Caos (mitologia)

deus grego primordial do universo
Disambig grey.svg Nota: Para o conceito matemático relacionado a sistema dinâmico, veja Teoria do caos.

Caos (em grego: Χάος, transl.: Cháos), na mitologia grega segundo Hesíodo, é o primeiro deus primordial a surgir no universo, portanto a mais velha das formas de consciência divina. A natureza divina de Caos é de difícil entendimento, devido às mudanças que a ideia de "caos" sofreu com o passar das épocas.[1]

Caos
Lotto Capoferri Magnum Chaos.jpg
Magnum Chaos (do latim, "Grande Caos")
Basílica de Santa Maria Maior, Bérgamo, por Giovan Francesco Capoferri, sobre desenho de Lorenzo Lotto
Filho(s) Nix, Érebo, Gaia, Tártaro
Basílica de Santa Maria Maior - Giovan Francesco Capoferri su dis. di lorenzo lotto, tarsia con 'magnum chaos', 1524-31

Seu nome deriva do grego antigo kháos (χάος), que significa "abismo", "vazio" ou "imensidão do espaço", referindo-se ao espaço vazio primordial.[2]

O poeta romano Ovídio foi o primeiro a atribuir a noção de desordem e confusão à divindade Caos.[1] Todavia, Caos seria para os gregos o contrário de Eros. Caos parece ser uma força catabólica, que gera por meio da cisão, assim como os organismos mais primitivos estudados pela biologia, enquanto Eros é uma força de junção e união.

FilhosEditar

Os filhos de Caos nasceram de cisões assim como se reproduzem os seres unicelulares (mitose). Nix (Noite) e Érebo (Escuridão) nasceram a partir de "pedaços" do Caos. E do mesmo modo, os filhos de Nix nasceram de "pedaços" seus; como afirma Hesíodo: sem a união sexual. Portanto a família de Caos se origina de forma assexuada.[3]

Ou seja, na mitologia grega, Caos é "pai-mãe" de Nix e Érebo, e "irmão-irmã" (ou pai-mãe em outas versões) de Gaia, Tártaro e Eros. Em outras versões, Eros era filho de Afrodite.

A natureza e a antítese do CaosEditar

Se Caos gera através da separação e distinção dos elementos, e Eros através da união ou fusão destes, parece mais lógico que a ideia de confusão e de indistinção elemental pertença a Eros. Eros age de tal modo sobre os elementos do Universo, que poderia fundi-los numa confusão inexorável. Assim, seu irmão Anteros, que nasceria do mesmo modo que Gaia, Tártaro e Eros, equilibra sua força unificadora através da repulsa dos elementos.

Caos é, então, uma força antiga e obscura que manifesta a vida por meio da cisão dos elementos. Caos parece ser um deus andrógino, trazendo em si tanto o masculino quanto o feminino. Esta é uma característica comum a todos os deuses criadores em várias mitologias.[carece de fontes?]

É frequente, devido à divulgação das ideias de Ovídio, considerar Caos como uma força sem forma ou aparência.[4] Isso não é de todo uma inverdade. Na pré-história grega, tanto Caos como Eros eram representados como forças sem forma. Eros era representado por uma pedra.[5]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b «Caos». InfoEscola. Consultado em 14 de novembro de 2021 
  2. «χάος». Wikcionário. 9 de novembro de 2017. Consultado em 14 de novembro de 2021 
  3. «Chaos». www.greekmythology.com (em inglês). Consultado em 14 de novembro de 2021 
  4. OVIDIO. (2020). AS METAMORFOSES - OVIDIO. [S.l.]: LEBOOKS EDITORA. OCLC 1195712291 
  5. «Pausanias, Description of Greece, Boeotia, chapter 27, section 1». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 14 de novembro de 2021 

BibliografiaEditar

  • JAA Torrano, Hesíodo. Teogonia: a origem dos Deuses, São Paulo, Iluminuras, 1991.
  • A.E. Pinheiro & J.R. Ferreira, Hesíodo. Teogonia / Trabalhos e Dias, Lisboa, Imprensa Nacional, 2005.
  • Ovídio. As Metamorfoses - Ovídio. Lebooks Editora. 2020.