Amós

profeta hebreu

Amós (aquele que ajuda a carregar o fardo ou nome que em hebraico significa "levar" e que parece ser uma forma abreviada da expressão Amosiá, que significa Deus levou[1]) foi um Profeta do Antigo Testamento, autor do Livro de Amós. Amós escreveu em um momento de relativa paz e prosperidade, mas também de negligência das leis de Deus. Ele falou contra uma disparidade crescente entre os muito ricos e os muito pobres (desigualdade social). Os principais temas abordados em sua obra eram a justiça social, a onipotência de Deus e o julgamento divino.


Amós
עָמוֹס, 'amus
Escultura do profeta Amós, por Aleijadinho, em Congonhas, Minas Gerais, 1800-5.
Nascimento
Tecoa, território de Judá, Israel, atualmente pertencente à Palestina.
Morte 745 a.C.
Cidadania israelita
Ocupação Profeta da Bíblia; Pastor de ovelhas.
Magnum opus Livro de Amós

VidaEditar

Amós era nativo de Tecoa, uma cidade a cerca de 20 km [Nota 1], nos limites do deserto de Judá (1:1), a sudeste de Belém. Também era um homem de família humilde. Era um pastor de ovelhas e cultivador de sicómoros (7:14)[2]. Aproximadamente em 760 a.C., deixou sua vida tranquila e foi anunciar e denunciar no Reino de Israel Setentrional, durante o reinado de Jeroboão II (1:1)[3].

 
Amós, aquarela de James Tissot (1836-1902), pintada entre 1896-1902.

Ele profetizou durante os reinados de Uzias, rei de Judá, e foi contemporâneo de Isaías e Oseias, que viveram alguns anos a mais que ele. Sob Jeroboão II, o reino de Israel atingiu o máximo de sua prosperidade, mas isto foi acompanhado do aumento da luxúria, do vício e da idolatria. Nesse contexto, o luxo dos ricos insultava a miséria dos oprimidos e o esplendor do culto disfarçava a ausência de uma religião verdadeira. Nesse momento, Amós foi convocado por Deus para lembrar ao povo da sua Lei, da retribuição da sua justiça e para chamar o povo ao arrependimento.[4] Ele fê-lo, denunciava essa situação, com a rudeza simples e altiva e com a riqueza de imagens típica de um homem do campo[5]. A palavra de Amós incomodava porque ele anunciava que o julgamento de Deus iria atingir não só as nações gentias, mas também, e principalmente, o povo escolhido; este já se considerava salvo, mas na prática era pior do que os gentios (1:3-2:16). Amós não se contentava em denunciar genericamente a injustiça social, ele denunciava especificamente:

  • os ricos que acumulavam cada vez mais, para viverem em mansões e palácios (3:13-15; 6:1-7), criando um regime de opressão (3:10);
  • as mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a explorar os fracos (4:1-3);
  • os que roubavam e exploravam e depois iam ao santuário rezar, pagar dízimo, dar esmolas para aplacar a própria consciência (4:4-12; 5:21-27);
  • os juízes que julgavam de acordo com o dinheiro que recebiam dos subornos (2:6-7; 4:1; 5:7.10-13);
  • os comerciantes ladrões sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo (8:4-8).

EnsinamentosEditar

Alguns de seus principais ensinamentos são:

  • Orações e sacrifícios não compensam más ações. "A prática de atos religiosos não é um seguro contra o julgamento de Deus" e esse "privilégio envolve oportunidade ou escapismo ... A imunidade não pode ser reivindicada simplesmente por causa de um favor passado de Deus, independentemente de ações e da medida do serviço fiel. "[6]
  • Comportar-se com justiça é muito mais importante que o ritual (Amós 5: 21–24). "O culto cerimonial não tem valor intrínseco ... o único serviço genuíno de Deus consiste em justiça e retidão (5:24)". [7]
  • Amós acreditava na justiça econômica ", a convicção de Amós de que a justiça econômica era necessária para preservar a nação (enquanto seus oponentes afirmavam que os sacrifícios e ofertas a preservavam) o forçou a concluir que um Deus que desejava a nação preservada deveria querer justiça e querer sempre, e nunca poderia, portanto, querer sacrifícios, que encorajavam e desculpavam a injustiça. "[8]
  • "Amós era um monoteísta intransigente. Não há um verso em seus escritos que admita a existência de outras divindades." [7]
  • O relacionamento entre o povo de Israel é articulado para ser um contrato moral. Se o povo de Israel cair abaixo dos requisitos morais de Deus, seu relacionamento certamente será dissolvido.
  • A dependência de Deus é um requisito para a auto-realização. Alguém viverá se buscar o Senhor (Amós 5:4).

JustiçaEditar

Interpretações na AntiguidadeEditar

A antiga exortação à justiça é expressa pela voz de Deus nos ensinamentos de Amós. Amós é avisado por Deus que os israelitas vão enfrentar a intervenção divina, pois a opressão corre solta em Israel. Deus expressou essa opressão dizendo que os israelitas estavam praticando religiosidade sem justiça. Ao oprimir os pobres e deixar de praticar a justiça, os israelitas estavam se comportando de maneira injusta; a justiça deveria ser promulgada como um núcleo da mensagem de Deus nos ensinamentos proféticos de Amós.[9]

Interpretações modernasEditar

Influências ou referências aos ensinamentos de Amós podem ser encontradas em certos discursos políticos e de defesa dos direitos civis. Em "Eu Tenho Um Sonho", de Martin Luther King Jr., King declara que "não ficaremos satisfeitos até que a justiça caia como águas e a retidão como uma corrente poderosa", que é uma alusão a Amós 5:24: "Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!". [10] O político estadunidense Bernie Sanders também chegou a fazer referência a Amós 5:24 em um discurso durante sua campanha presidencial de 2016. [11]

Notas e referências

Notas

  1. No original, 12 milhas.

Referências

  1. Santo Amós, profeta, evangelhoquotidiano.org
  2. Santo Amós, profeta, evangelhoquotidiano.org
  3. Santo Amós, profeta, evangelhoquotidiano.org
  4. Easton's Bible Dictionary, Amos [em linha]
  5. Santo Amós, profeta, evangelhoquotidiano.org
  6. Escobar, David (September 2011). «Amos & Postmodernity: A Contemporary Critical & Reflective Perspective on the Interdependency of Ethics & Spirituality in the Latino-Hispanic American Reality». Journal of Business Ethics. JSTOR 41476011  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. a b Hastings, James (1908). Dictionary of the Bible. New York, NY: Charles Scribner's Sons 
  8. Waterman, Leroy (September 1945). «The Ethical Clarity of the Prophets». Society of Biblical Literature. Journal of Biblical Literature. JSTOR 3262384  Verifique data em: |data= (ajuda)
  9. Escobar, Donoso S. (1995). «Social Justice in the Book of Amos». Review and Expsoitor 
  10. Rau, Andy. «Bible References in Martin Luther King, Jr.'s "I Have a Dream" Speech». Bible Getaway Blog 
  11. Taylor, Florence. «How Bernie Sanders used the Bible to try and win over Evangelical students». christianitytoday.com 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar