Carl Leopold Voges

Carl Leopold Voges nasceu em 01/10/1801 em Friedberg junto a Hildesheim, Hanôver — Faleceu na sede da Colônia Três Forquilhas, hoje Itati - RS em 03/10/1893, vitimado pele epidemia de cólera que grassou na Colônia de Três Forquilhas. Essa epidemia vitimou muita gente, em particular crianças, velhos e africanos, com menor resistência contra esse mal. Em janeiro de 1894 também faleceram Elisabetha, esposa do pastor, e Mãe Maria - mulher africana da casa pastoral, todos sepultados no Cemitério do Passo, que ficava ao norte da Colônia, às margens do rio Três Forquilhas.

Voges foi o terceiro pastor luterano alemão no Brasil, e o segundo no Rio Grande do Sul. Sua chegada no Rio de Janeiro foi em 11/10/1824.

A embacação Flor de Porto Alegre pela qual seguia rumo ao Sul naufragou em Mostardas a 27/12/1824. Acolhidos pela população de Mostardas seguiram até São Leopoldo, lá chegando em 11/02/1825. Por breve período atuou como pastor e professor em São Leopoldo, encarregando-se de pregar no lado direito do Rio dos SinosHamburgo Velho, Dois Irmãos, Campo Bom e Ivoti – enquanto o pastor Ehlers ocupava-se da margem esquerda – São Leopoldo.

O pastor Carlos Leopoldo Voges atuou por 66 anos no pastorado e a maior parte deste tempo, talvez 60 anos dedicados à Colônia de Três Forquilhas, deixando marcas de sua profícua liderança, em favor do bem estar do povo.


Entre os Pioneiros da Colônia Alemã de Três Forquilhas.

Pastor Voges integrou a caravana de colonos, designada para colonizar a região de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A chegada em Torres ocorreu em 17/11/1826. Integrou a primeira leva de colonos que seguiu até o vale do rio Três Forquilhas, chegados ao local na semana que antecedeu o Natal de 1826. Assim, o primeiro Natal no Vale do Rio Três Forquilhas foi comemorado na noite de 24/12/1826, com um culto oficiado pelo pastor Voges e que contou com a presença até de um pequeno grupo de índios caingangues que haviam auxiliado os colonos na a construção da primeira choupana-templo e das choupanas de moradia para os colonos.

Quando Voges foi instalado, recebeu duas colônias de terras, onde depois construiu sua residência, a igreja e a escola.

Casou com Luísa Elisabetha Diefenthäler em 24 de março de 1828, em Campo Bom - RS.


Assistência Espiritual em Tempos da Guerra dos Farrapos.

Pastor Voges esteve presente em momentos difíceis como foi o caso do período da Guerra dos Farrapos, quando a Colônia também foi marcada pela dor.

No ano de 1839 um grupo de farrapos desgarrados desobedecendo as ordens de General Canabarro, retardatários, foram em busca de alimentos. Atacaram casas de colonos, matando o velho Sparremberger e o menino Bobsin, além de ferir mais dois colonos. Esses farrapos foram mortos na reação dos colonos e sepultados no Cemitério do Passo.

Pastor Voges revelou grande perspicácia, para enfrentar a situação difícil. Na oportunidade chegou à Colônia de Três Forquilhas um efetivo das forças imperiais comandadas pelo Coronel João Frederico Caldwell. Esse militar amparou a população de Três Forquilhas na hora difícil e concedeu ao pastor valiosas orientações para o exercício da liderança comunitária. Pastor Voges recebeu de Coronel Caldwell a autorização para acompanhar o médico do efetivo imperial, como intérprete, em visitas às casas de colonos feridos e à pessoas doentes da Colônia.


A Construção do Templo.

A construção do templo da Colônia Protestante de Três Forquilhas foi repleta de grandes obstáculos e dificuldades. O primeiro templo, em 1826, foi uma simples choupana construída por índios caingangues aculturados, que serviu de morada do pastor, de templo e de escola. Essa edificação precária e simples não recebeu uso pleno pois já em 1827 foi edificado um templo de madeira, com recursos do Governo Imperial. Porém o sonho dos colonos e do pastor era um templo mais sólido, de pedra. A motivação inicial foi boa e diversos colonos foram quebrar pedras e estabeleceram o alicerce. As obras pararam pois os colonos se revoltaram, indispostos com o peso do trabalho. Ouviam-se vozes dizendo: - Isso é trabalho de presidário ou de escravo!. Tudo parou. Veio o momento difícil da Guerra dos Farrapos de 1835 a 1845. Finalmente o pastor seguiu até Porto Alegre com um obetivo expresso, de encontrar um mestre canteiro competente e pedreiros, em falta na Colônia. O pastor teve êxito. Conseguiu resolver o problema no mercado de escravos. Ali estava sendo oferecido um mestre canteiro, sem valor comercial pois era manco por causa de um acidente numa pedreira de Viamão e por causa da idade. Para conseguir o mestre canteiro o pastor teria que adquirir mais outra mercadoria, para receber o escravo afro de presente. Foi desta maneira que o pastor adquiriu a jovem afro Maria, da Nação Nagô, entendendo que a mesma poderia ficar ao serviço de sua esposa Elisabetha, sobrecarregada de tarefas como esposa e mãe, além de professora da Escola Comunitária. A solução encontrada pelo pastor teve resultados rápidos. Além de receber o afro Vicente, experiente mestre canteiro, conseguiu contratar o mestre pedreiro José Pereira de Souza, recem vindo dos Açores, e mais dois afrodescendentes libertos, que se apresentavam como pedreiros. Assim, no ano de 1850 o pastor inaugurou o seu novo sobrado, construido conforme novas técninas trazidas pelo mestre pedreiro açoriano Pereira de Souza, dando início a uma nova fase na edificação de moradias no vale do rio Três Forquilhas. Em abril de 1853, no Domingo de Misericórdias Domine - Domingo do Bom Pastor - era realizada a grande Festa da Cumieira do nova igreja de pedra e, apesar de ainda não ter recebido o telhado adequado, o templo já era colocando em uso. Isso se tornara possível graças ao desempenho e conhecimento do mestre pedreiro afro qua passou a ser conhecido, e admirado pelo povo, como o Pai Vicente.


