Carbatina

As carbatinas eram um tipo de calçado, normalmente dotado de sola, constituídas por uma peça de coiro única, que embrulhava o e era fechada, em cima, por um atilho de cordel ou pano que dava a volta ao tornozelo.

Carbatinas de coiro

Na antiguidadeEditar

Este tipo de calçado, pela sua forma de fabrico simples e custo de aquisição módico, tornou-se extremamente popular, na altura do Império Romano, fosse entre romanos, gregos ou mesmo celtas. [1].

Por volta do século II a.C, à medida que as cáligas iam saindo de voga, foram sendo substituídas pelas carbatinas, que eram, por natureza, um tipo de calçado mais módico e de estilo mais à paisana.[2]

Por volta dos finais do séc. IV, a moda no Império já era só usar carbatinas. O Édito Máximo de preços do imperador Diocletiano inclui os preços de cáligas e de carbatinas, ambas sem tachões, para serem usadas por civis -homens, mulheres e crianças. [3]

 
Desenho de campagus da estátua de Marco Aurélio, Museu do Louvre

É possível que a moda das carbatinas tivesse sido trazida pelas legiões, que regressaram de alguma das Campanhas da Gália. Na Gália, eram usadas pelos gauleses uma variedade de carbatinas a que os romanos alcunhavam de gallicae (lit. «as que vêm da Gália; as gaulesas»), distinguiam-se por ser compostas por duas peças de coiro curtido, em vez de uma só. [4]

Com o passar do tempo, estas carbatinas de estilo gaulês trazidas pelos legionários para o seio do Império, vão evoluir e tornar-se mais refinadas. Vão tornar-se naquilo que veio a ser conhecido como as campagus. Um tipo de calçado usado pela classe alta, tingido de cores caras, como o vermelho, reservado para os senadores, e o púrpura, reservado para o imperador. Em todo o caso, nem as gallicae nem as campagus eram calçado para se usar com togas. [5]

Abonações históricasEditar

O termo "Carbatina" surge, por exemplo, no 98.º epigrama do Carmina (um conjunto de poemas) do poeta romano Gaius Valerius Catullus "Ista cum lingua, si usus veniat tibi, possis culos et crepidas lingere carpatinas" (lit. «Com esta língua,se te ocorresse, podias lamber cus, sandálias e carbatinas»).[6]

Xenofonte, também faz menção às carbatinas (karbatíne) na sua obra, "Anábase: A retirada dos 10 mil", «alguns, cujos sapatos se esgarçaram com o uso, fizeram "karbatinai" (palavra no fem. pl.) de coiro de toiro curtido".[7]

Hesíquio de Alexandria também fez menção às carbatinas, descrevendo-as como "calçado de rústicos, feito de uma folha de cabedal ou couro cru". [8]

PosterioridadeEditar

 
Carbatinas polacas do século XIX

Em muitas partes do mundo, as carbatinas continuaram a ser usada durante a Idade Média, até ao séc. XI d.C. e noutros casos ainda já quase até ao século XX. [9].

Referências

  1. Born, Wolfgang, "The Development of Footwear", CIBA review 34 (1940), p. 1206-1209, Published by:Society of Chemical Industry in Basle
  2. Carol van Driel-Murray, "Vindolanda and the Dating of Roman Footwear", Britannia, Vol. 32 (2001), p. 193 - 195, Published by: Society for the Promotion of Roman Studies, DOI: 10.2307/526955, available at JSTOR (subscription required) Stable URL: https://www.jstor.org/stable/526955
  3. Goldman, N., in Sebesta, Judith Lynn, and Bonfante, Larissa, editors, The World of Roman Costume: Wisconsin Studies in Classics, The University of Wisconsin Press, 1994, pp. 122, 125, citing Isidore of Seville, Origines, 9. 34
  4. Houston, Mary G. Ancient Greek, Roman, and Byzantine Costume and Decoration. New York: Barnes and Noble, 1947, p. 45-47
  5. Laver, James. Costume and Fashion: A Concise History. 4th ed. New York: Thames and Hudson, 2002, p.32-40
  6. Born, Wolfgang, "The Development of Footwear", CIBA review 34 (1940), p. 1210-1215, Published by:Society of Chemical Industry in Basle
  7. Born, Wolfgang, "The Development of Footwear", CIBA review 34 (1940), p. 1215-1216, Published by:Society of Chemical Industry in Basle
  8. Born, Wolfgang, "The Development of Footwear", CIBA review 34 (1940), p. 1216, Published by:Society of Chemical Industry in Basle
  9. Born, Wolfgang, "The Development of Footwear", CIBA review 34 (1940), p. 1206-1209, Published by:Society of Chemical Industry in Basle