Caça às bruxas

procura por bruxas ou evidências de bruxaria, muitas vezes envolvendo pânico moral ou histeria em massa
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o período histórico. Para o filme com Nicolas Cage, veja Season of the Witch.

A caça às bruxas é um movimento de perseguição religiosa, política e social [1][2] cujo período clássico foi iniciado no século XV, atingindo seu apogeu nos séculos XVI a XVIII, principalmente na Alemanha, Escandinávia, Inglaterra, Escócia, Suíça e, em menor escala na Polônia, Rússia, Finlândia, Islândia, Irlanda, França, Portugal, Itália, Áustria e Império Espanhol, e resultando em cerca de trinta e cinco mil a cinquenta mil execuções. O livro mais expressivo sobre o assunto é o "Martelo das Feiticeiras" (do latim: Malleus Maleficarum) de 1487.

Morte na fogueira de três "bruxas" em Baden, na Suíça (1585), por Johann Jakob Wick

Atualmente, o termo “caça às bruxas” se refere a qualquer investigação geralmente conduzida com muita publicidade, supostamente com o objetivo de revelar atividade subversiva, deslealdade ou corrupção, mas que busca enfraquecer a oposição política.

Em algumas regiões da África subsariana, no norte da Índia e na Papua Nova Guiné, foram noticiadas caçadas às bruxas contemporâneas, e legislação oficial contra a bruxaria ainda hoje se encontra na Arábia Saudita [3] e nos Camarões.[carece de fontes?]

Relação da sociedade com a bruxaria ao longo da HistóriaEditar

Antiguidade 4000 a.C - 476Editar

O castigo contra feiticeiros maléficos já existia em muitas sociedades antigas, leis antifeitiçaria apareciam nos primeiros códigos legais preservados. Tanto no Egito como na Babilônia, desempenhou um papel conspícuo. O código de Hamurabi, de cerca do ano 1772 a.C., prescreve que:

"Se um homem acusar outro homem de prática de bruxaria e não o provar, aquele sobre quem a acusação foi lançada deve submeter-se à divina ordália no rio (...). Se se afogar, o acusador tomará posse de sua casa; se o rio o declarar inocente, o acusador será morto e aquele que se submeteu à ordália deve tomar posse total da sua casa"[4][5]

A Bíblia hebraica condenava a feitiçaria. Deuteronômio 18:10-12 declara "Não permitam que se ache alguém no meio de vocês que queime em sacrifício o seu filho ou a sua filha; que pratique adivinhação, ou se dedique à magia, ou faça presságios, ou pratique feitiçaria, ou faça encantamentos; que seja médium, consulte os espíritos ou consulte os mortos.O Senhor tem repugnância por quem pratica essas coisas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, o vosso Deus, vai expulsar aquelas nações da presença de vocês. [6] E Êxodo 22:18 prescreve "A Feiticeira não deixarás viver" [7]; episódios como o do Primeiro Livro de Samuel 28, relatam como Saul tinha expulsado do país os mediuns e os espíritas.[8]

Em 451 a.C., as Doze Tábuas do direito romano tinham provisões contra encantamentos e feitiços mal intencionados que podiam danificar culturas de cereais.[9] Em 331 a.C., 170 pessoas teriam sido executadas por possível bruxaria após uma doença epidêmica desconhecida ter atingido a Itália Central, embora todo o episódio seja posto em dúvida.[10]

Em 186 a.C., o senado romano emitiu um decreto restringindo severamente as celebrações a Dioniso, deus do vinho.[11] Magia, adivinhação, e cultos estrangeiros foram associados a traição, e alegadamente cinco mil pessoas executadas por usarem feitiçaria. Posteriormente, o Estado romano expulsou e executou periódicamente astrólogos e feiticeiros, e vários dos primeiros imperadores proibiram práticas divinatórias que poderiam alimentar conspirações contra si.[12]

Em 81 a.C., o cônsul romano Sula promulgou a lei Lex Cornelia de sicariis et veneficis, que proibia o comércio e posse de drogas nocivas, venenos, livros mágicos e outras parafernálias ocultistas. Estrabão, Caio Cílnio Mecenas, Dião Cássio e muitos outros confirmaram a tradicional oposição dos antigos contra a bruxaria e adivinhação.[13][14] Nessa mesma época, um clérigo israelita chamado Semeon ben Shetach condenou a morte 80 mulheres que haviam sido acusadas de bruxaria em um único dia na cidade de Ascalão. Mais tarde, os parentes das mulheres se vingaram trazendo falsas testemunhas contra o filho de Semeão, fazendo com que ele fosse executado. Nesse tempo, esse tipo de situação já ocorria.[carece de fontes?]

