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Aristarco da Samotrácia

Aristarco da Samotrácia
Nascimento 217 a.C.
Samotrácia
Morte 144 a.C. (73 anos)
Chipre
Ocupação escritor, bibliotecário, crítico

Aristarco da Samotrácia (Samotrácia, ca. 217 a.C.Chipre, ca. 144 a.C.) foi um gramático e filólogo da Grécia Antiga, pertencente à escola alexandrina que censurou severamente a poética de Homero insistindo no caráter espúrio de muitos de seus versos.[1]

BiografiaEditar

Converteu-se em cidadão alexandrino, e viveu nesta cidade egípcia durante o reinado de Ptolemeu VI Filómetor. Sucedeu ao seu mestre Aristófanes de Bizâncio como diretor da biblioteca de Alexandria. Foi tutor dos infantes da família real, mas teve de fugir, para o Chipre, frente da perseguição de Ptolemeu VIII Evérgeta II.

Segundo Suídas, tinha um caráter antipático e uma aparência descuidada; somente um poeta havia entre os seus quarenta alunos, Mosco de Siracusa. Todos estes tiveram de fugir também frente da perseguição desencadeada por Ptolemeu VIII.

Morreu no Chipre, segundo a tradição, deixando-se morrer de fome por causa de padecer um edema incurável.

ObraEditar

Deve-se a Aristarco a primeira edição crítica historicamente relevante dos poemas homéricos, continuando pelos trabalhos dos seus predecessores Zenódoto de Éfeso e Aristófanes de Bizâncio; quis restabelecer um texto original sem adições helenísticas. Para isso, além de utilizar do trabalho já organizado por Zenódoto, caracterizado pelo signo obélos (-)[2] que assinalava os versos considerados como de leitura duvidosa, corrupta ou pouco fiável, criou um conjunto filológico de signos para apontar as leituras duvidosas e as interpolações: a anti-lambda ou "diple" (>), para assinalar um comentário próprio; a "diple periestigmene" (>:), para assinalar uma nota crítica que expressa um desacordo com Zenódoto;[3] e a anti-sigma para assinalar um verso deslocado.[2] Utilizou também do asterisco (*), inventado por Aristófanes de Bizâncio,[2] para assinalar repetições ociosas. Também elaborou os primeiros comentários contínuos dos mesmos, abandonando o caráter solto e pontual dos escoliastas anteriores que prevalecera até então. Compôs, além disso, monografias soltas, algumas sobre Hesíodo; a Suda afirma que foram oitocentos estes opúsculos. Por outro lado, estabeleceu o chamado Cânone alexandrino, uma série de autores que podem ser considerados puros e clássicos no uso da língua grega e que, portanto, seriam dignos de estudo e ensino.

A sua escola crítica conservou influência até época romana graças ao predicamento dado pelos seus dispersos discípulos. Em 1781 uma edição bizantina da Iliada foi encontrada na Biblioteca Marciana de Veneza; esta edição levava nas margens os escólios de quatro discípulos seus: Signos críticos de Aristônico, notas Sobre a recensão de Aristarco de Dídimo Calcêntero, e extratos da Prosódia iliádica de Herodiano e do Tratado sobre a pontuação homérica de Nicanor. Esta edição, a Venetus Græcus 822, mais habitualmente designada sob o nome de Venetus A, permite reconstituir a contribuição de Aristarco ao estudo dos textos homéricos e relançar a chamada Questão homérica.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Arnaldo Schüler. Dicionário enciclopédico de teologia. Editora da ULBRA; 2002. ISBN 978-85-7528-031-7. p. 63.
  2. a b c Helmut van Thiel, Homeri Ilias. Zurique: Georg Olms, 1996, p. XVII
  3. Ulrich von Wilamowitz-Moellendorff, Homers Ilias (1887-1888). Zurique: Georg Olms, 2006, p. 221

BibliografiaEditar

  • Geoffrey S. Kirk, "Aristarchus and the scholia", em The Iliad: a Commentary, vol. I (cantos I-IV), Cambridge: Cambridge University Press, 2005 (1985) pp. 38-43. ISBN 0-521-28171-7
  • Helmut van Thiel, Homeri Ilias. Zurique: Georg Olms, 1996, p. XVII. ISBN 3-487-09459-2
  • Ulrich von Wilamowitz-Moellendorff, Homers Ilias (1887-1888). Zurique: Georg Olms, 2006, p. 221. ISBN 0548-9705
Precedido por
Apolônio Eidógrafo
Diretores da
Biblioteca de Alexandria
153 a.C. - 131 a.C.
Sucedido por
Militar nomeado por
Ptolomeu VIII