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Padre Marie-Alphonse Ratisbonne em 1865.

Marie-Alphonse Ratisbonne N.D.S. (Estrasburgo, 1 de maio de 1814Ein Karem, 6 de maio de 1884 (70 anos)) foi um judeu francês convertido ao catolicismo que tornou-se padre jesuíta e missionário. Depois, foi um dos fundadores da Congregação de Nossa Senhora de Sião, uma congregação dedicada à conversão dos judeus à fé católica, mas que após o Concílio Vaticano II reorientou sua vocação específica, deixando o desejo de conversão para assumir uma posição de "diálogo e conhecimento mútuo", conforme ensina o documento Nostra Aetate.

BiografiaEditar

Marie-Alphonse nasceu em 1 de maio de 1814 em Estrasburgo, Alsácia, na França, décimo-primeiro dos treze filhos de Auguste Ratisbonne e sua esposa,Adelaide Cerfbeer,[1] membros de uma famosa família de banqueiros judeus. Seu pai era presidente do conselho provincial da Alsácia[2] e sua mãe morreu quando ele tinha quatro anos. A família já estava assimilada pela sociedade secular da França, mas mantinha um forte senso de justiça social, que permeou sua criação. Um irmão mais velho, Théodor, converteu-se ao catolicismo em 1827 e foi ordenado padre em 1830.[1] Evidentemente a conversão de um membro da família para o catolicismo trouxe surpresas na Família Ratisbonne, contudo, os laços que uniam os irmãos eram estreitos e sua união era forte, de modo que a conversão não significou jamais um rompimento entre os membros da família.

ConversãoEditar

Depois de estudar direito em Paris, Alphonse se juntou à família e anunciou seu noivado com sua sobrinha de dezesseis anos. Em janeiro de 1842, com o adiamento do casamento por causa da idade da noiva,[3] Alphonse viajou a Roma em férias. Em 20 de janeiro, entrou na igreja de Sant'Andrea delle Fratte e lá teve uma visão da Virgem Maria. Por causa desta experiência, converteu-se também ao catolicismo.[2] Em seu batismo, acrescentou "Maria" ao seu nome para refletir o papel que ela teve em sua vida.[1]

 
Túmulo de Marie-Alphonse no Mosteiro Ratisbonne, em Jerusalém.

Alphonse voltou a Paris para proclamar sua recém-encontrada fé à sua noiva e convidou-a a dividi-la com ele, o que ela, aos prantos, negou-se.[1] Em junho do mesmo ano, ele entrou para a Companhia de Jesus e foi ordenado padre em 1848.

Trabalho missinárioEditar

Depois de sua conversão, Théodore Ratisbonne se viu atraído pela realização de um trabalho em favor dos seus irmãos judeus, o que não era novidade em sua vida, já que antes de sua conversão ele participava e bem conhecia a vida e as dificuldades dos judeus de Estrasbourgo, onde seu tio era presidente do Conselho para a vida Judaica. Este ministério, que também inspirou Alphonse, foi abençoado pelo papa Gregório XVI durante uma visita de Théodor a Roma em 1842. Ele então aceitou a sugestão de Alphonse e fundou uma escola para crianças judaicas em um ambiente cristão. Nesta época, duas irmãs judias o procuraram em busca de aconselhamento espiritual e, acabaram, finalmente, convertendo-se também ao cristianismo. Elas formaram o núcleo da Congregação de Nossa Senhora de Sião, fundada em 1847.[4]

Em 1850, Alphonse se envolveu com a obra missionária entre os condenados nas prisões de Brest, mas, dois anos depois, sentiu o chamado para juntar-se ao seu irmão em sua obra entre seu povo, escrevendo:

A vontade de Deus em minha conversão e em minha vocação ao sacerdócio obviamente destinou-me à trabalho pela salvação de Israel
 
Marie-Alphonse Ratisbonne[1].

Com a autorização do superior-geral jesuíta, Jan Philipp Roothaan, e com a benção do papa Pio IX,[5] Alphonse deixou a Companhia de Jesus para se juntar ao irmão. Os dois, com diversos outros padres atraídos pela mesma missão, formaram então um ramo masculino da Congregação em 1852. Alphonse mudou-se para Jerusalém, em Israel, na época parte do Mustarifado de Jerusalém do Império Otomano, em 1855, para abrir um convento para as irmãs da congregação e passaria o resto da vida na cidade. Sua presença em Jerusalém foi significativa. Ele próprio comprava terrenos e doava para as congregações que quisessem abrir uma comunidade em Jerusalém.[2]

Em 1858, Ratisbonne fundou o Convento de Ecce Homo, na Cidade Velha de Jerusalém, para as Irmãs de Sião.[2] Em 1860, construiu o Convento de São João no topo de uma colina em Ein Karem, na época uma vila nos arredores de Jerusalém. Em 1874, fundou o Mosteiro Ratisbonne para os padres da congregação (os Religiosos de Sion ainda estão presentes neste prédio, e uma parte do prédio abriga um centro de estudos salesiano em Rehavia, Jerusalém).[6]

Ratisbonne morreu em Ein Karem em 6 de maio de 1884 e está enterrado no cemitério do convento de Ein Karen.

Os Religiosos de Sion estão presentes no Brasil (SP, MG, PR, RJ), na França e em Jerusalém.

ObraEditar

Marie-Alphonse Ratisbonne escreveu uma obra conhecida, "Monument à la gloire de Marie", em 1847.[2]

Referências

  1. a b c d e «Notre Dame de Sion-Ein Kerem "History"». Consultado em 26 de julho de 2015. Arquivado do original em 12 de julho de 2012 
  2. a b c d e Encyclopedia Judaica, Ratisbonne Brothers, Volume 13, pp.1570-1571, Keter Publishing House, Jerusalem, 1972
  3.   "Maria Alphonse Ratisbonne" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  4. «Sisters of Our Lady of Sion Australia, Philippines Province "Our History"». Consultado em 26 de julho de 2015. Arquivado do original em 26 de fevereiro de 2012 
  5. Mondésert, Claude, Les religieuses de Notre-Dame de Sion, Lyon, Lescuyer, 1956, p.21
  6. Fr. Anthony Bailey, S.D.B., ed. (n.d.). «Ratisbonne Monastery». Don Bosco Today. Salesians of Don Bosco UK. Consultado em 26 de julho de 2015. Arquivado do original em 28 de agosto de 2008 

BibliografiaEditar

  • MONDESERT, Claude: Théodore et Marie-Alphonse Ratisbonne, (3 vol.), Paris, 1903-1904.
  • MONDESERT, Claude: Les religieuses de Notre-Dame de Sion, Paris, 1923.
  • EGAN, M.J.: Our Lady's Jew: Father Marie-Alphonse Ratisbonne, Dublin, 1953.
  • GUITTON, Jean: La conversion de Ratisbonne, Paris, 1964.

Ligações externasEditar

 
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