Barotrauma de ouvido médio

Barotrauma de ouvido médio ou barotite média é uma inflamação crônica ou aguda, causada pelo aumento ou diminuição da pressão no ouvido médio devido as alterações da pressão atmosférica.[1] É a patologia mais prevalente no mergulho e na altitude, devido a dificuldade de equalizar a pressão do ambiente externo e o ouvido médio.[2]

Causas e fatores de risco editar

Qualquer situação que possa implicar na ventilação da orelha média sobre a tuba auditiva pode desenvolver um barotrauma de ouvido médio. A tuba auditiva liga a orelha média a nasofaringe e alivia a pressão da orelha média.[1]

Sua ocorrência está relacionada a situações de mergulho ou voo, onde nesse último, a pressão atmosférica dentro da cabine diminuiu à medida que a aeronave sobe. Isso faz com que o ouvido médio se expanda, causando dor. Na descida da aeronave, a pressão de ar aumenta dificultando a plena e adequada equalização da pressão do ouvido médio com o ambiente.[1] Já no mergulho, o barotrauma se desenvolve principalmente na submersão, pois aumenta a pressão externa contra a membrana timpânica e a tuba auditiva não permite a passagem de ar para o ouvido médio, ou comprima o ar que está dentro do ouvido médio.[2]

O bloqueio das vias aéreas por muco, inflamação ou outra causa, pode levar ao barotrauma do ouvido médio pois o ar que está dentro do ouvido médio não consegue sair adequadamente.[3]

Sintomatologia e diagnóstico editar

Os sintomas do barotrauma do ouvido abrangem uma variedade de desconfortos. A dor no ouvido, pode ser de leve a intensa e é um dos principais indicativos, dependendo do grau e da gravidade do barotrauma. A sensação de plenitude auricular, semelhante a ter água no ouvido ou algo obstruindo, também é um sintoma comum. Pode ocorrer zumbido e tontura, e em casos mais graves, sangramento pelo ouvido. Além disso, é comum a perda auditiva temporária. Este sintoma persiste até que a pressão no ouvido médio seja equalizada.[1]

O diagnóstico é realizado pelo médico otorrinolaringologista por meio de avaliação clínica e exame físico, podendo incluir exames adicionais, para auxiliar no processo do diagnóstico ou de exclusão de outras possíveis causas.

Inicialmente é realizada entrevista ou anamnese com o paciente, incluindo perguntas sobre a história médica, exposição de mudança de pressão atmosférica, como viagem de avião e mergulhos.

Em seguida é feito o exame físico com otoscópio para identificar possíveis sinais de barotrauma, como vermelhidão e inchaço na membrana timpânica. Além disso, pode também ser solicitada uma audiometria, para verificar como está a audição do paciente e timpanometria para verificar a mobilidade da membrana timpânica e a pressão no ouvido médio. [4]

 
Perfuração da membrana timpânica

Na literatura é possível encontrar a Escala de Edmonds utilizada para classificar a gravidade do barotrauma do ouvido médio. Foi desenvolvida pelo Dr. Edmonds e Dr. Michael Tancred, passando ao longo dos anos por diversas alterações. Apesar disso, ainda é utilizada por diversos pesquisadores que estudam sobre o tema. [4]

  • Grau 0: barotrauma leve, com sintomas mas sem sinais de lesão.
  • Grau I: abaulamento da membrana timpânica.
  • Grau II: abaulamento com pontos hemorrágicos na membrana timpânica.
  • Grau III: hemorragia difusa na membrana timpanica.
  • Grau IV: hemotímpano.
  • Grau V: perfuração da membrana timpânica. [5][6]

Existem outras escalas para classificação do barotrauma do ouvido médio. [4]

Referências

  1. a b c d Trueva, Martim Afonso Mata Caires Sainz (2017). «Barotrauma médio nos tripulantes da aviação civil». Consultado em 26 de abril de 2023 
  2. a b «Barotrauma do Ouvido Médio no Mergulho - ProQuest». www.proquest.com. Consultado em 26 de abril de 2023 
  3. «Barotraumatismo e Fatores Humanos Envolvidos nos Acidentes - ProQuest». www.proquest.com. Consultado em 4 de maio de 2023 
  4. a b c ONeill, Owen J.; Brett, Kaighley; Frank, Anthony J. (2023). «Middle Ear Barotrauma». Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. PMID 29763026. Consultado em 14 de maio de 2023 
  5. «BJORL - Brazilian Journal of Otorhinolaryngology». oldfiles.bjorl.org. Consultado em 14 de maio de 2023 
  6. Edmonds, Carl; Lowry, Christopher; Pennefather, John; Walker, Robyn (1 de agosto de 2001). «Diving and Subaquatic Medicine, Fourth edition». doi:10.1201/b15307. Consultado em 4 de maio de 2023