O historiador Suetônio refere que o Imperador Augusto mandou queimar publicamente mais de 2 mil livros de bruxaria, escritos em latim e grego, que confiscou em Roma no ano 31 a.C.[15] O imperador Constantino, decretou entre 317-319 leis de combate a bruxaria, lei que depois foi incorporada no código do imperador Teodósio: "Esses homens que praticam a magia e dos quais se tenha demonstrado que conspiraram contra a segurança dos indivíduos, ou que transformaram em seres lúbricos espíritos até então virtuosos, serão castigados e corrigidos como merecem pelas mais severas leis".[16] Em 354 da era cristã, enquanto Tiberius Claudius era imperador, 45 homens e 85 mulheres, todos suspeitos de feitiçaria, foram executados.[17]

A caça às bruxas continuou até o final do século IV (301 - 400), quando o católicismo se tornou religião oficial do Império Romano na década de 390's. O desejo da Igreja Católica de inibir a caçada de bruxas aparece nos concílios de Elvira (306) e Ancira (314), que impuseram certas penitencias eclesiásticas suaves.[18]

Idade Média arcaica 476 - 800Editar

Esse ceticismo ficou explicito nos decretos de Trullo em 692 e Paderborn em 785 que proibia as pessoas de dedurar bruxas e condenou à morte aqueles que pensavam em queimar bruxas. O código Lombardo de 643 dizia:

"Que ninguém pretenda matar alguém ou uma estrangeira como bruxa, pois não é possivel, nem deve ser acreditado por mentes cristãs"[19]

O Concílio de Frankfurt em 794, convocado por Carlos Magno, também foi muito explícito ao condenar a perseguição de supostas bruxas, chamando a crença na bruxaria "supersticiosa" e ordenando a pena de morte para aqueles que presumiam queimar bruxas.[20] Outros exemplos incluem um sínodo irlandês em 800,[21] e um sermão de Agobard de Lyon (810).[22]

Alta Idade Média 800 - 1200Editar

 
De Lamiis et Pythonicis Mulieribus, de Ulrich Molitor, foi publicado em 1489. A posição de Molitor é a mesma da antiga lei católica, o Canon Episcopi (de 906), que considerava a feitiçaria uma ilusão.[23]

Durante a Alta Idade Média, o ceticismo em relação às bruxas aumentou. No ano 906, século X (901 - 1000), uma lei canônica da Igreja, o Canon Episcopi, afirmava que é heresia acreditar em bruxas e bruxarias e que essa crença popular era comportamento pagão.[carece de fontes?]

O rei Kálmán (Colomano) da Hungria, no Decreto 57 de seu Primeiro Livro Legislativo (publicado em 1100), proibiu a caça às bruxas e disse: "as bruxas não existem".[24]

O "Decretum" de Burcardo, Bispo de Worms (1020), especialmente o seu 19º livro, é outro trabalho de grande importância. Burchard estava escrevendo contra a crença em poções mágicas, como por exemplo, que podia provocar impotência ou aborto. [carece de fontes?]Este também foi condenado por vários Padres da Igreja.[25] Mas ele rejeitou também a possibilidade de muitos outros poderes alegados das bruxas. Tais, por exemplo, voar com uma vassoura mágica nas noites de sábado, mudar a disposição de uma pessoa do amor para o ódio em relação a outra pessoa, o controle do trovão, da chuva e do sol, a transformação de pessoas em animais, a relação sexual de íncubos e súcubus com seres humanos e entre outros. Não só a tentativa de praticar tais coisas, mas a própria crença em sua possibilidade, é tratada por Burcardo como falsa e supersticiosa.[carece de fontes?]

O papa Gregório VII, em 1080, escreveu ao rei Haroldo III da Dinamarca, proibindo que as bruxas fossem mortas por presunção de terem causado tempestades, fracassos de colheitas ou pestilências. Em muitas ocasiões, os eclesiásticos usaram a sua autoridade para desenganar o povo da sua crença supersticiosa na bruxaria.[carece de fontes?]

