Carlos Alberto de Menezes

Carlos Alberto de Menezes (Cantagalo, 15 de outubro de 1855Recife, 1 de novembro de 1904), segundo filho do engenheiro carioca Camilo Maria de Menezes e Dona Maria Gertrudes de Figueiredo, foi um ilustre Engenheiro civil e renomado líder católico que atuou no estado de Pernambuco, no final do século XIX. Destacou-se na arregimentação das forças católicas, particularmente no terreno social. Seus estudos iniciais, finalizados no Colégio Pedro II, Rio de Janeiro, em 1872, lhe renderam o título de bacharel em letras. Mais tarde a partir de 1874, cursou a Politécnica obtendo o título de engenheiro civil pela Escola Politécnica Fluminense em 1878. Uma formação profissional altamente qualificada de engenheiro, categoria que então não estava na vanguarda do desenvolvimento do Brasil.

Carlos Alberto de Menezes

Carlos Alberto de Menezes

Nascimento 15 de outubro de 1855
Cantagalo, Rio de Janeiro, Brasil
Morte 01 de novembro de 1904
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação Engenheiro Civíl, Líder Católico, Bacharel em Letras
Escola/tradição Escola Politécnica Fluminese

Através de contatos, foi introduzido na Sociedade de São Vicente de Paulo, ingressando nas fileiras dos vicentinos. Participando intensamente da Conferência Vincentina, experiência esta que marcou profundamente sua sensibilidade para com os pobres e menos privilegiados.

Nessa época, trabalhou primeiro como fiscal na construção dos serviços ferroviários que do Recife se faziam na direção do rio São Francisco. Em 1880, voltou para o Sul e casou-se com Maria Angélica Lacerda, filha de Antônio de Lacerda ilustre industrial baiano, construtor do Elevador Lacerda, primeiro elevador de Salvador; depois de casado, regressou para Pernambuco, passando a trabalhar como fiscal na construção da chamada Estrada de Ferro Central de Pernambuco. Fixou residência em Jaboatão. Na comunidade, nasce em 1881 Maria Adélia e, em 1883, Camilo, seus primeiros filhos. No ano de 1884, volta Carlos Alberto para o Rio de Janeiro, face à atitude de um empreiteiro que se recusa a cumprir as ordens de serviço que havia exercido, indispõe-se com a chefia da Comissão Federal encarregada de fiscalizar as construções, que não lhe teria dado devido apoio, pedindo demissão.

No Rio de Janeiro, constrói um trecho da estrada de ferro do Norte do Estado do Rio. Depois trabalha em Tingui, no serviço de abastecimento d'água, nascendo Luis, seu terceiro filho.

As boas relações que foram deixadas em Pernambuco, de amigos que sabiam apreciá-lo, o levaram, a partir de 1886, a trabalhar na companhia que explorava o sistema de comunicações urbanas do Recife, a Ferro Carril, que tinha sede no Rio de Janeiro. Fixando-se novamente sua residência no Chora Menino, no Recife, onde nasceram seus filhos Carlos Alberto em 1887, e Vincente, em 1889. Exerceu a profissão de gerente, desenvolvendo ação. Retirou-se da Ferro Carril em 1891, justificando-se perante a diretoria, pela obrigação de prover o futuro de sua família, aproveitando interesses mais vantajosos que lhe foram oferecidos na administração de uma empresa industrial.

Companhia Industrial PernambucanaEditar

Em 1889, seu amigo e empreendedor argentino, Pereira Carneiro, sabia que as tecelagens no Rio de Janeiro eram muito rentáveis, mesmo com a concorrência estrangeira. Decidindo juntamente com Antônio Muniz Machado e outros sócios, fundou a Companhia Industrial Pernambucana em 23 de janeiro de 1891.

Carneiro, que já era dono de uma Usina em Goiana no mesmo estado, estabeleceu a Fábrica de Tecidos de Camaragibe no engenho Camaragibe, no município de São Lourenço da Mata, em Pernambuco. Sendo Carlos Alberto convidado a ser o diretor gerente da Fábrica de Tecidos. Carlos Alberto convenceu Carneiro a incluir nos estatutos da nova companhia um parágrafo, garantindo um tratamento mais cristão para seus futuro operários. Antecipou assim as orientações da enclíclica Rerum novarum, do papa Leão XIII, promulgada em 15 de maio de 1891.

Em 1891 Carlos Alberto partiu para a Europa, encarregado de colher informações sobre outras fábricas de tecidos fora do pais. Uma vez por lá, conheceu uma experiência de gerência cristã na Fábrica de León Harmel no Val-de-Bois na França.

Com a influência do trabalho do engenheiro francês Leon Harmel, juntamente com a maquinaria necessária para a criação de uma empresa têxtil no primeiro surto industrial brasileiro, Menezes deixaria a faceta rural do país de lado, quando se envolveu com empresários e profissionais qualificados franceses e alemães.

Na França conheceu Pierre Collier, retornando com ele ao Brasil em dezembro de 1891. Collier era um jovem engenheiro, que se tornou mais tarde seu genro ao se casar com a filha de Menezes, Maria Adélia, criando uma profunda amizade entre suas famílias. Outros estrangeiros que por ali estavam, como Friedrich Otto Kummer, jovem engenheiro alemão das redondezas de Munique, buscavam juntos as novas técnicas e tecnologias que pudessem desenvolver a economia local e a venda de produtos para o mercado consumidor.

Aos poucos surgiram as fábricas e as casas operárias com altos padrões higiênicos para a época. Surgindo assim a primeira Vila Operária da Ámerica Latina.

Mais tarde em junho de 1900, fundou a Corporação Operária de Camaragibe, onde Carlos Alberto era diretor. A Corporação surgiu forte e independente da vontade dos patrões, garantida por si e pela lei. Todos os operários de Camaragibe faziam parte dela, que tinha uma função moral, pois desenvolveria toda a sorte de benefício moral, material, espiritual e intelectual para eles e suas famílias. Educar o operário pela prática da associação, desenvolvendo o espírito da união, solidariedade e fraternidade.

Esse ativo propagandista faleceu em 1 de novembro de 1904. Seu enterro teve o acompanhamento de 78 carros, 6 bondes especiais e aguardavam no cemitério centenas de pessoas. A fábrica foi repassada a seu genro Pierre Collier, e em seguida a seus filhos. Em 1987 foi adquirida pelo grupo Braspérola, desativada e logo depois revendida ao grupo Vivabrás, iniciando mais uma vez a lembranças dos saudosos pioneiros.

ReferênciasEditar