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Batalha de Hiélio e Limoquir

Batalha de Hiélio e Limoquir
Guerras bizantino-seljúcidas
Data 1177
Local Vale do Meandro, Ásia Menor
Desfecho Vitória bizantina
Beligerantes
Império Bizantino Império Seljúcida Império Seljúcida
Comandantes
Império Bizantino João Comneno Vatatzes Império Seljúcida Atabegue Atapaco
Forças
Desconhecida 20 000-24 000 homens[1][2]
Baixas
Desconhecidas Desconhecidas (pesadas)

A Batalha de Hiélio e Limoquir (em grego: Hyelion e Leimocheir) foi uma emboscada preparada pelo exército bizantino num vau do rio Meandro que destruiu completamente um exército dos turcos seljúcidas que vinha atacando a região e já havia saqueado diversas cidades bizantinas.

ContextoEditar

Depois da derrota do imperador bizantino Manuel I Comneno na Batalha de Miriocéfalo em 1176, os bizantinos não conseguiram implementar todas as condições que lhes foram impostas, principalmente a destruição das fortalezas fronteiriças, uma exigência que o sultão seljúcida Quilije Arslam II havia imposto como pré-requisito para o fim da guerra.[3] Um substancial exército de cavalaria turco que incluía forças auxiliares formadas por nômades turcomanos foi enviado para atacar o território bizantino na região do vale do Meandro, na Anatólia Ocidental, numa campanha punitiva. Os bizantinos enviaram um exército liderado pelo general João Comneno Vatatzes, o sobrinho do imperador, para interceptá-lo.[4] Vatatzes recebeu dois outros generais como subordinados, Constantino Ducas e Miguel Aspieta, e conseguiu alguns reforços conforme seu exército marchava em direção aos invasores.[5]

BatalhaEditar

A data exata da batalha é desconhecida, mas acredita-se que tenha ocorrido no ano de 1177 com base no ponto do texto de Nicetas Coniates em que ela aparece.

Os turcos, que tinham ordens de arrasar a região do vale do Meandro até a costa do mar Egeu, saquearam os assentamentos bizantinos de Trales, Antioquia, Luma e Pantaquir. Por conta disso, eles estavam carregados com espólios, incluindo - poeticamente - água do mar, um remo e areia da praia.[6] Estes fardos reduziram drasticamente a velocidade com que o exército se movia e diminuíram sua mobilidade tática. O comboio já estava retornando para o território turco quando se aproximou de um "gargalo" na marcha onde a grande estrada para o oriente cruzava o rio Meandro numa ponte (provavelmente já arruinada ou decrépita), perto das vilas (ou fortalezas) de Hiélio e Limoquir[7] Os bizantinos haviam se escondido e estavam divididos em dois corpos-de-exército separados pelo rio. Eles pegaram o exército seljúcida numa emboscada justamente quando ele cruzava o rio, destruindo-o.[8]

As tropas leves bizantinas tiveram um importante papel na batalha. Posicionadas em terreno elevado, elas conseguiram fazer "chover flechas" sobre os indefesos seljúcidas, muitos dos quais caíram no rio e morreram afogados.[9] O comandante turco, conhecido como "Atapaco" nas fontes gregas - evidentemente um atabegue -, tentou ajudar suas tropas que cruzavam o rio juntando seus cavaleiros mais bem armados para atacar os bizantinos. Como não teve sucesso, ele tentou então cruzar o rio pela água, montado no seu cavalo. Porém, quando ele alcançou a margem oposta, foi facilmente morto por um soldado alano do exército bizantino.[10] Depois da morte de seu comandante, as tropas seljúcidas fugiram desordenadamente, com um grande número se afogando no rio. Coniates afirma que apenas um punhado, dentre milhares que tentaram, conseguiram escapar. Do lado bizantino, o general Miguel Aspietes acabou se afogando no Meandro quando foi derrubado pelo seu cavalo ferido.[11]

ConsequênciasEditar

A batalha foi uma importante vitória bizantina e sublinhou o quão limitados foram os efeitos da derrota bizantina na Batalha de Miriocéfalo sobre o controle bizantino na Anatólia. A vitória ainda foi seguida por expedições punitivas contra os nômades turcomanos que viviam na região do alto vale do Meandro.[12]

É importante notar que a estratégia bizantina nesta batalha, emboscando um exército atacante em sua viagem de retorno - quando ele já estava carregado de espólios e levando prisioneiros -, é exatamente o que prescrito nos tratados militares bizantinos muito anteriores, como o Tática de Leão VI (r. 886–912).

O imperador Manuel morreu em 1180 e seu filho, Aleixo II Comneno, ainda era menor de idade, o que deixou o governo sob o comando de uma regência. Sem a poderosa presença de Manuel, a vantagem militar bizantina na Anatólia rapidamente se deteriorou. O sultão Quilije Arslam invadiu o império em 1182 quando os bizantinos estavam ocupados com o golpe de estado do primo de Aleixo II, Andrônico Comneno, e, logo depois do cerco de Cotieu, capturou as cidades de Sozópolis e Cotieu.

Referências

  1. Birkenmeier 2002, p. 54.
  2. Finlay & Tozer 1877, p. 157.
  3. Magdalino 1993, p. 99; Choniates & Magoulias 1984, p. 108 (folio 192). Sublaio foi arrasada, mas Dorileia, não.
  4. João Comneno Vatatzes era o filho de Teodoro Vatatzes com a princesa Eudóxia Comnena, uma irmã de Manuel I Comneno
  5. Choniates & Magoulias 1984, pp. 108–109 (folios 192–193); Birkenmeier 2002, p. 196.
  6. Choniates & Magoulias 1984, p. 108 (folio 192). Os itens mais estranhos entre estes espólios foram, sem dúvida, exigências do sultão para provar que suas forças tinha de fato chegado até a costa.
  7. Ramsay 1887, p. 346. Ramsay argumenta que ambas se localizavam nas proximidades de Antioquia-no-Meandro, um dos assentamentos saqueados pelos seljúcidas. Mesmo uma ponte arruinada indicaria um vau, ou ponto de cruzamento mais raso, no rio.
  8. Choniates & Magoulias 1984, pp. 108–109 (folios 192–195); Birkenmeier 2002, pp. 134–135, 196.
  9. Choniates & Magoulias 1984, p. 110 (folio 194).
  10. Birkenmeier 2002, p. 134.
  11. Choniates & Magoulias 1984, pp. 110 (folios 194–195).
  12. Angold 1997, p. 193.

BibliografiaEditar

Fontes primáriasEditar

Fontes secundáriasEditar