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A Abadia de Cluny, localizada na Borgonha, teve sua construção iniciada em 11 de setembro de 910 por Guilherme I da Aquitânia, em um terreno doado pelo próprio[2], e exerceu profunda influência na cristandade dos séculos posteriores com a Reformas cluníacas, inclusive além de suas fronteiras. Nela estava estabelecida a sede ou casa-mãe da célebre beneditina Ordem de Cluny.

Abadia de Cluny
Actual abadia de Cluny
Estilo dominante Clássico
Início da construção 11 de setembro de 910 (1 107 anos)
Religião Catolicismo
Diocese Ligada direta à Santa Sé[1]
Website www.cluny-abbaye.fr/en/
Geografia
País  França
Região Borgonha
Local Cluny

Hugo I, Duque da Borgonha, um dos irmãos de Henrique da Borgonha, Conde de Portugal, foi um dos seus priores. E foi com Hugo I que a Abadia atingiu seu apogeu ao iniciar a construção da basílica de cinco naves e sete torres tendo seu altar consagrado pelo Papa Urbano II.[1]

Foi na Abadia de Cluny que se originaram as chamadas reformas cluníacas, movimento no qual os monges cluniacenses dedicavam-se à celebração das horas litúrgicas, ao canto dos Salmos, rigidez na observância da Regra de São Bento, procissões devotas e solenes e, sobretudo, à celebração da missa. Promoveram a música sacra (em Cluny continha oito esculturas que retratavam os oito modos do canto gregoriano[3]); quiseram que a arquitetura e a arte contribuíssem para a beleza e a solenidade dos ritos católicos, inseriram típicas atividades culturais do monaquismo medieval como as escolas para as crianças, a preparação de bibliotecas, os scriptoria para a transcrição dos livros; enriqueceram o calendário litúrgico de celebrações especiais e incrementaram o culto da Virgem Maria. Além de, através do trabalho manual, explorar economicamente as amplas propriedades típicas dos mosteiros cluniacenses.[2][4]

Como mencionado acima, a construção da Abadia, bem como as reformas nela originadas, causaram grande influência na época a ponto de muitos príncipes e Papas pedirem aos abades de Cluny para difundirem a sua reforma, de modo que em pouco tempo se propagou uma densa rede de mosteiros ligados a Cluny, ou com verdadeiros vínculos jurídicos ou com uma espécie de afiliação carismática.[2] Muitos homens, tanto leigos como clérigos, inclusive aqueles de elevada condição, deixaram suas dioceses para viverem em Cluny como simples monges. Devido ao grande aumento do número de monges, tornou-se necessário ampliar as instalações de Cluny e edificar uma nova igreja.[5] Estima-se que o número de monges ligados à Abadia chegou a 10 mil espalhados em 1.450 casas clericais.[6]

A abadia foi considerada uma das maravilhas da França Medieval e diz-se ter sido o maior complexo arquitetônico da cristandade ocidental. Em decorrência da revolução francesa a abadia foi completamente destruída, tendo sido posteriormente reconstruída.[7][8]

Em 2007, a Abadia foi consagrada como Patrimônio Europeu pela União Européia.[9]

Referências

  1. a b Morazzani, Clara Isabel. Cluny: a força suave e irresistível da santidade. In: Revista Arautos do Evangelho, Nov/2006, n.59, p. 17 a 20
  2. a b c Ferreira, Ir. Carmela Werner. Santo Odilon de Cluny: O "Arcanjo dos monges". In: Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2014, n. 146, p. 31 à 35
  3. Los modos del gregoriano en los capiteles de la abadía de Cluny Musicaantigua.com
  4. Papa quer que patrimônio religioso europeu seja apreciado - Estadão
  5. Dominguez, Ir. José Antônio. Santo Odon, abade: O iniciador de Cluny. In: Revista Arautos do Evangelho, Nov/2006, n. 59, p. 22 à 25.
  6. Cluny, a revolução contra a abadia - Parte I - Portal Terra
  7. São Odo de Cluny - Portal Franciscanos.org
  8. La abadía de Cluny, un ejemplo de reconstrucción - Diario de León (em espanhol)
  9. Abadia de Cluny consagrada como "Património Europeu" - RTP Notícias
 
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