Alma mater

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Alma Mater, estátua de Daniel Chester French, Columbia University, Nova York

Alma mater é uma frase alegórica em latim usada por estudantes que frequentaram uma determinada instituição de ensino, que pode ser traduzida como a mãe que alimenta ou nutre. Usada especialmente nos Estados Unidos, também indica a instituição onde a pessoa se graduou. A frase é traduzida de várias formas como "mãe que nutre", "mãe que amamenta" ou "mãe que cuida", sugerindo que uma instituição fornece alimento intelectual aos seus alunos.[1][2]

Antes de seu uso atual, alma mater era um título honorífico para várias deusas relacionadas à maternidade, como Ceres e Cibele. Posteriormente, com o catolicismo, esteve relacionada à Virgem Maria. Entrou para o meio acadêmico através da Universidade de Bolonha que adaptou a frase Alma Mater Studiorum ("mãe que nutre os estudos"), que descreve seu legado de universidade mais antiga em operação na Europa Ocidental.[3] É também relacionado ao termo alumnus, usado por estudantes universitários, que significa "aquele que é nutrido".[4]

EtimologiaEditar

Embora alma (nutrindo) seja um epíteto comum para Ceres, Cibele, Vênus e outras deusas relacionadas à maternidade, ele não era frequentemente usado conjuntamente de mater no latim clássico.[5] A frase é comumente atribuída a Lucrécio, em De rerum natura, usado como epíteto para descrever as deusas:

Denique caelesti sumus omnes semine oriundi
omnibus ille idem pater est, unde alma liquentis
umoris guttas mater cum terra recepit (2.991–93)

Todos nós nascemos dessa semente celestial,
todos nós temos o mesmo pai, de quem a terra,
a mãe nutritiva, recebe gotas de umidade líquida

Após a queda do Império Romano, o termo passou a ser usado pela liturgia cristã em associação à Virgem Maria. "Alma Redemptoris Mater" é uma antífona devotada à Maria, datada do século XI.[5]

O documento mais antigo a usar o termo em referência à uma universidade em um país falante do inglês foi em 1600, quando o editor da Universidade de Cambridge, John Legate, começou a usar como emblema nas publicações da universidade.[6] A primeira impressão foi na página título da obra A Golden Chain, do teólogo William Perkins, onde a frase Alma Mater Cantabrigia ("Cambridge, mãe que alimenta") está inscrita.[7][8] Em trabalho etimológicos relacionados às universidades, o termo é frequentemente citado em 1710, quando a figura materna da universidade é mencionada em uma memória de Henry More para Richard Ward.[9]

Referências

  1. Ayto, John (2005). Word Origins 2ª ed. Londres: A&C Black. ISBN 9781408101605 
  2. «alma mater». Merriam-Webster. Consultado em 11 de fevereiro de 2020 
  3. «Our history – University of Bologna». Unibo.it. Consultado em 11 de fevereiro de 2020 
  4. Cresswell, Julia (2010). Oxford Dictionary of Word Origins. [S.l.]: Oxford University Press. p. 12 
  5. a b Sollors, Werner (1986). Beyond Ethnicity: Consent and Descent in American Culture. Oxford: Oxford University Press. p. 78. ISBN 9780198020721 
  6. Stokes, Henry Paine (1919). Cambridge stationers, printers, bookbinders, &c. Cambridge: Bowes & Bowes. p. 12 
  7. Stubbings, Frank H. (1995). Bedders, Bulldogs and Bedells: A Cambridge Glossary 2ª ed. [S.l.: s.n.] p. 39 
  8. Perkins, William (1600). A Golden Chaine: Or, the Description of Theologie, containing the order and causes of salvation and damnation, according to God's word. Cambridge: Universidade de Cambridge 
  9. Ward, Richard (1710). The Life of the Learned and Pious Dr. Henry More, Late Fellow of Christ's College in Cambridge. Londres: Joseph Downing. p. 148 

Ligações externasEditar