Lutando pela integração na nova Pátria.

Pastor Voges decidiu tornar-se cidadão brasileiro e para tanto buscou a sua carta de naturalização, que foi concedida pelas autoridades do Governo Imperial. Isso lhe permitiu assumir o cargo de administrador das Colônias Alemãs de Três Forquilhas e São Pedro das Torres, passando a fazer relatórios periódicos sobre a situação de ambas as colônias, enviado-os ao Governo da Província. Abriram-se as portas para o desenvolvimento sócio econômico e cultural da Colônia que muito sofrera com isolamento e estagnação, causadas pelo longo período da agitação farroupilha.

No ano de 1850, Voges passou a insistir com os colonos para aceitarem a miscigenação cultural, com a inclusão do ensino da língua nacional no educandário por ele mantido e que até então era tido como sendo uma Escola Alemã. Em 1851 com a vinda do professor Christian Tietböhl, oficial prussiano de fina formação, o pastor passou a contar com o apoio deste educador experiente. Professor Tierboehl, além de radicar-se na Colônia, passou a incentivar outros ex-companheiros de farda, militares conhecidos como Brummer, que haviam chegado ao Brasil para reforçar o Exército Imperial na Guerra contra Oribe e Rosas, para também se fixarem na Colônia de Três Forquilhas e, o pastor, tornou-se um exemplo de como é pssível assumir um exercício pleno da cidadania.

Finalmente após 1870 o pastor conseguiu que o Governo enviasse à Colônia Alemão de Três Forquilhaso o Professor Serafim Agostinho do Nascimento, natural de Rio Grande - RS, e formado em Magistério no Rio de Janeiro. Deste modo tornou-se possivel fixar a base almejada para a formação bilingue, de crianças e jovens, capacitados a continuar os estudos em Porto Alegre ou São Leopoldo.


Assistência Espiritual aos Voluntários da Pátria

No período da Guerra do Paraguai o pastor teve intensa atuação visando oferecer assistência espiritual aos Voluntários da Pátria da Colônia de Três Forquilhas que partiam para a guerra, bem como aos familiares dos mesmos. Realizou um culto solene antes da partida dos voluntários, para invocar a assistência divina, para guiá-los e para encorajá-los, firmando-os na fé e, além de tudo, para não temerem o sacrifício de suas vidas caso necessário. Durante a guerra, cada vez que vinha um aviso do Governo Imperial, informando a morte de um Voluntário da Pátria filho da Colônia de Três Forquilhas, dona Elisabetha com a ajuda de Mãe Maria confeccionava uma coroa fúnebre e o pastor a fixava na parede do templo, acompanhado por orações e palavras de consolo, na presença dos familiares enlutados. Após a guerra passou a realizar cultos anuais, reunindo os soldados sobreviventes e os familiares que perderam um filho na guerra, visando manter viva a memória deles no seio da comunidade, e do sacrifício ao qual se dispuseram. Certamente o militar mais ilustre, filho da Colônia de Três Forquilhas, nascido no nucleo da igreja, onde hoje é a sede do município de Itati - RS, foi Coronel João Niederauer Sobrinho, que tombou na Batalha de Avaí, em 1868.

Fontes de referênciaEditar

  • MÜLLER, Elio Eugenio. Três Forquilhas - 1826 - 1899, A Fase de Formação da Colônia, Fonte Gráfica e Editora Ltda, Curitiba - PR, 1992.
    • MÜLLER, Elio Eugenio. De Pés e a Ferros, O início da Colonização no Vale do Rio Três Forquilhas, AVBL Editora - São Paulo, SP, 2009.
      • MÜLLER, Elio Eugenio. Sangue de Inocentes, Um Episódio da Revolução Farroupilha, Editora AVBL, São Paulo - SP, 2009.
        • MÜLLER, Elio Eugenio. Dos Bugres aos Pretos, Editora AVBL, São Paulo - SP, 2010.
          • MÜLLER, Elio Eugenio. Amores da Guerra, Episódios da Guerra do Paraguai, Editora AVBL, São Paulo - SP, 2010.
          • HUNSCHE, Carlos. O Biênio 1824/1825 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul, 1a Edição. A Nação/DEC/SEC, Porto Alegre, 1975.

Ligações externasEditar

História da Imigração Alemã no RS Download gratuito do livro em:[1] DE PÉS E A FERROS.

  Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.