americanos aprenderam com os alemães que a guerra deve ser rápida. A Blitzkrieg é o exemplo clássico de guerra moderna, onde a supremacia da mobilidade terrestre e aérea ultrapassa o peso da defesa tradicional. A escola de guerra francesa perdeu por ser lenta e burocrática na tomada de decisões.
O desalinhamento em 1955
Em 1955, Juscelino Kubitschek de Oliveira começou a incentivar a independência ideológica do Brasil em relação à política externa; os estado-unidenses começaram a se sentir ameaçados, pois denotou um desalinhamento da política brasileira em relação à dos EUA.
Com a construção do Muro de Berlim e a Revolução Cubana, Jânio Quadros homenageou Che Guevara e Fidel Castro. Isto chamou a atenção dos Estados Unidos para o Brasil, que, até então, estavam interessados com a Guerra Fria na Europa.
Os americanos ficarem atentos ao teatro de guerra nas Américas: jamais aceitariam um país de dimensões gigantescas como o Brasil ser comunista.
O perigo das esquerdas
Com a posse de Jango, e o Brasil liderando a América Latina, poderia haver alinhamento do grupo ao bloco comunista. Naturalmente, por uma questão estratégica, e com a guerra fria em pleno andamento, os Estados Unidos não poderiam aceitar um país de dimensões continentais como o Brasil, aliado aos Soviéticos, Chineses e demais países considerados inimigos.
Conforme noticiado na imprensa na época, os americanos em 1962 sugeriram que o Brasil adotasse sanções contra Cuba. A negativa foi veemente.
Brizola e a estatização da ITT
Em fevereiro de 1962, Leonel Brizola estatizou a ITT, empresa de telefonia norte-americana no Rio Grande do Sul, transformando-a na Cia. Rio-grandense de Telecomunicações (CRT).
Empresas americanas possuíam 31 das 55 maiores empresas do Brasil. Brizola foi avisado para não realizar as estatizações. Muitos militares que apoiavam Brizola julgaram sua atitude temerária.
A Lei de Remessa de Lucros
Em Setembro de 1962 o Congresso Nacional aprovou a Lei de Remessa de Lucros, que ocasionou bilhões de dólares de prejuízos; essa foi outra provocação considerada pelos Estados Unidos como inadmissível, que desencadeou uma remessa de dinheiro para financiar os preparativos para o golpe. Gordon, em comunicado ao presidente americano, demonstrou muita preocupação.
Lincoln Gordon, Vernon Walters, Castello Branco
Lincoln Gordon, que foi enviado ao Brasil em setembro de 1961, era do Partido Democrata e ligado à CIA.
O coronel Vernon Walters era amigo de Castello Branco, haviam trabalhado lado a lado na Itália e era adido militar da embaixada americana no Brasil.
Segundo historiadores, Walters convocou Dan Mitrione a pedido de Magalhães Pinto para treinar 10.000 homens da Polícia Militar de Minas Gerais. Magalhães, dono do Banco Nacional, financiou do próprio bolso o treinamento. A lei de remessas de lucros foi a proibição de empresas multinacionais de mandarem todos os lucros para suas sedes no exterior.
John Kennedy e João Goulart
John Kennedy, amigo pessoal de João Goulart, ordenou que Lincoln Gordon agisse com cautela para evitar uma revolução no Brasil. Gordon não aceitou ao conselho, descumprindo seriamente uma ordem.
Lyndon Johnson
Com a morte de Kennedy , a posse em Novembro de 1963 de Lyndon Johnson e, em Janeiro de 1964, Jango sancionando a Lei de Remessa de Lucros, as relações entre Brasil e Estados Unidos ficaram complicadas. As empresas americanas ameaçaram fechar suas filiais no Brasil; se isso acontecesse, o País se transformaria num caos socioeconômico, haveria provavelmente uma revolução devido ao descontentamento da população.
The New York Times
Em 3 de Março de 1964, o jornal The New York Times deu a seguinte notícia: Os Estados Unidos não mais punirão as juntas militares por derrubarem governos democráticos na América Latina. Esta notícia fez eclodir em série de conflitos em toda a região.
Lincoln Gordon e os rumos da revolução
Em entrevista na rede ABC, em junho de 1979, Gordon confessou sentir-se chocado com os rumos da revolução brasileira, ele não esperava que todo o capital injetado na região fosse literalmente para o ralo, e o Brasil estava mergulhando numa grande recessão, pois a política econômica se mostrou desastrosa, apesar da modernização do parque industrial.
Jimmy Carter e Leonel Brizola
Jimmy Carter, em 1979, concedeu asilo político a Leonel Brizola, que sempre lhe foi grato e futuramente o homenagearia por diversas vezes. A operação Brother Sam não falhou, ela nem se iniciou.
Ligações externas
- Brazil Generals' Coup (1964)
- Segurança Global, Órgão dedicado a arquivar e estudar as Forças armadas mundiais
- Mapeamento da Forças Armadas Brasileiras feito pelos Estados Unidos
- Localização atualizada das bases aéreas brasileiras
- Arquivos traduzidos
- especial (em inglês)
Bibliografia
- Dicionário Histórico e Biográfico Brasileiro ( título Revolução de 1964)
- Anos de Chumbo, Celso de Castro (Relume-Dumará), Download.
- As Forças Armadas : Política e Ideologia no Brasil, Eliézer de Oliveira (Editora Vozes, 1976)
- O Colapso do Populismo do Brasil, Octávio Ianni (Editora Civilização Brasileira)
- Os Motivos da Revolução, C. Muricy, (Imprensa Oficial, Pernambuco)
- O Papel dos Estados Unidos da América no Golpe de Estado de 31 de Março, Phyllis Parker (Editora Civilização Brasileira, 1977).
- 1964, visto e Comentado pela Casa Branca, Marcos Sá Corrêa ( L&PM )