Arnaldo dos Reis Araújo

político indonésio

Arnaldo dos Reis Araújo (14 de maio de 1913, Ainaro, Timor Português - 24 de janeiro de 1988, Díli, Timor Timur) era político em Timor Timur e foi um membro da APODETI. Foi fundador em 27 de maio de 1974 com o apoio da Indonésia para operar a colónia de timorenses. Foi um administrador do território de Timor após a sua invasão pela Indonésia a 7 de dezembro de 1975. Em 17 de dezembro de 1975, constitui o "governo provisório" de Timor-Leste tendo a situação sido mantida até 17 de julho de 1976, quando a Indonésia "proclamou", pelo parlamento indonésio, como a 27.ª província Timor Timur da República da Indonésia.

Arnaldo dos Reis Araújo
1.º Governador do Timor Timur
Período 17 de julho de 1976 a 1978
Antecessor(a) Cargo criado
Sucessor(a) Guilherme Maria Gonçalves
Dados pessoais
Nascimento 14 de maio de 1913
Ainaro, Timor Português
Morte 24 de janeiro de 1988 (74 anos)
Díli, Timor Timur

Exerceu 1.º o cargo de Presidente do Governo Provisional entre 17 de dezembro de 1975 e 17 de julho de 1976 e como Governador em Timor, entre 1976 e 1978. Tendo sido antecedido por Nicolau dos Reis Lobato e sucedido por Guilherme Maria Gonçalves.

VidaEditar

De fevereiro de 1946 a 25 de abril de 1974, segundo algumas fontes, Araújo foi preso por colaborar com os japoneses durante a ocupação entre 1942 e 1945. Ele foi o chefe das Colunas Negras, que lutaram contra soldados aliados no lado japonês e também mataram muitos timorenses, segundo os relatos seriam perto de 50.000, e portugueses.[1] Ele também foi catequista durante esse período, professor de religião. Após nove anos no exílio em Ataúro, regressou a Díli como professor e mais tarde foi "criador de gado da região do Sul" da ilha.[2] José Ramos-Horta declarou no seu livro que Arnaldo dos Reis Araújo foi o único timorense a ser condenado a crimes de guerra na Segunda Guerra Mundial.

Após a sua libertação da prisão, Arnaldo dos Reis Araújo, que era tio de Abílio de Araújo, que foi mais tarde o representante da FRETILIN, em Lisboa, tornou-se presidente do recém-formado Associação Popular Democrática de Timor (APODETI). Para chefe estrategista, no entanto, foi seu secretário-geral, José Fernando Osório Soares, que estava anteriormente na ASDT.

Em 11 agosto de 1975, a UDT tentou tomar o poder com um golpe de Estado no Timor português. A FRETILIN, que era da esquerda, conseguiu afirmar-se na curta guerra civil e assumir o controle de Timor-Leste. Devido à ameaça indonésia, a FRETILIN declarou unilateralmente a independência de Portugal em 28 de novembro de 1975.[3]

Em 7 de dezembro de 1975, a Indonésia iniciou uma invasão em larga escala de Timor-Leste. No mesmo dia, soldados indonésios libertaram Araújo de uma prisão da FRETILIN na capital, Díli. No dia seguinte, ele fez um discurso na rádio para os timorenses a partir de Cupão. Em 17 de dezembro, Araújo tornou-se presidente do Governo Provisório de Timor-Leste (PGTL), um governo fantoche sob liderança indonésia composto por membros da APODETI e da UDT. A "Assembleia Regional Popular" foi convocada pelo presidente do Governo Provisório de Timor-Leste, em 31 de maio de 1976, "na qual 28 delegados assinaram uma petição solicitando a Suharto que concedesse a integração".[4]

Araújo ocupou esse cargo até 17 de julho de 1976, quando Timor-Leste foi oficialmente incorporado pela Indonésia como a 27.ª província de Timor Timur. Em 4 de agosto, Araújo foi nomeado governador de Timor Timur. No entanto, ele perdeu o cargo em 1978, depois de criticar publicamente a Indonésia e o presidente Suharto.[5] Seu sucessor foi Guilherme Maria Gonçalves.

Araújo viveu mais tarde em Jacarta por um tempo.

Ver tambémEditar

Referências

  1. José Ramos-Horta (1994), Timor-Leste: Amanhã em Díli, Lisboa, Publicações Dom Quixote, p. 88.
  2. John G. Taylor (1993), Timor: A História Oculta, Venda Nova, Bertrand Editora, p. 69.
  3. Fátima Guterres (2014), Timor Paraíso Violentado: Memórias de um passado, Lisboa, Lidel, pp. 135-136.
  4. John G. Taylor (1993), Timor: A História Oculta, Venda Nova, Bertrand Editora, p. 152.
  5. Ibid., p. 148.