A partir de então, mulheres que praticavam curandeirismo e benzedorismo passaram a ser uma das figuras mais respeitadas na sociedade Medieval, principalmente nas áreas rurais, chamadas de “mulheres sábias” em todo o continente europeu. Eram geralmente viúvas ou solteiras, com enorme conhecimento de ervas medicinais. Embora fossem pessoas miseráveis, tinham grande prestígio social, pois serviam como faz-tudo: parteiras, adivinhas, terapeutas, enfermeiras, médicas e entre outros.[carece de fontes?]

Por outro lado, pessoas que praticavam magia negra, góetica, enoquiana e outros, também aproveitaram essa época dourada e tolerante para as praticas mágicas e ocultismo. Fazendo valer seus caprichos, amaldiçoando inimigos e enfeitiçando amantes.[carece de fontes?]

Baixa Idade Média 1200 - 1500Editar

 Ver artigo principal: Inquisição
 
Os períodos de fome e peste do século XIV disseminaram a ideia de que pessoas conspiravam contra os reinos cristãos.

As atitudes de relativa tolerância da Igreja foram-se modificando gradualmente durante os séculos XII e XIII. Já Tomás de Aquino, na Summa Theologiae, argumentava que os demónios poderiam assumir uma forma física, e ter relações sexuais com humanos. Segundo Aquino, os demónios femininos recolhiam o sémen dos humanos e mais tarde, já como íncubos, poderiam fecundar as mulheres com ele.[26][27]

Em 1230, a Inquisição Episcopal (1184 - 1230) é substituída pela Inquisição Papal. Eram tribunais eclesiásticos para identificar hereges, oficializados em 1233. Nesta data, o Papa Gregório IX publica a primeira bula da história contra a feitiçaria, Vox in Rama, que afirma como real a presença do Diabo em cerimónias secretas, onde podia assumir a forma de diversos animais, entre eles um gato preto a que os "devotos" beijavam o ânus, e encomenda pela primeira vez os dominicanos como inquisidores em Regensburg.[28][29]

A Igreja Católica acusava frequentemente as heresias ou rebeliões nascentes de adoração de demónios e rituais mágicos. No episódio pouco conhecido da Cruzada de Stedinger, em 1233, o que foi uma revolta camponesa contra impostos e apropriação de terras foi esmagada com milhares de mortes; os revoltosos foram acusados de realizar orgias e venerar demónios.[30][31] Também os Cátaros, massacrados na Cruzada Albigense, (1209-1244), foram acusados pelos ortodoxos de profanação da cruz e dos sacramentos, canibalismo, convenções secretas durante a noite, renúncia formal a Cristo, e orgias sexuais. [32]

Em 1307, a Igreja acusou de heresia a Ordem dos Templários. Entre as acusações estavam heresia, bruxaria, adoração do diabo, e homossexualismo, "provadas" por meio de torturas severas.[33]

Na França, em 1317, o bispo Hugues Géraud, foi executado por usar a feitiçaria na tentativa de matar o papa João XXII. Em 1326 (ou 1327), esse mesmo papa emitiu a bula Super Illius Specula, a partir da qual a bruxaria passou ao rol de heresia já que, de acordo com as teorias correntes, implicava pactos demoníacos e infidelidade à fé cristã.[34]

Em 1324 o bispo de Ossory (Irlanda) Richard de Ledrede acusou Alice Kyteler, e várias pessoas associadas, de heresia e feitiçaria. Sob tortura, a serva de Alice, Petronilla de Meath, que seria queimada na fogueira alguns meses depois, confirmou que A. Kyteler mantinha relações sexuais com um demónio, um incubus.[35]

No ano de 1329. em Carcassonne, Peter Recordi, um monge carmelita, foi condenado pela Inquisição por ter feito imagens com cera, sangue de sapos, e saliva, consagrando-as ao Diabo e escondendo-as nas casas de mulheres com quem pretendia ter relações sexuais. Seria também acusado de ter chamado Satanás em pessoa e sacrificar-lhe... uma borboleta.[36]

Em 1376, é publicado o livro Directorium inquisitorum (ou Manual do Inquisidor) pelo teólogo e inquisidor catalão Nicolas Eymerich, que, entre outra heresias, definiu a bruxaria e descreveu os meios para descobrir e reconhecer as bruxas, assim como extrair confissões por meio de tortura. Em 1398, a universidade de Paris declarou que o pacto demoníaco não precisava de nenhum documento assinado, pois o simples ato de convocar um demônio constituiu um pacto implícito.[carece de fontes?]

