Bnei Noah

B'nei Noach (do hebraico בני נח, "Filhos de Noé"), Noaicos ou Noachid é crença judaico-ortodoxa (com maior força entre os ultra-ortodoxos Azquenazi) da tradição monoteísta que segue os princípios estabelecidos nas Sete Leis de Noé.[1] Tecnicamente o termo Ben Noach designa todos os descendentes de Noé, portanto toda a população mundial pós-dilúvio, mas utiliza-se hoje especificamente em relação aos não-judeus que obedecem a estes princípios. De acordo com a tradição judaica os não-judeus não são obrigados a se converter ao judaísmo, mas requer-se que sigam as sete Leis de Noé.

Origens e definiçõesEditar

De acordo com a tradição judaica, todos os seres humanos são descendentes diretos de Noé e dos filhos deste[2], os sobreviventes do Dilúvio Universal (conforme visto em Gênesis). Estes sobreviveram através da instrução do Criador, tendo construído uma arca para refúgio, enquanto o restante da humanidade foi exterminada. Ao saírem da arca, o Criador estabeleceu com Noé e seus filhos uma aliança que envolvia, de acordo com o Talmud, a observância de sete leis básicas conhecidas como Leis de Noé, obrigatórias à toda humanidade. Posteriormente, Deus separou os judeus como povo sacerdotal e guardião da Torá, e por isso mesmo sujeitos a outros mandamentos além das Sete Leis de Noé[3].

As Sete Leis de NoachEditar

 Ver artigo principal: Leis de Noé

Estas são as Sete Leis de Noé:

  1. Avodah zarah – Não cometer idolatria: Proíbe a adoração de qualquer ser humano ou criatura (Ver significado de "Adoração" segundo o Judaísmo). Também é proibida a fabricação de ídolos. (Para compreender melhor essa e as outras leis, consulte as fontes Judaicas e então terá o discernimento necessário sobre o conceito de Deus de Israel e Sua Natureza).
  2. Shefichat damim - Não assassinar: Proíbe o assassinato e suicídio. Causar danos ao próximo também é proibido. (Exceto se for uma reação justa).
  3. Gezel - Não roubar: Proíbe a obtenção indevida de qualquer bem de um terceiro.
  4. Gilui arayot - Não cometer imoralidades sexuais: Proíbe o adultério, incesto, homossexualismo e bestialidade, de acordo com as definições da Torá.
  5. Birkat Hashem - Não blasfemar: Proíbe dirigir uma maldição ao Ser Supremo. (Assim como proíbe fazer promessas a HaShem (D-us) que não serão cumpridas, as que serão cumpridas são permitidas).
  6. Ever min ha-chai - Não maltratar aos animais: Promove o bom trato de toda vida animal. Além disso, incentiva a apreciação por todos os tipos de seres vivos e o respeito pela natureza como criação de Deus. (Não consumir o sangue do animal nem qualquer parte do mesmo estando o animal em si ainda vivo, por exemplo os testículos após a castração e fazer uma abate correto e rápido desferindo o mínimo de sofrimento ao animal quando necessario abatê-lo para consumo ou diante de problemas irreversíveis com exceção da auto-defesa caso necessário).
  7. Dinim - Estabelecer sistemas e leis de honestidade e justiça: A obrigação de exigir e trabalhar para que sejam feitos julgamentos justos pelas cortes do país, estado, cidade, assim como por parte das autoridades. (Desde que sejam estes, Bnei Noach) assim como observar em todas suas própria ações a Honestidade e a Justiça. (Originalmente há uma recomendação para que seja estabelecida uma corte própria selecionada pelo Tribunal Rabínico para julgar entre os Bnei Noach).


Lembrando que os filhos de Noé foram mencionados, explicitamente, na tradição judaica rabínica denominada de Talmud ou Lei Oral, e por Maimônides; e na Torá em Génesis 9. A interpretação das sete leis de Noé é de competência do respectivo Beit Din. A guarda e observância do sábado (shabat) não está incluída nas Leis de Noé, pois esse mandamento foi dado exclusivamente aos filhos de Israel segundo a carne. Todas as dúvidas devem ser esclarecidas por um rabino devidamente ordenado de acordo com a Halachá.

A guarda do sábadoEditar

Por que o noachid não pode guardar shabat? Porque, na verdade, ele é um pacto entre Deus e o povo judeu. Há uma canção na liturgia judaica de sexta-feira à noite que diz:

“Bo’i kalá, bo’i kalá, Lechá dodi licrat kalá, penê Shabat necabelá”, que significa “Vem, minha noiva; vem, minha noiva (…)”. O shabat é a noiva do povo judeu. Você pode até conhecer a noiva do seu amigo; mas você não pode ter um relacionamento muito íntimo com ela. Semelhantemente a isso seria se um Ben Noach guardasse o shabat. Seria como se alguém tivesse um relacionamento profundo com a noiva de outra pessoa! Guardar o shabat significa se abster de 39 preceitos proibitivos que um judeu deve observar ao longo do shabat, por motivos religiosos. Quer dizer, no shabat um Ben Noach pode cozinhar, esquentar comida no micro-ondas, tomar um banho quente, ou mesmo trabalhar. Ele não pode se abster de tais coisas por motivos religiosos. Isso seria pecado!

Porém o noichid pode “honrar” o shabat. E como se “honra” o sétimo dia? Ele pode previamente tomar um banho em homenagem ao shabat, reunir a família, fazer o kidush (não o completo do sidur judaico, mas como está escrito no Sidur Bnei Noach) e a havdalá. Nesse dia o BN deve se lembrar de que D-us criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo e de que o mundo não surgiu do nada, pois existe um Criador. Portanto, “honrar” o shabat é sim muito positivo para um Ben Noach! (Carece de Fontes).

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. Unterman, Alan (1992). Dicionário Judaico de Lendas e Tradições. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. 193. ISBN 85-7110-243-0  278 pp.
  2. «Dvar Torah – Israel perto de você». dvartorahisrael.com. Consultado em 4 de junho de 2018 
  3. «Bnei Noach». www.bneinoach.com.br. Consultado em 4 de junho de 2018 
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