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Disambig grey.svg Nota: Se procura a avenida de Londrina, veja Avenida Higienópolis (Londrina).
Avenida Higienópolis
Avenida Higienópolis esquina com a Avenida Angélica.
Nomes anteriores Rua Martinho Prado
Extensão 1 100 m
Início Rua Maria Antonia
Subprefeitura(s)
Bairro(s) Consolação
Fim Rua Rio de Janeiro e
Rua Conselheiro Brotero

A Avenida Higienópolis, localizada no bairro de mesmo nome, é uma das vias mais importantes do distrito da Consolação, em São Paulo. A via, fundamentalmente residencial, abriga diversas construções de valor histórico e arquitetônico, além de importantes instituições de ensino e centros comerciais.

Índice

HistóriaEditar

As antigas terras do Barão de Ramalho e do padre pernambucano Joaquim Floriano Wanderley, que juntas apresentavam 847.473 metros quadrados, foram compradas em 1893 por Martinho Bouchard e Victor Nothmann, dois capitalistas alemães. Os empreendedores trouxeram da França o projeto e os materiais para a construção do segundo loteamento planejado de alto-padrão da cidade, destinado especificamente à elite paulistana. Chamado primeiramente de "Boulevard Bouchard", o loteamento fora lançado em 1895. Posteriormente o nome foi mudado para Higienópolis (cujo significado é "cidade da higiene"), devido ao fornecimento de água e à existência de um sistema de coleta de esgoto, além iluminação à gás, arborização e linhas de bondes que atendiam ao bairro.

TraçadoEditar

A Avenida Higienópolis tem aproximadamente 1.100 metros (1,1 quilômetro), se estendendo do encontro das ruas Itambé, Dona Veridiana e Maria Antônia até a confluência das ruas Rio de Janeiro e Conselheiro Brotero, em frente à Praça Esther Mesquita. Correndo paralelamente à rua Maranhão, a Avenida Higienópolis é cortada pela Avenida Angélica e pelas ruas Sabará, Albuquerque Lins e Aracaju, sendo que nela também se iniciam ou terminam as ruas Martim Francisco e Itacolomi.

Prédios ImportantesEditar

A avenida e o bairro de Higienópolis são tradicionalmente residenciais. Após o loteamento das terras da região pelos empreendedores Martinho Burchard e Victor Nothmann em 1895, a avenida assistiu à construção de uma série de palacetes, pertencentes às mais ricas famílias paulistanas.

As mansões do bairro reproduziam os modelos franceses, procurando imitar o modo de vida das metrópoles europeias mais importantes do século XIX: os móveis, o material de construção e até a planta das casas eram trazidas da Europa. São exemplos desta primeira fase de urbanização as conhecidas propriedades das famílias Penteado, Prado e Magalhães.

Palacete Veridiana da Silva PradoEditar

Na esquina da Avenida Higienópolis com a rua Dona Veridiana foi construído o palacete pertencente a Dona Veridiana da Silva Prado, matriarca de importante família da aristocracia paulista, a chácara Vila Maria, que mais tarde se tornou sede do São Paulo Clube. Posteriormente, já a partir de 2008, passou a abrigar o Iate Clube de Santos. A construção do palacete de 3.500 metros quadrados de área construída e 5.000 metros de jardins, com lagos de carpas e fontes, ocorreu entre os anos de 1883 e 1884[1].

Palacete de Antônio Álvares PenteadoEditar

Do outro lado da avenida, justo em frente ao palacete de Dona Veridiana, mas com frente para a Rua Maranhão, foi construído um importante exemplar da arquitetura art nouveau de São Paulo do início do século passado, a Vila Penteado. A propriedade, pertencente ao conde Antônio Álvares Leite Penteado e construída em 1902, foi projetada pelo engenheiro sueco Carlos Ekman. Hoje em dia abriga a pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU Maranhão).

Palacete de Carlos Leôncio de MagalhãesEditar

Na esquina da Avenida Higienópolis com a rua Albuquerque Lins fica um dos últimos e mais bem preservados palacetes do bairro, pertencente a Carlos Leôncio de Magalhães, quarto rei do café. A casa, que é tombada pelo Patrimônio Histórico e que hoje em dia pertence ao Grupo Malzoni, é um exemplo do estilo eclético presente em muitas construções dos anos 1930. O desenho do casarão é assinado pela firma Siciliano & Silva e ostenta piso de marchetaria, lustres de ferro fundido, lambris e móveis de jacarandá-da-bahia entalhados pelo artista italiano Dinucci, vitrais belgas, mosaicos com vidro Murano e teto em madeira de lei ornamentado em gesso. O palacete conta ainda com uma pequena capela inspirada no Mosteiro dos Jerônimos de Lisboa e com um teatro com capacidade para até 50 pessoas.

OutrosEditar

Entre a Itacolomi e a Avenida Angélica encontra-se o casarão que pertenceu a Oscar Rodrigues Alves, filho do presidente Rodrigues Alves. A casa foi adquirida pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo ainda nos anos 1950 e hoje em dia é ocupado pelo Instituto Italiano de Cultura, vinculado ao consulado.

No quarteirão entre a Avenida Angélica e as ruas Albuquerque Lins e Aracaju se encontram dois dos prédios importantes do bairro: o Shopping Pátio Higienópolis e o edifício Pedro II. O Shopping Pátio Higienópolis, pertencente ao grupo Malzoni, é um importante centro comercial da cidade de São Paulo. Construído em 1999, o shopping conta com 305 lojas distribuídas em 6 andares e é um dos principais pontos de encontro para os moradores das imediações. O edifício Pedro II, localizado ao lado da entrada principal do shopping, foi o primeiro prédio da Avenida Higienópolis. Hoje ocupado por religiosas, o edifício foi construído a mando da família de Carlos Leôncio de Magalhães em 1938, no terreno em que anteriormente morava.

No último quarteirão da avenida se encontram duas construções importantes, mas de época distinta: o Colégio Nossa Senhora de Sion e o edifício Bretagne. A sede do colégio foi projetada por Ramos de Azevedo e foi construída em 1901. O Edifício Bretagne, projeto de João Artacho Jurado de 1959, é um marco na arquitetura residencial de São Paulo por oferecer uma série de opções de lazer (piscina, playground, salão de chá, etc.), algo novo até então.

Outros prédios da Avenida Higienópolis que merecem destaque são a sede da Cúria Metropolitana de São Paulo e a sede do Rotary Club, onde também está instalado o Colégio Rio Branco. Além destes, podemos ainda mencionar edifícios residenciais com valor arquitetônico, como o Parque Higienópolis, o Lausanne (projeto de Franz Heep, 1958), o Versalhes, o Lugano, o Prudência e Capitalização (projeto de Rino Levi e paisagismo de Burle Marx, 1944), entre outros.

BibliografiaEditar

  • HOMEM, Maria Cecília Naclério: Higienópolis, grandeza e decadência de um bairro paulistano - Prefeitura do Município de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura - Departamento do Patrimônio Histórico, 1980.
  • HOMEM, Maria Cecília Naclério: Higienópolis - Grandeza de um Bairro Paulistano - Editora da Universidade de São Paulo, 2011.
  • HOMEM, Maria Cecília Naclério: O Palacete Paulistano

Referências