 
Joana d'Arc (Gravura de 1903 por Albert Lynch)

Talvez o julgamento de bruxa mais notório da história tenha sido o julgamento de Joana d'Arc em 1431. Embora o julgamento tenha sido politicamente motivado e o veredito posteriormente anulado, a posição de Joana como mulher e bruxa acusada tornou-se um fator significativo em sua execução. A punição de ser queimada viva (as vítimas geralmente eram estranguladas antes de serem queimadas) era reservada apenas para bruxas e hereges, implicando que um corpo queimado não poderia ser ressuscitado no Dia do Juízo Final.[37]

Entre os anos 1376 e 1435, o ritmo de julgamentos aumentou de modo significativo, [38]e entre os anos 1436 e 1500, o número de julgamentos por bruxaria na Europa foi, em média três vezes maior do que no período 1376 - 1435. [39]

Entre 1435 e 1437, o teólogo alemão Johannes Nider escreveu um tratado em forma de diálogo, o Formicarius que só foi publicado pela primeira vez em 1475. Dizia que a feitiçaria era a obra de uma seita organizada de pessoas dos dois sexos participando de mortes rituais e canibalismo.[39] Segundo Nider, as mulheres sendo inferiores aos homens físicamente, mentalmente e espiritualmente, eram por isso seduzidas mais fácilmente por Satanás. [40]

 
Malleus Maleficarum (ou o Martelo das Feiticeiras), de Heinrich Kramer (Capa da sétima edição em Colónia em 1520)

Por intermédio da bula Summis desiderantes affectibus de 5 de dezembro de 1484, o papa Inocêncio VIII reconheceu a existência da bruxaria, e deu aprovação para que a Inquisição procedesse "corrigindo, aprisionando, punindo e castigando" os bruxos. [41]

Em 1487 foi lançado o livro Malleus Maleficarum, pelos inquisidores Heinrich Kraemer e James Sprenger. Com 28 edições esse volumoso manual define as práticas consideradas demoníacas. A maioria das citações no Malleus vêm de várias obras de Tomás de Aquino; o Formicarius de Johannes Nider é a fonte importante para a sua Seção II , e o Directorium Inquisitorum do inquisidor Nicholas Eymerich é uma fonte crucial para a Seção III.[42]

A obra de Kraemer, "um catálogo de sadismo e perversão", conclui que as feiticeiras são sempre mulheres, fruto da sua fraca inteligência e credulidade. Já os homens, mais fortes e inteligentes, estão mais aptos a abominar a feitiçaria.[43] As mulheres eram poços de sexualidade: "Tudo nelas é governado pela luxúria carnal, que nelas é insaciável ..." — diz Kraemer . "Bendito seja o Senhor Supremo que até hoje, preservou o macho deste tipo de comportamento tão vergonhoso, e tornou o homem claramente privilegiado, uma vez que Ele desejou nascer e sofrer em nosso nome, sob o disfarce de um homem."[44]

O livro tornou-se uma espécie de compêndio sobre caça às bruxas e vai ter grande influência do outro lado do Atlântico no século XVII (1601 - 1700) sobre as comunidades puritanas nos Estados Unidos, tendo sido utilizado no famoso caso das bruxas de Salém. Com a popularização do Malleus Maleficarum depois do ano 1500, o número de julgamentos e execuções aumenta vertiginosamente.

Idade Moderna 1500 - 1800Editar

A partir de 1517, iniciou-se a reforma protestante e a perseguição continuou pois os reformadores aceitavam também as ideias expostas no "Martelo das Feiticeiras".[carece de fontes?]

 
Queima de uma bruxa na fogueira na localidade de Willisau, Suíça (em 1447)

A caça às Bruxas na era moderna que varreu o centro e norte da Europa, aconteceu em um mundo sacudido pela reforma protestante, assolado pelas guerras religiosas e políticas e fustigada pela fome e pela doença. Esse é o período mais sanguinário da história, que atingiu tanto terras católicas como protestantes e ocorreu principalmente entre os anos 1550 e 1700.[carece de fontes?]

