Batalha de Quio (201 a.C.)

A Batalha de Quio[1][2] foi a primeira das duas grandes batalhas navais travadas no mar Egeu durante a Guerra Cretense de 205-200 a.C. entre Filipe V, rei da Macedónia e a aliança liderada por Rodes de Pérgamo. Ocorreu ao largo da ilha de Quio em 201 a.C. Apesar da larga superioridade numérica dos macedónios, o confronto terminou com uma derrota destes.

Batalha de Quio (201 a.C.)
Guerra Cretense
Data 201 a.C. (2 222 anos)
Local ao largo da ilha de Quio
Desfecho vitória da aliança ródia
Beligerantes
Macedónia Rodes

Pérgamo

Bizâncio

Cízico

Comandantes
Filipe V Átalo I

Teofilisco

Forças
cerca de 200 navios cerca de 100 navios
Baixas
92 navios afundados

7 navios capturados

9 000 mortos

2 000 presos

Rodes:

  3 navios afundados

  60 mortos

Pérgamo:

  3 navios afundados

  2 navios capturados

  70 mortos

Quio está localizado em: Grécia
Quio
Localização da ilha de Quio no mar Egeu

ContextoEditar

Após o fim da Primeira Guerra Macedónica, Filipe mandou reconstruir a sua marinha de guerra com uma dimensão que pudesse desafiar as frotas de Rodes, Pérgamo e do Egito ptolemaico.[3] O rei macedónio pretendia esmagar a potência naval dominante no Egeu, o seu aliado Rodes{[4] e para isso selou alianças com piratas etólios e espartanos e com algumas cidades-estado poderosas de Creta, nomeadamente Hierapitna e Olunte.

BatalhaEditar

A frota macedónia era numericamente superior à frota aliada inimiga, mas faltava-lhe experiência, pois tinha sido constituída por Filipe apenas uns anos antes da batalha. Isto revelou-se um fator crucial e decisivo.

Durante a batalha, o navio almirante de Filipe V, uma enorme galé birreme or trirreme com dez bancos de remadores, albalroou acidentalmente num dos seus próprios navios quando este se desviou da rota, atravessando-se na do navio do rei macedónio. O timoneiro não foi capaz de evitar o choque que provocou estragos na zona dos remadores, acima da linha de água e prendeu os dois navios. Tendo ficado imbilizado, o navio tornou-se uma presa fácil para os inimigos, que o albalroaram abaixo da linha de água em ambos os lados.

A batalha parecia estar a correr mal para Filipe quando Átalo tentou evitar que um dos seus navios fosse afundado e foi arrastado para a costa. Filipe capturou o navio de Átalo e rebocou-o de volta pelo meio da batalha, o que levou a que a frota pergamena pensasse que o seu rei tinha morrido e se retirasse. A acalmia resultante da dessa retirada foi aproveitada pelos macedónios para fugir aos ródios vitoriosos.

RescaldoEditar

As perdas sofridas por Filipe em Quio constituiu um duro golpe no poder naval macedónio, a ponto da marinha macedónia ter tido um papel pouco importante na Segunda Guerra Macedónica.

Átalo desembarcou e fugiu por terra, só tendo escapado a ficar cativo por ter deixado a bordo as suas imensas riquezas, o que distraiu os perseguidores macedónios o tempo suficiente para ele se por em fuga.

O almirante vitorioso Teofilisco viria a morrer devido aos ferimentos sofridos durante a batalha.

Notas e referênciasEditar

  1. Fernandes 1941, p. 73.
  2. Torres 1961, p. 209.
  3. Green 1993, p. 305.
  4. Detorakis 1994, p. 305.

BibliografiaEditar

  • Fernandes, Ivo Xavier (1941). Topónimos e gentílicos Vol. I. Lisboa: Editôra Educação Nacional 
  • Tôrres, Artur de Almeida; Jota, Zélio dos Santos (1961). Vocabulário ortográfico de nomes próprios. Gávea, Rio de Janeiro: Editôra Fundo de Cultura 


  • Políbio; Walbank, Frank W. (tradutor) (1979), The Rise of the Roman Empire, ISBN 978-0-14-044318-9 (em inglês), Nova Iorque: Penguin Classics 
  • Detorakis, Theocharis (1994), A History of Crete, ISBN 978-960-220-712-3 (em inglês), Heraclião 
  • Green, Peter (1993), Alexander to Actium: The Historical Evolution of the Hellenistic Age, ISBN 0-500-01485-X (em inglês), University of California Press