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Auto de fé

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Pedro Berruguete: São Domingos Presidindo a um auto de fé (1475). Visões artísticas que retratam o tema geralmente apresentam cenas de tortura e de pessoas queimando na fogueira durante os eventos/procedimentos.

Auto de fé ou auto da fé foi o ritual de penitência pública de hereges e apóstatas que ocorreu quando a Inquisição Espanhola, Inquisição Portuguesa ou a inquisição mexicana tinha decidido a sua punição, seguido pela execução pelas autoridades civis das sentenças impostas. Nos autos de fé, os supostos hereges podiam ou abandonar a heresia que estavam propagando (o que os levaria a penas graves, como a prisão perpétua) ou continuar fiel a sua crença herética, o que o faria ser relaxado ao braço secular.[1][2]

As punições para os condenados pela Inquisição iam da obrigação de envergar um sambenito (espécie de capa ou tabardo penitencial), passando por ordens de prisão e, finalmente, em jeito de eufemismo, o condenado era relaxado à justiça secular, isto é, entregue aos carrascos da Coroa (poder secular, em oposição ao poder sagrado do clero). O estado secular procedia às execuções como punição a uma ofensa herética repetida, em consequência da condenação pelo tribunal religioso. Se os prisioneiros desta categoria continuassem a defender a heresia e repudiar a Igreja Católica, eram queimados vivos. Contudo, se mostrassem arrependimento e se decidissem reconciliar com o catolicismo, seriam absolvidos.

Os autos de fé decorriam em praças públicas e outros locais muito frequentados, tendo como assistência regular representantes da autoridade eclesiástica e civil.

Índice

HistóriaEditar

O primeiro "auto da fé" registado foi realizado em Paris em 1242, sob Luís IX.[3] A Inquisição teve um pouco menos de poder em Portugal, tendo sido estabelecida em 1536 e durado oficialmente até 1821, se bem que tenha sido muito debilitada com o regime do Marquês de Pombal na segunda metade do século XVIII. O primeiro auto de fé em Portugal foi realizado em 20 de Setembro de 1540 em Lisboa, onde a praça do Rossio servia de local de execução, embora sejam também conhecidos autos no Terreiro do Paço. No Porto houve apenas um auto de fé.

Também houve autos de fé no México, Peru e Brasil. Alguns historiadores, contemporâneos dos conquistadores (como o guerreiro Bernal Díaz del Castillo), descrevem alguns casos.

O último auto de fé, após uma condenação pela Inquisição espanhola, envolveu o professor Cayetano Ripoll e decorreu a 26 de Julho de 1826. Seu julgamento, sob a acusação de deísmo, durou cerca de dois anos. Morreu pelo garrote no pelourinho, após dizer as palavras: "Morro reconciliado com Deus e com o Homem".

Na ficçãoEditar

No livro Memorial do Convento de José Saramago, cuja acção decorre na primeira metade do século XVIII, durante o reinado de D. João V, a personagem Blimunda conhece Baltasar no Rossio, enquanto a sua mãe é julgada num auto de fé, onde é açoitada e degradada.

No romance Goa ou o guardião da aurora de Richard Zimler, cuja acção decorre em Goa no princípio do século XVII, o narrador e várias outras personagens são humilhados e tormentados num auto de fé.

Na obra Cândido, ou O Otimismo, de Voltaire, o auto de fé também está presente. Cândido e Pangloss são condenados a um auto-de-fé quando desembarcam em Lisboa, logo após o terremoto.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Szklarz, Eduardo (2017). «Inquisição: A fé e fogo». Aventuras na História 
  2. Bernard, Jose. A Inquisição. [S.l.: s.n.] 
  3. Stavans 2005:xxxiv

BibliografiaEditar

  • Arouet, Francois-Marie (Voltaire) (1758). Candide
  • Dedieu, Jean-Pierre (1987) L'Inquisition. Les Editions Fides
  • Kamen, Henry. (1997) The Spanish Inquisition : A Historical Revision. London: Weidenfeld & Nicolson.
  • Lea, Henry Charles (1906–1907). A History of the Inquisition of Spain (4 volumes). New York and London.
  • Monter, William (1990). Frontiers of Heresy. The Spanish Inquisition from the Basque Land to Sicily. Cambridge University Press
  • Perez, Joseph (2006) The Spanish Inquisition: A History, Yale University Press. ISBN 0-300-11982-8, ISBN 978-0-300-11982-4
  • Peters, Edward. (1988) Inquisition. New York: The Free Press.
  • Stavans, Ilan. (2005) The Schocken Book of Modern Sephardic Literature. Random House, Inc. New York
  • Whitechapel, Simon (2003). Flesh Inferno: Atrocities of Torquemada and the Spanish Inquisition. Creation Books. ISBN 1-84068-105-5


Ligações externasEditar

 
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