O conceito de "bruxa" passou a ser bem mais amplo. Curandeiras e benzedeiras passaram a ser alvo fácil, já que as autoridades não viam mais distinção entre bruxas/feiticeiras, curandeiras e benzedeiras. Passou a ser difícil distinguir suas especificidades, pois todas estavam ligadas a magia e ao uso de ervas medicinais. Até o final da Idade Média, essa diferenciação estava bem clara, pois acreditavam que as bruxas enviavam o mal, enquanto as curandeiras o sanavam. Na Idade Moderna, no entanto, essa diferença desapareceu e milhares de pessoas inocentes foram torturadas e mortas. Muitas pessoas foram julgadas e mortas por denúncias de vizinhos invejosos que viam os outros prosperarem frente ao colonialismo e ao mercantilismo, enriquecer era perigoso. Em alguns casos, também se verificou alegações falsas de prática de bruxaria e de estar possuído pelo demônio, com o fim de se apropriar ilicitamente de bens alheios ou como uma forma de vingança.[carece de fontes?]

A partir da década de 1660's, os julgamentos começaram a diminuir graças a expansão do Iluminismo que nasceu no início dos anos 1600's. Em alguns países como a Polônia, o auge da caçada foi entre 1670 e 1730 (século XVIII). A Inglaterra foi o país com maior porcentagem de mulheres entre os executados, mais do que em qualquer outro país: 90%[45] Segundo estimativas recentes entre 500 e 1.000 pessoas foram executadas por bruxaria na Inglaterra.[45]

Estudiosos estimam que entre 40 e 60 mil pessoas foram executadas como "bruxas". As elites deixaram de acreditar em bruxaria com o Iluminismo, mas continuou fazendo parte da cultura popular e uma parcela da população continuou temendo as bruxas. Linchamentos de suspeitos de feitiçaria passaram a ser comum a partir de 1750 e houve casos de perseguição até meados do século XIX (1801 - 1900).[carece de fontes?]

Na SuéciaEditar

 Ver artigo principal: Caça às bruxas na Suécia

As perseguições às bruxas na Suécia (häxprocesser) foram relativamente reduzidas, tendo sido efetuadas principalmente no período de 8 anos, entre 1668 e 1676. [46][47]

Novas versões históricasEditar

A partir de 1970 uma mudança considerável ocorreu no estudo da caça às bruxas européia, com a tentativa de "filtrar" e fato político da perseguição a seitas religiosas. Os historiadores passaram a se deter aos registros históricos dos julgamentos, deixando de lado fontes não oficiais sobre o tema. Essa metodologia trouxe mudanças significativas na visão acadêmica sobre o tema, sugerindo-se agora, por exemplo, que o número de vítimas fatais não seria superior a 100 mil pessoas, enquanto antes, considerando-se os relatos não oficiais, as estimativas escalariam a casa de nove milhões. É, todavia, postulado pela própria academia que na época da Inquisição Espanhola a Igreja perdeu o controle sobre o que veio a se tornar uma verdadeira histeria coletiva, com julgamentos e execuções realizadas à sua revelia por comunidades locais.[carece de fontes?]

Em função desta revisão histórica, passaram a ser postuladas as seguintes ideias chave:

A "Caça às Bruxas" na Europa começou no fim da Idade Média e foi uma questão de seitas e conotação de processo religioso - político e social da Idade Moderna. A situação assumiu tamanha dimensão, também devido às populações sofrerem frequentemente de maus anos agrícolas e de epidemias, resultando elevada taxa de mortalidade, e dominadas pela superstição e pelo medo. A maior parte das vítimas foram julgadas e executadas entre 1580 e 1660. [carece de fontes?]

