Academia Filarmônica de Bolonha

A Academia Filarmônica de Bolonha (em italiano, Accademia Filarmonica di Bologna) foi uma associação musical de Bolonha, na Itália.

Fachada do Palazzo Carrati, sede da Academia
Retrato do Padre Martini (Bolonha, Museu Internacional e Biblioteca de Música), um dos mais estimados "Filarmonici"

Foi fundada em 1666 pelo conde Vincenzo Maria Carrati, instalando-a no palácio da sua família. Foi a primeira de várias associações privadas que se formaram na cidade no século XVII, que reuniam os principais artistas e intelectuais da cidade e muitos de outras paragens, uma vez que Bolonha naquele período era a segunda maior cidade dos Estados Pontifícios, sediava a mais antiga universidade do mundo e tinha uma intensa vida cultural. Ao contrário de outras, que se dedicavam a interesses variados, a Academia Filarmônica voltou-se exclusivamente à música.[1][2]

A Academia em pouco tempo tornou-se uma das mais prestigiadas e seletivas associações musicais da Europa, dela emanando importante influência estética sobre a prática musical italiana.[1] Tinha como padroeiro Santo Antônio de Pádua e o lema Unitate melos, e manteve estreito relacionamento com a Igreja desde o início. A fim de manter o decoro da sociedade seus estatutos previam uma série de obrigações devocionais, entre elas orações diárias e a celebração anual de uma missa solene em honra de Santo Antônio nos seu dia festivo, com música conduzida pelos próprios acadêmicos, após a qual eles se reuniam na sede da sociedade para uma grande festa, com todas as despesas pagas pelo fundador.[3] Em seus primeiros tempos a Academia cultivou uma música de caráter conservador, seguindo a tradição polifônica renascentista. Seus sócios se dividiam em três categorias: compositores, cantores e instrumentistas.[3] A admissão era considerada um grande privilégio e muitos dos mais ilustres músicos e teóricos dos séculos XVII a XIX foram sócios, incluindo o padre Martini, Corelli, Mozart, Farinelli, Rossini, Liszt, Verdi e Wagner.[2]

Depois da morte do conde a Academia enfrentou dificuldades econômicas. Para saná-las em 1713 foi instituída a função de Cardeal Protetor para dirigir e auxiliar a entidade, desempenhada pelo cardeal Pietro Ottoboni, um dos mais generosos mecenas de seu tempo, o que consolidou seu prestígio internacional. Ottoboni auxiliou a redefinir os estatutos e instituiu a função de Definidor Perpétuo, atribuída a dois músicos de notório saber, com a incumbência de selecionar novos sócios. Através da sua intervenção em 1716 o papa Clemente XI reconheceu oficialmente os estatutos. Novos estatutos foram aprovados pelos papas Bento XIV (1749), que lhe concedeu também o privilégio de controlar a música sacra em Bolonha e o poder nomear mestres de capela. Clemente XIV (1772) e Pio IX (1847) aprovaram posteriores reformulações estatutárias. Depois da unificação italiana em 1860 a função de Cardeal Protetor foi extinta, substituída por uma Presidência leiga, mas a ligação com a Igreja não se interrompeu, e os sucessivos cardeais arcebispos de Bolonha continuaram a ser inscritos no Livro de Ouro. Em 1881, sob a presidência de Federico Parisini, a Academia recebeu o reconhecimento do novo Estado Italiano, passando a denominar-se Real Academia Filarmônica, um título que por tradição se mantém até hoje.[3]

Sua estrutura foi adaptada à nova condição e ao contexto musical do século XIX, herdando o rico patrimônio que a Academia original reuniu ao longo dos séculos, que inclui uma grande biblioteca com livros e manuscritos, instrumentos e uma série de outros itens relacionados à história da música, da instituição e dos seus sócios e mecenas.[2] Atualmente a Real Academia é um grande centro cultural e musical, mantendo uma série de concertos regulares, cursos, um departamento de pesquisa e musicologia e outras atividades. A admissão ainda é fonte de prestígio para os músicos, e no século XX foram incorporados, por exemplo, Claudio Abbado, Sergiu Celibidache, Carlo Maria Giulini, Riccardo Muti, Mstislav Rostropovich, Mirella Freni, Nicolai Ghiaurov, Joan Sutherland, Luciano Berio, Peter Maxwell Davies, Nino Pirrotta e Karlheinz Stockhausen.[4]

Ligações externasEditar

Referências

  1. a b Buscaroli, Piero. "Corelli, Arcangelo". In: Dizionario Biografico degli Italiani, Volume 29. Treccani, 1983
  2. a b c Istituto per i Beni Artistici Culturali e Naturali della Regione Emilia-Romagna. Regia Accademia Filarmonica di Bologna.
  3. a b c Verdi, Luigi. I cardinali prottetori e i rapporti con la Chiesa nella storia dell'Accademia Filarmonica di Bologna. Centro Studi di Musica Sacra.
  4. Regia Accademia Filarmonica di Bologna. L'Accademia.