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Castelo de Pierrefonds

Vista geral do Castelo de Pierrefonds em 2004
A entrada principal vista do pátio exterior.

O Castelo de Pierrefonds (Château de Pierrefonds em francês) é um imponente palácio fortificado, situado em Pierrefonds, no bordo Sudeste da Floresta de Compiègne, a Norte de Paris, entre Villers-Cotterêts e Compiègne, no departamento de Oise.

O castelo apresenta a maior parte das características defensivas da Idade Média.

Este palácio está classificado como Monumento Histórico desde 1848.

HistóriaEditar

No século XII, já se elevava um castelo no lugar dito de "le Rocher" de Pierrefonds (O Rochedo de Pierrefonds).

Século XIVEditar

Quase três séculos depois, em 1392, o Rei Carlos VI, eleva o Condado de Valois (do qual Pierrefonds fazia parte) a Ducado, e dá-o a seu irmão Luís de Valois, Duque de Orléans. Este último oferece o castelo original às Irmãs do Santo Suplício e, de 1393 à sua morte em 1407, faz construir um novo edifício pelo arquitecto da Corte, Jean le Noir, na localização actual.

Século XVIIEditar

Em Março de 1617, no início turbulento do reinado de Luis XIII, o Château é propriedade de François-Annibal d'Estrées (irmão da bela Gabrielle d'Estrées), membro do "Partido dos Descontentes" liderado por Henrique II, Principe de Condé. O palácio é sitiado e invadido pelas tropas enviadas por Richelieu, à época Secretário de Estado da Guerra. Empreende-se então o seu desmantelamento, mas este não chega ao seu termo devido à amplitude da tarefa. Os trabalhos exteriores são arrasados, as caras destruidas e são praticadas sangrias nas torres e nas muralhas.

 
Vista das ruínas antes do restauro

Século XIXEditar

O palácio permanecerá em ruínas durante dois séculos, até que Napoleão Bonaparte o resgata em 1810 por menos de 3.000 francos. Ao longo do século XIX, quando há uma redescoberta da arquitectura da Idade Média, torna-se uma "ruína romântica". Em Agosto de 1832, Luis Filipe, oferece um banquete no Château de Pierrefonds por ocasião da sua filha Louise com Leopoldo de Saxe-Cobourgo-Gota, primeiro Rei dos Belgas. Como outros artistas, Corot representa as ruínas em várias reprises entre 1834 e 1866.

O príncipe presidente Charles Louis-Napoléon Bonaparte visita o Château de Pierrefonds em 1850. Seguindo os conselhos de Prosper Mérimée, Napoleão III, tornado Imperador, manda em 1857 o arquitecto Eugène Viollet-le-Duc empreender o seu restauro.

 
A Torre Nordeste restaurada

Conta uma anedota que estando o Imperador hesitante entre o restauro do Château de Pierrefonds e o de um outro château, Eugénie Bonaparte lhe terá proposto que tirasse à sorte, tendo saído o nome de Pierrefonds. Isso terá acontecido por ela, para satisfazer a sua preferência, ter escrito esse nome nos dois papéis do sorteio.

Este restauro devia limitar-se a uma simples recuperação no estado das partes habitáveis (torre de menagem e anexos), devendo as ruínas "pitorescas" subsistir para a decoração. Em 1861, o projecto ganha amplitude: o soberano desejava, agora, fazer uma residência imperial, devendo, para isso, o palácio ser inteiramente reconstruido. Os trabalhos de reconstrução, que terão custado na época 5 milhões de francos (dos quais 4 milhões foram lançados na lista civil do Imperador), foram parados em 1885, seis anos após a morte de Viollet-le-Duc, pela partida de Napoleão III. Por falta de dinheiro, a decoração das salas permaneceu inacabada.

 
Cripta

Viollet-le-Duc fará para o palácio um trabalho muito mais de inveção e recriação que propriamente de restauro. Imaginou como terá sido o château, sem se basear estritamente na história do edifício. O pátio interior, com as suas galerias Renascentistas, tanto quanto as pinturas polícromas de inspiração medieval que mostram o seu ecletismo e a sua liberdade de interpretação.

Reconhece-se, pelo contrário, na sua arquitectura exterior, os excelentes conhecimentos que tinha da arte do século XIV.[1] O arquitecto oferecerá, contudo, tanto no parque como nas fortificações, um leque eclético de construções defensivas de outras épocas. O arquitecto deu livre curso à sua inspiração muito pessoal. Chegou mesmo a desenhar o seu gato, que se encontra fundido sobre os telhados do palácio.

Este trabalho não deve fazer esquecer aquele que Viollet-le-Duc efectuou no Château de Roquetaillade.

Tendo morrido antes do fim das obras, seria o seu estilo a terminar a construção, apesar de o palácio não voltar a ser habitado.

Apesar de os seus detractores reprovaram esta reinvenção de uma arquitectura neo-medieval, que tomou muitas liberdades com a verdade arqueológica, Viollet-le-Duc fez mostra nesta reconstrução de um extraordinário sentido de elevação e de volumetria ede uma incontestável sensibilidade do local.[2]

Um monumento a redescobrirEditar

 
O Château de Pierrefonds em Março de 2002
 
Plano do palácio actual

No termo de um período de alienação que viu diminuir os seus visitantes (100.000 em 2000), o domínio é dirigido desde 2003 pela enérgica conservadora Isabelle de Gourcuff. A galeria das esculturas de sepúlcros foi objecto de uma nova cenografia depois da afectação definitiva das esculturas em gesso provenientes, a maior parte delas, da necrópole da Basílica de Saint-Denis.[3]

Estas sepulturas e as estátuas que as cobrem representam personagens históricas estritamente ligadas à monarquia francesa, e haviam sido encomendadas por Luis Filipe para o Museu Nacional do Château de Versailles.

O parque, pelo seu lado, foi objecto de um programa de restauro.

O Chateau de Pierrefonds nos meios de comunicação socialEditar

O palácio serve frequentemente de local de rodagens de filmes e séries de televisão, como por exemplo: les Visiteurs (Os Visitantes), Merlin (série), Jeanne d'Arc (Joana d'Arc) de 1999, etc.

Notas e referências

  1. Viollet-le-Duc era um antigo militar, autor de obras reconhecidas sobre fortificações.
  2. Qualidades que se encontram em duas outras reconstruções maiores: a cidadela de Carcassonne e o sítio de Vézelay.
  3. Cenografia Hélène Richard e Jean-Michel Quesne Artigo de Michèle Leloup no L'Express de 3/08/2006

Ligações externasEditar