Em alguns casos, também verificou-se alegações falsas de prática de "bruxaria" e de estar "possuído pelo demônio", com o fim de se apropriar ilicitamente de bens alheios ou como uma forma de vingança.[48]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Pavlac, Brian A. (2009). Witch hunts in the western world : persecution and punishment from the inquisition through the Salem trials. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. p. 4 
  2. F. Madden, Thomas (18 de Junho de 2004). «The Real Inquisition Investigating the popular myth.». National Review. National Review Magazine. Consultado em 27 de Março de 2018 
  3. «Precarious Justice: Arbitrary Detention and Unfair Trials in the Deficient Criminal Justice System of Saudi Arabia». Human Rights Watch (em inglês). 24 de março de 2008 
  4. «Catholic Encyclopedia: Witchcraft». New Advent. Consultado em 28 de Dezembro de 2022 
  5. Roth, Martha T. (1995). Law collections from Mesopotamia and Asia Minor. [S.l.]: Society of Biblical literature. p. 81 
  6. «Deuteronômio 18:10-12». Bíblia Sagrada Online. Consultado em 28 de dezembro de 2022 
  7. «Exodus 22:18». Bible Hub. Consultado em 28 de dezembro de 2022 
  8. «1 Samuel 28». Bible Gateway (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2022 
  9. Cartwright, Mark (11 de Abril de 2016). «Twelve Tables». World History Encyclopedia (em inglês) 
  10. Lister, Edith (16 de dezembro de 2018). «The Roman mass poisoning of 331 BC». The History Room (em inglês) 
  11. Livy. History of Rome, Book XXXIX. [S.l.: s.n.] 
  12. Bailey, Michael David; Durrant, Jonathan (2012). Historical Dictionary of Witchcraft ( 2nd edition). [S.l.]: Scarecrow Press. pp. 121–122 
  13. The Life of Augustus, by Suetonius
  14. Garnsey, Peter; Saller, Richard P. (1987). The Roman Empire: Economy, Society, and Culture. Berkeley and Los Angeles, California: University of California Press. pp. 168–174. ISBN 0-520-06067-9 
  15. Suetônio, Vita Augusti, XXXI.
  16. Teodósio, Codex Theodosiamus, 9,16,3.
  17. Ogden, Daniel (2002). Magic, Witchcraft, and Ghosts in the Greek and Roman Worlds: A Sourcebook. Oxford, United Kingdom: Oxford University Press. 283 páginas. ISBN 0-19-513575-X 
  18. Behringer, Wolfgang (2004). Witches and Witch-Hunts: A Global History. [S.l.]: Polity Press. pp. 48–50. ISBN 074562717X 
  19. Hutton, Ronald (1991). The Pagan Religions of theAncient British Isles. [S.l.]: Blackwell. p. 257 
  20. "A capitulary of Charlemagne (747–814) for the Saxons in 787 imposed the death penalty on those who, like pagans, believed that a man or woman could be a striga, one who devours humans, and burned them.", Behringer, "Witches and Witch-hunts: a Global History", p. 30 (2004). Wiley-Blackwell
  21. "Likewise, an Irish synod at around 800 condemned the belief in witches, and in particular those who slandered people for being lamias (que interpretatur striga).", Behringer, "Witches and Witch-hunts: a Global History", pp. 30–31 (2004). Wiley-Blackwell.
  22. "A Crown witness of 'Carolingian skepticism', Archbishop Agobard of Lyon (769–840), reports witch panics during the reign of Charlemagne. In his sermon on hailstorms he reports frequent lynchings of supposed weather magicians (tempestarii), as well as of sorcerers, who were made responsible for a terrible livestock mortality in 810. According to Agobard, the common people in their fury over crop failure had developed the extravagant idea that foreigners were secretly coming with airships to strip their fields of crops, and transmit it to Magonia. These anxieties resulted in severe aggression, and on one occasion around 816, Agobard could hardly prevent a crowd from killing three foreign men and women, perceived as Magonian people. As their supposed homeland's name suggests, the crop failure was associated with magic. The bishop emphasized that thunderstorms were caused exclusively by natural or divine agencies.", Behringer, "Witches and Witch-hunts: a Global History", pp. 54–55 (2004). Wiley-Blackwell.
  23. Russell, Jeffrey (1972). Witchcraft in the Middle Ages. [S.l.]: Cornell University Press. pp. 75–82 
  24. «Early Christian resistance to witch hunts». Bible Apologetics. 4 de Fevereiro de 2011  "A decree of King Coloman of Hungary (c. 1074–116, r. 1095–1116) against the belief in the existence of strigae (De strigis vero que non sunt, ne ulla questio fiat) suggests that they were thought to be human beings with demonic affiliation: witches.", Behringer, "Witches and Witch-hunts: a Global History", p. 32 (2004). Wiley-Blackwell.
