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Alexandre da Conceição (Ílhavo, 1842 - Viseu, 1889) foi um poeta, crítico literário e polemista português de estética naturalista.

BiografiaEditar

Escritor português do século XIX, nascido em 1842, em Ílhavo, e falecido em 1889, Viseu. A evolução do seu percurso literário documenta a transição do romantismo social para o Realismo-Naturalismo.

Formado em Engenharia, foi director das Obras Públicas no distrito de Viseu. Pertenceu ao grupo de poetas ligados à revista portuense A Grinalda, a que Teófilo Braga chamou o repositório da "última fase da poesia lírica do Romantismo em Portugal" e colaborou na revista A Esperança [1] (1865-1866); fundou, em 1876 e 1877, respectivamente, as revistas A Evolução e A Revolução, mas deixou uma imensa colaboração dispersa por periódicos como A Folha, Jornal do Porto, Literatura Ocidental, O Ocidente[2] (1877-1915), O Primeiro de Janeiro, O Século, Renascença [3] (1878-1879?), e A Folha Nova. E ainda nas revistas Era Nova [4] (1880-1881), Ribaltas e Gambiarras [5] (1881) e na Galeria republicana [6] (1882-1883). Encontra-se colaboração póstuma da sua autoria na revista ilustrada Argus [7] (1907).

Em 1881, envolveu-se numa polémica com Camilo Castelo Branco a propósito dos romances A Corja e Eusébio Macário, durante a qual considerou Camilo "o representante mais autorizado do antigo formalismo retórico do velho espírito humanista e letrado", negando-lhe qualquer contributo para o "desenvolvimento intelectual e moral da sociedade portuguesa".

Republicano e anticlerical, manifestou-se contra "o espiritualismo neocatólico, essa deplorável reacção do sentimentalismo beato contra o espírito crítico e eminentemente científico do século XVIII", que responsabilizava pelo advento de "essa coisa absurda, monstruosa, incongruente e doentia, que se chama romantismo, uma das mais notáveis e perniciosas doenças mentais de que tem padecido a humanidade, doença que a atrasou quase um século no seu natural desenvolvimento".

Morreu relativamente novo, esgotado por uma doença nervosa, agravada pela morte da mulher. Em 1892, Teófilo Braga organizou a edição do seu volume póstumo de poesias, Outonais.

ObrasEditar

  • Alvoradas, 1865, 2.ª ed., 1875 (poesias);
  • Notas. Ensaios de Crítica e Literatura, 1881 (ensaio e crítica literária);
  • Outonais, 1891 (poesias, edição póstuma)
  • Ramo de Flores (eBook)

Referências

  1. Helena Roldão (26 de fevereiro de 2016). «Ficha histórica: A esperança : semanario de recreio litterario dedicado ás damas» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 11 de abril de 2016 
  2. O occidente : revista illustrada de Portugal e do estrangeiro (1877-1915) [cópia digital, Hemeroteca Digital]
  3. Helena Roldão (03 de outubro de 2013). «Ficha histórica: A renascença : orgão dos trabalhos da geração moderna» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 31 de março de 2015  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. Rita Correia (02 de Maio de 2013). «Ficha histórica: Era Nova: Revista do Movimento Contemporâneo (1880-1881)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 07 de Outubro de 2014  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  5. Pedro Mesquita (26 de março de 2013). «Ficha histórica: Ribaltas e gambiarras (1881)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 19 de junho de 2015 
  6. «Galeria republicana (1882-1883), Nº1, 1ª página» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 13 de fevereiro de 2017 
  7. Helena Roldão (17 de junho de 2014). «Ficha histórica: Argus:revista mensal ilustrada (1907).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 17 de Setembro de 2014 
  • LUFT, Celso Pedro. Dicionário de literatura portuguesa e brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Globo, 2ª edição, 1969.