  25. Pacwa, Father Mitch (16 de Fevereiro de 2012). «Abortion, Contraception and the Church Fathers : Despite what some commentators and politicians think, Church teaching on abortion and contraception has remained unchanged.». National Catholic Register 
  26. A. Pitcher, John (1965). Chaucer’s feminine subjects : figures of desire in the “Canterbury tales”. [S.l.]: Palgrave Macmillan. p. 29 
  27. Bailey, Michael (2009). The A to Z of witchcraft. [S.l.]: The Scarecrow Press. Entradas: INCUBI AND SUCCUBI e AQUINAS, THOMAS (ca. 1225–1274) 
  28. Ames, Christine Caldwell (2009). Righteous Persecution : Inquisition, Dominicans, and Christianity in the Middle Ages. [S.l.]: University of Pennsylvania Press. pp. 6, 109 
  29. Russell, Jeffrey Burton (1972). Witchcraft in the Middle Ages. [S.l.]: Cornell University Press. pp. 160–161 
  30. Cassidy-Welch, Megan (2013). «The Stedinger Crusade: War, Remembrance, and Absence in Thirteenth-Century Germany». Viator (44 (2)): 159-174 
  31. Jensen, Carsten Selch (2017). Stedinger Crusades (1233–1234)", em Alan V. Murray (ed.), The Crusades: An Encyclopedia, Vol. 4. [S.l.]: ABC-CLIO. pp. 1121–1122 
  32. Russell 1972, p. 125.
  33. Barber, Malcolm (2006). The trial of the Templars. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 1–4, 202–216 
  34. Pimentel, Helen U. (Janeiro de 2012). «Cultura mágico-supersticiosa, cristianismo e imaginário moderno» (PDF). Universidade Estadual de Maringá. p. 182 
  35. Golden, Richard M. (2006). Encyclopedia of Witchcraft: The Western Tradition. [S.l.]: ABC-CLIO. pp. 613–615 
  36. Russell 1972, p. 186.
  37. Harrison, Kathryn (2014). Joan of Arc a life transfigured. [S.l.]: Doubleday 
  38. Kieckhefer, Richard (1976). European Witch Trials Their Foundations in Popular and Learned Culture, 1300-1500. [S.l.]: University of Califomia Press. pp. 106–147 
  39. a b Nabert, Nathalie (editora) (1996). «Cap.: La genèse médiévale de la chasse aux sorcières ( por Jean-Patrice Boudet)». Le mal et le diable : leurs figures à la fin du Moyen Âge. [S.l.]: Beauchesne Editeur. pp. 42–47 
  40. Bailey, Michael D. (2003). Historical Dictionary of Witchcraft. [S.l.]: The Scarecrow Press. pp. 97–99 
  41. Kramer, Heinrich (1486). Malleus Maleficarum - O Martelo das Feiticeiras. [S.l.]: Editora Rosa dos Tempos. pp. 43–44 
  42. Mackay, Christopher (2009). The hammer of witches : A Complete Translation of the Malleus Maleficarum. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 16–18 
  43. Miles, Rosalind (2001). Who Cooked the Last Supper? The Womens History of the World. [S.l.]: Three Rivers Press. p. 135 
  44. Mackay 2009, p. 170.
  45. a b William E. Burns: Witch Hunts in Europe and America: An Encyclopedia
  46. Thomas Magnusson; Peter A. Sjögren (2004). «Häxprocesser». Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB. p. 68. 654 páginas. ISBN 91-0-010680-1 
  47. Robert de Vries; Carsten Ryytty. «Häxprocesserna» (em sueco). SO-rummet. Consultado em 6 de janeiro de 2016 
  48. MURRAY, Margaret. O Culto das Bruxas na Europa Ocidental: Madras, 2003. - 262 p (ISBN 85-7374-636-X)

BibliografiaEditar

  • Burns, William E. (2003) - Witch Hunts in Europe and America: An Encyclopedia - Greenwood Press
  • Carpzov, Benedict(1635) - Practica Nova Rerum Criminalium Imperialis Saxonica in Tres Partes - Divisão, Wittenberg
  • Kieckhefer, Richard (1976) - European Witch Trials Their Foundations in Popular and Learned Culture, 1300-1500 - University of Califomia Press
  • Kors, Alan Charles (2001) - Witchcraft in Europe, 400-1700: A Documentary History -University of Pennsylvania Press
  • Léa, Henry Charles - A History of the inquisition of the Middle Ages.- Nova Iorque, Happer
  • Mackay, Christopher (2009) - The hammer of witches: A Complete Translation of the Malleus Maleficarum - Cambridge University Press.
  • Miles, Rosalind (2001) - Who Cooked the Last Supper? The Womens History of the World - Three Rivers Press
  • Nabert, Nathalie (1996) - Le mal et le diable : leurs figures à la fin du Moyen Âge - Beauchesne Editeur
  • Russell, Jeffrey (1972) - Witchcraft in the Middle Ages. - Cornell University Press

Ligações externasEditar